sexta-feira, 7 de dezembro de 2012

Julgador, empático ou assertivo?



Bom dia, companheiras(os) queridas(os)!

Tudo bem com vocês?

Estou passando por uma semana bem difícil, em razão do meu bebezinho que está enfermo. Nesta semana, nem trabalhei, e já o levei ao médico várias vezes. Essa fase de iniciação na creche é sempre muito complicada, até adquirir imunidade. Confesso que quando meus filhos não estão bem, perco o chão. Ontem, por pouco não fui até ao instituto para buscar o meu esposo, pois não sabia mais o que fazer com o pequeno, e após várias noites sem dormir, o psicológico também fica muito abalado. Mas, graças a Deus o surto passou, e consegui segurar a barra. Afinal, como a Giulli sempre diz, em alguns momentos somos fortes porque é a única opção que nos resta: ser fortes. Hoje o pequeno está dormindo bem, graças a Deus!

Só por hoje, meu esposo está limpo há 45 dias. Não sei dizer se o tempo tem passado rápido ou não, mas ele tem passado...

Queridas(os), hoje eu gostaria de conversar com vocês sobre dois conceitos que ouvi no curso com um Psiquiatra, Especialista em Dependência Química, que são essenciais no relacionamento com dependentes químicos, aliás, são essenciais em qualquer relacionamento: empatia e assertividade.

É muito comum vermos e fazermos julgamentos sobre os comportamentos de terceiros, não é mesmo? E principalmente se esse terceiro for um adicto. Então nos achamos no direito de julgar se o que ele faz é certo ou errado, se é melhor ou pior, se é bom ou ruim, e nos esquecemos de que os nossos parâmetros são diferentes dos deles, e quando iniciamos esse processo de julgamento, usamos como base a nossa própria realidade, o nosso ponto de vista, a nossa história de vida, a nossa moral... E tudo isso varia de um ser humano para outro, portanto não deveríamos ser juízes de ninguém, a não ser sobre a nossa própria vida.

Nos três primeiros anos do meu casamento, quando eu não sabia sobre codependência, e muito menos sobre recuperação, eu me achava sempre a dona da razão. Então, a cada recaída de comportamento ou às drogas, eu me sentava no trono, e me colocava a julgar ao meu esposo. Eu pensava que tinha o direito de fazer isso, afinal, a adicção dele me machucava tanto, mas hoje vejo que eu não tinha (e não tenho) o direito de julgá-lo, porque não conheço o que ele sente e vive, em sua essência.

Gosto muito da frase de Shakespeare, que diz: “Todo mundo é capaz de dominar uma dor, exceto quem a sente.”

Na verdade, o hábito de julgar, muitas vezes está enraizado em nós. E taxamos os dependentes químicos de fracos, de manipuladores, de sem moral, de insensíveis, disso e daquilo, e nos esquecemos de que eles são seres humanos assim como nós, e que se eles não conseguem vencer um monte de pó, ou uma pequena pedra, é porque há algo muito mais forte por trás disso tudo, e que geralmente lhes causa sim muita dor.

Entendam que não sou a favor de aceitar tudo do dependente químico, nem de lhe passar a mão na cabeça, mas também não sou a favor de lhe atirarmos pedras, como se fôssemos superiores ou melhores.

Durante muito tempo, eu analisava as escolhas do meu esposo baseada na minha história. E foi difícil, e até hoje requer muito exercício e autocontrole, para tentar entender as escolhas dele, baseado na história de vida dele, me colocando em seu lugar e tentando entender os seus porquês. Isso é empatia. E não é fácil porque exige que eu saia do conforto da minha vida para tentar entender uma realidade de vida muito diferente da minha.

Um dia parei para pensar o por quê de as escolhas do meu esposo me incomodarem tanto, e confesso que me assustei com as respostas. Quando as atitudes e escolhas de uma pessoa me incomodam a ponto de eu começar a apontar os dedos e julgar, é hora de tentar perceber o que em mim aquilo está afetando. Tente fazer essa análise, e você se surpreenderá com as respostas dentro de si mesma(o).

Isso é também praticar a oração da serenidade, “aceitando o que não podemos mudar”, ou seja, o outro; e “mudando o que podemos”, ou seja, a nós mesmos. Só assim crescemos. O problema é que sempre queremos mudar aos outros...

Mas, quando voltamos os olhos para o nosso próprio umbigo, e vemos nossos próprios defeitos de caráter, começamos a ser um pouco mais tolerantes, e um pouco mais abertos às diferenças e limites dos outros.

