quarta-feira, 29 de maio de 2013

Amar pelo prazer de amar!



“Eu prometo te amar e te respeitar na saúde e na doença, na alegria e na tristeza, até que a morte nos separe...”

Na minha concepção, amar é aceitar o outro. É dizer “eu te amo, apesar do que você é”.

Assim, sem garantias, sem condições, sem exigências, se ama porque se ama e ponto.

Por favor, não associem essa minha afirmação à aceitação de violência física ou emocional, ou mesmo à aceitação de outros desatinos ocasionados em razão da adicção ativa. Não é isso.

Estou aqui dizendo que meu esposo, apesar de estar limpo há 64 dias, continua sendo um adicto. E ele tem dificuldades. Ele passou muitos anos usando drogas, fugindo para as drogas, e isso lhe trouxe muitas consequências. Ele tem problemas de aceitação de si mesmo, e também problemas para se relacionar com as pessoas ao seu redor, inclusive comigo.

Além disso, ele trava uma luta diária para se manter limpo, é uma batalha contra seu próprio corpo, sua própria mente, então nem sempre ele está disponível para quem está perto.

Mas, eu o amo.

Daí me pergunto: “por que você o ama?”

Eu o amo porque ele desperta em mim o que tenho de melhor.

O amo porque me sinto feliz ao seu lado.

O amo porque sinto o seu amor por mim.

Sim, ele sempre me amou:

Nos EUA, quando eu era uma babysitter ou uma house-cleaning, e também quando estava desempregada.

Me amou quando eu estava magérrima, e também quando fiquei gordinha.

Me amou, mesmo com as consequências que a gravidez traz para o corpo.

Ele me amou nos meus dias de TPM, quando fui incompreensiva, e quando quase surtei em razão da codependência.

Ele simplesmente me amou, sempre. Do jeito que sou. Mesmo com meus defeitos e traumas, ele me amou. E isso, pra mim, é muito!

Ele tem um lugarzinho em seu ombro, que chamo de “o meu lugarzinho”. Quando ele se deita, e me deito ao seu lado, coloco minha cabeça sobre “o meu lugarzinho”, e ali conversamos sobre tantas coisas. Somente ele tem esse “meu lugarzinho” e eu o amo por isso.

Eu o amo, porque em alguns dias, com o corre corre de mãe, profissional e dona de casa, não lhe dou a devida atenção, e ele tem sido compreensivo.

Eu o amo porque somos cúmplices. Acreditamos nos sonhos um do outro, e apostamos neles.

Eu o amo porque ele é um guerreiro.

Eu o amo porque, todas as manhãs, ele me deixa um leite com café na caneca, prontinho, para quando me levanto apenas esquentar no micro-ondas.

Eu o amo porque ele cuida dos nossos filhos com tanto amor e dedicação.

Eu o amo porque o amo.

Sim, eu poderia citar aqui alguns dos defeitos dele que não gosto. E, certamente, ele também tem um rol dos meus defeitos que o incomodam. Mas, isso que é lindo. Ainda assim, nos amamos.

Querer que o outro mude não é amor. Desprezar o outro porque ele não é como você idealiza, não é amor. Aceitá-lo como ele é, isso sim é amor.

Mais uma vez ressalto, não estou falando de uso de drogas. Usar drogas não é defeito de personalidade, é doença. E doença tem que ser tratada.

Mas, estou falando de aceitar o dependente químico como ele é, e de amá-lo.

Hoje em dia, queremos tirar proveito de tudo, até mesmo dos relacionamentos. Sempre pensamos: “o que vou ganhar com isso?” Não condeno quem vive assim, mas isso não funciona comigo. Felicidade, pra mim, está em fazer coisas por amor, sem exigências, sem contratos.

Dia desses vi a história de Chris Medina e Juliana Ramos. Vocês já viram?

Dois jovens apaixonados que, após dois anos de noivado, tiveram suas vidas mudadas. Juliana sofreu um acidente e ficou com muitas sequelas, e Crhis decidiu se manter ao lado dela. Na nova rotina, ele dá muito mais do que recebe, mas mesmo assim está com ela até hoje.


