segunda-feira, 22 de abril de 2013

Ela escolheu viver!


Bom dia, queridas(os)!

Há alguns meses conheci uma pessoa, virtualmente. E descobri que essa mulher teve uma história incrível de superação. Jovem, bonita, mãe, esposa, profissional... Ela é a prova viva de que existe vida e felicidade após relacionamentos doentios com adictos.

Se escolhermos ficar, que seja por amor, e não por dependência ou por medo de viver!

Vale a pena ler. Certamente vai te chacoalhar!




                “Eu tinha 15 anos quando comecei a namorar o pai do meu primeiro filho. Morava em uma cidade de interior e ele fazia parte da minha família, era primo da minha mãe. Todos se conheciam, existia certa “confiança” por ele ser parente e namorar uma menina “de família”.
                Bem, namoramos um ano e nesse período ele se mostrou um jovem nos seus 19 anos querendo aproveitar a vida na sua plenitude, sempre no extremo, bebia além do que devia, quando dirigia, corria além do permitido, quando saía na noite era até o sol raiar, enfim, sem regras, sem limites.
                Eu permitia tudo, até mesmo traições, pois desde essa época ele também demonstrava seus exageros em relacionamentos, uma garota somente não bastava, contudo, algo em mim não permitia que eu tomasse uma atitude, pois não basta amar, você tem que ser no mínimo conivente com o que o outro faz para aceitar tudo que ele fazia.
                O tempo foi passando, eu cursava o segundo grau e em decorrência do que estava acontecendo no auge da minha adolescência repeti no primeiro ano do ensino médio. Não havia cabeça que suportasse um namoro tão conturbado.
                Resolvemos que íamos casar, na verdade, morar juntos. O que fizemos? Fugimos para a casa de praia dele e eu somente avisei minha mãe a decisão que estava tomando. Diante de alguns problemas familiares que eu enfrentava, sinceramente, naquele momento era mais fácil fugir mesmo, ainda mais com o cara que eu “amava”, tudo bem que ele me traía aqui e ali, tomava umas e outras a mais, mas depois que estivéssemos casados isso ia mudar.
                Assim fizemos, e a realidade não mudou muito no decorrer do tempo. Fomos morar com a mãe dele, brigamos muito, nos distanciamos algumas vezes, mas ele sempre vinha atrás, me dizia que me amava e que morria por mim e eu acreditava.
                Ele queria um filho, eu temia, mas pensei que um filho mudasse tudo. Pois bem, parei a pílula e logo engravidei. Quando mostrei o resultado para ele, ele falou: “legal”... é, pensei eu, “legal” para ele deve ser: Nossa, amor, que máximo! Te amo tanto, mas não sei expressar!
                Até aqui passaram 3 anos. Tive meu filho aos 18 anos e foi uma das melhores coisas na minha vida! Veio com saúde, perfeito, mudou minha vida!
                Passei a ter outra visão sobre a vida, sobre meus ideais e sobre o futuro dele, pois de agora em diante alguém dependia de mim para ser alguém e eu com certeza queria que ele fosse um grande homem!
                Só que o nosso filho não foi suficiente para a vida desregrada do meu marido, muitas madrugadas passei chorando, muitas roupas sujas de batom e com perfume de mulher e muitas histórias ouvi de que ele tinha várias mulheres. Comecei a enxergar isso como uma barreira em minha vida, eu já iria completar 20 anos e nada havia mudado, eu havia parado de estudar, trabalhava em um balcão de uma loja meio período e minha mãe cuidava do meu filho para isso. Algo começou a gritar em mim que essa não era a vida que eu merecia. Mas eu o amava tanto! Ainda assim o amava... então resolvi tentar mais um pouco, contudo não adiantou. Conversas não resolviam então eu decidi de vez melhorar a minha vida, pois eu queria dar ao meu filho um futuro mais confortável.
                Separamo-nos. Falei que não queria mais, pedi que ele saísse de casa, assim ele o fez, mas ele tinha certeza que faria festa alguns dias e depois viria com cara de choro para mim e voltaríamos “numa boa”.
                Primeira coisa que eu fiz: voltei a estudar a noite, tinha que terminar o segundo grau. Meu filho ainda era pequeno, mas minha mãe e irmã ajudavam e assim fiz, com muito esforço consegui. Morava distante da cidade que estudava, chegava tarde em casa, acordava cedo, mas consegui finalizar o segundo grau.
                Ele achou estranho tudo isso, tentar voltar e eu não ceder, me encontrar e mesmo sabendo que eu estava mal não correr ao encontro dele, mas fui passo a passo.
