terça-feira, 26 de março de 2013

Fim... Começo...





Olá, companheiros(as)!

Achei que não ia sobreviver ao dia, mas sobrevivi... Rs. A gente sempre sobrevive, né? Eita mulherada forte essas esposas de DQs!

Ele passou mais uma noite na rua. Mais uma vez, senti falta de objetos em casa. Enfim, o filme se repete novamente.

Nesses 6 anos, 3 meses e 16 dias de casados, já vivi dias como o de hoje, várias vezes. Estou realmente cansada.

Busquei a chave do novo apartamento! Não vejo a hora de estar lá. Respirar novos ares!

Quanto a ele, decidiu se internar, e começar de novo seu processo de recuperação. (Graças a Deus!)

Jamais direi que ele é uma má pessoa ou coisa assim. Vejo nitidamente o quanto ele está doente e precisando de ajuda. Ele me deu o que tenho de mais precioso: meus filhos. E, além disso, vivemos sim uma linda história de amor verdadeiro.

Pensei que seria diferente, mas nem sempre as coisas saem como desejamos, principalmente quando se tem um dependente químico na história.

Torço para que ele consiga, mas dessa vez, estarei de longe. Preciso me afastar. Não consigo mais.

Perdoem-me se decepciono a algumas leitoras do blog, mas uma das coisas que aprendi no Nar-Anon foi o respeito aos meus limites.

Três filhos precisam de mim. E eu também preciso de mim.

Hoje foi um dia cansativo. Me senti deprimida. 

Aconteceu muita coisa em pouco tempo. Há exatamente uma semana, comemorávamos o aniversário de um aninho do nosso caçula, estava tudo bem. E em poucos dias, tanta dor... Desabou tudo. Minha ficha ainda nem caiu...

Mas, não tem nada não, a força para recomeçar virá de Deus, tenho certeza!

Não concordo com Vinicius de Moraes, em seu pensamento de que: “mesmo o amor que não compensa é melhor que a solidão...” Amor tem que compensar, tem que valer a pena. E por esses mais de seis anos posso dizer que valeu sim a pena!

Aprendi muito. Cresci muito. Fiz muitas descobertas. Me superei diversas vezes. Amei.

Agora é hora de seguir adiante.

Ainda acredito sim na recuperação de quem quer se recuperar da dependência química. E ainda continuarei a ajudar aos familiares de dependentes químicos, porque isso sou eu.

Sempre que possível, estarei por aqui. Mas, acho que entenderão se me ausentar por uns dias, não é mesmo?

E aguardem o segundo livro Amando um Dependente Químico, a ser lançado em 18/05/2013, quando este Blog fará dois anos!!!

Pena que o final da história não possa ser escolhido pela autora...

Com um abraço nos despedimos, pela manhã.
Se cuide. É melhor você me esquecer. – Foram suas palavras.
- Vá com Deus. – Respondi.
E ele se foi. E eu fiquei.
E os caminhos já não são mais os mesmos...

Deve existir vida lá fora...

segunda-feira, 25 de março de 2013

Dói partir, impossível ficar!



Meu bebezinho está aqui, “desfilando” pela casa. Há apenas uma semana ele começou a andar. Inseguro, com os bracinhos para frente tentando se equilibrar, com a carinha feliz como quem diz “viu, mamãe, eu consegui!”.

Tão difícil acreditar que alguém prefira um punhado de pó, a ter essa alegria de ver as conquistas dos filhos... Sei que meu marido não prefere isso, mas ele tem sido fraco, e a obsessão está cada vez maior.

Como dói. É uma dor que corta por dentro.

Ele ficou sábado e domingo limpo, mas não estava bem. Oscilando de humor e de pensamentos o tempo inteiro, muito confuso.

Hoje fui para o trabalho, deixei o caçulinha na creche, e o maiorzinho foi comigo “trabalhar”.

Meu esposo me ligou no meio da manhã, dizendo que estava tudo bem, mas que a casa estava vazia, se referindo à falta das crianças.

Cheguei em casa no final do dia, e ele estava todo queimado do sol, e mais uma vez com aquele olhar perdido. Sim, ele havia usado novamente.

Conversei com ele coisas bobas do dia. E, no fim, disse que dói muito vê-lo assim.

- Eu imagino. – foi a resposta dele.

Não, acho que ele não imagina. Ele não faz ideia do que é ver o ser amado se destruindo assim, e não poder fazer absolutamente nada.

