quarta-feira, 28 de novembro de 2012

Escolha o AMOR!


Quase todos os dias pergunto a mim mesma: por que continuar com o meu esposo? Daí busco a resposta dentro de mim, com a máxima honestidade possível.
 
Acho necessário sempre me perguntar isso, para evitar que a codependência passe a reinar novamente.
 
Sempre fui uma pessoa dependente emocionalmente dos outros. Sempre muito sensível. E tudo isso favorece para que a relação com meu esposo adicto seja doentia.
 
Hoje me respondi que continuo com ele porque a presença dele me faz bem, porque gosto da forma como ele cuida dos filhos, porque é muito importante o amor e respeito que ele tem com minha filha adolescente, porque temos química, porque o admiro, porque confio nele, porque somos amigos e porque ele me ama do jeitinho que sou.

Analisando minha resposta, vejo que é amor ainda.
 
Que tipo de resposta eu consideraria como doença? Estar com alguém por dependência. Estar com alguém na esperança de que ele se torne diferente. Estar com alguém para preencher um vazio interior. Estar com alguém, para viver a vida desse alguém, e fugir dos seus próprios problemas pessoais. Estar com alguém porque não saberia viver sem ele.
 
Muitas companheiras me pedem ajuda, e sinceramente não sei como ajudar. Os maridos não querem recuperação. Elas também não querem recuperação. E por outro lado, não querem se afastar dos maridos. 
 
Gente, é um processo muito doloroso, eu sei, eu sinto na pele, mas se não mudarmos nossa forma de pensar, nunca mudaremos de comportamento, e se não mudarmos de comportamento, nossa vida sempre será igual.
 
Sabemos que não podemos mudar ao outro, então mudemos a nós!

Você é infeliz ao lado do seu esposo? Então, pergunte-se com sinceridade: por que continuo com ele?
 
Se a resposta é: Porque acredito que ele mudará. Queridas, me perdoem, mas isso não é amor. E isso não é real. Ele só mudará se ele quiser, e quando quiser. Você vai colocar sua felicidade nas mãos dele?
 
Eu amo o meu esposo do jeito que ele é. E olha que ele é um homem difícil. Não estou falando de adicção, estou falando da personalidade mesmo, gênio forte, ele se parece com meu sogro. Meio machista, possessivo, perfeccionista. Mas, eu o amo assim mesmo! Aliás, eu gosto desse jeito dele. Eu também tenho personalidade forte, e não daria certo com homens manipuláveis. E, para mim, suas qualidades superam em muito aos seus defeitos.
 
Amo ao meu esposo demais. E hoje o aceito verdadeiramente. Mesmo quando ele me desaponta, mesmo quando ele não aceita os meus ideais e escolhas, mesmo quando ele me fere sem querer. Não tenho o direito de mudar um ser humano. Não quero mudá-lo. Apenas o amo... 
 
Então, chego à conclusão de que realmente é amor. Mas, ele é adicto, e agora?
 
Se ele quiser recuperação, ele a terá, e me terá também. Mas, se ele não quiser recuperação, não consigo ficar, mesmo o amando, e justamente por amá-lo.
 
Entretanto, quando olho para ele, vejo um guerreiro. A luta não é fácil, mas ele não desiste!
 
Entendem?
 
Minha Psicóloga é um barato! Super alto astral! E o bacana é que ela conhece o meu esposo também. Dia desses ela me recebeu assim: “E aí, vai arrastar corrente até quando?” E muitos risos. O bom é que ela me ajuda a perceber o que me faz feliz, ainda que para o mundo pareça que estou “arrastando correntes”. Ela me provoca com frases como essa para sentir o meu nível de segurança nas minhas escolhas. Bem bacana!

“Se é a sua escolha, se é o que te faz feliz, segue em frente, assuma isso, e não deixe ninguém falar mal do seu marido!” 
 
E você, querida companheira, está segura da sua escolha?
 
Sejamos honestas conosco! 
 
Vi uma frase uma vez que diz que somos todas feitas do mesmo tecido, mas que os cortes são diferentes. Temos histórias de vidas diferentes. Mas, todas temos o anseio pela felicidade. Então busque-a! Respeite-se! Aceite-se!
 
Eu, particularmente, penso que todas as nossas decisões devem ser movidas pelo AMOR.
 
Se não dá mais para continuar junto com seu amado adicto, que a separação seja por amor. Por amor próprio, por amor pelos filhos, e por amor ao adicto, que talvez sozinho encontre a recuperação.
 
Se vai continuar junto, que seja por acreditar na história de amor de vocês, e no sentimento que há dentro do seu coração e do dele.
 