Certamente queremos um amor como o do Crhis, mas poucas vezes estamos dispostos a dar esse amor.

Não falo apenas em amor de casal, mas amor de amigo, de irmãos, de familiares, de colegas de trabalho... de seres humanos. Por que não amar sem esperar nada em troca? Isso é tão gostoso!

Sei que existem muitos casais como esse que citei acima.

E eu quero amar ao meu esposo assim, de forma incondicional. E sei que amor não é um sentimento, mas sim uma decisão.

Acredito na nossa história e no nosso amor. E aceito o meu esposo como ele é.

E só por hoje, decido amá-lo, e o amo!

Sei que amar um dependente químico não é fácil. Além de viver na insegurança, requer de nós um amor inteligente, que tenha estratégias, que imponha limites. Mas, não me importo. Quero amá-lo e continuo o amando!

Amanhã ele fará 38 anos. E eu desejo a ele tudo de melhor, de coração. Que Deus o abençoe, um dia de cada vez, e sempre. E que ele seja realmente feliz!

E que esse amor em nossos corações se multiplique todos os dias...

sábado, 25 de maio de 2013

Muitos ainda não sabem!





Só nós sabemos
O que é a dor de uma chamada não atendida
De um atraso de dez minutos
De um entardecer sem notícias...
Sabemos o que é sentir o coração palpitar
As mãos transpirarem
As pernas bambearem
A mente parar
 E o medo chegar...
Só nós sabemos o que é esse desejo
De guardar o outro em uma redoma
De cuidar, de sarar, de salvar...
Só nós sabemos o que é sentir-nos impotentes
Perdidos
Sem direção
E, no dia seguinte, fortes e cheios de esperança novamente.
Só nós sabemos!
(Polyanna P.)

O que muitos de nós não sabemos é que viver a vida do outro, esquecendo de si próprio, é uma doença chamada codependência. E que, enquanto não buscarmos ajuda para nós mesmos, será difícil ajudar a quem amamos.

Infelizmente, muitos de nós ainda não sabem disso...

Por isso, quando acontece uma oportunidade como a de ontem a tarde, me sinto feliz em poder levar essa mensagem. 

Um dia vivi mergulhada em uma vida muito triste e sem sentido, onde, para mim, os passos do meu amado adicto eram mais importantes do que o ar que eu respirava. Eu estava doente, e não sabia.

Aprendi uma vida diferente, muito melhor, e é isso que tento passar adiante.

Ontem, na tarde de autógrafos, foi muito gostoso. Recebi pessoas que passam pelo mesmo que nós. Vi meus livros saindo nas mãos das pessoas, e era como se a minha história não pertencesse mais apenas a mim mesma.

Como já falei anteriormente, sou tímida, me sinto pouco à vontade com exposição, sou discreta, e simples. Confesso que prefiro as salas de grupo de apoio, e o blog. Afinal, estamos falando de um assunto cercado de muito preconceito ainda. Mas, se essa exposição vai levar essa mensagem mais longe, estou aberta. É o preço a ser pago, não é mesmo?

Sou muito grata pelo apoio que recebi da Secretaria de Estado de Justiça, Direitos Humanos e Cidadania do Distrito Federal, onde tem pessoas acreditando e torcendo pelo meu trabalho!

Ontem recebi uma notícia muito boa! Ainda não posso falar, mas é coisa boa!

Agradeço a todos os que compareceram ontem, com sua porção de carinho! Agradeço pelas mais de 170.000 visualizações do Blog! E agradeço aos mais de 700 participantes em nossa página do facebook!

E agradeço a Deus por meu esposo estar limpo há 60 dias! E por mais essa conquista de ter meu segundo livro publicado! Embora meu esposo não tenha sido exposto, ele estava lá ao meu lado, me ajudando e apoiando. E a orquídea que ele me deu, estava sobre a mesa com os livros, representando o nosso amor.

