segunda-feira, 16 de abril de 2012

Você pode sim escolher!

Algumas vezes ouvi a seguinte indagação: “o que te faz permanecer casada com um dependente químico?” A resposta é simples: essa tem sido a minha escolha.

Um dia me apaixonei pelas qualidades encantadoras de alguém, sem a noção exata do que seria ter ao meu lado um dependente químico como companheiro. Criei castelos de areia com pensamentos ilusórios do tipo "depois do casamento ele mudará", "comigo ao seu lado tudo será diferente", "o meu amor o curará.”

O tempo foi passando e fui aprendendo que a única pessoa no mundo a quem posso realmente mudar é a mim mesma.

O fato é que a vida que eu e você levamos hoje é fruto das escolhas que fizemos ontem.

Tudo é uma questão de saber o que você realmente quer para a sua vida. Quer um marido que cuide de você? Um homem estável e equilibrado? Quer segurança? Dificilmente encontrará isso ao lado de um dependente químico.

Talvez para você os itens acima citados sejam imprescindíveis, talvez o fardo da dependência química do seu companheiro lhe seja algo inaceitável. Se esse for o caso, existe o direito de escolha mais uma vez, o direito de escolher deixá-lo, viver sua vida, virar essa página.

Muitas permanecem com seus esposos pensando que um dia eles serão diferentes. Até que ponto isso é amar? Viver esperando por um ser imaginário, amando alguém irreal que só existe em sua mente?

O importante é ter a responsabilidade sobre sua própria vida, e não se esquecer do seu direito de escolha.

Abandonar esse barco não é fácil, principalmente pela culpa que sentimos. Falando metaforicamente, se alguém estiver se afogando, sugiro que você pule na água e tente salvá-lo, faça tudo o que lhe for possível nessa tentativa. Mas, se no auge do desespero, esse alguém começar a te afundar junto com ele, solte-o, saia da água e salve-se. Isso não é egoísmo, é sobrevivência, é amor próprio. Cada um conhece o seu próprio limite, e não deve ignorá-lo.

Lembre-se, temos o direito de escolher ir, percorrer outro caminho, escrever outra história. Afinal, estamos falando das nossas vidas, e não de um roteiro de novela. 

Estou ao lado do meu esposo não por ser uma super-heroína, cheia de poderes, força e coragem. Não! Estou ao lado do meu esposo porque o amo, e sei que com ele sou mais feliz do que seria se o deixasse. Não quero deixá-lo. Sinto cumplicidade em nós dois. Sinto-me amada e querida por ele. E por isso estou aqui. Essa é a minha escolha.

Quando falamos em amor, estamos falando em doação, compreensão, aceitação. Se amamos alguém saudável, talvez seja mais fácil, mas, se o ser amado é alguém portador de um câncer, ou de uma deficiência física, ou, no caso em questão, da dependência química, isso vai requerer mais de nós. Existe um preço a ser pago por essa escolha. Estamos dispostas a isso? Então, existem algumas lições que precisamos aprender a fim de entendermos que é possível ser feliz, ainda que sejamos esposas de dependentes químicos.

Primeiramente, precisamos compreender que a dependência química é uma doença, e que essa doença é incurável. Nossos amados terão que lutar contra ela todos os dias de suas vidas, até o final. Até o ultimo dia, haverá o risco de uma nova recaída. Por mais que os amemos, somos impotentes perante a dependência química deles. Se eles realmente quiserem, encontrarão sim o caminho da recuperação, mas, com seus próprios pés. Entretanto, se eles não quiserem, nada, absolutamente nada os fará mudar de caminho.

Precisamos entender que não somos culpadas pela escolha deles de ter entrado nesse mundo das drogas, tampouco podemos controlá-los ou curá-los. Por um lado, é doloroso saber disso, mas, por outro, essa percepção nos deixa leves e livres de uma responsabilidade que não é nossa.

O nosso papel é apenas o de amar, compreender, apoiar, e pedir a Deus por eles. Nada mais.

Além disso, podemos cuidar de nós mesmas. Conviver com um dependente químico nos adoece emocionalmente, psicologicamente e, por vezes, até fisicamente. Grupos de apoio e profissionais de saúde são necessários nesse cuidado para conseguirmos diferenciar o que é amor do que é codependência.

Nos grupos de apoio e fazendo terapias eu percebi que a única forma de ser feliz ao lado de um dependente químico é mantendo o foco da nossa vida em nós mesmas, e entregando a instabilidade dos nossos dias nas mãos de Deus. 

Talvez ele um dia se recupere, talvez não. Talvez ele nunca mais use drogas, ou talvez volte a usá-las. Escolher ficar com ele, é escolher amá-lo, inclusive com sua dependência química. Enganar-nos não mudará o quadro real, então é melhor optar pela aceitação do que pela negação da realidade, sabendo que, se o foco estiver em nós mesmas, seremos mais fortes diante das adversidades, inclusive para ajudar a quem amamos.