Ser empático é ter aceitação pelo outro, de verdade. E acredito sim que a empatia nos ajuda a cultivar relacionamentos mais agradáveis e mais harmoniosos. Afinal, somente com a prática da empatia, nos abriremos para ouvir e conhecer a verdade do outro, e quando desenvolvermos essa habilidade perceptiva, conseguiremos, enfim, criar uma relação mais sincera e mais confiável para ambos, e teremos dado início a uma possibilidade de recuperação também para ambos.

Mais uma vez ressalto, ter empatia com o adicto amado não é permitir-lhe o uso de drogas e muito menos passar-lhe a mão na cabeça quando ele não está em recuperação. Não! É apenas respeitá-lo como ser humano, e encontrar meios para ajudá-lo a perceber a sua doença, sem diminuí-lo.

Então entra um outro conceito muito importante para quem ama e convive com um adicto: a assertividade.

Ser assertivo é ser franco. É saber expor seus pensamentos, emoções e opiniões sem ofender ao próximo. Quando somos assertivos, por exemplo, após uma recaída do nosso amado, podemos evitar situações ainda mais desagradáveis, tendo controle sobre nosso próprio comportamento.

Uma coisa é você dizer: “Seu sem-vergonha, você não tem vergonha na cara? Não pensa na sua família? Você merece é ficar sozinho mesmo!”

E outra muito diferente é dizer: “Querido, amo você, mas não tolero o seu uso de drogas, porque me dói muito vê-lo se destruindo assim. Você quer ajuda para mudar isso? Caso contrário, precisarei me afastar dessa situação.”

Percebem a diferença? Podemos dizer o que sentimos, mas sem ofender. Podemos dizer o que queremos, sem culpa. Isso é ser assertivo.

Dicas dadas pelo Dr. Leonardo Moreira, Psiquiatra, para ser assertivo:

·         Não guarde muitas coisas, para “explodir” depois;
·         Não seja agressivo, nem passivo;
·         Fale sem gerar atrito;
·         Não emita julgamentos;
·         Se estiver muito nervoso, se alcame primeiro, depois fale;
·         Fale sinceramente o que está sentindo, sem magoar;
·         Esteja aberto para ouvir.

É isso aí, queridas(os), aos poucos vamos aprendendo, nessa escola da vida.

Vamos falar com naturalidade sobre nossos sentimentos, e vamos ouvir com o coração, tenho certeza que onde há amor verdadeiro, sempre há esperança!

Lembre-se: “ame e ao seu próximo como a si mesmo”, nem mais, nem menos!

Beijo no ! Boa sexta!



3 comentários:

  1. Como o adicto que deu uma palestar disse..quer conversar com um adicto fale dos seus sentimentos em relação as atitudes dele...e deixe ele pensar nas atitudes que ele teve e fez gerar tais sentimentos no outro....Amor verdadeiro? o que seria amor verdadeiro?pra mim amor é querer o bem...e muitas vezes erramos em querer o bem...se não brigassemos se não falassemos absolutamente nada..ai sim não nos importariamos e não existira amor...cada um consegue se desligar de uma forma..e pelo que percebo a maioria vai pela raiva...o que é natural..pq tb somos humanos...só não podemos permanecer na raiva...temos que equalizar até se tornar com amor...da mesma forma que devemos olhar pra eles e não julga-los..e aceita-los...devemos nos aceitar...e não nos julgar ous e culpar... em um momento de desespero..quando o filho..o marido...ou sei la o que retorna de uma recaida..e a gente por amor e por desespero...grita pra ver se entra na cabeça..meu...olha o que vc ta fazendooo caramba..não liga pra ninguém...isso não é falta de amor...é apenas AMOR...precisamos melhorar...sim e quem nesse mundo não precisa...rs..vamos nos aceitar primeiro pra aprendermos a aceitar o próximo, vamos nos amar primeiro pra aprendermos a amar o próximo...afinal como dizem ninguém é normal e de médico e louco todo mundo tem um pouco...rs

    bjus Polly..melhoras pro seu baby...podiamos amrcar uam festa do pijama..pra dormirmos até as tantas...pq gente mulher de adicto com filho pequeno nem dormir consegue que coisa..hahaha tamu junto

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  2. Rapaz...........!!!! Adorei a postagens... Assertividade é uma coisa que se pegarmos pra trabalhar dá tanto trabalho que aposto que conseguiremos tirar o foco dos outros facinho!
    Poly... te amo! Obrigada por me ensinar mais essa! ;)

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  3. Assertividade é a atitude q qa tempos eu corro atrás rsrsrsr,mesmo antes de saber q meu mano era adicto sempre fui uma pessoa q magoei as pessoas com minhas palavras e já sofri tanto com isso doía tanto e hoje já me policio bastante e até me omito as vezes para não magoar e depois ficar magoada,mas é difícil putz e como ainda não sou uma perita no assunto,porém já mudei muitoo,graças a DEUS!
    Amei o post,bjos

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