Estamos juntos nessa!

Força, fé e esperança, só por hoje!

Minha história não é mais apenas minha...

Um abraço de Eduardo Monteiro, Responsável pelo Projeto Prata da Casa da SEJUS, e um dos que tem acreditado em meu trabalho!

Falando sobre a codependência...

Com o Secretário de Justiça, Alírio Neto. Quando o vejo falar do meu livro com tanta emoção, não tenho como não me emocionar. Alguém que acredita em meu trabalho e que sabe o que é amar um d.q.!

Autografando... Antônia Nery, pessoa muito especial, e também engajada nessa causa!


Uma flor... Nosso amor!

quinta-feira, 23 de maio de 2013

Viciados nos "outros"!



Bom dia!

Tudo bem com vocês?

Por aqui, tudo bem! Tive um dia de aniversário feliz, apesar dos 35 anos, que inevitavelmente chegaram! Risos.

No dia 22/05, sempre paro pra pensar um pouco no que tenho feito da minha vida. E, neste ano, fiquei feliz ao analisar como tenho vivido, vejo alguns progressos em minha recuperação, e alguns crescimentos como ser humano.

No Salmo 90:12 diz: "Senhor, nos ensina a contar os nossos dias". Ou seja, entendo com isso que, nem todos os dias vividos são válidos diante de Deus. Mas apenas aqueles em que fazemos algo de acordo com o coração Dele.

Então, ontem, o meu pedido foi esse: “Senhor, 35 anos se foram, provavelmente eu já tenha vivido quase a metade da minha vida, então, me ajude a viver de forma que os meus dias sejam realmente válidos diante de Ti.”

Acho que fazer o bem ao próximo é uma boa forma de fazer um dia ser contado. E valorizando os momentos felizes de cada dia, com coração grato, também!

Posso resumir pra vocês esses meus momentos felizes ontem:

Salão de beleza pra mim – Café da manhã com meus filhos - Fugidinha com meu esposo, e almoço a dois - Telefonemas de pessoas muito importantes em minha vida, como minha mãe e minha irmã - Abraços! Abraços! Abraços! - Tantas demonstrações de carinho, via internet - Sorvete com meus filhos, à noite - Bachata (dança da República Dominicana) com meu esposo na sala de casa!

Agradeci a Deus pela vida, pela saúde, por tantas coisas boas que Ele me concede, e também pelos 58 dias que meu esposo se mantém limpo.

E é isso... Coisas simples, né? Mas, minha felicidade é assim, composta de coisas simples mesmo.

Alguns talvez se perguntem: Será que não acontece nada de ruim na vida dela, quando o marido está limpo?

Claro que acontece! Todos os dias acontecem alguns fatos desagradáveis, seja no trabalho, em casa, na família, ou comigo mesma. Mas, meu foco não está nesses fatos ruins, por isso sou feliz!

Recentemente escrevi um artigo para a Revista Anônimos, publicada neste mês, e uma das frases que disse foi “não dá pra deixar minha felicidade congelada, esperando o momento certo de ser feliz, quando tudo for perfeito. Enquanto isso, tem muita vida acontecendo.” E é realmente nisso que acredito.

O que posso mudar, mudo. O que não posso mudar, aceito. E o que é difícil de aceitar, entrego nas mãos de Deus.


Queridos, mudando de assunto, preciso falar um pouquinho com vocês sobre a gravidade da codependência.

Tem uma senhora que é minha depiladora há muitos anos. E, ontem, tive a oportunidade de bater um papo mais aprofundado com ela. Ela está tomando remédios fortes para depressão e síndrome do pânico. Seus dois filhos são adultos, casados, e levam uma vida normal. Entretanto, ela vive ansiosa, preocupada. Sempre acha que algo de ruim vai acontecer aos filhos ou a outros membros da família. Se preocupa em excesso com todo mundo. Não sabe dizer não. Está exausta. Não dorme direito. E nem mesmo sobra tempo para pensar em seu casamento, que será em breve, com um grande amor do passado, que ela reencontrou. Ou seja, os assuntos dela não têm importância para ela. E o seu grau de ansiedade está tão avançado que ela não consegue tirar a sua carteira de habilitação, pois tem surtos de pânico.