Pra que alimentarmos mágoa, raiva, ressentimento, medo, dependência, se temos o amor para nos guiar e nos sarar? Escolha o amor, e sua escolha será a melhor, tenho certeza!
 
Queridas, farei um concurso nesse fim de semana na bela Santa Catarina, estou querendo morar mais perto da família (e na beirinha da praia!)... Darei o meu melhor, e o restante estará nas mãos de Deus. Torçam por mim! 
 
É hora de revisar o conteúdo estudado...
 
Beijo no coração!
Muita serenidade!





terça-feira, 27 de novembro de 2012

Nossa Querida Bia!


Prestem muita atenção nessa história.
 
Em 13 de janeiro deste ano, recebi um e-mail que tocou muito o meu coração, por ver quantos obstáculos uma jovem menina de apenas 17 anos estava enfrentando. Tive muita vontade de abraçá-la.
 
“Oi Poly, meu nome é Bia e tenho apenas 17 anos. Meu namorado é um adicto. Descobri isso há quase um ano. Quando soube foi muito difícil para mim. Eu não sabia o que fazer. Com medo de perdê-lo, no começo eu aceitei, depois comecei a ficar contra porque via que aquilo não era bom para ele nem pra mim. Eu sofria muito com a situação. Ele me enganou muito quando ainda estava na ativa. Eu só chorava e me culpava por não saber como ajudá-lo, por não saber o que era certo a se fazer. Graças a Deus hoje ele está internado e limpo há 59 dias. Quando descobri a internação dele fiquei muito mal, pois sabia que ia ficar longe dele, mas eu sabia que era a melhor coisa a se fazer. Ele já usava de tudo e por muito pouco não entrou no crack. No primeiro mês de internação eu sofri demais com a distância, eu não tinha notícia nenhuma e ficava muito aflita. Acabei descobrindo que ele me traia também e foi aí que eu tomei a decisão de terminar com ele, eu não aceitava traição. Eu já era obrigada a aceitar tudo o que ele tinha feito para mim, e agora ter que suportar a distância, mas traição não. Foi quando minha mãe decidiu me levar no médico porque eu estava com depressão. Fiz alguns exames e acabei descobrindo que estava com Leucemia. Além de passar por tudo isso com meu namorado, ainda tinha que aceitar que eu estava doente também. Quando meu namorado ficou sabendo da minha doença e que eu estava internada, pediu autorização para o pai dele e para o dono da clínica onde está internado para que pudesse ir me visitar no hospital. Eu ainda estava decidida a terminar com ele, agora eu tinha a minha doença para tratar, e não podia mais ficar correndo atrás dele. Mas quando ele chegou no hospital, lágrimas escorrendo pelos seus olhos, me pedindo mil desculpas por ter feito tudo aquilo comigo, e por agora, na fase mais difícil da minha vida, ele não estar ali do meu lado, eu não resisti. Eu o perdoei. Hoje por conta da minha doença ele foi autorizado pelo dono da clínica para me ver uma vez por semana, se isso não fizer mal para ele. Mas pelo contrário, a cada dia de visita ele diz que as forças dele se renovam e dá mais vontade de se tratar para poder ficar comigo e cuidar de mim. A parte ruim é que eu não posso desabafar com ele como eu fazia antes, não posso contar como anda o meu tratamento porque qualquer coisa que eu falar, poderá fazê-lo desistir da internação para ficar comigo, e eu não posso fazer isso com ele, ele precisa se cuidar. No finalzinho de 2011 ele me pediu em casamento, mas com uma condição, que eu espere ele se firmar aqui fora, esperar para ver se ele não vai ter nenhuma recaída. Quando ele fez o pedido e colocou essa condição eu fiquei mega feliz, era tudo o que eu queria, eu o amo demais e com certeza eu quero ficar com ele. Mas aí eu encontrei seu blog, li suas histórias e de outras mulheres, e vi que a recaída é o pior pesadelo de todos nós, e é um pesadelo que pode se tornar realidade, não é impossível. Agora eu estou com muito medo, o que eu faço Poly? Eu estou doente, não posso deixar meu problema de lado, mas eu não sei como seria se ele tivesse uma recaída. Eu quero viver o só por hoje com ele, mas eu me sinto 'obrigada' a pensar no meu futuro. Hoje ele está super bem na clínica, está super confiante, mas eu imagino que todos que estão internados se sentem assim e pode acontecer de terem uma recaída quando vierem para o mundo real. Eu não quero e não posso terminar com ele, mas eu preciso de um companheiro que fique do meu lado porque agora eu também sou uma doente que precisa de cuidados, eu tenho muito medo que ele recaia e me deixe sozinha. Poly, eu vi toda a sua superação, todas as suas lições de vida para uma codependente, por favor tente me ajudar também. Talvez o meu caso seja um pouco diferente do que você já viu até hoje, mas eu preciso de uma ajuda. Não posso ir aos grupos do Nar-Anon por conta da minha doença que me restringe a algumas coisas, e às vezes, sem estar programada preciso internar para as sessões de quimioterapia... Obrigada, só por desabafar já é um grande alívio. Você e seu blog têm me ajudado muito, o blog já faz parte da minha rotina. Eu desejo toda felicidade do mundo para sua família, já inclui você e seu marido nas minhas orações e se Deus quiser um dia tudo isso vai acabar. Assim espero que seja comigo também. Um grande beijo. Bia.”
 
