segunda-feira, 30 de dezembro de 2013

Retrospectiva 2013... E que venha 2014!!!



Bom dia!!!

Ultima postagem do ano de 2013, afinal, faltam apenas dois dias para encerrarmos este ciclo.

Gosto de virada de ano, porque nos faz pensar, refletir, colocar nossas ações na balança, enumerar em uma listinha as mudanças a serem conquistadas no novo ano... Além de reacender em nós aquele sentimento de que “ano que vem vai ser tudo ainda melhor”!

Esse ano de 2013 trouxe muitas coisas boas pra mim, e muito crescimento também.

Vamos relembrar?

Janeiro/2013: Foi um mês tranquilo aqui em casa. Entramos o ano juntos, em uma festa na igreja. E logo no primeiro mês do ano, saiu uma reportagem super bacana sobre o Blog, no site iSaúde.

Fevereiro/2013: Foi um mês divertido. No feriado de carnaval fomos para um retiro cristão. Os cinco integrantes da família acampados, de barraca, muita piscina, sol, e claro, muita oração. Meu esposo e eu até dançamos forró em uma festa brega, vestidos a caráter... Hilário! Rimos muito nesses dias.

Março/2013: O mês de março foi um mês de prova, digamos assim.  Meu caçulinha fez um aninho! Na semana da mulher, tive a oportunidade de dar uma palestra às servidoras da SEJUS/DF, cujo título foi “Mudar é Possível!”. Foi uma experiência nova pra mim, pois estaria falando a um público diferente, e o resultado foi fantástico! Não bastasse, no dia 08, dia da mulher, fui surpreendida com uma homenagem, também na SEJUS/DF. No final do mês, meu esposo teve uma recaída, após 5 meses limpo. E foi algo muito doloroso. Foi tão horrível que pensei que não conseguiria mais manter-me ao seu lado, e perdoá-lo.

Abril/2013: Mudei de residência. Não tinha notícias do meu esposo, que decidiu se internar, rapidamente. Me afastei por um tempo. Mudei totalmente minha rotina... Saiu uma reportagem no Jornal de Brasília sobre minha história, e sobre codependência. E, aos poucos, fui percebendo que ainda havia amor para recomeçar...

Maio/2013: O blog completou dois anos, e já possuía mais de 167.600 visualizações. Meu esposo voltou pra casa. Mantive as mudanças que havia adotado em sua ausência... Fiz 35 anos. O segundo livro, Amando um Dependente Químico – Dias de Recuperação, foi lançado. Meu marido fez 38 anos, e encerrou o mês com 68 dias limpo. Uma nova reportagem sobre a nossa história, no iG e na Agência Brasília.

Junho/2013: Brasília fervia em meio às manifestações, mas em nosso lar a paz reinava. Meu marido lutando por sua recuperação. E eu seguindo com a minha própria recuperação. Nesse mês, foi publicado o meu artigo: “Felicidade, uma questão de escolha”, na revista Anônimos. E tive a oportunidade de participar de alguns eventos em razão do Dia Mundial de Combate às Drogas.

Julho/2013: Mês tranquilo. Fizemos um abaixo-assinado, com mais de 350 assinaturas de familiares de dependentes químicos, e enviamos a várias empresas de comunicação e órgãos públicos, solicitando que a mídia traga mais informações sobre codependência e dependência química, e menos sensacionalismo.

Agosto/2013: Paz! Comemoramos juntos o dia dos pais. E o papai fez por merecer. Lutando a cada dia por sua recuperação. E cuidando das “suas crias” com o seu melhor... E eu aqui, feliz da vida, vivendo e deixando viver... No dia 12, iniciei pra valer uma reeducação alimentar!

Setembro/2013: Chegada da primavera. Marido há seis meses limpo. Vida caminhando bem. Me dedicando ao curso de Prevenção do Uso de Drogas, promovido pela UFSC. Minha filhota mais velha fez 14 anos (já?!!).

Outubro/2013: Logo no início do mês, dei uma palestra (prefiro chamar de partilha) a familiares de dependentes químicos internados em um Instituto. Foi muito gostoso estar ali. Nesse mês, recebi a notícia da aprovação do meu projeto “Ame, mas não sofra!”, para implantação às famílias do DF. Foi um mês de muito trabalho e dedicação. Tive a oportunidade de participar de um ciclo de estudo dos doze passos, de Alcóolicos Anônimos, e fiquei encantada! Conheci o companheiro Junior, do Blog Limpo Só Por Hoje. E no finalzinho do mês, meu esposo teve um lapso, após mais de sete meses limpo. Doeu.

Novembro/2013: Tive medo que ele entrasse em compulsão novamente, mas graças a Deus, não aconteceu. Ele não se afundou, ao contrário, usou o “lapso” para ver o que ele não quer para a sua vida. Sendo assim, “tamo junto”! No inesquecível dia 05, foi lançado o Projeto Ame, mas não sofra!, na SEJUS/DF. Foi lindo! E nesse mesmo dia, dei uma entrevista ao vivo sobre a codependência nas famílias, em um jornal local da Band. Meu esposo foi aprovado em um concurso público! Foi formada a primeira turma de Multiplicadores de Ações de Apoio às Famílias, e fiquei muito feliz com o resultado do curso! Os participantes entenderam o que é a doença da família, e a necessidade de cuidado e atenção a quem convive com adictos. Você pode acessar os resumos das aulas, postadas aqui no Blog.