Fiquei a observá-la narrando sua forma de pensar e agir, e pensei: “caramba, parece muito com codependência agravada.” E, no final da conversa, ela me contou que seu ex-marido era alcoólatra e a agredia, não tanto fisicamente, mas muito emocionalmente. Ela viveu com ele alguns anos, e há muitos anos são separados, hoje são até amigos, mas ela não tratou a sua codependência.

Sua filha disse que se sente sufocada, e que todos sofrem com o jeito da mãe, por vê-la sempre naquele estado, tentando resolver os problemas de todos, ansiosa, nervosa, apreensiva, com medo, achando que tudo é sua responsabilidade.

A codependência é mais grave do que pensamos. Bom seria se apenas o fato de nos separarmos resolvesse tudo. Mas, esse problema não está fora, está dentro.

Em alguns casos a separação ajuda sim, principalmente se o companheiro se mantém na ativa, ou quando ele é agressivo ou indiferente. Mas, o que quero dizer, é que somente a separação não cura. Precisamos buscar “tratamento” para a codependência.

Essa senhora vai começar uma terapia nesta semana, além de estar se tratando com um Psiquiatra. Tudo isso em preços acessíveis. No meu caso, o que me ajuda muito são os grupos de apoio e as leituras, e já fiz terapia também.

Queridos, é sério, precisamos cuidar de nós!

“Poly, é muito doloroso. Sofro todos os dias. E não tem nada de ruim acontecendo, é tudo coisa da minha cabeça.” Ela desabafou.

Quando vivemos com dependentes químicos, nos “acostumamos” com os sobressaltos, com a ansiedade e o medo, com a adrenalina, com o desejo de “tomar conta” do outro, e tudo isso deixa muitas sequelas em nós.

Assim como a dependência química, a codependência também é uma doença progressiva. O codependente necessita se relacionar de forma nociva, é o nosso “vício”. Então, quando terminamos um relacionamento destrutivo, procuramos a “substituição”.

Antes eu pensava que ser codependente era não conseguir me afastar do meu esposo. Sim, ficar com alguém por necessidade é codependência, mas vai muito além disso.  Ser codependente é perder o contato com os próprios sentimentos, é esquecer de nossas próprias vontades, é anular-nos. Conseqüentemente, qualquer relacionamento que assumamos será pesado e doentio.

Ser codependente é pensar que só “funcionamos” quando agimos em prol dos outros, e isso nos faz ser obcecados por controlar os comportamentos alheios, enquanto nos perdemos em nós mesmos.



Vamos nos cuidar? Vamos olhar um pouquinho pra nós mesmos? Do que você gosta? Há quanto tempo não faz um programa pra você e por você?

Acho que já está mais do que na hora de voltarmos a viver nossas próprias vidas... Vamos?!

Deixarei, abaixo, algumas sugestões de onde poderá encontrar ajuda. Não trabalho e não represento nenhuma dessas organizações, apenas sou muito ajudada por elas.

Feliz vida nova!






Lembrando que amanhã, a partir das 14 horas, estarei na Secretaria de Justiça do DF (prédio da antiga rodoferroviária), para uma tarde de bate-papo e autógrafos, ao som da Banda Sinfônica de Brasília. Você está convidado!

Quem tiver interesse em adquirir os meus livros, clique aqui.

Beijão!

quarta-feira, 22 de maio de 2013

Feliz 22 de maio!



Existe somente uma idade para a gente ser feliz, 

somente uma época na vida de cada pessoa 
em que é possível sonhar e fazer planos 
e ter energia bastante para realizá-las 
a despeito de todas as dificuldades e obstáculos. 

Uma só idade para a gente se encantar com a vida e viver apaixonadamente 
e desfrutar tudo com toda intensidade 
sem medo, nem culpa de sentir prazer. 