Sugeri que ele busque ajuda enquanto há tempo.

Fui buscar o caçulinha na creche, e ao retornar, encontrei apenas o vazio. Mais uma vez ele se foi.

Onde está? Com quem? Quando voltará? Será que voltará? São perguntas que assombram a todos nós, familiares de dependentes químicos, a cada sumiço. Mas, o melhor que tenho a fazer nessas horas é pedir que Deus o guarde, e que Ele me dê forças.

Hoje recebi a confirmação da aprovação do meu cadastro para o aluguel de um apartamento. Se tudo der certo, amanhã mesmo estarei com as chaves.

Dói partir. Dá medo. É assustador pensar que talvez ele não consiga. Mas, preciso acreditar que, com a nossa partida, ele acordará de vez, e perceberá que precisa sim de se tratar de verdade, e principalmente de mudar.

Digo mudar porque a droga é apenas a ponta do iceberg. Ele tem muitos problemas. Sinto tanto tanto por ele. Deus sabe que se eu pudesse, permaneceria, mas não consigo mais.

Sinto-me fracassada. Há quase sete anos atrás eu tinha tanta certeza de que tudo daria certo, e de que o nosso final seria tão feliz.

Mas, bola pra frente.

Ainda acredito que ele vai conseguir. Talvez ele precise de um tempo, talvez de sentir as perdas, para então descobrir a força que tem dentro de si.

Puxa, ele é um homem tão especial, ele merece vencer isso! Queria tanto que ele percebesse... Mas, sou impotente!

Páscoa é tempo de renovação... E é isso que quero nessa páscoa: uma vida nova!

Nosso amor e nosso casamento está cheio de remendos. É hora de colocar tudo no chão. Talvez um dia se reconstrua. Ou talvez um dia sejam apenas lembranças: boas e ruins.

Assim como o meu bebê, estou ensaiando esses meus primeiros passos de uma vida nova.

sábado, 23 de março de 2013

Vai passar!



23 de março de 2013.

03h30min da madrugada deste sábado.

Estava tão exausta que peguei no sono com as crianças antes das 22 horas.

É tão difícil acordar e perceber que não foi apenas um pesadelo...

Só Deus sabe onde ele está agora.

Mais uma recaída.

A dor no peito é enorme. É difícil aceitar o inaceitável, não é mesmo?

Decidi fazer por ele, desta vez, o que nunca fiz antes: me afastar. É hora de tirar o meu time de campo. Não desisti dele. Não deixei de acreditar que ele pode vencer a dependência química. Não deixei de amá-lo.

Mas, não há mais nada que eu possa fazer. Não aguento mais isso. 

É uma tática. Quem sabe assim ele acorde. Tenho medo sim de dar errado, mas preciso tentar algo diferente, em busca de resultados diferentes.

Triste demais tudo isso... Triste demais!

Segue, abaixo, minhas anotações nesses dias de tempestade.

♥♥♥♥♥♥♥♥♥♥

21 de março de 2013. Quinta-feira.

Hoje estou realmente triste, mas acho válido vir aqui, afinal o objetivo deste Blog é mostrar, na realidade, o que é amar um dependente químico.

Hoje meu esposo recaiu, após cinco meses limpo. Desses cinco meses, os dois primeiros foram em uma instituição, e os três últimos em casa. Ele está licenciado pelo INSS, deixou o NA, não foi a Psicólogos e não seguiu com a medicação do Psiquiatra.

Entretanto, nos primeiros dias, ele estava em um ótimo caminho, o da fé, buscando a Deus, indo à Igreja. Mas, sua animação não durou muito tempo, e os últimos dois meses foram de muito mal humor, apatia, tristeza, bipolaridade, egoísmo e irritabilidade, dentre outros sintomas conhecidos.

Desde que voltei para o trabalho, após a licença maternidade, ele assumiu o cuidado dos nossos filhos, e fazia isso muito bem. Os meninos estavam mais gordinhos, mais saudáveis, e ainda economizávamos o dinheiro da creche.

Por vezes, o meu coração de mãe ficava apertado ao deixar as crianças com ele, mas ao mesmo tempo, eu pensava no quanto ele cuidava bem dos filhos, e no quanto os filhos estavam fazendo bem a ele também.

Entretanto, hoje, dia 21/03/13, nada o impediu de usar drogas novamente. Nem mesmo os nossos anjinhos (01 e 04 aninhos). Nem mesmo o fato do primeiro aniversário do nosso filho ter sido antes de ontem, e de ele ter dado os primeiros passinhos um dia antes. Nada...