Dezembro/2013: Foi publicada a pesquisa LENAD sobre as famílias de dependentes químicos. Achei bacana. Aos poucos vão nos enxergando! Fiz vários atendimentos na Unidade de Apoio às Famílias, no DF. Chorei algumas vezes diante da dor desses familiares. Mas, sigo acreditando na recuperação da família, e na recuperação dos adictos! Em minha casa, este mês está sendo muito harmônico, graças a Deus! Completamos sete anos de casados, bodas de lã! Passamos o Natal juntos. Fizemos um “amigo-abraço” em casa, com as crianças. Fizemos um bolinho para comemorar os cinco anos do nosso filho do meio. Distribuímos os presentinhos. Meu esposo colaborou na preparação das comilanças. E foi muito bom tê-lo conosco nessa data. Ao subir na balança, constatei que estou 14,5 quilos mais magra!!! E dessa vez, esse emagrecimento é por mim mesma, e não em decorrência de situações exteriores. Estou amando o resultado! Fizemos fotos da família, em um estúdio... E sabe aquela sensação gostosa de “valeu a pena!”?

Meu esposo continua limpo, só por hoje. E ao olhar para os 365 dias desse ano de 2013, e ver que ele conseguiu se manter limpo por 362 desses dias, percebo o avanço em sua recuperação. A sua capacidade de reerguer-se foi admirável. Mas, claro que espero que em 2014 sejam 365 dias limpo!

Sobretudo, ao olhar para este ano de 2013, consigo ver uma Polyanna inteira. Não apenas uma sombra do meu esposo, mas uma pessoa que está conseguindo se enxergar, e viver sua própria vida, mesmo quando as coisas não saem como o esperado. Alguém que acredita no amor ao próximo, e que é capaz de tudo por sua família, mas que não passa mais por cima de si mesma, que não se anula mais...

E isso tem dado certo por aqui, só por hoje.

E que venha 2014! Mais do que ano de copa do mundo e eleições, será um ano de muitas conquistas, tenho certeza. Em janeiro, será lançada a 2ª Edição do livro Amando um Dependente Químico, revisada e ampliada, trazendo em apenas um livro as duas partes da história: Dias de Dor e Dias de Recuperação. E em março, será lançado o terceiro livro, uma história real e muito forte de uma jovem dependente química, que certamente vai te envolver e comover. Será um ano de muito trabalho no projeto. E que seja um ano de muito amor, sobretudo! Quero curtir muito meus filhos e meu esposo. Quero crescer em minha recuperação. E quero ajudar aos meus iguais a perceberem o que um dia eu percebi: é possível ser feliz!

E que continuemos aqui, JUNTOS!!!

Amor! Saúde! E Recuperação a todos nós!




Em 2014, desejo tudo novo para nós!

Que “droga” seja apenas um termo usado pra extravasar a raiva;
Que guerras sejam apenas de travesseiros;
Que as recaídas sejam somente aos chocolates;
Que aconteçam overdoses somente de sorrisos;
Que o medo dê lugar à fé e à esperança;
Que a única mentira dita, seja sobre a idade;
Que a maior dor sentida, seja a de dente;
Que os laços que unem sejam mais fortes do que os nós que sufocam;
E que a gente morra, somente de amor;
E que a gente mate, fazendo cosquinhas;
E que a ganância dê lugar à caridade;
E o egoísmo à boa vontade;
Que as lágrimas só caiam, de emoção e de alegria;
Que os roubos sejam somente de beijos;
E que a felicidade dure pra sempre, a cada dia.

Desejo 365 milagres pra você nesse ano novo!




Obrigada por tudo, meu Deus! Pelas coisas boas e por aquelas não tão boas, mas que me serviram de aprendizado, e que me fizeram mais forte... Só uma coisa Te peço: que continue comigo, segurando em minha mão, durante todos os momentos desse ano que está nascendo, pois, sem Ti, não sou nada... Amém!


RECADINHO: Quem desejar participar de grupos virtuais no Facebook, basta me adicionar (https://www.facebook.com/polyanna.amandoumdq), e enviar uma mensagem inbox, solicitando a inclusão nos grupos. Participo do Nar-Anon e do Companheiras Amando e Ajudando um DQ.

Beijão, e até ano que vem! ♥

segunda-feira, 23 de dezembro de 2013

Feliz Natal todos os dias!



Bom dia, queridas(os) leitoras(es)!

Tudo bem?

Por aqui tudo em paz, graças a Deus!

Após um lapso, maridão está há 54 dias limpo, só por hoje!

Os últimos dois Natais foram meio tristes. Em 2011, eu estava grávida, e ele internado. Passei sozinha com as crianças, e apesar de entender a necessidade e importância do seu tratamento, e de viver os momentos que me eram dados, a saudade doeu.