                Comecei a sair de casa, foi horrível porque eu acabava o encontrando e ele adorava me espezinhar, sempre estava com alguma mulher na minha frente, sempre sorrindo, bebendo... depois da noitada me ligava, me pressionava, perguntava que futuro eu queria para nosso filho, pois o filho queria os pais juntos, mas não sei dizer o que havia mudado, eu ainda o amava, mas já não era suficiente amá-lo sem reciprocidade.
                O tempo foi passando, ele não soube separar a separação, não era pai presente, não dava a atenção que o filho merecia e nem mesmo uma pensão alimentícia que era dever, ele não dava. Não que eu não precisasse, mas eu sempre dizia, não vou levar isso adiante, não vou exigir que ele pague perante a lei porque eu acredito na lei do retorno e sinceramente, isso também me machucaria.
                Fui levando, trabalhando, cuidando do meu filho, ele era uma criança saudável, exceto pela bronquite, pois morávamos no Sul e isso facilitava suas crises, que tinha um certa frequência. Nessa época eu ainda não tinha plano de saúde então, me virava como dava, por vezes tive que correr com ele para pronto-socorro, nebulizar por vários dias... mas ele foi crescendo, Deus ajudou muito!
                Comecei a trabalhar em uma Construtora e tinha iniciado um Curso Técnico em Enfermagem, eu tinha um certo fascínio por essa profissão, achava lindo saber lidar com um paciente e facilitar sua vida!
                Foi uma ótima experiência, mas tive que me mudar para uma cidade vizinha para conciliar o trabalho com o estudo e me afastei durante a semana de meu filho. Foi doloroso.
Meu coração ainda batia pelo meu ex-marido. Sabia de seus relacionamentos, chorava algumas vezes, principalmente quando meu filho começou a entender e me fazer algumas perguntas nos Dias dos Pais e Natal, onde os pais estavam sempre juntos. Fui tentando explicar da melhor forma, aquela em que ele não sentisse raiva do pai, pois o pai estava trabalhando ou ocupado com algo. Quando ele crescesse mais eu explicaria. Eu saia de casa à noite com alguns amigos para me distrair, até me divertia, tive outros relacionamentos, nada sério, na verdade eu nem conseguia me envolver mesmo. Achava os homens muito “vazios”.
                Meu Curso de Enfermagem era ótimo, não via a hora de estagiar. E a Construtora que eu trabalhava era na área de Engenharia Civil, que também começou a me interessar, engraçado isso!
                Nessa época reencontrei uma pessoa que estudou no primeiro ano do ensino médio comigo. Como ele era educado,  carinhoso e diferente de todas as pessoas! O homem que toda mulher espera e vinha de uma família humilde, mas de um caráter muito grande.
                Começamos um relacionamento devagar, mas ficamos juntos e foi um período muito bom, fui tratada com respeito e amor, algo que não acontecia no meu casamento e me fazia falta.
                Foi um pouco complicado para meu filho aceitar esse relacionamento no início, na verdade ele nunca aceitou, mas, meus familiares diziam a ele: sua mãe precisa ser feliz! Ele foi aos poucos cedendo.
                Ficamos juntos, mas não tempo suficiente para essa relação se consolidar, criar raízes. Isso porque descobri que ele tinha outra. Na verdade ele não tinha outra mulher, ele tinha outra necessidade, era usuário de drogas.
                Eu não entendi o por quê, eu não aceitei, eu chorei, sofri, queria saber qual o motivo ele tinha para isso. Uma família tão tradicional, tanto respeito, uma pessoa de caráter precisava se drogar de vez em quando para quê?
                Perguntei-me se eu estava tendo um pesadelo. Eu havia conseguido tirar do meu coração meu ex-marido, não era justo! Tinha conseguido amar outra pessoa, porque eu sempre tinha que ser trocada por alguém ou por algo?
                Comecei  uma batalha para livrá-lo desse mal, ligava sempre, queria saber se ele tinha chegado bem no trabalho, enfim, passei a viver a vida dele ao invés da minha.
                Diversas vezes fui parar no hospital com crise de cistite. Quando ele recaía, sumia para usar sua droga de preferência (cocaína) eu imediatamente tinha cistite. Um inferno!
                Minha vida se tornou o caos, ele começou a se desfazer de objetos de vez em quando, nunca tinha dinheiro, eu não dormia mais direito, não comia direito, só vivia em função de evitar que ele se drogasse e me culpava quando isso acontecia.
