segunda-feira, 25 de fevereiro de 2013

O extraordinário...


Olá! Boa tarde!

25 de fevereiro de 2013.
 
Estou em meu horário de almoço, e resolvi dar uma passadinha para compartilhar algo com vocês.
 
No sábado, eu estava em casa com as crianças, e meu esposo chegou por volta de uma hora da manhã...
 
Suspense... (risos)
 
Não, ele não recaiu (graças a Deus)! Ele estava ajudando na organização de um jantar na igreja. Decidi não ir porque estava cansada, e com as crianças provavelmente o atrapalharia. Ele foi para colaborar com seus dotes de churrasqueiro gaúcho. E eu fiquei em casa, dormindo. Por volta das 23 horas liguei, mas ele não atendeu. Passou um friozinho pela barriga, talvez pelas recordações que ainda vivem em algum lugar escondidas. Mas, não alimentei nenhum sentimento ruim, orei, e voltei a dormir. 
 
Logo ele chegou, todo feliz, me relatando os fatos, e certamente orgulhoso por estar levando uma vida tão diferente.
 
Só por hoje ele está limpo há 125 dias!
 
O fim de semana foi uma delícia! 
 
Muitos falam dos dependentes químicos como se eles fossem monstros. A sociedade naturalmente exclui os que são diferentes, e pior, molda suas opiniões apenas em preconceitos, quando poderia ao menos buscar informações sobre os por quês dessas diferenças. Não é mesmo?
 
Um dependente químico na ativa pode sim ser agressivo, dependendo da substância que usa, e também da sua personalidade. Ele tem sim um comportamento “anormal”, afinal, só pensa na droga, só vive para ela.
 
Entretanto, um dependente químico em recuperação, e com o tempo abstinente prolongado, pode sim ter uma vida normal, como eu e você, permanecendo apenas alguns cuidados em relação às pessoas, hábitos e lugares de ativa.
 
Geralmente os dependentes químicos são pessoas que apresentam dificuldade no relacionamento interpessoal, então quando os taxamos disso ou daquilo, os distanciamos ainda mais da possibilidade de recuperação.
 
Eles erraram ao tentar uma saída instantânea para os problemas nas drogas. Entretanto, isso não os faz monstros.
 
Meu pai não era um monstro, ao contrário, era um homem doce, mas foi vítima dessa doença (dependência química), e morreu de overdose.
 
Vocês já viram o blog da Fran? Ela lhes parece um monstro? Aquela linda moça foi apenas mais uma vítima das drogas...
 
Meu marido? Ele é um príncipe! Ele é melhor que muitos não adictos, já afirmei isso aqui.
 
A questão é a doença. A adicção somada ao uso de drogas. Esse monstro sim é terrível. E é ele quem faz todos nós sofrermos, codependentes e dependentes químicos. 
 
Seria muito bom se conseguíssemos todos olhar separadamente a doença e o doente!
 
Nesse fim de semana assistimos juntos ao filme Uma Mente Brilhante. Amei! A esposa de um jovem esquizofrênico decidiu se manter ao seu lado, apesar das muitas dificuldades. Por quê? Porque ela conseguia enxergar quem ele era, e quem era a sua doença...
 
“Preciso acreditar que algo extraordinário é possível.” Foi uma das belas frases ditas por ela. E eles conseguiram, juntos, fazer o extraordinário, afinal, o filme narra uma história real.
 
Sei que a regra para a dependência química é a não recuperação, pois os índices de recuperação são baixíssimos. Entretanto, amo ao meu esposo demais, e preciso acreditar que algo extraordinário é possível...
 
Só por hoje, o extraordinário tem sido real em nossas vidas, e eu agradeço a Deus por isso...


15 comentários:

  1. Poly, como é bom ler pos'ts assim... tão cheio de recuperação...
    Fico imensamente feliz por saber que seu esposo está indo bem, que ele tem buscando a recuperação dele... Fico feliz por vocês!

    Infelizmente, as coisas são assim mesmo... a sociedade julga muito os DQ, e esquecem que eles são seres humanos como qlq um... Cada um com seu jeito, qualidades e defeitos...