Em resposta, fiz a postagem O Fantasma da Recaída, em 14 de janeiro, cujo finalzinho dizia: “... saibam que podem fazer escolhas sobre suas vidas, mas, que essas escolhas nem sempre te oferecerão um termo de garantia. Portanto, escolham aquilo que lhes faça felizes, e só...”
 
Depois disso nos falamos mais uma vez por e-mail. Ela sempre preocupada com a recuperação do seu namorado. De fato, era muito amor.
 
Em 22 de setembro, foi divulgado o resultado da Promoção Me Amar de Verdade, do Blog, se lembram? Eu nem imaginava que a Bia que havia sido sorteada, era a mesma daquele e-mail do início do ano. Somente hoje, checando os e-mails dela para fazer esse post em sua homenagem, descobri que era a mesma pessoa. Vejam como Deus faz as coisas!
 
A Bia havia me enviado um e-mail para participação na promoção no dia 10 de setembro, e no dia 22 do mesmo mês informei que ela havia sido a ganhadora, e solicitei o seu endereço para o envio do prêmio.
 
Em resposta, ela me enviou as seguintes palavras:
 
“Poly, não acredito! Eu ganhei mesmo?? Obrigada de verdade. Você não tem noção de como eu estava realmente precisando de um presente assim. Muitas vezes deixo de pensar em mim para pensar no meu adicto, mas agora vou ter muito tempo na frente do espelho pensando só em mim... kkkkk”
 
Minha resposta foi: “hahaha... Sortuda! Ganhou sim, de verdade! Tentarei postar o seu prêmio amanhã. Com essa greve dos correios não sei se a agência está funcionando, mas assim que eu enviar, te passarei o código de rastreamento. Parabéns! E fique ainda mais linda! Bjão!”
 
A Bia em nenhum momento mencionou sua doença ou sua história para se beneficiar. Tenho certeza que o Poder Superior a escolheu naquele sorteio... Eu realmente não tinha a menor idéia do que ela estava vivendo naquele momento.
 
No dia 11 de outubro, lhe enviei um e-mail perguntando se ela havia recebido a maquiagem e se havia gostado. Somente ontem fiquei sabendo que ela faleceu no dia 09 de outubro.
 
Fico feliz por ter proporcionado à Bia alguns momentos felizes, com a maquiagem, com o blog e com o livro.
 
Fiquei sabendo do seu falecimento por meio do seu namorado, que me enviou um e-mail, antes de ontem.
 
“Oi, Poly. Gostaria muito da sua ajuda... Sou um dependente químico e minha namorada seguia o seu blog e você até postou a história dela. A Bia tinha leucemia e faleceu no dia 09/10/2012. Eu estava internado por causa de uma recaída. Fiquei quarenta dias na clinica. Quando a visitei no hospital, ela estava internada, muito inchada e entubada, inconsciente, mas mesmo assim eu fiquei o dia todo falando no ouvido dela, mesmo sem resposta. Uma hora da manhã, eu estava dormindo na clínica, quando o monitor me acordou. Era meu pai com a notícia. Meu mundo acabou. Amo ela demais! Só por hoje estou limpo há 02 meses e 27 dias. Ela comprou seu livro, leu metade, e nas cartas me disse que estava se identificando demais... Hoje está muito difícil, mas não usei só por hoje...” L.B.
 
Queridas, que a Bia deixe o seu exemplo para nós. Ela foi amor até o fim. E ela fez a escolha que considerou ser a melhor para a sua vida, e a que a faria mais feliz.
 
