quinta-feira, 22 de novembro de 2012

Você tem certeza de quê?



Vocês já perceberam como vivemos sempre em busca de garantias e de segurança?

Quando vamos comprar um carro ou mesmo um eletrodoméstico, já nos é oferecido um seguro, para que, caso aconteça alguma coisa, não percamos o bem. Muitas vezes esse seguro nem é tão confiável assim, mas só pelo fato de tê-lo nos sentimos tranquilos.

Pagamos planos de saúde, para ter a segurança de um bom atendimento médico, se precisarmos. Muitas vezes, o bom atendimento não existe, mas o fato de imaginar que ele existirá, nos faz respirar mais aliviados.

Buscamos o homem ideal para o casamento, conforme nossos conceitos. Umas buscam segurança financeira, outras buscam segurança emocional, ou psicológica. E assim, se casam, na certeza de encontrarem um no outro aquele que o fará “feliz para sempre”.

Vivemos como se fôssemos eternos. Buscamos certezas onde não há. Queremos segurança a qualquer custo, mas a realidade é que vivemos uma vida efêmera, e cheia de surpresas boas e ruins. A vida humana é instável, e os relacionamentos também.

Uma amiga de 40 anos, cujo esposo é jovem e atleta, me contou como, de repente, numa manhã qualquer, seu esposo apresentou sintomas de gripe, e em apenas dois dias estava entubado em uma UTI, ficando em coma por 15 dias, em razão de uma misteriosa bactéria.

Outra, que confiava absolutamente no esposo, um dia se surpreende com a notícia de que ele ama outra pessoa e vai deixá-la.

Um homem bem sucedido profissional e financeiramente, por um desastre na bolsa de valores perde tudo, e acorda pobre.

Se olharmos honestamente para a vida ao redor, veremos que essa segurança que tanto buscamos não existe. Por isso, a única forma de sermos felizes é correndo atrás do que nos faz bem, e parando de colocar nossa felicidade nas mãos de outra pessoa.

Por isso relacionar-se com um dependente químico é tão doloroso para nós, e tão assustador para quem está de fora. Porque quando temos um dependente químico na família, essa máscara da falsa segurança cai, e essa instabilidade que existe na vida de qualquer um, toma uma dimensão maior.

Vivemos na incerteza. Sabemos que ele pode recair a qualquer momento. Esses temores são ressaltados. Mas, o que quero dizer com esse post é que a instabilidade faz parte da vida, sempre.

Por isso, queridas, ainda não optei por me separar, porque eu, hoje, não seria mais feliz se o deixasse. Porque eu verdadeiramente o amo. Porque eu acredito que ele pode encontrar a sua recuperação, se quiser. Porque eu quero criar os meus filhos junto com o pai. Porque sinto o amor dele por mim. E tudo isso, para mim, tem muito valor.

Entretanto, quando decidimos nos manter ao lado de um dependente químico, precisamos ter a consciência de que essa instabilidade é pra sempre. Portanto, é preciso muita força para lutarmos pelos nossos sonhos, corrermos atrás da nossa conquista, sem esperar por eles.

Se alimentarmos expectativas, a decepção virá, e a tristeza também.

Há um ano e meio que este blog nasceu, e desde então conheço muitas histórias. A grande maioria delas são um ciclo (inclusive a do meu esposo), composta por ativa, recuperação, esperança, recaída, frustração. Precisamos entender que dependência química é uma doença, e eles só vão ficar longe das drogas, quando o desejo de parar de usar for maior que o desejo de usar, e isso não é fácil para um adicto. Então se queremos ficar ao lado, que seja por amor, e não por alienação.

Recuperação existe. Mas, para isso ELES têm que querer. Não nós.

Cada um sabe do seu próprio limite e dos seus próprios desejos de vida. Hoje me mantenho unida ao meu esposo porque ainda há algo que une nossas almas, ainda há muito sentimento envolvido, e sinceramente não me vejo ao lado de outro homem. Claro que isso pode um dia mudar, afinal, como eu disse acima, somos instáveis. Por isso gosto tanto do lema “só por hoje”, porque assim é a vida de todos, adictos e não adictos, as certezas que temos só valem pra hoje, amanhã não sabemos como será.

E só por hoje eu o amo!

Bom, queridas, para esse post não deixar ninguém pra baixo, ou reflexivo demais, quero terminar com a frase postada no facebook ontem, por um companheiro de blog, o Jorge Alberto, do Blog Só Por Hoje, como prova de que recuperação existe, enquanto eles assim quiserem. 

“Hoje faz quatro anos que estou limpo e sóbrio... Não faço mais do que a minha obrigação. E, de hoje em hoje, vou vivendo mais um dia. Muito obrigado, meu Deus.

Parabéns, amigo! Muito feliz por você, sua esposa e seus filhos!

Beijos, queridas(os)!