Fase dourada em que a gente pode criar 
e recriar a vida, 
a nossa própria imagem e semelhança 
e vestir-se com todas as cores 
e experimentar todos os sabores 
e entregar-se a todos os amores 
sem preconceito nem pudor. 

Tempo de entusiasmo e coragem 
em que todo o desafio é mais um convite à luta 
que a gente enfrenta com toda disposição 
de tentar algo NOVO, de NOVO e de NOVO, 
e quantas vezes for preciso. 

Essa idade tão fugaz na vida da gente 
chama-se PRESENTE 
e tem a duração do instante que passa.

(Mário Quintana)

35?? Já?? rs.

Poly, com 01 aninho! rs.
Agradeço a Deus pela vida, 
e à minha mãe e à minha avó
por terem me ensinado a ser o que sou hoje. 
Meus exemplos!

terça-feira, 21 de maio de 2013

Dias de Recuperação!

Bom dia, queridos! 

Deixo, abaixo, o Prefácio do meu segundo livro: Amando um Dependente Químico - Dias de Recuperação.

Para adquirir o seu, clique aqui.

Bjos!




Sou Polyanna, 35 anos, servidora pública no Distrito Federal, Especialista em comportamento organizacional e gestão de pessoas, mãe de três filhos e uma mulher totalmente apaixonada pelo meu marido.

Meu esposo é portador de uma triste doença, reconhecida pela Organização Mundial de Saúde, mas discriminada por muitos, infelizmente. Ele é um dependente químico.

Meu pai também foi dependente químico, vindo a falecer em 1995, de overdose. Entretanto, eu pouco sabia sobre esse mal, e não tinha noção dos obstáculos que teria pela frente ao escolher um adicto para amar e me relacionar.

No início, vivemos um conto de fadas. Com meu amado longe das drogas, realizamos sonhos e vivemos momentos inesquecíveis.

Nos casamos no estado de Virginia, Estados Unidos, em dezembro de 2006: neve, árvores secas, a sensação de liberdade que morar em outro país nos dá, tudo perfeito. Mas, a história não se encerraria ali com um “viveram felizes para sempre”, na verdade, a história estava apenas começando.

Sua primeira recaída às drogas veio após dois meses que estávamos juntos. Tive a sensação de estar perdida, sozinha e senti pela primeira vez uma dor tão forte no peito que parecia me consumir, junto com uma enorme vontade de salvar o meu esposo do seu vício a qualquer custo.

O que eu não sabia é que aqueles meus sintomas demonstravam que eu passaria a desenvolver um comportamento codependente ao lado do meu marido e que a codependência me aprisionaria e me machucaria tanto quanto a sua dependência química.

Ser codependente é esquecer-se de si mesmo, é se autoanular, é deixar de viver a sua própria vida para dedicar-se exclusivamente aos cuidados de alguém.

Meu esposo passava o dia pensando em como obter sua droga de preferência, e eu passava 24 horas pensando em como evitaria isso. Quando ele estava em períodos de ativa, eu não comia e não dormia. Passava as noites olhando para o nada, esperando por ele. Eu me deitava de roupas e sapatos, para atender algum eventual chamado na madrugada. Já fui até à “boca” para evitar que ele usasse muita droga. Não conseguia estudar nem cumprir minhas obrigações profissionais. Fiz buscas em delegacias, Instituto Médico Legal (IML) e hospitais. Cada vez que ele recaía, eu reagia de forma mais insana. Eu estava doente, mas não me dava conta disso, pensava que o único que precisava de ajuda era o meu esposo. Eu estava errada.
   
Em outubro de 2009, fui pela primeira vez a um grupo de apoio aos familiares de dependentes químicos, e lá descobri uma nova maneira de viver. Foram tantos aprendizados! Entendi que não sou culpada pelas recaídas do meu esposo e que não tenho o controle sobre suas ações. Aprendi a viver um dia de cada vez, com o foco da minha vida em mim mesma e no que me faz feliz. Aprendi o real significado da palavra amor.