“Obrigada, Poly! As palavras do post O Fantasma da Recaída me fizeram tomar uma decisão. Assim como meu namorado decidiu ficar ao meu lado nesse momento difícil da minha vida, eu decido ficar ao lado dele também. Não somos casados (ainda), mas eu acredito que quando se ama de verdade, tem que viver juntos na alegria e na tristeza, na saúde e na doença. Não é mesmo? Então eu tomei a decisão de viver com ele o só por hoje, sem pensar no amanhã! O nosso futuro a Deus pertence, Ele sabe de todas as coisas. Sabe também o tamanho do fardo que podemos carregar, os nossos limites. Não vou ficar sofrendo antecipadamente por uma coisa que eu nem sei se vai acontecer mesmo. Graças a Deus meu namorado está limpo, só por hoje, e eu vou me alegrar com isso! Beijos. Bia.”
 
Sem palavras...
 
Muito obrigada, Bia, por me mostrar que o mais importante é viver no “só por hoje”, afinal, isso é tudo o que temos realmente. Obrigada por me dar uma lição de superação, de perdão, de amor e de fé! Sua história ficará aqui registrada, e em nossos corações também!
 
 

Uma nova chance!



Saudade é um pouco como fome. Só passa quando se come a presença. Mas às vezes a saudade é tão profunda que a presença é pouco: quer-se absorver a outra pessoa toda. Essa vontade de um ser o outro para uma unificação inteira é um dos sentimentos mais urgentes que se tem na vida. (Clarice Lispector)

Postei essa frase no facebook, na sexta, porque estava realmente sentindo muitas saudades dele.

Saudades do pai, do marido, do homem, do companheiro, dos risos, das conversas, dele dominando o controle da TV, me perturbando na cozinha, roubando o meu cobertor, de tudo...

No sábado, ao chegar no instituto para a visita, recebi a inesperada notícia de que ele passaria o final de semana em casa. Fiquei com uma cara meio abobada. Não esperava mesmo.

Eu poderia ter me prendido às teorias, ao pouco tempo de internação, à doença, às regras da recuperação, mas percebi que esse papel não cabia a mim, cabia a ele e aos dirigentes do instituto, então simplesmente optei por “me jogar”!!! E foi o que fiz, aproveitei cada segundinho ao lado do homem que amo... Me joguei mesmo!

Cá pra nós, é bom demais quando a vida nos surpreende com belos acontecimentos inesperados, né?!

O fim de semana foi maravilhoso!

E o meu esposo, só por hoje, está limpo há 34 dias.

Ele ainda está fazendo um trabalho para se perdoar pela ultima recaída, após mais de um ano limpo. E por vezes o percebo triste, mas ele vai superar isso, sei que vai.

Conforme sugerido por uma companheira querida, não estou dando a ele “mais uma chance”, mas sim, “uma nova chance”, na verdade estou dando uma nova chance a nós dois, cuja base é o perdão, o amor e a esperança.

E estou muito feliz com minha decisão!

Lembrem-se que temos histórias parecidas, mas que somos todas diferentes, e que nossos maridos também são seres únicos e diferentes uns dos outros, portanto, cada uma deve decidir apenas por si. Certo?

No sábado, assistimos juntos ao filme Desafiando Gigantes. E a mensagem que guardei para mim foi: “não importa se parece impossível, darei o meu melhor, e o restante deixarei nas mãos de Deus”.

Cena do filme Desafiando Gigantes

Sei que a recuperação do meu esposo só depende dele mesmo. Mas também sei que a minha recuperação só depende de mim.

Olhando para mim mesma, percebo que ainda não dei o meu melhor como esposa, como mãe, como profissional, como ser humano e nem a mim mesma. E é isso o que quero fazer na minha vida, dar o meu melhor...

O filme é uma verdadeira lição de fé.

Na minha concepção, fé vai além de você acreditar em algo que ainda não aconteceu, porque somente acreditar e viver na ansiedade, não é fé. Fé é você ser feliz mesmo que esse algo ainda não exista, por confiar que Deus está no comando, e que Ele cuidará de você, em todos os momentos.


Meu marido me ajudou muito com as crianças. Me encheu de mimos e carinhos. Me levou ao culto ontem a noite... E sei que tudo o que ele fez foi muito sincero, pois via isso em seus olhos.

É, adictos são seres humanos! Eles sentem. Eles amam. Eles sofrem. 

Manipulação, negação, mentiras são características da doença, e de quem quer se beneficiar disso para obter drogas. Vocês já olharam dentro dos olhos deles quando estão sob efeito do uso? Parecem ôcos. Parecem sem alma. E fazem sim coisas horríveis que machucam demais a todos, incluindo a eles mesmos.

É uma doença do corpo, da mente, do espírito... É uma doença que dói demais, neles e em nós.