Em 2012, ele saiu de uma internação, prematuramente, dois dias antes do Natal, e eu estava um pouco angustiada com isso.

Mas, agora em 2013, está tudo tão leve, e estou tão feliz!

Hoje acordei bem cedinho para fazer os embrulhos dos presentes das crianças. Meu filho do meio fará cinco anos amanhã, então a comemoração por aqui é em dobro.

Hoje o maridão está de plantão, e foi trabalhar de carro. Às vezes bate aquela pontada de insegurança, mas já sei como aliviar isso, entregando nas mãos certas (de Deus)!

Ontem ele encontrou um rapaz que esteve com ele em sua primeira internação. E infelizmente o rapaz está muito mal, na ativa mesmo. Ele o orientou a ir ao CAPs, e orientou sua esposa a também buscar ajuda. Nessa época do ano, muitos adictos recaem. Geralmente eles são pessoas extremamente sensíveis, e com toda essa emoção do final do ano no ar, e as lembranças de coisas boas e ruins em suas mentes, muitos acabam recaindo.

Peço a Deus que traga o meu esposo hoje para casa, bem! Hoje à noite faremos a festinha do meu filho, só para nós mesmos, algo bem simples, e confio que o papai estará aqui, inteiro e feliz!


Meu filhote com 11 meses, e agora já vai fazer 5 anos!!!

Às leitoras que estão passando por momentos difíceis, digo o que algumas amigas me disseram no penúltimo natal: muitos outros anos virão, esse é apenas um dia 24 e 25 de dezembro, não se deixe abater por isso.

Queridas(os), aproveitem essa data para se lembrar do aniversariante Jesus. Aquele que é capaz de operar milagres em nossas vidas...

Muita luz e paz!

Gente, estou programando um sorteio para o blog, mas acho que será só em 2014, pois o presente será uma novidade! Aguardem...

Falando um pouquinho do “Ame, mas não sofra”, projeto do qual idealizei o “embrião” e que foi implantado aqui no DF, pela SEJUS, e que tem sido razão de muita felicidade pra mim: 

Tenho feito alguns atendimentos presenciais a famílias, que tem me trazido muitas lições de vida. E ver o projeto crescer, a cada dia, mostra para mim mesma que podemos sim sair da codependência e gerar bons frutos, para nós, e para quem nos cerca.

Muitas vezes, após os atendimentos vou às lágrimas. São pais, mães, filhos, irmãos... Mas, acredito sim na capacidade de mudança que vive dentro de cada familiar, e dentro de cada adicto!

Em 2014, certamente terei muitas notícias boas para dar a vocês sobre o projeto! Já começaram, mas ainda não posso falar... (#ansiosa!)

Neste sábado, acompanhamos um pai que fez uma corrida de 7 km para comemorar os mais de três anos que sua filha está limpa do crack, e para mostrar a necessidade de apoio no tratamento da dependência química, e na prevenção contra as drogas. O “Ame, mas não sofra!" estava lá para abraça-lo.


Abraçando as famílias!

Esse pai chorou ao relembrar o momento em que resgatou sua filha, na cracolândia. Foi emocionante!

Bom, queridas(os), preciso ir, pois as crianças estão a um milhão por aqui! Estou de recesso do trabalho, mas não das tarefas de mãe... Risos!

Neste Natal só tenho a agradecer! Papai Noel não precisa me trazer mais nada! O grupo de apoio, o blog, a página no face, os e-mails, o projeto, as companheiras que se tornaram amigas, são presentes que Deus me deu e que me fazem crescer como ser humano, a cada dia... Obrigada, meu Deus!

E não bastasse tudo isso, ainda vou passar esse Natal, pesando 14,5 kg a menos! Uhuuu! Consegui isso por mim mesma, e é uma grande vitória! 

Agora só não posso exagerar no Chester e no panetone, né? Risos.


Quero neste Natal
Desejar não somente que tenha muitas felicidades neste dia
Mas sim que milagres te dominem,
E te façam perceber que Natal
Não está somente na virada do dia 24 de Dezembro para o dia 25,
Mas está em todos os dias do ano.
Nesta virada está apenas a concentração de todos os desejos
Feitos durante o ano que se passou.
A noite de Natal é fantástica
A cidade fica toda iluminada,
As pessoas sorridentes,
E em um instante parece que tudo fica em paz...
O Milagre do Natal
Está no nascimento de nosso salvador Jesus Cristo,
E Ele com toda certeza não deseja um único instante de paz,
Mas sim que todos tenham um milagre dentro de si, a cada dia...

(extraído do site paixão e amor)






sexta-feira, 13 de dezembro de 2013

Familiares de dependentes químicos, quem somos nós?


Vocês viram o Levantamento Nacional de Famílias de Dependentes Químicos, feito pelo UNIAD, INPAD e UNIFESP?

Essa pesquisa, considerada a maior do mundo sobre o assunto, foi divulgada no dia 03 deste mês, e veio para mostrar o impacto das drogas nas famílias brasileiras.

O estudo mostra que existem cerca de 8 milhões de dependentes de álcool e/ou outras drogas em nosso país, e que pelo menos 28 milhões de pessoas vivem com um dependente químico em casa.