                Senti-me muito triste e comecei novamente a pensar no rumo que minha vida estava tomando. Havia saído de um relacionamento em que meu ex- marido me trocava pela droga de preferência dele que era o álcool e por conseqüência mulheres e havia me envolvido com outra pessoa que também tinha um vício, a diferença era a substância.
                Refleti muito, sofri, mas novamente optei por mim. Optei por não adoecer, não sofrer mais, afinal eu ainda tinha que correr muito atrás do prejuízo, precisava fazer uma faculdade, meu filho dependia de mim e eu não podia perder o foco, não podia viver a vida de alguém que não tinha decidido ainda lutar por si mesmo.
                O deixei, mesmo sabendo que isso poderia trazer consequências mais graves, pois se acontecesse alguma coisa com ele eu iria me sentir muito mal, mas de algumas reuniões do Nar-anon que freqüentei retirei o suficiente para saber das experiências de outras pessoas que a doença é grave, sim ela é, tem cura? Sim e não, sim porque a cada dia que um adicto não usa ele está bem, é uma pessoa normal, mas ele sempre terá que tratar sua doença, e de todas as formas possíveis.
                Conheci lá pessoas que ficaram longe das drogas por causa da espiritualidade, pois Deus de fato é o melhor caminho, outros que com Psiquiatria, Psicologia se mantém afastados da droga, outros somente com o NA. Não importa, o que importa é que existe muita gente lutando e conseguindo se manter longe... mas eu via que em nosso relacionamento a cada recaída ele unia todas as forças, se levantava como um guerreiro, mas aos poucos se afastava e era muito engraçado porque tinha um companheiro que era muito direto e dizia isso na frente de qualquer um... Se você se afasta é uma questão de tempo, logo recai. Isso é fato, se o adicto não estiver consciente de sua doença e encará-la como tal, se ele mesmo tiver preconceito (que era o caso dele, tinha vergonha do “depois”) e não encarar o problema de frente: Eu sou um dependente químico em recuperação SÓ POR HOJE, então vai recair sempre.
                E foi por isso que desisti dele, porque ele não assumiu esse compromisso com ele mesmo, vivia na sombra da depressão, da abstinência, da prepotência em achar que sozinho conseguiria... Eu falei, eu levei para clínicas, esperei ele sair de internação, só que quando vi que a opção dele era se esconder de si mesmo, da doença que adquiriu e que ele queria arrancar de si mesmo num golpe de mágica ou fugir de si mesmo se entorpecendo de vez em quando para aliviar o peso de sua cruz eu disse: - Não posso esperar! Você vai enxergar que a cura está dentro de você um dia!
                O deixei e doeu. Mais uma vez meus planos se desmoronaram. Sim, eu havia feito planos, queria ter uma família com ele, mas meu amor morreu no momento que eu percebi que ele fugia de si mesmo sempre.
                Recomecei aos pedaços, mas dessa vez, com a certeza de que o mundo não acaba com uma separação, pois eu havia me separado de meu ex-marido e tinha um filho com ele, então, não seria o fim.
                Decidi fazer um curso de Graduação que já estava a algum tempo pensando, pois havia terminado o curso técnico de Enfermagem. Comecei a cursar Engenharia Civil. Fazia parte do meu cotidiano, porque eu trabalhava em uma Construtora. Foi a melhor coisa que fiz, porque o curso era pesado, não me sobrava tempo para pensar em nada, só estudar e eu foquei nisso. Mais uma vez pensei: “-Vou me formar e dar uma vida melhor para meu filho”.
Foram dias difíceis. Sem dinheiro, somente o necessário, contando com ajuda de meus pais e minha irmã, fui levando.
                Meu ex-namorado saiu do país em seguida, por algum tempo soube dele porque minha irmã morava lá e acabou encontrando com ele, até nos falamos no início quando ele foi, mas meu amor por ele já não existia mais. Me mergulhei cada vez mais nos estudos e o tempo passou. Mudei de trabalho, fui para uma Construtora Multinacional e recebi uma proposta de trabalho para sair do Estado que vivia e ir para o RJ.
                Eu aceitei porque tinha uma meta, mas foi a maior dor da minha vida deixar meu filho com 11 anos e ir para outro Estado, vê-lo a cada 3 meses, que essa era a proposta da empresa. Eu tinha direito a retornar e passar um final de semana em casa a cada 3 meses. Foi minha prova de fogo! Terminar dois relacionamentos foi fácil perto disso!
