sexta-feira, 12 de abril de 2013

O amor não morreu!


Flores recebidas!

Meu esposo voltou a trabalhar ontem, mas continua na Casa de Recuperação em suas folgas.

Na terça, ele esteve em meu trabalho. Havia duas semanas que não nos víamos. Na hora do almoço, ouvi quando minha amiga de trabalho disse: "-Humm, olha só lá na porta, Poly!"

Era ele. Ele estava muito bem arrumado (com direito a gravata), e um buquê de rosas na mão.

Quase caí. Tentei me manter normal. Fui até à porta, agradeci pelas flores. Não sabia o que falar. Todo mundo olhando, e ele parecendo um pimentão vermelho...

Almoçamos juntos. Expomos nossos lados abertamente. Conversamos. Tive a certeza de que ele me ama, mais uma vez.

Estou muito feliz por ver o homem que eu amo lutando!

Até hoje ainda encontro bilhetinhos que ele deixou escondidos em minha mesa...

Achei admirável o seu gesto.

Foi por esse homem que me apaixonei!

E uma notícia que me deixou muito feliz é a de que ele está limpo há 17 dias, não somente da sua droga de preferência, mas também do cigarro (nicotina)!

Estou observando seus atos, suas palavras. É fato que o amo. É fato que ele me ama. Mas, estamos sendo pacientes. Ele precisa desse tempo pra ele, e eu preciso desse tempo pra mim.

Cuidando cada um de si mesmo, estaremos na verdade, cuidando da nossa família.

Hoje eu estava folheando o livro Amando um Dependente Químico – Dias de Dor, e abri nessa página. Achei interessante partilhar com vocês...

“Lembro-me do quanto eu já estive afundada na dependência química, sem usar drogas. Explico. Quando o meu esposo foi internado, eu não conseguia pensar, respirar, viver nada mais que não fosse o seu problema. Eu o via apenas um domingo a cada quinze dias, e só falava com ele ao telefone nas sextas-feiras à noite, por cinco minutos. Ou seja, o espaço que a adicção dele ocupava na minha vida, estava vazio. Agora eu cuidaria de quem? Me preocuparia com quem? Olhar para mim e para os meus próprios problemas talvez fosse ainda mais doloroso do que lidar com a dependência química, e foi isso que fez de mim uma codependente.
Eu ligava para os monitores da Comunidade onde ele estava, todos os dias. Comecei a buscar ajuda para essa Comunidade junto aos políticos, Secretarias, sociedade, Administrações. Eu só falava disso. Cheguei a fazer três módulos de uma Especialização em Dependência Química. Estava tentando a minha transferência para trabalhar na Subsecretaria de Políticas contra Drogas. Onde estava a minha vida? O que havia sido feito da Polyanna? Dos meus sonhos? Meu marido estava internado, se tratando, mas, e eu? Eu estava a cada dia mais doente. Não tinha vida própria. Estava perdida.
Um dia minha Psicóloga perguntou-me: "Se tirar o assunto dependência química hoje da sua vida, o que sobra?" "Quase nada, ou nada." Foi minha resposta.
Para mim, não havia problema difícil ou acima das minhas possibilidades, se fosse para ajudar o meu marido, pagaria qualquer preço. Minha autoestima estava abaixo do chinelo, pensava que precisava fazer, fazer, fazer, pois só assim, seria merecedora do amor de alguém. Eu não sabia dizer não a ninguém, tinha medo de dizer não e ser rejeitada por isso. Eu era responsável pelo mundo, mas não por mim própria. Embora não seja obesa, comia compulsivamente, como se buscasse na comida, principalmente nos doces, algum prazer.
Parei para pensar nisso tudo. Comecei a entender o que era a Codependência. Vi que as minhas atitudes estavam além da bondade, do amor ou da vontade de ajudar o próximo. Vi que elas eram o reflexo da minha doença. Eu estava presa emocionalmente. Sofria demais. Descobri que precisava da instabilidade vivida com um marido dependente químico, pois assim eu poderia dizer que todo o meu sofrimento era por amor. Um pouco de masoquismo mesmo.
Entretanto, não era amor, era dependência, a codependência que eu havia criado. Mergulhada nessa doença, seria impossível ajudar meu esposo a se recuperar, afinal, a manutenção dos seus problemas eram a garantia da minha doença, o que não lhe permitia ter uma vida diferente.
Foi necessário que eu me voltasse primeiramente para a minha recuperação. Somente assim eu poderia verdadeiramente ajudar, e verdadeiramente amar. Abandonei a Especialização em Dependência Química e a substitui por uma em Gestão de Pessoas, minha área de atuação. Voltei minha atenção aos meus filhos. Passei a dedicar-me um pouco mais a mim mesma (salão, maquiagem, roupas, cremes). Tentei redescobrir o que me dá prazer de viver. Tentei me redescobrir.
Muita coisa mudou por aqui. Sei que ainda há muito a mudar. Hoje sei bem onde está a minha vida, e onde está a vida do meu esposo. Na minha vida, eu sou a protagonista, ele é coadjuvante...
Só por hoje vou trabalhar a minha recuperação. Só por hoje entendo que amar e sofrer não são sinônimos. Só por hoje, vou respeitar os meus limites.”