E eu que pensava que era apenas eu...

Apesar do grande número de familiares de dependentes químicos, pouco se fala, se vê ou se estuda sobre as experiências vividas por esses familiares.

Os mais próximos (geralmente pais, cônjuges e filhos), em sua maioria, adoecem também. Afinal, sabemos que não é fácil viver na expectativa, na ansiedade, na dor, na desilusão, no medo... E isso acaba nos causando sintomas físicos e psicológicos. Portanto, precisamos sim de cuidados e de atenção!

Vamos aos números mais interessantes?

Dos familiares entrevistados, 80% são mulheres, e dessas, 46% são mães. E dessas mães, mais da metade são “chefe de família”. Cá pra nós, essa força só nós mulheres mesmo que temos, né?

Então 46,5% são mães, 13,2% pais, 12,6% irmãos, 11,2% esposas, 3% filhos, 1,6% avós, 0,8% maridos e 0,1% outros.

Muitas vezes me perguntaram se eu conhecia algum marido codependente. Conheci apenas dois, nesses anos. Mas, eles existem, estão aí na proporção de 0,8%...

57,6% das famílias entrevistadas possuem algum outro familiar usuário de substâncias (além do "seu" dependente químico próximo).

Os familiares acham que o uso de drogas se deu por más companhias (46,8%) e por autoestima baixa (26,1%).

Pra quem pensa que as drogas estão apenas nas favelas, veja esse índice: 26% dos adictos das famílias entrevistadas têm ensino superior completo ou incompleto, e 26,9% possuem ensino médio completo.

Dos dependentes que estão em tratamento, 73% usa mais de um tipo de droga, e 42% são usuários de crack. A média de tempo de uso é de 13 anos.

68% relataram usar maconha com outras substâncias.

Como sabemos a doença é progressiva. O jovem que começa no álcool e maconha, achando que nunca perderá o controle, é só uma questão de tempo... Se liga, jovem!

Gente, após a família saber que o jovem está usando drogas, leva em média 02 anos para buscar tratamento, no caso de cocaína e/ou crack; e 7,3 anos para buscar tratamento aos dependentes de álcool.

Triste essa estatística. É muito tempo pra tomar uma atitude! Infelizmente nossa sociedade ainda não entende que dependência química é doença (independente se a droga é lícita ou ilícita), e quanto antes iniciar o tratamento, melhor. Principalmente no caso do álcool que é uma droga aceita (e até estimulada) no nosso país, cabe aos pais estarem atentos. Se estão ocorrendo prejuízos em razão do uso (atraso no retorno para casa, falta ou atraso ao trabalho, gastos excessivos, mudanças de comportamento), busque ajuda de um profissional urgente! Na minha opinião, não deveriam nem usar, mas cada família tem sua forma de pensar.

As famílias entrevistadas buscaram ajuda em: 21,5% internação, 13,9% grupos de apoio, 11% igrejas, 7% parentes e amigos, 6,7% Psiquiatras, 2,6% CAPS AD, 2,2% hospitais, 1,9% médico clínico e 1% Psicólogos e terapeutas.

Metade dos entrevistados não sabe o que é CAPS AD, e dos que sabem, 46% nunca optou por esse serviço.

Sinceramente, não entendo. O atendimento no CAPS tem sim suas limitações, mas lá é o lugar que encontraremos Psiquiatra, Psicólogo, Assistentes Socias e outros, gratuitamente, para atenderem ao dependente químico e a família também.

Meu esposo já se tratou pelo CAPS daqui, e ficou uns bons meses limpo com esse acompanhamento. O pessoal de lá ligava até em nossa casa para saber se eu estava bem, se já havia ganhado o bebê, se meu marido seguia limpo, e tal. Tem furos nesse serviço? Sabemos que sim. Mas, o que não podemos é permitir que nosso familiar se afunde, sem buscar nenhum tipo de ajuda.

58% tiveram que se virar para pagar a internação do familiar, estou dentro desse número aí...

45% dos entrevistados tiveram sua vida financeira grandemente comprometida em razão do pagamento do tratamento. Olha eu aí de novo!

Na verdade, no meu caso, além de ter que pagar as mensalidades da Comunidade Terapêutica, pagava também Psiquiatra uma vez por mês, e precisava levar cesta básica e carnes. Além disso, de uma hora pra outra, me via tendo que pagar as contas sozinha, porque ele havia recaído. Ou mesmo repondo objetos que haviam sido levados por ele. Então, essa falta de cumprimento dos orçamentos previstos me fez entrar em uma grande dívida com o banco. Esse assunto me angustia muito... L

Queridos, o estudo mostrou que familiares de dependentes químicos apresentam muito mais sintomas físicos e psicológicos do que o restante da população. Por favor, cuidem de sua saúde! Olhem para si mesmos! Principalmente as mães de adictos, cuidem-se. Ok? Nós não somos de ferro... Não somos super-heroínas!

58% dos familiares tiveram sua habilidade de trabalhar ou estudar afetada.

47% tem sua vida social incomodada pelo adicto.