                Isso aconteceu em 2007. Em 2008 eu estava casada com uma pessoa que conheci nesse novo trabalho que hoje é o pai do meu segundo filho, pois com ele tive a certeza que poderia refazer minha vida e ser feliz.
                Hoje tenho um filho adolescente que mora comigo, pois até eu me estruturar levou um tempo. Em 2011 ele veio morar comigo, com meu marido, o padrasto dele, e eu já estava grávida do caçula que hoje tem 1 ano e 9 meses e é minha segunda razão de viver!
                Problemas? Tenho muitos! Administro filho adolescente que viveu no interior e ainda se adapta no Rio, tenho bebê, trabalho fora, hoje sou Engenheira Civil e trabalho em um Departamento (Procurement) de uma empresa de Engenharia, pois graças a Deus consegui me formar e consegui atingir minha meta: dar para meu filho já adolescente uma vida melhor. Ele de fato tem uma vida mais fácil do que foi a minha e o mais importante: meu marido é excelente, amoroso, atencioso, ótimo pai, ainda se adapta como padrasto, mas nem tudo é perfeito. Tem defeitos como todos tem, mas encontrei uma pessoa que me entende, é companheira e nos completamos.
                Tenho minhas marcas do passado, sim, mas não sofro mais com elas, mas aprendi que é uma questão de escolha por você mesma. Eu decidi sempre na vida pensando no meu futuro e no futuro do meu filho. Eu tinha o direito de ser feliz e enquanto isso não me acontecesse não pararia de procurar.
                Respeitei sempre meus limites, quando percebia que aquele relacionamento estava me fazendo mais mal do que bem era hora de parar. Quando o desgosto e desprazer eram maiores do que o amor, era hora de parar. Quando não existia mais respeito por mim e pelas minhas metas, era hora de parar, afinal, quem estava comigo, caminhando ao meu lado tinha que agregar não atrapalhar na realização de meus sonhos.
                Eu acredito nas pessoas até o momento em que elas acreditam em si mesmas, sou muito prática e objetiva e não tenho medo de recomeçar. Não fico colocando maquiagem para melhorar aspecto de nada, o que está feio está feio. Dou-me o direito de chorar, mas não de viver sofrendo.
                Hoje fico feliz quando fico sabendo que meu ex-marido está com uma mulher maravilhosa e que ele tem consciência do que fez no passado. Hoje ele vive bem com sua esposa, ela tem dois filhos, juntos não tiveram nenhum, mas ele percebeu que perdeu muito tempo em sua vida e tenta ser melhor... E é! Só que não deu tempo de ser comigo.
                E meu ex-namorado também teve sorte, ou melhor, não acredito em sorte, acredito que tudo está escrito, não existe acaso, ele encontrou uma mulher maravilhosa que o ama muito, já tem filhos e continua lutando. Soube de algumas recaídas, alguns tropeços, mas a luta continua. Creio que ele poderia fazer melhor se não se afastasse aos poucos de sua meta que é a sua recuperação, mas ele está no caminho certo, basta mais aceitação. Espero que ele assuma que tem uma doença grave antes de perder o amor dessa pessoa que hoje está ao seu lado e acredita na sua recuperação!"




8 comentários:

  1. linda história e exemplo de superação...muito bom..!!

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  2. Muito linda a sua História mesmo..

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  3. linda e comovente história. parabéns por sua decisão e recomeço. Vá em frente. Muito corajosa ;

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  4. Nossa muito linda essa historia...que superação!!! Me fez muito bem ler! Obrigada Poly!

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  5. Muito legal! Mas... como foi seu fim de semana???? :)

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  6. Linda história! Parabéns! Tudo podemos naquele que nos fortalece! bjs

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  7. Tudo é possível, basta querer e ter coragem de encarar o futuro. Talvez o que falte para muitas de nós (inclusive eu ), seja coragem. Coragem de seguirmos em frente, de buscarmos a NOSSA felicidade. Seja com DQ ou não. Merecemos ser felizes. "O tempo é REI".

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  8. Muito linda essa história... Parabéns para essa mulher guerreira e batalhadora!!!

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