Cheguei em casa do trabalho pouco mais de 17 horas. Saí uns quinze minutinhos antes do meu horário, e vim correndo para casa, a mais de 100km/h, e nem sabia o porquê de tanta pressa... Era o meu coração de mãe!

Ao entrar em casa, meu filho mais velho estava no banho, e o caçulinha no colo do pai. Ele me deu um selinho e peguei o nosso bebê. Ao olhar nos olhos do meu esposo, lá estava ela, a maldita droga novamente, naquele olhar oco, e naquela voz estranha.

- Você não está bem. – eu disse, sem acreditar.

Ele negou o uso de todas as formas possíveis, e eu quase me deixei enganar, mas o aperto no peito me dizia que ele havia usado drogas sim.

- Vou colocar o lixo lá fora. – ele disse, saindo.

Nesse meio tempo aproveitei para fazer perguntas ao meu filho de 4 anos, que é muito esperto.

- Filho, você foi passear com o papai hoje?
- Fui sim, mamãe, duas vezes, lá longe. A gente levou o violão e a casinha para o “titio” arrumar.

Entendi tudo. Ele havia trocado o meu violão e a nossa barraca de camping por drogas. E o pior de tudo, havia ido à boca com nossos filhos. Não acreditei!

Nessa hora eu estava terminando de amamentar meu bebê, como sempre faço ao chegar em casa. Só então percebi que não havia comida nas panelas sobre o fogão, ou na geladeira, e que tudo estava exatamente como eu havia deixado pela manhã. Me deu um pânico. “Meu Deus, será que meus filhos estão sem comer?!!”

Apenas danones e biscoitos foram suas refeições. Lhes preparei algo para comer. Eles estavam com fome, e com muita sede. Chorei muito. Tremia. Me senti culpada. E sobretudo agradeci muito a Deus por eles estarem bem e aqui pertinho de mim. Meus filhos são a minha vida!

Ele saiu para “colocar o lixo lá fora” às 17h30min e voltou somente após as 23 horas.

Muito triste tudo isso.

Fui à igreja com meus filhos. Conversei com pessoas amigas. E já tomei algumas decisões.

Depois voltarei, queridos(as). Preciso de um tempo para chorar, orar, pensar e agir.

Preciso dormir coladinha nos meus pequenos.

“Em paz me deito, e logo pego no sono, porque Senhor, só Tu me fazes repousar segura. (Sl 4:7)

♥♥♥♥♥♥♥♥♥♥

22 de março de 2013. Sexta-feira.

Meus filhos ainda dormem.

O maiorzinho reclamou de dores nas pernas durante a noite, acho que é de tanto caminhar. Não gosto nem de pensar nisso...

Mas, graças a Deus, os dois estão dormindo em segurança agora.

Sinto como se tivesse uma faca cravada em meu peito. Uma dor forte. Tremor constante.

Mais uma vez a sensação é a de que o mundo desabou sobre minha cabeça. Então preciso de forças para recomeçar de algum lugar.

Está tudo tão confuso dentro de mim. Raiva, compaixão, tristeza, medo...

Imagino que a culpa que o meu esposo está sentindo agora seja avassaladora. Mas, como ajudar? Colocando seres inocentes em risco? Me afundando com ele? Não, sei que esse não é o caminho.

Sou impotente perante tudo isso. Tudo o que posso fazer por ele é orar. Confesso que nem estou sabendo como orar, me sinto sem forças. Então fico quietinha, em silêncio, pertinho de Deus, pois sei que Ele me entende e está comigo sempre...

♥♥♥♥♥♥♥♥♥♥

E foi assim que esse tsunami chegou por aqui.

Mas, sei que ele vai passar. Sempre passa.

Mas, desta vez, quando a água baixar, não quero estar mais aqui. Não posso. Não consigo mais.

Quero terminar essa postagem agradecendo pelo apoio e ajuda que tenho recebido. Meu muito obrigada especial vai para a Aninha, que não me deixou sozinha nesses dias, e que me ajudou muito. Também à minha Pastora, pelas palavras sábias, pela força, e pelo cuidado. E a todos os que têm orado, e enviado mensagens, muito obrigada.

05 da manhã, e nada dele chegar... Oh, Deus! 

sábado, 9 de março de 2013

Graziela Gonçalves, ex de Chorão, apenas mais uma de nós!