Mas, meu marido não estava nessa condição. Não agora. Não hoje. Não no fim de semana. Não no ultimo mês. Ao olhar em seus olhos, eu via sua alma. Enxerguei um homem machucado, e talvez até meio desacreditado de si mesmo. Mas, vi o meu esposo, o homem que me ama e a quem eu amo, um homem incrível, um pai cuidadoso... um ser humano.

Não alimento expectativas em relação a ele, mas estou aqui, na torcida, e orando para que ele consiga, um dia de cada vez!

Hoje, ao nos despedirmos, foi isso o que eu lhe disse: “Amor, sei que não é fácil. Sei que dói muito. Mas, dê o seu melhor, mesmo que pareça impossível, e deixe o restante nas mãos de Deus.”

No sábado, nós dois juntos, entoamos uma canção, em casa. E essa canção diz para “entregarmos nossos corações quebrados, em pedaços, nas mãos do Criador, pois Ele sabe o que fazer, põe as peças no lugar, e nos dá a vida e um novo coração! “

Eu acredito!


Hoje confesso que chorei diante da tela do computador do meu trabalho, ao ler um e-mail de um adicto em recuperação, pedindo ajuda, dizendo que sua noiva, uma leitora do blog e do livro Amando um Dependente Químico, uma jovem que se correspondeu comigo no início deste ano, faleceu recentemente em razão de uma leucemia. Lembro-me bem da história dela, porque me comoveu muito, e até postei no blog, à época. Uma menina linda. Aliás, um lindo casal...

Querida B.C., parabéns por sua força e por ter se permitido ser feliz! Descanse em paz, companheira!

E querido L.B., não se isole, procure os companheiros de NA nessa hora, e use essa dor a seu favor! Força, companheiro!

Se a família autorizar, relatarei a história dela no blog.

A vida é assim... Breve...

Queridas(os), antes de julgar ao outro, lembre-se das palavras ditas por Shakespeare: Todo mundo é capaz de dominar uma dor, exceto quem a sente....”

Que eu nunca me esqueça que a única pessoa a quem eu posso mudar é a mim mesma, aos outros eu só posso amar...

Beijos, queridos(as)!

segunda-feira, 26 de novembro de 2012

I Encontro Laços ADQ!


Olá, queridas (os)! Tudo bem com vocês?
 
Vamos falar sobre o nosso encontro?!
 
Estou muito feliz e ansiosa! Sei que será um momento muito especial para todas nós.
 
O encontro será no dia 12/01/2013, um sábado, às 14 horas.
 
Recebemos duas sugestões de locais para o encontro: 1) No parque Ibirapuera e 2) No espaço da ONG Viver para a Vida.
 
A ONG fica ao lado do Metrô, Vila Mariana, e tem capacidade para 80 pessoas.
 
Até o momento, mais ou menos 30 companheiras confirmaram a presença, e provavelmente o pessoal da ONG, e do Amor Exigente da Consolação também estarão presentes. Coisa linda, né?
 
E o parque, pelo que sei, é um lugar maravilhoso, em meio a natureza.
 
Queridas, não conheço nadinha em São Paulo, então vou lançar uma enquete para vocês decidirem o local. Votem no lado direito do Blog!
 
E temos que decidir como fazer com as comilanças também... Vamos fazer tipo americano ou tipo delivery?!
 
"Eu seguro a minha mão na sua e uno o meu coração ao seu, para que juntas(os) possamos fazer aquilo que eu não posso fazer sozinha(o)".
 
“Tudo estará bem enquanto os laços que nos unem forem maiores e mais fortes do que aqueles que nos afastariam...”
 
Com base nessas mensagens, o nome do nosso encontro será I Encontro Laços ADQ!
 
Beijos no coração de vocês!
 
 
Fotos da ONG Viver para a Vida
 



 
 
Fotos do Parque Ibirapuera
 

 
 
Vote agora na enquete, e ajude a escolher o local do nosso I Encontro Laços ADQ!

sexta-feira, 23 de novembro de 2012

O nosso primeiro grande encontro!!!


 
Queridas, estou com uma idéia na cabecinha loura! Risos.
 
A maioria dos leitores do blog e do livro Amando um Dependente Químico são de São Paulo. E muitas amigas de blog também, por exemplo a Giulli, a Lu, a Sol, a Kel, a Cicie, dentre outras. Que tal se combinássemos um grande encontro?!!
 
Eu precisaria da ajuda de vocês quanto a disponibilizar um local para o evento, pode ser um local público.
 
Acho que seria bem bacana!!!
 
O que acham?
 
Eu adoraria dar um super abraço em vocês!!!
 
Beijos!
Poly.