29% está pessimista quanto ao futuro imediato.

26% teve bens ou dinheiro furtados pelo adicto ou fez empréstimos a ele, sem devolução.

21% tem medo que o familiar adicto se drogue até o fim.

12% sofreram ameaça pelo dependente.

Bom, queridas(os) leitoras(es), posso dizer que me senti dentro dessa estatística do início ao fim, exceto na questão de sofrer ameaças do adicto.

E agora? O que fazer com esse sofrimento? O que fazer com o nosso adoecimento?

Temos um familiar dependente químico que precisa da nossa ajuda, mas por vezes não temos forças nem para nos mantermos de pé.

Entretanto, tenho certeza que se a pesquisa mostrasse o índice de ajuda buscada para a própria família, seria baixíssimo.

É hora de mudar isso. Precisamos nos conscientizar que viver com um dependente químico não é fácil, e nos adoece, e que sozinhos é muito difícil vencermos essa batalha. O que me tirou do vale profundo da codependência foi: o grupo de apoio a familiares, terapia com psicólogo, fé (religião), e a busca de conhecimento sobre o assunto.

Meu esposo continua sendo um adicto, embora esteja limpo graças a Deus. Eu continuo sendo sua esposa, e codependente (em recuperação!). Entretanto, a minha vida mudou completamente quando passei a cuidar de mim.

Recuperei minha habilidade para trabalhar e estudar, voltei a ter uma vida social normal, ressuscitei o otimismo em mim, e substitui o medo pela fé! Sim, eu mudei muito... Meus pensamentos mudaram. Minhas atitudes também. E é incrível, quando mudamos a nós mesmos, tudo muda ao nosso redor...

Então que tal parar de querer mudar o seu familiar, e começar a mudança por você?

Ele não quer se tratar? Trate de você!

Acredite, isso traz resultados positivos para você e para a sua família!

Escolha um grupo de ajuda, e vá hoje mesmo, se possível.

Amor Exigente (http://www.amorexigente.org.br/)
Codependentes Anônimos (http://www.codabrasil.org/)
Grupos familiares Al-Anon do Brasil (http://www.al-anon.org.br/)
Grupos familiares Nar-Anon do Brasil (http://www.naranon.org.br/)
Pastoral da Sobriedade (http://www.sobriedade.org.br/)


Para acessar a pesquisa, na íntegra, CLIQUE AQUI.


quinta-feira, 12 de dezembro de 2013

A bússola da Polyanna!



Boa tarde, queridas(os) leitoras(es)!

Estava respondendo aos e-mails recebidos, que já totalizam 619 (!!!), e ao observar os relatos, vi que quase todos eles trazem a descrição de uma história de vida, em seguida falam da dor diante da adicção ativa do familiar amado, e por fim trazem a pergunta: “o que eu faço?”

Fico muito feliz porque muitos se sentem a vontade para me contar os seus segredos, por depositarem em mim essa confiança, e também por me deixarem tantas palavras de força e carinho.

Sei o quanto nós, familiares, por vezes nos sentimos tão sozinhos, desamparados e incompreendidos.

Mas, por outro lado, me sinto impotente, porque não sei o que responder nessa pergunta “o que eu faço”?

O Blog Amando um Dependente Químico, desde o início, traz o relato do que eu estou fazendo com minha vida, das minhas escolhas, e dos meus sentimentos.

Entretanto, cada um é cada um...

Não posso dizer a ninguém “abandone o seu marido”, ou “fique com ele até que a morte os separe”, “interne seu filho” ou “deixe-o nas ruas”. Não posso. Afinal, quem vai arcar com as consequências disso, será você, e realmente não tenho as respostas que você busca.

Mas, estou aqui para dizer o que está dando certo pra mim. Daí, você pode ler, se identificar (ou não), e ter ideias de como agir.

Meu esposo segue limpo. Vejo o crescimento dele. Mas seria muito injusto da minha parte dizer que isso se deve somente a mim. Isso é mérito dele!

O comportamento do familiar pode sim ajudar ou atrapalhar na recuperação do dependente químico, mas nunca, jamais, a decisão dele de parar ou continuar com as drogas estará sobre nossas costas. Não mesmo.

Diante disso, decidi fazer esse post, citando o que eu acredito. Ou seja, é a MINHA forma de pensar... Não é certa, nem errada, apenas a forma da Poly se comportar diante da adicção de quem ama.

Vamos lá?

1. Não me sinto responsável pelas recaídas, e tampouco pela recuperação do meu esposo. Estou aqui para ajuda-lo, e não para carrega-lo sobre meus ombros.

2. Quando a recaída acontece, observo em seu comportamento (e não em suas palavras), se há o desejo real de voltar para a recuperação. Isso poderá se dar por meio de um tratamento ambulatorial ou grupo de apoio, ou em casos de compulsão incontrolável, pela internação.

3. Se ele não quer parar, tento no diálogo mostrar as perdas ocorridas em razão do uso de drogas, lançando perguntas para que ele reflita, sem acusações ou gritos. (Se não estou em condições, não converso). Geralmente esse diálogo é mais eficaz no dia seguinte do uso (na ressaca). Mas, se ele continua determinado a não parar, não fico junto, pois são muitas as consequências desastrosas, a mim e às crianças: emocional, psicológica e financeiramente.