Inicialmente pensei em não escrever nada sobre o caso do Chorão, mas diante dos acontecimentos, vi que é interessante sim abordar alguns pontos.

Quando cheguei no trabalho ontem, três pessoas disseram ter lembrado de mim ao ver os relatos da Graziela, ex-mulher de Chorão, em um jornal da Globo.

Eu não tinha visto o relato ainda.

Quando vi suas palavras de dor, e até mesmo de codependência, doeu. Deu medo. Fiquei assustada. Até mesmo porque é a mesma droga de uso do meu esposo. Mas, não tive opção a não ser entregar o amanhã nas mãos de Deus, e confiar que meu esposo se manterá nessa nova vida, um dia de cada vez, e sempre.

Mas, o que me levou a fazer esse post foram dois acontecimentos principais: “Chorão passava por depressão após a separação da mulher”, diz o R7, e as palavras de um colega de trabalho a mim: “o negócio é não desistir, Poly, senão a coisa desanda...”

Vocês percebem? A sociedade alimenta a nossa codependência. A depressão do cantor era por sua doença, que é crônica, e fatal se não tratada. Como culpar sua esposa por tê-lo deixado? Vemos suas palavras ainda tão cheias de amor, mas só nós sabemos quando é a hora de deixar o barco, ou de morrer afogadas junto.

E as palavras do meu colega queriam dizer que, quando não conseguimos mais ficar ao lado de nossos adictos, eles se perdem. Meu Deus, e nós? E nossos limites? E nossas vidas?

Queridas, mais uma vez vou colocar aqui a terceira tradição de Narcóticos Anônimos, para que não nos esqueçamos: “Um adicto que não queira parar de usar não vai parar de usar. Pode ser analisado, aconselhado, pode se rezar por ele, pode ser ameaçado, surrado ou trancado, mas não irá parar até que queira parar”.

Não há nada que possamos fazer. O caminho só se abre a nós, quando eles querem. Não está nas nossas mãos. Não estava nas mãos da Graziela.

A sociedade precisa entender isso, nós precisamos entender isso, e parar de alimentar a nossa doença. Infelizmente, não podemos!!!

Só Deus pode... Só eles podem...

Eu não era fã do Charlie Brown Jr. Não conhecia suas músicas. Mas, imagino a dor da família e a sensação de derrota. Espero que eles descubram que não são culpados... Que não existem culpados... Dependência química é uma doença. Uma triste doença que pode sim levar à morte. Só.

Vendo tudo isso, fortaleço o pensamento que defendo de que o primeiro passo que nós familiares precisamos dar é o de nos cuidar, nos tratar.
 
Até para se separar de um adicto é preciso preparação psicológica, porque pode ser que dê certo, e ele busque ajuda, ou infelizmente, pode ser que dê errado. Então o importante é conseguirmos tirar a culpa de nós. Entender que somos humanos e que temos limites. Que não podemos salvar ninguém. E que nossos amados são responsáveis por suas escolhas. Somente assim seremos livres das amarras da codependência.

Termino esse post com o texto que a Graziela escreveu para o Chorão... Chorei... Que Deus conforte a família dele, e tantas outras que sentem hoje a mesma dor...

Que Deus dê força e uma história bem diferente aos nossos amados...

E que Deus nos dê serenidade, coragem e sabedoria, só por hoje.


"Hoje sou em quem vai te homenagear, meu amor.
As palavras faltam nesses momentos.
O que pode ser dito que teria o poder de sanar tamanha dor, de curar tamanha saudade?
Meu pensamento se volta para Deus para agradecer o privilégio Dele ter me proporcionado viver um grande amor e de dividir minha vida com você por quase 20 anos. Quantas histórias, quantas conquistas, quanta luta!!
Quanto amor, em toque e calor, verso e prosa, que você me deu!
O que ficou está gravado para sempre no meu coração e na memória.
Não só minha, como também na de milhares de fãs.
Através das suas músicas você transformou as nossas histórias em histórias para outros tantos casais Brasil afora.
Não existe forma mais generosa e bonita de se eternizar um sentimento.
Você também falou "vamos viver nossos sonhos, temos tão pouco tempo"!
Foi pouco mesmo, meu amor. Tão pouco...
Obrigada por tudo que você compartilhou comigo, por toda parceria, por ser meu melhor amigo, por ser meu grande amor infinito!
Como você me disse da última vez que nos falamos, eu também vou te amar para sempre, sempre, sempre, sempre...
Da sua, Grazon"

sexta-feira, 8 de março de 2013

Mulheres... Vencedoras!