Em maio de 2011, durante um período de crise do meu esposo, decidi criar o blog Amando um Dependente Químico, como canal de desabafo, onde passei a registrar diariamente a vida ao lado de um adicto: são relatos de dor e de esperança, de sofrimento e de fé, mas sobretudo, de amor e de recuperação. Comecei então a partilhar o que eu havia aprendido no grupo de apoio, nas terapias com psicólogos, nos livros, e na vida.

Logo percebi que os acessos ao blog não eram apenas os meus. Começaram a vir os comentários, os e-mails, as palavras de quem passava pelas mesmas experiências e compreendia os meus sentimentos.

Hoje, dois anos depois, o blog está com mais de 160.000 acessos, como demonstração de que as experiências vividas por mim são cada vez mais comuns em nossa sociedade.

Dependentes químicos não são pessoas sem caráter ou com um problema moral. Dependentes químicos são pessoas como eu e você, com qualidades e defeitos, portadores de uma doença. E essa doença não escolhe raça, classe social, religião, ela não faz acepção de pessoas, ou seja, pode acontecer com qualquer um.

Para levar essa mensagem de fé e de esperança aos familiares de adictos que estão sofrendo, atolados na codependência, e para mostrar como é possível viver e ser feliz mesmo amando um dependente químico, transformei o blog em dois livros. O primeiro: Amando um Dependente Químico – Dias de Dor, publicado em 13 de agosto de 2012, onde narro o dia a dia ao lado de um familiar no ativo uso de drogas. E agora, com o livro Amando um Dependente Químico – Dias de Recuperação, pretendo mostrar que existe recuperação e esperança, tanto para o dependente, quanto para nós, seus familiares, vivendo um dia de cada vez.



Você está convidado!

segunda-feira, 20 de maio de 2013

Por que sofremos tanto?



De repente, num dia qualquer, nos deparamos com a realidade que aquele a quem tanto amamos está usando drogas. E agora, o que fazer? O mundo parece desabar sobre nossas cabeças.

Segundo pesquisa do Datafolha, divulgada neste mês, o maior medo do paulistano, na atualidade, é que os seus familiares se envolvam com drogas. Esse medo foi apontado como maior do que o medo de ter a casa assaltada. 45% dos paulistanos, atualmente, apontam o envolvimento de jovens da família com tóxicos como seu maior medo. Em seguida aparece o medo de ter a casa invadida por assaltantes, citado por 26%.”, diz a reportagem do Uol. (Clique aqui, e veja na íntegra).

E, de repente, nos deparamos com essa realidade. Temos um familiar dependente químico. 

O sofrimento da família é tão grande, que ela passa pelos mesmos estágios psicológicos de um paciente terminal: primeiro negamos, não aceitamos a realidade; em seguida, tentamos barganhar; depois, passamos a sentir raiva, revolta; por fim, nos desesperamos e deprimimos.

Entretanto, só conseguiremos uma vida saudável para nós, e ajudar efetivamente ao nosso familiar, quando chegarmos à fase da ACEITAÇÃO.

Não, não é fácil essa realidade. Dói muito. Sofremos. Mas, se realmente amamos ao nosso familiar, somente amar não basta, precisamos agir.

Agir como? Cuidando de nós. Nos levantando. Enxugando as lágrimas. Respirando fundo. E buscando informação e apoio.

Mas, afinal, o que precisamos aceitar?

Aceitar que dependência química é uma doença psiquiátrica grave, e requer tratamento. E que a família tem um papel fundamental para que o dependente reconheça que precisa desse tratamento.

Aceitar que não somos culpados pela doença do ser amado. Que não podemos controlá-lo e que não podemos curá-lo, infelizmente.

Por um lado, dói muito saber disso, mas por outro, nos sentimos leves, livres de um peso que não precisamos carregar, e assim, podemos encarar essa doença, e ter estratégias para ajudar a quem amamos.