    Beijos.. TMJ

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  2. Desejo que esse momento que estão vivendo de fé e esperança um no outro e ambos em Deus permaneça! Essa semana li que "apaixonar-se é fácil, difícil é permanecer no amor" e nós, que escolhemos permanecer ao lado de nossos amados sabemos bem como é isso. Deus abençoe vc e sua família!
    luizinha.rdp

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  3. Pois é Poly...

    As pessoa são leigas, e o caminho mais fácil é julgar!
    O ser humano é preconceituoso, mas não é capaz de perceber seus próprios defeitos.
    Como vc disse no meu post, se for um homem normal a fazer grosserias, é porque ele está estressado, se for um DQ é por causa das drogas!!
    Isso me irrita!

    Entendo quando alguma amiga demonstra preocupação, mas a sensação que tenho é que as pessoas que conhecem nossas histórias ou nossos DQs superficialmente estão sempre esperando que ele "apronte" ou que "dê errado".

    Talvez seja um sentimento defensivo meu, mas acho que não...

    Essa semana recebi um material para avaliar sobre crack. Esse material foi oferecido para ser trabalhado no formato de oficinas nas escolas.
    Parece até piada!
    O autor compara o uso de drogas com o apocalipse, diz que os usuários se parecem com zumbis, e coisas assim!
    Inacreditável!

    bjs...
    Muitas felicidades à vocês!
    Desfrutem de cada simples momento.
    O mais legal de casos como os nossos é o valor que damos às pequenas coisas da vida!
    TMJ!

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  4. Poly ... sempre passo por seu blog, como são sábias suas palavras, como você consegue transmitir tanta paz e tanto amor.
    Há alguns anos conheci um rapaz, me envolvi durante alguma tempo, não muito - alguém extraordinário ... incrível ... que mexeu muito comigo. Quando estávamos juntos ele admitiu que fumava maconha, somente maconha, no entanto ele sumia. Então o tempo passou e eu voltei com meu ex-marido que na época estávamos separados ... muitos conflitos ... tempos difíceis ... Até que engravidei do meu ex-marido mais mesmo grávida decidimos nos separar.
    No meu coração sempre ficou aquela lembrança e uma saudade gostosa daquele que eu havia conhecido e que tanto tinha mexido comigo. Anos depois nos falamos pela internet era véspera de seu casamento e ele iria casa.
    Confesso que meu coração ficou apertado, mas o tempo passou e eu mudei de cidade, voltei a morar com meus pais e reconstruir minha vida no amazonas
    Minha vida sentimental ficou de luto por alguns anos ... exatamente 5 anos . Nesse tempo somente me envolvi com um rapaz, que honestamente ... não teve importância.
    Até que um belo dia me deparei no me face com um convite ... era da mãe desse rapaz que eu havia conhecido e que tanto tinha mexido comigo. Pensei: Meu Deus, não posso aceitar e relutei, deixei lá, sem aceitar. Até que passado meses me deparei com outro convite: do irmão dele ... ai não teve jeito ... aceitei ... então o contanto entre nós aconteceu ... foi mágica a nossa primeira conversa ... tudo o que existia de melhor em mim ... como mulher ... que jamais pensei que voltasse a sentir ... veio como um turbilhão ... muito forte realmente ... aquele cara ... que agora estava separado ... despertou em mim vontades, desejos, saudades, que homem nenhum tinha despertado ... e o susto me bateu.
    Alguns dias de conversas pelo telefone, pela internet ... foi maravilhoso ... como pode alguém que vc não ver a anos ... te causar tal sensação ... vc ser capaz de sentir o cheiro dele ... mesmo estando a 3000 km de distância ... conseguir sentir saudade do que vc não viveu inteiramente ... realmente foi a melhor sensação que já senti ... incrível (é o que define essa sensação).
    Passado dias, depois de uma noite de mensagens e planos pelo celular ... ele novamente sumiu ... e aflição me bateu ... passaram-se os dias ... ele não me respondia ... então resolvi ligar na casa dele ... quem atendeu? sua mãe ... que foi honestíssima comigo ... e teve a coragem de me dizer que seu filho tinha tido uma recaída ... que ele era um dependente químico. Me alertou que eu precisava ir devagar, que sentia muito em ter que me dizer tudo isso de seu filho, mais que defendia a verdade, que queria preserva minha filha que ainda é tão pequena, que eu poderia me machucar, que ele estava sumido, que estava limpo a 10 meses ... e infelismente recaiu ... que voltava um trapo ... tudo aquilo que vcs que convivem com dependente químico sabem bem mais que eu.
    Meu Deus, o mundo desabou naquele instante na minha cabeça e muitas dúvidas pairaram sobre mim e a principal: O que Deus espera de mim?
    As vezes me pego pensando ... meu Deus ... o que vou dizer? como me comportar? confesso que meu desejo no mais íntimo do meu coração é somente abraçá-lo ... dar o meu apoio ... o meu amor ... escutá-lo ... mais como disse tenho uma filha ... e ela é minha prioridade ... que apesar de só ter 5 anos ... é uma criança sofrida ... abandonada pelo pai ...que precisa muito de mim ...
    Isso está acontecendo comigo ... e como a angustia, impotência nesse momento me bate ...
    Tudo o que faço é rezar ... entregar pra Deus ... e pedir que me ajude a resolver isso que tá acontecendo comigo