 

quinta-feira, 22 de novembro de 2012

Você tem certeza de quê?



Vocês já perceberam como vivemos sempre em busca de garantias e de segurança?

Quando vamos comprar um carro ou mesmo um eletrodoméstico, já nos é oferecido um seguro, para que, caso aconteça alguma coisa, não percamos o bem. Muitas vezes esse seguro nem é tão confiável assim, mas só pelo fato de tê-lo nos sentimos tranquilos.

Pagamos planos de saúde, para ter a segurança de um bom atendimento médico, se precisarmos. Muitas vezes, o bom atendimento não existe, mas o fato de imaginar que ele existirá, nos faz respirar mais aliviados.

Buscamos o homem ideal para o casamento, conforme nossos conceitos. Umas buscam segurança financeira, outras buscam segurança emocional, ou psicológica. E assim, se casam, na certeza de encontrarem um no outro aquele que o fará “feliz para sempre”.

Vivemos como se fôssemos eternos. Buscamos certezas onde não há. Queremos segurança a qualquer custo, mas a realidade é que vivemos uma vida efêmera, e cheia de surpresas boas e ruins. A vida humana é instável, e os relacionamentos também.

Uma amiga de 40 anos, cujo esposo é jovem e atleta, me contou como, de repente, numa manhã qualquer, seu esposo apresentou sintomas de gripe, e em apenas dois dias estava entubado em uma UTI, ficando em coma por 15 dias, em razão de uma misteriosa bactéria.

Outra, que confiava absolutamente no esposo, um dia se surpreende com a notícia de que ele ama outra pessoa e vai deixá-la.

Um homem bem sucedido profissional e financeiramente, por um desastre na bolsa de valores perde tudo, e acorda pobre.

Se olharmos honestamente para a vida ao redor, veremos que essa segurança que tanto buscamos não existe. Por isso, a única forma de sermos felizes é correndo atrás do que nos faz bem, e parando de colocar nossa felicidade nas mãos de outra pessoa.

Por isso relacionar-se com um dependente químico é tão doloroso para nós, e tão assustador para quem está de fora. Porque quando temos um dependente químico na família, essa máscara da falsa segurança cai, e essa instabilidade que existe na vida de qualquer um, toma uma dimensão maior.

Vivemos na incerteza. Sabemos que ele pode recair a qualquer momento. Esses temores são ressaltados. Mas, o que quero dizer com esse post é que a instabilidade faz parte da vida, sempre.

Por isso, queridas, ainda não optei por me separar, porque eu, hoje, não seria mais feliz se o deixasse. Porque eu verdadeiramente o amo. Porque eu acredito que ele pode encontrar a sua recuperação, se quiser. Porque eu quero criar os meus filhos junto com o pai. Porque sinto o amor dele por mim. E tudo isso, para mim, tem muito valor.

Entretanto, quando decidimos nos manter ao lado de um dependente químico, precisamos ter a consciência de que essa instabilidade é pra sempre. Portanto, é preciso muita força para lutarmos pelos nossos sonhos, corrermos atrás da nossa conquista, sem esperar por eles.

Se alimentarmos expectativas, a decepção virá, e a tristeza também.

Há um ano e meio que este blog nasceu, e desde então conheço muitas histórias. A grande maioria delas são um ciclo (inclusive a do meu esposo), composta por ativa, recuperação, esperança, recaída, frustração. Precisamos entender que dependência química é uma doença, e eles só vão ficar longe das drogas, quando o desejo de parar de usar for maior que o desejo de usar, e isso não é fácil para um adicto. Então se queremos ficar ao lado, que seja por amor, e não por alienação.

Recuperação existe. Mas, para isso ELES têm que querer. Não nós.

Cada um sabe do seu próprio limite e dos seus próprios desejos de vida. Hoje me mantenho unida ao meu esposo porque ainda há algo que une nossas almas, ainda há muito sentimento envolvido, e sinceramente não me vejo ao lado de outro homem. Claro que isso pode um dia mudar, afinal, como eu disse acima, somos instáveis. Por isso gosto tanto do lema “só por hoje”, porque assim é a vida de todos, adictos e não adictos, as certezas que temos só valem pra hoje, amanhã não sabemos como será.

E só por hoje eu o amo!

Bom, queridas, para esse post não deixar ninguém pra baixo, ou reflexivo demais, quero terminar com a frase postada no facebook ontem, por um companheiro de blog, o Jorge Alberto, do Blog Só Por Hoje, como prova de que recuperação existe, enquanto eles assim quiserem. 