Só por hoje, quero estar focada em minha própria recuperação!
Só por hoje, entrego todas as minhas ansiedades nas mãos de Deus!
Só por hoje, estou feliz com minha vida assim, como está!

E termino com as palavras que recebi de um adicto que está em recuperação há mais de cinco anos:

"...perdoar não é esquecer...perdoar é se lembrar sem se ferir e sem sofrer. Por isso é uma decisão, não um sentimento. "

Bom fim de semana!

10 comentários:

  1. Poly, o amor não morreu pq amor verdadeiro não morre e só é amor o que é verdadeiro. É o caso de voces, essa doença sera controlada e logo tudo vai estar no seu devido lugar.

    Na torcida por vcs, bjaumm

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  2. Poly, acabei de descobrir o seu blog e e cara já me identifiquei muito com o pouco que li. Com várias mulheres eu também sou uma codependente que sofre, chora, perdoa...que ama! Fico muito feliz em saber que só por hoje seu marido está bem, glória a Deus por isso! Já o meu não está nada bem, só nessa semana ele já teve 4 recaídas e hoje está sendo mais uma delas.. Estou triste por ele, mas entreguei nas mãos de Deus e vou esperar para ver o que acontece! Estou com ele há 6 anos e 8 meses e temos um filho de 2 (que é mais apegado com ele do que comigo). A partir de agora serei leitora assídua de suas postagens, pois além de serem ótimas aqui na minha cidade não existem grupos de ajuda para pessoas como nós! Bom final de semana! Bjs

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  3. Poly,

    esses sentimentos estão todos dentro de mim nesse instante.
    Descobrir que não sei viver por mim mesma está doendo demais.
    Aprender a viver para mim, entes de viver pelo outro, dá uma sensação de que estou fazendo tudo errado.

    O primeiro passo é muito difícil, mas é necessário.
    Se eu não conseguir olhar para mim mesma, ele também não olhará.
    Se eu não conseguir ajudar a mim mesma, jamais o ajudarei.
    Estou com medo de perdê-lo, mas não posso viver assim.
    De que adianta ele estar limpo se eu estou recaída?

    Dói muito deixá-lo andar com suas próprias pernas, mas é necessário.
    só por hoje...