Se não podemos controlar, indica que devemos nos “desligar”. Não adianta ficar acordado no meio da noite, ficar sem se alimentar, deixar de aproveitar o fim de semana com a família, etc. Tudo isso só vai te adoecer e deixar infeliz e frágil. E se você adoecer, e estiver abalado emocional e psicologicamente, quem vai ajudar ao seu familiar adicto quando ele pedir socorro?

Estou aqui para falar o que tem dado certo pra mim. Quando ia me deitar, sabendo que meu esposo estava “por aí”, e eu me via zanzando pela casa de um lado para o outro, olhando para o telefone, ou com pensamentos de ir procurá-lo pelas ruas, dizia para mim mesma: “Poly, você não pode controlá-lo. O fato de ficar aqui sofrendo, acordada, não vai trazê-lo de volta. As suas lágrimas não vão fazê-lo parar." Então, eu entregava o meu esposo a Deus, com fé, e pedia a Ele que me desse um sono tranquilo. Me deitava ao lado dos meus filhos, e dormia.

Estamos tão acostumados a ver reportagens mostrando familiares de dependentes químicos descabelados, abatidos, cheios de orelhas, chorando, que acabamos pensando que isso é um comportamento normal, mas não é. Isso é um comportamento doentio, codependente.

Temos nossas próprias vidas. Precisamos nos cuidar. Correr atrás dos nossos próprios sonhos. Viver!!!

Somente quando passei a fazer isso, me senti mais forte para estar ao lado do meu esposo.

Se eu continuasse afundada na codependência, provavelmente estaria hoje em uma profunda depressão, síndrome do pânico, parada profissionalmente, e com uma família desequilibrada e infeliz.

Só por hoje, meu esposo está limpo há 55 dias. E isso é mérito somente dele.

Mas, a minha recuperação só depende de mim! Sim, consegui estudar, fazer minha Pós, alcançar o meu cargo de gerente, escrever dois livros, curtir minha família, cuidar dos meus filhos, cuidar de mim, mesmo quando meu esposo estava na ativa, e isso é mérito meu!

Queridos, afundar junto com o dependente químico não vai ajudar em nada! Ao contrário.

Vamos cuidar de nós mesmos? Vamos parar de sentir pena de nós mesmos, e agir a nosso favor!

Quer dizer que se eu fizer tudo isso ele vai deixar de usar drogas? Não. Não existem garantias. Mas, quer dizer que se você agir de forma assertiva e sem facilitação ou culpa, ele terá mais chances de reconhecer que está doente e buscar ajuda. E, principalmente, quer dizer que você estará inteiro para ajudar a quem você ama... E para viver a sua própria vida!

Boa semana, queridos!

sábado, 18 de maio de 2013

Dois anos de mãos dadas!



Boa tarde!

Já tenho os nomes das ganhadoras dos livros!

A ganhadora do sorteio do facebook foi a CICILIANE  J. F.! Parabéns! Entre em contato via email ou inbox, querida, que você receberá em sua casa, os dois livros Amando um Dependente Químico: Dias de Dor e Dias de Recuperação!

E a ganhadora da promoção relâmpago do Blog, foi MIRELLE JANNUZZI, que enviou o primeiro comentário, às 08:19h! Você receberá em sua residência um exemplar do livro Amando um Dependente Químico: Dias de Recuperação, que acabou de sair do forno!

Obrigada a todos os participantes!

É isso aí, o Blog Amando um Dependente Químico completa hoje os seus dois anos! Tanta coisa aconteceu nesse tempo, né? Muito obrigada a todos pela companhia, orações, força e carinho nesse tempo de blog!

Hoje nosso blog está com 167.600 visualizações, sendo 17.200 de outros países, como Estados Unidos e Alemanha.

Tivemos reportagens na Globo, no SBT, no iG, no Jornal de Brasília, no Isaúde Bahia, dentre outros.