“Hoje faz quatro anos que estou limpo e sóbrio... Não faço mais do que a minha obrigação. E, de hoje em hoje, vou vivendo mais um dia. Muito obrigado, meu Deus.

Parabéns, amigo! Muito feliz por você, sua esposa e seus filhos!

Beijos, queridas(os)!


terça-feira, 20 de novembro de 2012

A vida é simples!



Bom dia, queridos(as)!

Tudo bem com vocês?

Quero iniciar essa postagem fazendo uma homenagem a alguém muito especial para mim, e que partiu deste mundo no ultimo dia 14, quarta-feira: minha amada avó materna.

A vovó era mais que uma simples avó. Ela me criou até os meus 13 anos, e muito do que sou devo a ela.

Mulher guerreira. Mãe de quatro filhos. Ficou viúva aos 34 anos, e assim permaneceu até o fim.

Sua vida foi para os filhos, para os netos, para os bisnetos e até para o seu tataraneto. Sim, ela já era tataravó! E partiu aos 94 anos, após uma bela vida feliz, e cheia de amor.

Noventa e quatro anos pode parecer muito, mas ela amava viver, gostava da vida, e a valorizava. E para nós que tivemos a sorte de conviver com ela, dá uma sensação de que foi pouco... Eu queria que ela fosse eterna.

Ela ensinou, sobretudo, o amor à família, e o amor a Deus. Ensinou que quando queremos de verdade, nada é impossível, afinal, ela aprendeu a ler aos 62 anos de idade! E também a escrever! Seu estímulo era o desejo de ler a Bíblia, e ela conseguiu!

“Se Deus é por nós, quem será contra nós?!” Essa frase é sua marca registrada. E suas orações diárias levavam à Deus um por um dos seus familiares, por nome.

Sempre disseram que minha irmã e eu éramos suas netas preferidas, talvez pelo fato dela ter nos criado, e pelo fato de não termos pai, então sua preocupação por nós era maior. Mas, a verdade é que ela amava a todos.

Ela nunca viajou para longe. Nunca viu o mar. Nunca extravasou. Mas, ela viveu sim, e foi feliz, porque a sua felicidade era simples. Reunir todos em sua casa no final do ano, e pronto! Uma ligação da neta, e pronto. Uma foto e uma carta recebida pelo correio, e pronto! Isso lhe fazia tão feliz...

Com ela aprendi que a felicidade está nas coisas mais simples, aprendi o amor pela família, aprendi a fé em Deus, e também o quanto viver é importante.

Confesso que a saudade é grande demais. Ficou um vazio enorme. Mas, sei que ela está bem. E foi um descanso, pois nos últimos dois anos ela estava sofrendo muito em razão do mal de Alzheimer.

Minha avó amava demais ao meu esposo. Era até “puxa-saco” dele. Sempre lhe dava razão em tudo. O paparicava. E ele sempre retribuiu esse carinho todo.

Quando voltamos dos Estados Unidos, em 2009, minha avó viajou por cinco horas, de ônibus, para nos receber (com 91 anos de idade!!!). É, ela me fazia sentir amada de verdade!

Nas nossas ultimas idas à sua casa, ela já estava acamada. Meu esposo cuidava dela, lhe dava banho, comida, sempre com muito carinho. E eu sou grata a ele por isso.

A lembrança que tenho de sua ultima gargalhada, foi em nossa ultima visita, há 3 meses atrás. O causador daquele riso tão gostoso foi o meu caçulinha, o J.V.. Quando ela o viu peladinho, pronto para o banho, deu uma risada maravilhosa, e exclamou: “que trenzinho mais bonitinho, gente!” e ainda perguntou: “você tem muito leite, minha filha?”  Foi lindo! Há dias ela não reconhecia ninguém. Foi nossa despedida.

Infelizmente, meu esposo não foi liberado para ir ao seu enterro. Fui sozinha com meus filhos. Senti falta dele ao meu lado. E fiquei triste ao saber que nem mesmo a notícia lhe foi dada.

Por outro lado, fiquei feliz ao ver toda a família reunida. Não faltou ninguém! Apenas minha mãe e uma prima que moram fora do país. Todos os demais estavam reunidos, do jeitinho que ela gostava!

Obrigada por tudo, vovó! O amor e a saudade ficarão pra sempre!

Quanto ao meu esposo, ele segue limpo e internado há 28 dias. Estive com ele no sábado. Ele não está bem. Chora quase o tempo todo. Ainda não se livrou da culpa da recaída. E infelizmente ainda não entrou em recuperação. Peço que orem por ele, para que Deus lhe ajude a abrir a sua mente.