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    1. Minha querida, o que te dizer? Leia outras postagens do blog, e também os blogs de outras amigas que passam pelo mesmo, e se der, leia o livro, para ter uma noção exata do que é conviver com um dependente químico. A dependência química é uma doença, e só cabe a ele a recuperação. O seu abraço, o seu amor, podem até servir de estímulo, mas nunca serão a base da recuperação dele, pois essa base é o QUERER dele. Se quiser levar adiante esse relacionamento, busque um grupo de apoio, não carregue isso sozinha... Estou a disposição pelo email polyp.escritos@gmail.com.
      Grande beijo!

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    2. Super parabéns para a mãe do rapaz, que foi honestíssima ao revelar a realidade sobre o filho. Admiro estas mães que tem esta coragem, pois são poucas. Acredito que se minha sogra tivesse feito isso, provavelmente teria me poupado de muitas incoveniências. Demorei muito tempo para descobrir a dependencia quimica do meu amado. Quando namorávamos eu o indiquei para uma vaga de confiança na empresa em que eu trabalhava na época... Ele passou em todos os testes de foi admitido. O cargo que eu ocupava eu havia batalhado 4 anos para alcançar. Fiz algumas perguntas a família dele para ver se era de confiança e todos ocultaram a verdade. Resultado: Perdi este meu emprego e ainda estou fora do mercado de trabalho, pegando papelão nas ruas da cidade para sobreviver (entre outras coisas)! Companheira, pesquise muito antes de tomar qualquer atitude. Um forte abraço. Renata

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    3. Obrigada Renata ...Obrigada Poly ... como é difícil toda essa situação ...Abraços

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  5. Que texto delicioso,amei que DEUS continue dando força ao seu marido para q ele continue sua recuperação e a vc também para sempre apoiá-lo no q for necessário,que DEUS abençoe sua família,bjus

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  6. Olá Poly,
    Como já havia te falado por inbox,meu esposo recaiu denovo. Depois de quase dois meses de sofrimento,com ele completamente fora de sí,vendendo tudo que via pela frente,enfim ele foi interndo novamente.Porém,antes que conseguissemos a internação,fui tomada pelo sofrimento,angustia e a dor que isso tudo me causou,e decidi me afastar dele.Voltei pra casa da minha mãe,pois ele fica inconvivível.Só Deus sabe o quanto é difícil tomar essa decisão,mas me sentia sufocada o tempo todo.Hoje ele está há 10 dias na clínica e nos falamos pela primeira vez,desde o dia que o deixei no ínicio de fevereiro. E como sempre,ele voltou a ser o homem com quem me casei.Tão verdadeiro,carinhoso e humilde. Pediu desculpas por tudo,disse que sente muito a minha falta e que quer a família dele de volta. Sei que eu o amo demais,mas tenho tanto medo... Tive que trancar a faculdade que concluiria em junho,isso foi muito doloroso pra mim, e minha família se decepcionou muito por isso,dizem que ele só me atrasa. Não sei oq fazer Poly.
    GAbriela