14 comentários:

  1. Levantei para te aplaudir em pé! Sempre, sábias palavras!

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  2. Lindas e sábias palavras : ) beeijos

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  3. Excelente postagem amiga.
    É questão de se saber o que quer e tomar sua decisão.
    Se conscientizar de que viver com um DQ é uma montanha russa e aceitar isso é uma premissa para se amar um dq sem sofrer.
    =)
    Forte abraço e bons momentos!

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  4. Penso como em você nos míniiiiiiiimos detalhes!!
    Beijoca!!

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  5. Este comentário foi removido pelo autor.

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  6. Bravo, parabéns!

    Fica com Deus.

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  7. acho que essa é exatamente a maior dificuldade de todas que convivem com um DQ entender que é uma doença e principalmente O QUE É..essa doença, como ela afeta a vida do DQ...pra mim é dificil separar a adicção do adicto...rs..já que se trata de uma doença do comportamento..de desvios de carater que os fazem não enxergar o quanto realmente a droga os destrói..eles enxergam por alguns instantes mais cegam...pq é dificil se admitir que se usa droga pq gosta..ai sempre existem um motivo..uma situação...ainda existe tb..na minha opinião um dos maiores obstaculos..achar que consegue superar a doença...não se supera a doença...se controla..quando eles ACORDAM PRA ESSA REALIDADE...acredito ser o despertar espiritual que tanto falamos...e ai eles devem pensar assim pror esto da vida, pra fazer tudo o que deve ser feito pra não se correr riscos...da tão ameçadora RECAIDA...e amigas..isso é o que consideram no NA...RECAÍDA É APÓS 7 ANOS LIMPO...se o adicto...ta recaindo semanalmente isso se chama ATIVA..VOLTA AO USO...o que significa que não estão em recuperação ..alias essa é mais uma das armadilhas dessa doença que manipula a eles mesmos...SE ACHAREM EM RECUPERAÇÃO QUANDO RECAEM COM CERTA FREQUENCIA..OPS..QUIZ DIZER QUANDO VOLTAM AO USO..COM CERTA FREQUENCIA...isso é muito importante de nós temos bem claramente nas nossas cabeças...
    e é isso Polly...continue assim com os pés no chão...muitas felicidades pra ti..e vamo reza pra cabeça dos serzinhos clarearem...rs

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  8. Linda postagem!

    "Por isso, a única forma de sermos felizes é correndo atrás do que nos faz bem, e parando de colocar nossa felicidade nas mãos de outra pessoa."

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  9. Poly querida, sempre dizendo grandes verdades... Adoro a maneira como vc escreve... Muita força e serenidade sempre! beijos

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  10. é isso mesmo temos que parar de querer deixar que os outros sejam responsáveis por nossa felicidade,nós temos que ser felizes 1º conosco e depois com o outro,cada um tem que ser feliz 1º sozinho....bjos

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  11. Poly td bem? Meu esposo recaiu e agora está limpo há dez dias. Semana que vem temos uma viagem para São Paulo e ele já deixou bem claro que mesmo fazendo dois anos que esta livre do álcool quer aproveitar para fazer uma despedida nesse final de semana que vamos estar em SP e fica falando que gostaria muito que eu fosse num barzinho com ele... Eu acho que nao devo ir e vc pode me dar conselhos ? Estou sofrendo muito com tudo isso...não consigo aceitar que ele ainda pensa em usar.... Se puder me ajudar...nao tenho ninguém pra conversar... Obrigada

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  12. Poly td bem? Gostaria tanto de saber sua opinião , oq devo fazer... Me sinto tão sozinha.... Se puder me responda.... Estou precisando de um ombro amigo.... Bjao

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    1. Pelo q entendi o problema dele é com alcool, embora digam q o tipo de droga não influencia na doença não tenho esse conceito muito fortalecido. Não é uma questão de mais fácil ou mais dificil e sim de...como posso dizer...poder destrutivo! Digo isso pq meu amor usa crack e nunca vi algo tão degradante, droga tão poderosa. Enfim conheci um ex acoolico com quem me relacionei tb e ele ja estava há um ano em recuperação, te digo que nunca vi pessoa tão determinada. Iamos a barzinhos, ele tinha SIM vontade de beber mais tinha claro na mente dele oq isso traia e se mantinha limpo. Depende do seu marido, do quão realmente acordado p a situação ele está, eles recaem qdo está td bem portanto pela lógica n será um barzinho q o fará recair. Eles tem q enfrentar a vida e na vida haverão barizinhos não é mesmo! Por isso acho q se vc não se sente segura não deve ir, mais n pode deixar o vicio dele dominar suas atitudes, ele quem tem q lidar c o fato de estar em um barzinho e não vc pois é ele quem sabe q tem uma doença e certamente aprendeu q dá p fazer mil coisas antes de uma recaída! espero ter ajudado bjos

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  13. Maravilhoso post Poly! Talvez as pessoas nao entendam nossas razoes e como podemos viver assim...simples, porque nossa felicidade está em nossas maos e porque vivemos um dia de cada vez....beijo querida, amo vc!

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