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  4. Olá Poly! Tenho acompanhado seu blog, e gostaria de partilhar um pouco com você. Bem, sou estudante de psicologia e faço estágio em uma clínica de reabilitação para dependentes químicos e há 4 meses iniciei um relacionamento com um dependente químico, ele está em recuperação há 2 anos e sete dias. Mesmo eu trabalhando todos os dias com a dependência química tenho muitas dificuldades com meu namorado, não sei lidar muito bem com as alterações de humor dele, acredito que devido a sua baixa auto-estima ele tenha necessidade de digamos assim "se achar o gostosão", me parece que como auto-afirmação, ou até mesmo como mecanismo de defesa. Eu me sinto um pouco frustrada, por que quando estou frente a um paciente no meu trabalho, sei exatamente o que dizer em um momento de fissura ou de qualquer outra situação, mas quando se trata do meu namorado eu me sinto impotente, já passei por situações em que ele se sentiu fissurado e eu não soube como agir. O que faço é escutá-lo e tentar entendê-lo por que acima de tudo eu o amo.

    Obrigada,
    Muitas 24 horas a vocês!!!

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  5. Estou feliz por vc!
    Onde há fé, há amor. Onde há amor, há paz. Onde há paz está Deus. E onde está Deus, nada falta....
    beijo grande Poly!

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  6. Olá Polly, hoje eu descobrir seu blog, quando eu comecei a ler parecia que estava lendo a minha história de vida.Faz 5 meses que estou namorando um dependente químico e não sei como lidar com essa situação. Acho que já virei uma codependente e está sendo muito difícil para mim tudo isso.Deus é a minha única força e esperança. Acredito e confio muito que Deus vai libertar ele desse mal. Desde já, quero colocar vc e sua família em minhas orações.Deus pode até demorar, mas não falha!!! Ele é fiel em suas promessas.
    Parabéns pela iniciativa do blog e do livro. Tenha a certeza que vc está sendo um instrumento de Deus para ajudar as pessoas que estão passando pelo mesmo problema.
    Gostaria de saber como eu faço para adquirir o seu livro? Moro em Recife-PE
    Deus abençoe e proteja vc e toda a sua família.
    Abraços

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    1. Olá, Olivia! Aqui mesmo no blog, no lado direito, tem um link que diz CLIQUE AQUI E ADQUIRA O SEU LIVRO, ou então pelo site http://www.clubedeautores.com.br/book/132743--AMANDO_UM_DEPENDENTE_QUIMICO.

      Bjão, querida, e seja muito bem-vinda!!!

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  7. bom dia Companheira, me identifico com o trecho do livro que vc relatou, tambem estou tentando ser a protagonista da minha vida, da minha história, isso não é rápido, nem do dia para noite, para mim é um dia de cada vez, as vezes me pego na doença, bem ativa mesmo, ontem conversei com Deus, e pedi entendimento, tirar as confusões... praticamente estou toda semana nas irmandades de NA, sou coordenadora do Nar-Anon, e no AA, como não tenho psicologo, mas eu mesma enxergo que preciso buscar outras coisas na minha vida, como uma especialização... cuidar de mim, me sentir realmente amada, eu me amar, pois já cheguei ao ponto de não me achar nada, nada... um seu ninguém... que comece por mim, esse lema, foi feito para mim... companheira sinceramente, eu me vejo em voce, como olhar no espelho e ver você, impressionante, até mesmo a droga de preferencia de nossos familiares são as mesmas... estamos juntas, força companheira, final de semana vc vai sentir muita falta dele, força...... abraço Poly, THAIS

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  8. Ola...Na verdade acho muito dificil compartilhar sentimentos relacionados a dependencia e codependencia.Namorei um homem por cinco anos fui traida roubada magoada e sempre perdoei por acreditar na recuperacao humana...qdo resolvi romper ele se decidiu por um tratamento passei este ultimo ano apoiando em lealdade ate q ele saiu da casa q se encontrava.Agora q esta limpo ha 1ano e 2meses decidiu romper o namoro me sinto usada e frustrada...mas feliz por 1vida que mudou de direcao...nunca cometam o mesmo erro q eu de priorizar o outro e se deixar em segundo plano porque todas as vidas importam com o mesmo valor.se nao cuidarem de si nenhum outro fara...

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  9. muito legal esse seu post...mostra uma mulher em busca da recuperação em primeiro lugar e torcendo sempre firme e forte pelo amado....e se Deus quiser tuda dará certo já está dando...força guerreira tmj

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