Peçam a Deus também por mim. O fardo tá meio pesado. Além de tudo isso, meu bebê está doentinho (de novo!). Teve febre a noite toda, logo mais o levarei ao seu pediatra.

No sábado, participei de uma terapia em grupo, e foi muito bacana! Conversamos sobre muitos temas, e principalmente sobre a dor. Saí mais leve de lá. E percebi, mais uma vez, que não estou sozinha.

Estou em um momento de muita reflexão.

Mas, uma certeza eu tenho: a de que tudo dará certo no final!

Beijo no coração!




terça-feira, 13 de novembro de 2012

Tudo em paz!


Boa tarde, queridas!
 
Tudo bem com vocês?
 
Por aqui, só por hoje está tudo bem.
 
Tenho filhos saudáveis. Trabalho no que gosto. Eu também estou saudável. Acabei de sair de uma sessão com uma Psicóloga muito bacana...
 
Certamente tenho muito mais a agradecer do que a pedir.
 
Só por hoje meu esposo está limpo há 21 dias. Humilhou-se a ponto de aceitar uma nova internação. Está respondendo ao tratamento. E isso, pra mim, é uma grande prova de amor. E de amor por ele mesmo, inclusive. Se ele ficou um ano limpo, ele pode ficar mais, pode ficar a vida toda, vivendo um dia de cada vez, mas ELE tem que querer...
 
Do lado de cá, não é fácil, mas também não é a coisa mais difícil de se viver (pra mim).
 
Enquanto isso estou cuidando de mim mesma. Voltei às sessões com a Psicóloga, como disse acima, voltei às minhas leituras, além de estar retomando outras atividades que me fazem bem.
 
Vou até fazer uma prova de concurso em um estado beeeem longe daqui, e estou me dedicando aos estudos.
 
Estou aprendendo que cada um tem a sua própria vida, e cada um é feliz do seu jeito, e quando impomos algo a essa pessoa, estamos ferindo o seu direito de escolha e de vida.
 
Lembro-me que quando trabalhei como babá, faxineira e atendente do McDonalds, nos Estados Unidos, minha visão quanto a esses tipos de profissionais mudou, porque passei a viver na pele o que eles vivem, aprendi a valorizá-los mais, e até hoje gosto de ser cordial e atenciosa quando preciso dos seus serviços. Confesso que antes, por vezes, eu nem os via, só via o sanduíche a ser entregue. Hoje vejo pessoas, porque sei o quanto é ruim não ser vista.
 
Pois é, às vezes só entendemos quando vivemos a mesma experiência.
 
Outro conceito muito importante é o respeito pela individualidade. Dois filhos criados juntos pela mesma mãe e pai, serão seres diferentes. Cada um de nós somos únicos. Portanto, não existe uma receita de vida para você ou para mim.
 
Se quero saber como agir, dobro os meus joelhos e peço orientação a Deus. Se quero saber para onde ir, ouço o meu coração. Se quero saber que caminho tomar, reservo um tempo para estar comigo mesma.
 
Sempre gostei da aprovação das pessoas, e me preocupo em demasia com isso, mas essa aprovação nunca me levou a nada. Hoje prefiro seguir os passos do parágrafo acima. Afinal, as respostas para a minha vida, somente eu mesma as tenho. E quando busco respostas fora, me sinto perdida e até mesmo frustrada.
 
Percebi que se eu me separar, sempre haverá quem me julgue por ter abandonado alguém que me ama e que está doente. E, por outro lado, se eu ficar ao seu lado, serei a “burra” ou a “codependente”.
 
Graças a Deus, não sou uma marionete das opiniões alheias. Pois, muitas vezes, no intuito de ajudar, as pessoas acabam ultrapassando os limites e desrespeitando a nossa individualidade. Entendem?
 
Quanto ao meu esposo, o que tenho a dizer hoje é que o amo. E não tenho vergonha de afirmar isso, pois sei que ele é muito mais do que um “dependente químico”. Entretanto, se vou ficar com ele ou não, o tempo e suas ações irão dizer. O quero como esposo ao meu lado até o fim, mas não há espaço para as drogas. Na verdade, a escolha será dele.
 
Graças a Deus, hoje tenho uma noção exata do que é a codependência, e posso afirmar que o que me mantém ao lado dele não é isso. São muitos outros fatores, os quais tenho discutido com quem pode de fato me ajudar (profissionais e grupos de apoio).
 
O importante é que estou em paz.
 
Tenho orado para que meu amado encontre também um caminho de paz.
 
E enquanto isso, me agarro à vida que acontece, e me permito ser feliz! Hum rum, eu sou feliz!
 
Beijo no coração!