4. Se ele quer parar, movo céus e terras para ajuda-lo, mas somente para ajuda-lo, sem tirar dele as atitudes que somente ele pode tomar.

5. Não sinto “pena” dele. O vejo como alguém capaz de ser o que quiser ser.

6. Entendo que a dependência química é uma doença. Entendo que não é fácil se manter abstinente quando se tem essa doença. Por isso, tento compreender em seus momentos de fissura, a irritabilidade, o mal humor, ou o desânimo.

7. Penso que o querer dele é a chave para a recuperação.

8. Não aceito uso de drogas dentro de casa. Não aceito conviver com alguém em ativo uso de drogas. Não aceito violência física ou verbal. Não aceito desrespeito.

9. Amo ao meu familiar dependente químico como ele é. Ainda que, por vezes, prevaleça a imaturidade, o egoísmo ou a manipulação, sei que também sou cheia de defeitos, e que nós dois juntos, podemos crescer e melhorar, um dia de cada vez.

10. O que passou, passou. Não fico relembrando coisas do passado de ativa. Se perdoei, perdoei.

11. Sempre foco nas qualidades dele, no homem que escolhi para ser meu companheiro.

12. Grupos de apoio (presencial ou virtual), leituras, terapias, e cursos sobre Codependência e Dependência Química foram essenciais para que eu formasse a minha própria opinião sobre o que é melhor ou pior a fazer, diante do problema.

13. Faço orações diariamente, e confio que Deus pode fazer o que eu não posso.

14. Tenho fé e esperança.

15. Não acho que meu esposo depende de mim para estar em recuperação. Não carrego essa responsabilidade sobre mim. Estou com ele porque o amo, porque ele me faz feliz, e só.

16. Respeito os meus próprios limites, defeitos e sentimentos. Nós, familiares, não somos e não precisamos ser perfeitos. Cometemos erros também...

17. Vejo o meu esposo como o meu esposo, como um homem, e não somente como um dependente químico.

18. Amo a mim mesma. Respeito a mim mesma. Não passo por cima dos meus limites por ninguém. Entretanto, dentro dos meus limites, estou disposta a ajudar, a amar, e a colaborar.

19. Aprendi a ouvir mais e falar menos. Descobri que não tenho o remédio que meu esposo precisa. Por vezes, ele só quer alguém que o escute, e o entenda.

20. Humildade... Aceitação... Compreensão... Empatia... Assertividade... Amor... Fé... Esperança... Limites... Diálogo... Mão estendida... Força... Respeito... São ferramentas que tento utilizar no meu dia a dia, com ele, com os outros, e comigo mesma.

Isso aqui não é receita de bolo não, viu, minha gente? Mas, foi dessa forma que encontrei uma vida mais leve, e mais feliz!

Espero que essas dicas possam te ajudar, de alguma forma.

Essa é a "bússola" que eu uso. Sei para onde quero ir, e ela me orienta. 

O primeiro passo é saber o que você quer para a sua vida. Já sabe? Então vá! Não permita que ninguém diga o que você deve ou não fazer. Acredite nas suas escolhas! E seja responsável por elas.

Não sei dizer o que você deve fazer, mas estou aqui para dizer que você não está sozinha (o)...

Estamos juntas(os)!


Beijos.
Poly

quarta-feira, 11 de dezembro de 2013

Mais um dia 10 de Dezembro! Bodas de Lã!



Sete anos casados... Bodas de lã!
Nosso amor era tão improvável.
Ele veio lááá do finzinho do Sul, e eu do interiorrrr do Brasil (Goiás), para nos encontrarmos na América do Norte!
Parece que o mundo inteiro conspirou para que a nossa história acontecesse.
Mas, como não acredito em destino, e sim em Deus, sei que nossa história estava nos planos Dele.
Sete anos...
Já vivemos tantas coisas juntos (boas, difíceis, dolorosas, engraçadas...) e estamos aqui, mais juntos do que nunca, e certamente mais maduros...
Sobrevivemos!!!
Um agitadinho e uma calminha, um apreciador de músicas americanas e uma apreciadora de músicas latinas, um profissional da área de saúde e uma profissional da área administrativa, um caladinho e uma que fala pelos cotovelos, um aventureiro e uma medrosa, um comedor de carne e uma quase vegetariana... Isso pode dar certo?
Pode sim, e deu, e dá, e dará!
Quando ele está perto de mim, as diferenças somem, eu sumo, ele some, e passa a existir apenas o “nós”. Aliás, as diferenças só enriquecem a nossa relação.
Ele me ensina e me acrescenta a cada dia. E eu sinceramente o admiro.
E pode avisar que crise dos sete anos aqui em casa não tem não!
Antes éramos apenas um casal, hoje somos uma big família!
E estou feliz por esses sete anos...
E que venham mais 70...
E que Deus continue abençoando a nossa união!


