quinta-feira, 3 de janeiro de 2013

Tá faltando amor na sua vida?


 
Durante tanto tempo vivi com os olhos fitos no meu esposo e em sua adicção, e nem me dava conta do quanto havia me perdido, e do quanto o prejudicava na ânsia por ajudar.
 
Eu pensava que era amor.
 
Aquele desespero para que ele não usasse mais drogas. Aquela agonia que me queimava por dentro quando ele não chegava na hora costumeira. Aquele sofrimento constante para saber de todos os seus passos.
 
Em meio a essa obsessão codependente, quanto mais frustrada eu me sentia, mais culpava ao meu esposo, mais o condenava pela minha infelicidade, e mais nos afundávamos em maus pensamentos e em maus sentimentos. Nosso casamento e nossa família estavam muito próximos do fim, embora houvesse amor e carinho.
 
Era tanta dor a nos consumir, e não entendíamos o porquê de tamanha confusão. Eu tinha a resposta: “é porque ele não consegue ficar sem drogas”. Entretanto, mesmo quando meu esposo estava limpo havia um vazio em mim, e um desejo de controlá-lo, como se eu fosse sempre a dona da razão, e como se tivesse em minhas mãos a solução de todos os seus problemas.
 
Por meio do grupo de apoio, percebi que eu não era tão perfeita assim. Percebi que era cômodo ter um adicto ao meu lado, pois assim eu não necessitaria olhar para mim, nem para as minhas próprias frustrações.
 
Percebi que o meu sofrimento e carência existiam pela falta de amor sim, mas não pela falta do amor do meu esposo (como eu pensava), mas pela falta de amor-próprio.
 
Queridas, não estou aqui dizendo para aguentarmos isso ou aquilo dos nossos amados adictos, mas sim para olharmos para nós mesmas com carinho. Não esperemos dos outros aquilo que não damos a nós mesmos(as). 
 
Você se dá atenção? Você se dá valor? Você se perdoa? Você se ama? Se a resposta é ‘não’, ou ‘raramente’, é hora de rever isso. Chega de viver focado no que recebemos (ou no que não recebemos) das outras pessoas. Valorize-se!
 
Esquecer de si mesmo, ao ponto de renunciar a própria vida para viver em função do outro, não é o amor que Jesus nos ensinou. Ele nos disse: “Ame ao teu próximo como a ti mesmo.”
 
Muitas vezes damos tanto amor (esperando o amor na mesma medida), e fazemos tantas coisas em favor do nosso amado, e nos sacrificamos sobremaneira; mas, queridas(os), isso não alimenta o amor no outro, e pior, isso alimenta em nós a decepção, a mágoa, e até mesmo o ódio por não receber a resposta do outro à altura do nosso sacrifício.
 
Entendam que essa dor é o seu próprio interior suplicando por um pouco de amor próprio!
 
Observe: Quando precisamos que outra pessoa satisfaça nossas necessidades, indica que necessitamos disso para nos sentirmos importantes. 
 
Quando nosso amado adicto (ou outras pessoas) faz algo que não queremos (ainda que movido por uma doença), pensamos que ele faz isso porque não nos ama, ou porque não somos importantes para ele.
 
Querida(o) leitora(r), entenda que você é importante sim, e digna(o) de muito amor, mas que nem sempre as pessoas agirão como você deseja. Que tal aceita-las como elas são? E amá-las como elas são?
 
Que tal se amar, se aceitar e se valorizar como você é?
 
Companheira(o), você quer ajudar realmente ao seu amado dependente químico? Então cure primeiro a sua própria dor!
 
Sei o quanto é doloroso ter um familiar dependente químico. Mas, queridos(as), se as nossas experiências com a doença da dependência química tem obscurecido o nosso pensamento, inundando-o com ressentimento, medo e autopiedade, então é hora de mudar as nossas atitudes.
 
Acredite, existem maneiras de ficar bem consigo mesmo, e com os outros. E lembre-se: nada muda se você não mudar...
 

6 comentários:

  1. Sabe Poly eu passei por isso em pleno dia 31. Mas foi engraçado pq eu pude perceber o tamanho dos passos que dei rumo a minha recuperação.Cheguei na casa dele as 14 hrs feliz esperando encontra-lo p ir comigo p minha casa preparar o churrasco de ano novo e lá estava ele correndo atras de drogas...como senti raiva. Mas não briguei, simplesmente disse que não aguentaria aquilo, não aguentaria continuar c ele sem querer estar em recuperação e fui embora. Mais tarde perto da meia noite ele me ligou queria q eu fosse lá...haaa se fosse antes eu teria ido, correndo feito um cachorrinho. Não não eu estava me divertindo, eu dei a oportunidade e agora por estar arrependido mais n ter escolhido se recuperar eu iria parar td p ir atrás dele? Não, não fui! É vdd é uma doença, eu sei, eu entendo, eu aceito mais tudo tem consequencias e ele só estava colhendo as que plantou. Foi no dia seguinte primeiro dia do ano e oq ele estava fazendo??? se drogando, novamente fui embora. Mas fui embora sem dor, sem ecandalos, sem lágrimas e n voltei até agora. Sinto muito eu me amo e n quero participar disso!!! Se quiser se recuperar estou aqui mais me prejudicar p estar c ele não mais.

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  2. Perfeito Polyyyy, e vamos nos amar maissss " SÓ POSSO MODIFICAR A MIM MESMA, aos outros só posso amar".

    Tatiana M. Lopes

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  3. Muito bom,amei é isso mesmo se eu não mudar nada muda!!!
    bjus e fica com DEUS!

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  4. "Com uma mudança de atitudes, podemos esconlher o q fazer com os nossos sentimentos." Meu marido ficou 16 anos em recuperação, e recaiu. ficou 3 anos no uso, hoje ele esta 1 ano, 8 mezes e 29 dias limpo. Eu acredito q ele só buscou recuperação, pq a mudança comecou por mim. O lema diz q Comece por mim. Estamos juntos a 18 anos. Dia 27/ 12 oficializamos nossa união. Quero aqui agradecer a vc Poliana, com quem eu aprendi muito a lidar com a dependencia quimica. A Deus que nunca me abadonu nesta caminhada, que continuamos.... Como diz os adictos, estamos juntas.Beijos fiquem com Deus!

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  5. Polly, nossa esse texto me tocou, pois estou sem entender os meus próprios sentimentos... Hoje foi o 1 dia de visita do meu namorado, estava tão anciosa para ve-lo, saber como ele estava, das suas mudanças, entre tantas coisas.E fiquei tão triste com o que vi, pois ele está ha 21 dias internado, apesar do pouco tempo, estava acreditando em algumas melhoras, e não foi isso. Pois ele continua o mesmo, achando que é melhor que os outros que estão la, só criticou o lugar, as pessoas, as coisas, e pra ficar pior disse que irá vir embora.... então me deparei com o sentimento que nem sei descreve-lo, se tenho pena de mim mesma por acreditar que ele pode vencer, ou pena dele, por não vencer a droga...

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