Um abraço e uma rosa do Secretário de Justiça e Coordenador do Comitê de Enfrentamento às Drogas


Eu sabia que haveria um café da manhã em meu trabalho, em homenagem às mulheres.
 
O que eu não sabia é que eu seria uma das homenageadas.
 
Ao meu lado estava a Subsecretária de Proteção às Vítimas de Violência, Valéria de Velasco, em razão de seu papel às mulheres que são vítimas de violência, muitas vezes de seus companheiros.
 
Ela e eu fomos escolhidas para representar as mulheres da nossa Secretaria.
 
Quem sou eu? Apenas uma filha e esposa de dependentes químicos. Alguém que sabe o que é perder o pai para as drogas. E que também sabe como é árdua a caminhada ao lado de alguém que luta contra a sua dependência química.
 
Ou seja, sou alguém igual a você, leitora do blog.
 
Já passei noites em claro, chorei e me descabelei, xinguei e abracei, fiz as malas e desfiz, perdi e recuperei as esperanças por diversas vezes...
 
Mas, um dia me foi dito que eu poderia viver e ser feliz, ainda que amando um dependente químico. Um dia aprendi que eu não poderia mudar nem controlar ao meu esposo, mas somente amá-lo e aceita-lo. Um dia percebi que eu só poderia mudar a mim mesma, a minha forma de pensar e de agir, e que assim tudo mudaria ao meu redor.
 
Deu certo... Tem dado certo.
 
E vejam só o quanto essa pequena mudança cresceu... E sei que ainda chegará bem mais longe.
 
Queridas leitoras, no nosso dia, sintam-se abraçadas e homenageadas. Ofereço a todas vocês a rosa que me foi entregue pelas mãos do Secretário de Estado de Justiça, Direitos Humanos e Cidadania do Distrito Federal, e também Coordenador do Comitê Distrital de Enfrentamento ao Crack e outras Drogas, Alírio Neto.
 
Não era apenas a Polyanna quem estava ali. Éramos todas nós, mulheres, bravas mulheres, guerreiras.
 
Ao lado estavam o Secretário Adjunto de Justiça Jéfferson Ribeiro, o Subsecretário de Promoção dos Direitos Humanos e apresentador do programa Espaço Livre Todi Moreno, o Diretor Teatral Thomaz Coelho, e o Coordenador de Planejamento da SEJUS Eduardo Monteiro.
 
Estou realmente feliz com o reconhecimento. Mais um presente de Deus para a minha vida e a prova de que vale a pena viver, retomar as rédeas, assumir a direção, sonhar, e correr atrás dos sonhos!
 
Ao ouvir o Secretário de Justiça dizer publicamente que leu o livro Amando um Dependente Químico - Dias de Dor, e que o indica, pela sensibilidade e amor que o compoem, realmente não dá pra descrever o que senti.
 
Emoção demais. Gratidão demais.
 
Cada uma de nós temos dons especiais! Nem todas sabemos nos expressar bem na escrita, ou como palestrante, mas cada uma é única e especial e sabe fazer algo como ninguém. Valorize o seu melhor. Trabalhe nele. Cresça!

 
Alírio Neto falando sobre o livro Amando um Dependente Químico - Dias de Dor
 
 
Quem nunca ouviu essa música da Jamily, ouça, e acredite, você é sim capaz, e você pode sim mudar a sua vida, mesmo amando um portador da dependência química.


Acredite é hora de vencer
Essa força vem de dentro de você
Você pode até tocar o céu se crer
Acredite que nenhum de nós
Já nasceu com jeito pra super herói
Nossos sonhos a gente é quem constrói
É vencendo os limites, escalando as fortalezas
Conquistando o impossível pela fé...
Campeão, vencedor, Deus dá asas, faz teu vôo...
Campeão, vencedor, essa fé que te faz imbatível, te mostra o teu valor...
Tantos recordes você pode quebrar
As barreiras você pode ultrapassar
E vencer!


 
Parabéns, mulheres!

quinta-feira, 7 de março de 2013

Mudar é possível!

 
Boa tarde!

07 de março de 2013.

Como o tempo voa! Já é o terceiro mês do ano! Daqui a 12 dias comemoraremos o primeiro aninho do nosso caçula! Já já chegarei nos 35!... O tempo não para! Fico feliz por estar aproveitando esse tempo fazendo coisas que gosto, vivendo, e fazendo o bem. E você, como tem vivido a sua vida? O que tem feito? Como tem aproveitado os seus dias... as suas horas?