Resposta dele:

É, meu amor, hoje é um dia muito especial, e veio uma dúvida aos meus pensamentos: como eu estaria hoje se nossos caminhos não tivessem se encontrado? Pensei, pensei e pensei... A minha auto-resposta foi: Não estaria como estou hoje! Esses sete anos de casamento, para mim foram de um eterno aprendizado, de crescimento pessoal e intelectual, e de responsabilidade, da qual uma família tanto necessita. Posso dizer que foram sete anos inesquecíveis e marcantes na minha vida. Afinal, estar ao seu lado faz com que sequer um só dia vire rotina. Esse é apenas um dos motivos pelo qual eu sou grato, apaixonado e agradecido a Deus por Ele ter me confiado você como esposa. Te amo demais.

Ah, você deveria receber uma Honraria de Estado por ter me suportado nesses sete anos! Risos.




Bom, queridos(as), é isso aí. A nossa história não se resume à adicção e codependência. Tem muito mais! E o que posso dizer é que estou feliz e grata a Deus por esses sete anos!

Meu maior aprendizado com ele?

Estou aprendendo a me entregar sem medo, mas sem destruir a minha identidade em função dele. A me doar muito, mas não respirar o ar que é dele. A ser afetiva e generosa, mas jamais deixando de ter minha órbita própria... (inspirado em palavras de Augusto Cury)

terça-feira, 3 de dezembro de 2013

Tem muito mais estrada no meu coração...



Bom dia, queridas(os)!

Tudo bem com vocês?

Hoje, dia 03 de dezembro! Meu Deus, não acredito que já estamos em dezembro outra vez! Este ano passou muito rápido!

Eu amo o mês de dezembro: Natal, aniversário do meu filho do meio, aniversário de casamento, shoppings enfeitados, as músicas de fim de ano na TV e no rádio, a sensação de encerramento de um ciclo... Tudo isso mexe comigo.

Após uma deslizada, meu esposo segue limpo há 34 dias. Ele está bem, trabalhando bastante, e ansioso por sua convocação no concurso público em que foi aprovado e bem colocado.

E eu? Bem, estou com uma vida muito corrida. Me sinto cansada. Levanto muito cedo, arrumo as mochilas das crianças, limpo a casa mais ou menos, tomo o meu banho correndo, acordo as crianças (com preguiça), dou-lhes café, e as levo para a escolinha. Durante o dia, me desdobro na Secretaria, trabalhando com Gestão de Pessoas e com as famílias de dependentes químicos. Ao final do expediente, volto correndo pra casa, pego um trânsito pesado, busco as crianças na creche, e venho para casa lavar/passar roupas, preparar uma comidinha, dar atenção aos filhotes. Meu esposo me ajuda em dias de folga. Mas, ainda assim, está pesada essa rotina. Não estou conseguindo me dedicar como gostaria ao Blog, face, email, livro, etc... Mas, posso dizer que estou feliz. Acho que é uma fase transitória. E tudo o que consegui em minha vida foi assim, na base de muito esforço! Agora não seria diferente.

Neste sábado, estive em um Instituto fazendo um trabalho com as famílias. Foi muito gostoso estar ali mais uma vez. Éramos 48 familiares. Falei sobre a codependência e sua recuperação, e a maioria das famílias respondeu muito bem às informações.

No trabalho, o I Curso de Multiplicadores de Ações de Apoio às Famílias formou 82 Multiplicadores, e foi muito elogiado pelos participantes, alcançando a avaliação de Excelente ou Bom por 93% dos alunos. Isso me deixou muito feliz!

Ontem abriram as inscrições para a segunda turma, e já temos mais de 30 inscritos!

Sabe, quando penso em desistir, parar com tudo isso, e simplesmente levar minha vidinha normal, Deus me mostra que se Ele está comigo, me dando forças e condições para ajudar a outros, por que não fazê-lo? Gente, e Deus foi e é tão bom comigo sempre, que não tenho como seguir adiante, sem fazer a Sua vontade, e acredito sim que a vontade Dele seja que eu (e todos nós) levemos essa mensagem de uma vida mais leve e mais feliz aos familiares de dependentes químicos que estão sofrendo. A cada atendimento, a cada telefonema, a cada palestra, a cada e-mail isso fica mais claro pra mim. E isso me sara... Enquanto cuido das dores dos outros, Deus cuida das minhas!

Quero deixar a vocês uma Carta que me ajudou muito em minha recuperação. É a Carta Aberta à Minha Família, do Nar-Anon. Leia com atenção esta carta, do seu familiar adicto a você.