Sinceramente, isso não é o mais importante pra mim. O mais importante é saber que atrás desses números e divulgação, existem pessoas esperando por uma palavra de esperança. Pessoas que nunca pararam pra pensar em si mesmas, sempre olhando para o familiar adicto, e se anulando cada vez mais. Pessoas sofrendo na codependência... Pessoas como essa mãe, da mensagem abaixo:

“Foi num momento de desespero, onde eu vasculhava a internet, em busca de informações sobre drogas, mas tudo o que eu lia não me dava uma luz, não me ensinava como ajudar meu filho dependente de cocaína. Até que uma amiga me disse: Você precisa ler o blog da Poly, e eu entrei, comecei a ler, e aquelas palavras me prendiam, e ao mesmo tempo me confundiam, eu precisava ajudar meu filho, mas eu descobri: ESTOU DOENTE, SOU UMA CODEPENDENTE, meu Deus e agora !! mas não é isso que eu preciso, eu preciso ajudar o meu filho, depois eu vejo como fica a minha "doença", mas porque me identifico tanto com essa Poly? porque parece que ela sabe o que eu sinto? Porque ela escreve desse jeito que faz a gente refletir tanto?. Mas enfim, hoje eu agradeço a Deus, e a ela por expor sua vida aqui nesse blog, e desta forma poder ajudar tanto as pessoas. Poly, hoje sou outra pessoa, graças a você, meu filho segue internado a 6 meses, e eu me recuperando da codependência, mas vendo a vida e a dependência química com outros olhos, hoje eu consigo viver minha vida com meu marido e os outros filhos, com mais alegria, deixando o meu bem estar em primeiro lugar, e vivendo assim eu consigo proporcionar a harmonia no meu lar.
Para meu filho adicto eu deixei ele fazer suas escolha, aos poucos fui soltando sua mão, deixando de ser seu escudo, para que ele recebesse as conseqüências que a adicção provoca.
Obrigada Poly, pelo seu blog, pela ajuda, pela esperança que você passa para tantas mães sofridas.”

Parabéns pela mudança, querida Valéria! Sigamos adiante nos nossos aprendizados diários. Muito obrigada por suas palavras que me emocionaram demais!

Não consigo descrever o que sinto ao receber essas mensagens, comentários, e-mail, inbox no face... Sinto-me realizada.

Muito obrigada aos companheiros de outros blogs, aos leitores, ao meu esposo por concordar com essa exposição, e principalmente a Deus, porque sem Ele em minha vida, nada disso aconteceria.

Hoje o meu segundo livro está oficialmente lançado. O livro Amando um Dependente Químico – Dias de Recuperação fala de aprendizados que tive enquanto meu esposo estava internado.

Como lidar com a ausência do ser amado? Como olhar para si mesmo? O que fazer quando ele volta pra casa? Como superar a solidão?

Passei por isso na gestação do nosso filho caçula, e fiz esse livro com muito carinho, tentando passar adiante os aprendizados que assimilei nesse período. Além disso, repassei informações obtidas em terapias, grupos, cursos, livros e na vivência com adictos.

Isso tudo com uma grande pitada de romance, é claro, pois continua sendo uma história de amor.

Quem quiser adquirir o seu exemplar, clique aqui!

Promoção relâmpago!!!



Bom dia, queridos!

Hoje estamos em festa por aqui...

Dois anos de blog!

Mais tarde, será realizado o sorteio de comemoração no facebook.

Mas, pra quem não quer esperar, ou não tem face, ou quer dobrar as suas chances, vamos brincar um pouquinho?

O primeiro comentário que chegar nesta postagem, com palavras de força e esperança para os leitores, receberá em casa, gratuitamente, um exemplar do meu segundo livro: Amando um Dependente Químico – Dias de Recuperação, que acabou de sair do forno!

Todos os comentários recebidos, ficarão guardadinhos, esperando a moderação. E no fim do dia, voltarei com os dois resultados: do facebook, e do blog!

Vamos participar?

Alguém pode estar precisando das SUAS palavras HOJE!

É importante que, quem postar como anônimo, assine com um pseudônimo, ou siglas. Ok?

Tenham um lindo sábado!