Graças a Deus, meu esposo segue limpo, vivendo um dia de cada vez há 135 dias (4 meses e 12 dias)! E, graças a Deus, eu também sigo ‘limpa’ da codependência, embora tenha que tomar cuidado com os ‘sintomas’ a cada dia também.

Estamos felizes... E isso é bom, não é mesmo?!

Coisas boas estão acontecendo por aqui...

Ontem tive a oportunidade de ministrar a palestra “Mudar é possível” aos servidores da Secretaria de Estado de Justiça do Distrito Federal, em homenagem à semana da mulher. Foi diferente. Geralmente estou diante de familiares de dependentes químicos, então estar diante de representantes da sociedade como um todo foi um desafio, mas muito gratificante.

Contei a minha história. Falei de como foi difícil viver afundada na codependência. E, claro, de como foi aprender uma nova maneira de viver. Mudar! Foi lindo falar sobre os frutos que tenho colhido em razão da minha vontade de mudar, de viver, de ser feliz, de amar de forma saudável ao meu esposo e a mim, e de levar o meu aprendizado adiante. E dentre esses frutos, estão vocês, leitores do blog, e até mesmo autoras de outros blogues. Essa corrente do bem!

Eram uns vinte ouvintes, juntos sorrimos, e em alguns momentos nos emocionamos. Estou realmente feliz com o resultado. E muito grata a Deus por tudo.

Hoje uma das organizadoras me disse que o resultado da palestra foi expressivo, e muitos ficaram interessados em assisti-la, ou seja, provavelmente haverá outra futuramente, dentro da organização.

Além disso, pessoas me procuraram para perguntar como podemos ajudar aos adictos; e outros dois presentes me agradeceram com um forte abraço por ajuda-los a superar a depressão.

Sabem o que isso significa, né? As pessoas, aos poucos, vão olhando para a dependência química com outros olhos, e vão enxergando a problemática que envolve as famílias e sua doença (a codependência). Isso é muito bom!!!

As coisas boas não param por aí. O projeto que elaborei, voltado para as famílias de dependentes químicos, no âmbito do Distrito Federal, foi APROVADO!!! Estamos em fase de implantação, então ainda não posso falar maiores detalhes... Gente, é muita realização! Deus é bom demais!!!

Estou aqui emocionada. Se não fosse o Nar-Anon na minha vida, se não fosse Deus na minha vida, se não fosse a minha vontade de viver, se não fosse a minha vontade de mudar, e de ser feliz; se não fosse alguns 'anjos' na minha vida (amigos, dentre eles, alguns por meio do blog); nada disso estaria acontecendo. O blog não teria acontecido. Provavelmente não haveria a quantidade de informações que existem hoje na nossa rede...

Olhar para tudo isso me deixa feliz demais, e dá uma baita sensação de ‘valeu a pena’.

Um dia passei por cima da minha dor, do desejo de ficar escondidinha com o meu problema, e até mesmo de não olhar para o meu problema, e comecei a escrever. Por vezes, cansada, nas madrugadas. Por vezes, chorando. Por vezes, com um barrigão da gravidez. Mas, lá estava eu, na tentativa de ajudar a outros com meus erros e acertos, e de mostrá-los como é possível superar essa dor.

O resultado foi que Deus começou a me sarar, cada dia um pouquinho. Sou grata demais a Ele e a todos vocês!

Se seu amado dependente químico está na ativa, e se tudo o que você consegue pensar é nele e em como evitar que ele use drogas, saiba que está na hora de cuidar de você mesma(o), olhar para si mesma(o), se fortalecer, pois um familiar adoecido, por mais que queira, não consegue ajudar ao adicto, e pior, muitas vezes atrapalha no processo de recuperação. Eu era assim, uma pedra no caminho da recuperação do meu esposo. Meu amor por ele havia adoecido. Era codependência. Era falta de amor próprio.

Se hoje coisas boas estão acontecendo na minha vida, é porque plantei isso. Vamos plantar coisas boas? Chega de ficar parado no tempo, esperando a vida mudar. Mude seus pensamentos, suas atitudes. Eu sei que é doloroso demais ter um dependente químico amado, mas também sei que é muito mais doloroso deixar de viver por isso.

Um forte abraço, com todo o meu carinho!
Poly