“Sou um usuário de drogas. Preciso de ajuda.
Não resolvam meus problemas por mim. Isto somente me faz perder o respeito por vocês.
Não censurem, não façam sermões, não repreendam, não culpem ou discutam, esteja eu drogado ou sóbrio. Isto pode fazer vocês se sentirem melhor, mas só vai piorar a situação.
Não aceitem minhas promessas. A natureza da minha doença me impede de cumprí-las, mesmo que naquele momento tencione fazê-las. As promessas são meu único meio de adiar a dor. Se um acordo foi feito, mantenham-se firme nele.
Não percam a paciência comigo. isto destruirá vocês e qualquer possibilidade de me ajudarem.
Não permitam que sua ansiedade por mim faça vocês fazerem o que eu deveria fazer por mim mesmo.
Não encubram ou tentem poupar-me das consequências do meu uso de drogas. Isto pode diminuir a crisem, mas fará a minha doença piorar.
Sobretudo, não fujam da realidade como eu faço. A dependência de drogas, minha doença, torna-se pior enquanto eu persistir no uso.
Comecem agora a aprender, a compreender e a fazer planos para a sua recuperação.
Procurem o Nar-Anon, grupos que existem para ajudar famílias daqueles que usam drogas.
Preciso da ajuda – de um médico, de um psicólogo, de um conselheiro, e de um adicto em recuperação que encontrou a sobriedade em Narcóticos Anônimos, e principalmente de Deus. Eu não posso ajudar a mim mesmo.

Seu usuário.”


Gente, hoje é um dia importante pra nós. Hoje será divulgado o Levantamento Nacional com Familiares de Dependentes Químicos, na UNIFESP. Uma pesquisa do UNIAD e INPAD. Esse estudo trará o perfil sociodemográfico das famílias e dos pacientes em tratamento, as motivações e o tempo médio para a busca de tratamento, e o impacto da dependência química na saúde e finanças das famílias, dentre outros.

Infelizmente fiquei sabendo muito em cima da hora, por isso não poderei ir, mas estamos aqui “de olho” nos resultados que serão divulgados.

Bom, queridas(os), é isso. Agora preciso ir... Beijão no !


“Desistir... eu já pensei seriamente nisso, mas nunca me levei realmente a serio; é que tem mais chão nos meus olhos que cansaço nas minhas pernas, mais esperança nos meus passos do que tristeza nos meus ombros, mais estrada no meu coração do que medo na minha cabeça...”
(Cora Coralina).



segunda-feira, 25 de novembro de 2013

Impotente!



Bom dia, queridas(os)!

Como foi o fim de semana de vocês?

Comigo e minha família vai tudo bem, graças a Deus.

Meu esposo segue limpo há 26 dias. Espero que realmente tenha sido apenas um “lapso” e não uma “recaída”. Para os que não sabem, lapso é um ato isolado de uso, e recaída é voltar ao uso compulsivo.

O meu papel em relação ao meu esposo e sua adicção tem sido cada vez menor: o amo, mas deixo claros os meus limites, não aceito o seu uso de drogas, mas o aceito como ele é. Então não há muito o que dizer sobre isso.

Não fico martelando: “e se ele recair, o que vou fazer?” “será que ele está pensando em usar?” “será que ele está em recuperação?” ou coisas assim. Esses assuntos dizem respeito a ele, e não a mim.

Só por hoje, ele está limpo. Está seguindo na direção correta. Está cumprindo os seus papéis como esposo e pai. Ponto.

Meu foco está em mim. Em recuperar-me da minha codependência. Do meu desejo de controle sobre o outro. Dos meus pensamentos obsessivos em relação ao outro.

O Primeiro Passo é uma constância em minha vida. Vocês conhecem?

“Admitimos que éramos impotentes perante o adicto, e que nossas vidas tinham se tornado incontroláveis.”

Já percebi que TODAS as vezes que tentei controlar a vida do meu esposo, a minha ficou desgovernada. Por outro lado, quando estou focada na minha própria vida, não tenho tempo nem energia para tentar controlar a vida do meu esposo ou de quem quer que seja.

Dependentes químicos não precisam de alguém que os controle. Eles precisam de amor, compreensão e pulso forte (limites).

Sou uma pessoa cheia de problemas. Tenho os meus próprios desafios. E hoje não preciso mais empurrar meus próprios defeitos para debaixo do tapete, para evidenciar os defeitos do meu familiar adicto.

Repito para mim mesma:

Sou impotente perante o meu esposo e sua adicção...

Sou impotente perante a ausência do meu pai...

Sou impotente perante a saudade da minha mãe...

Sou impotente perante o medo que as vezes bate...

Sou impotente perante o vermelho da minha vida financeira...

Sou impotente perante a irresponsabilidade da babá dos meus filhos...

Sou impotente perante os sentimentos e pensamentos dos outros...

São tantas as coisas que me incomodam e machucam, mas hoje entendo e aceito a minha impotência perante elas. Então como não posso muda-las, simplesmente entrego para Deus, Aquele que é infinitamente maior do que eu, e me desligo.

Por outro lado, posso mudar a minha postura diante dessa lista acima. Posso ser assertiva com meu esposo. Posso perdoar meu pai. Posso aproveitar os minutos de ligação da minha mãe. Posso trocar o medo por fé. Posso continuar trabalhando, economizando, e reduzindo as contas. Posso encerrar o contrato com a babá. Posso aceitar os outros como eles são, procurando ver o melhor de cada um... 

Ou seja, só posso mudar a mim mesma. E isso é muito!

O caos em minha vida acontecia quando eu teimava em mudar o que era para simplesmente aceitar (os outros) e em aceitar o que era para mudar (eu mesma)...

Desejo a vocês uma ótima semana!

Beijos.