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    1. Amiga, sei exatamente como é estar dividida entre sua família que quer seu bem e o amor da sua vida que VC quer bem... mas a decisão só pode caber a vc, não deixe sua família decidir por vc... escute sim o que eles tem a dizer, mas decida por vc mesma. Sei o quanto é difícil, pq ao se decidir por seu marido, talvez sua família se afaste de vcs. Na última vez que passei por isso, novamente optei pelo meu marido, em continuar ao lado dele. Meus familiares? Uns o aceitaram novamente, outros apenas ficam olhando friamente, sem mais intimidade, pois assim como eu estão cansados de ver essas situação e me verem sofrer. Mas sei, que de algum modo eles estão ao meu lado, mesmo não aceitando minha decisão de continuar com ele. Peça sabedoria a Deus, aproveite esse tempo em que ele está internado e busque sua recuperação, nesse momento é o mais importante. Deixe a decisão pra depois. Foque em vc agora. Vá ao Nar Anon ou outro grupo de apoio a familiares, vá a igreja, procure Deus! Só Ele pra te dar discernimento e força. Fique em paz!
      Luiza

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    2. Luiza,muito obrigada pela resposta! É exatamente isso que acontece cmg tbm,todas as vezes(pois foram várias recaídas), que escolhi ficar ao lado dele senti minha família distante de mim,uns agem friamente como se não fizesse diferença,mas a minha mãe em especial nunca deixa de me pressionar. Tenta sempre me fazer sentir mal,me diminuir... Diz que não acredita que é isso que eu quero pra minha vida,que essa é a família que darei a minha filha e blá blá blá... Vou realmente procurar um grupo,pois é muito fácil julgarem sem nunca terem vivido. Tô cheia disso! Todo mundo tem uma solução.
      Entrego nas mãos de Deus e peço que ele me ajuda a fazer as escolhas certas.
      beeijo grande

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    3. Pois, é Gabriela, a solução para a grande maioria nos nossos casos (esposas) é a separação. Minha mãe tbm fala a mesma coisa, até qdo vc vai suportar isso? na verdade eu não tenho essa resposta. Meu marido saiu de uma internação essa semana, ficou 5 meses. Achei que esses primeiros dias, semanas talvez ele ficaria mais tranquilo, mas já está completamente irritado, principalmente pelo fato de ter desfeito de suas coisas (rodas, som etc...) e não ter como comprá-las novamente. Enfim, só Deus pra iluminar nossas vidas... Eu estava tranquila, mas já voltei a me sentir mal, tremedeira, tristeza, dor de barriga... é uma sensação terrível. Ainda não estou fortalecida da minha codependencia. bjos se cuida
      Luiza

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  7. Fiquei super feliz em ler seu post, que bom amiga que ele está bem, que Deus continue abençoando seu lar e sua família viu...
    Beijãooo

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  8. Boa noite meninas. Hoje fazem 4 dias que meu namorado saiu da clínica depois de 4 meses. Até então não tinha deixado ele sozinho, mas hoje tínhamos combinado que ele ia na sala de NA e como estamos só com a moto eu fiquei cuidando do meu filho em casa. A reunião começava às 20:00, depois de 20 minutos que ele saiu de casa já arrumei pretexto pra ligar p ele fingindo querer saber pq o liquidificador não está funcionando (co-dependente total!), caixa postal. São 21:00, tô tentando não surtar mas não tem como, já olhei conta bancária p ver se algum dinheiro foi gasto, ainda não, mas não consigo nem cuidar do meu filho em paz. Essa dor, esse medo é ruim demais, machuca demais, não sei mais oq fazer. Resolvi escrever aqui pra desabafar, já me ajuda. Beijos!

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  9. meu marido é (dependente quimico), tivemos uma filha ela tem 21 dias de vida, pensei que depois de seu nascimento ele iria melhorar, mais piorou! por favor me ajudem nao sei mais o que fazer e amo muito nao consigo deixa-lo

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