Tenhamos esperança sempre, afinal, é ela que nos dá força, deixa felizes e faz continuar! Entretanto, cuidado com as expectativas, pois, estas nos geram frustrações.

Vamos vivendo um dia de cada vez! O ontem passou e não interessa mais, por isso, recolhamos os aprendizados, e joguemos fora as mágoas que só prejudicam. Quanto ao amanhã, ele ainda não chegou, então o melhor a fazer é deixá-lo nas mãos de Deus, acreditando sempre no melhor. Quanto ao hoje, este sim é uma dádiva, e quando vivemos um dia de cada vez, encontramos mais facilmente a felicidade, livres das marcas do passado e das ansiedades e medos do futuro.

A questão é: você realmente ama esse homem que está ao seu lado? Amor é uma escolha, uma decisão. 

Eu amo o meu esposo, o escolhi, e quero envelhecer ao seu lado. Ele tem uma peculiaridade: é um dependente químico, e terá que lutar pelo resto de sua vida contra o desejo de sentir mais uma vez o prazer proporcionado pela droga. Essa luta, para ele, é muito difícil. Ainda assim eu o amo? Sim. 

De uma coisa sei: não posso mudar o meu esposo, mas, posso mudar a forma como o vejo e o compreendo.

Quando aprendermos a olhar para tantas coisas maravilhosas que nos cercam, tirando o foco da dor e voltando-o para o amor: o amor de Deus, o amor próprio e o amor ao próximo, tudo se tornará mais fácil, mais leve e mais doce.


Escrevi esse artigo para a Revista Anônimos, edição de março de 2012.

Muita serenidade, companheiras(os)! E felizes escolhas!

23 comentários:

  1. como sempre, tuas palavras são exatas para os momentos que vivo.

    amada, sigo te lendo, sigo vibrando contigo com a recuperação diária do teu esposo, com a chegada do teu filhote, enfim, sigo te emanando positividade daqui! espero que sintas daí.

    o meu companheiro hoje completa 5 meses que está limpo. segue em tratamento na fazenda - o programa é de 9 meses (uma gestação!)... temos altos e baixos e muito, mas MUITO aprendizado...

    o amor exigente tem sido minha base, bem como minha fé... há 5 meses o destino (ou seria Deus?) me fez cair de para-quedas no teu blog e ver a possibilidade de viver o meu grande amor, e ver que não sou a única, e ver que é possível ter uma vida normal,dentro de uma nova condição de vida... como sempre, te agradeço... hoje, 5 meses depois, me sinto mais sólida, concreta, mais embasada... a "família" amor exigente me acolheu e me deu um respaldo necessário, pratico o meu amor próprio a todo o instante e amo, amo demais o meu companheiro, que segue em tratamento, disposto a se manter limpo pelas atuais 24 horas.

    força, fé e alegria para nós!

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  2. Olá amiga!!! amei o texto, vc soube se expressar muito bem, o mais importante em ser esposa de um adicto é aprender a se amar em primeiro lugar, depois que aprendemos tudo fica mais fácil, tenho certeza que o sofrimento nos trouxe muito aprendizado, nos tornamos pessoas muito melhores do que eramos, aprendemos o verdadeiro sentido da palavra 'amor'.
    Obrigada por compartilhar esse texto maravilhoso conosco.
    Forte abraço,
    Tamujuntas, SPH

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  3. Parabéns minha amiga!
    Lindo texto!

    E o filhão? tá dando muito trabalhou ou está comportadinho?
    rs

    Beijos querida!

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  4. Oi minha irmã, saudades!!!

    Como sempre lindo texto,agora vou por aqui um pouquinho de um texto que li e achei legal compartilhar com você.

    FELICIDADE REALISTA

    A princípio bastaria ter saúde, dinheiro e amor, o que já é um pacote louvável, mas nossos desejos são ainda mais complexos. Não basta que a gente esteja sem febre: queremos, além de saúde, ser magérrimos, sarados, irresistíveis. Dinheiro? Não basta termos para pagar o aluguel, a comida e o cinema: queremos a piscina olímpica e uma temporada num spa cinco estrelas. E quanto ao amor? Ah, o amor... não basta termos alguém com quem podemos conversar, dividir uma pizza e fazer sexo de vez em quando. Isso é pensar pequeno: queremos AMOR, todinho maiúsculo. Queremos estar visceralmente apaixonados, queremos ser surpreendidos por declarações e presentes inesperados, queremos jantar a luz de velas de segunda a domingo, queremos sexo selvagem e diário, queremos ser felizes assim e não de outro jeito. É o que dá ver tanta televisão. Simplesmente esquecemos de tentar ser felizes de uma forma mais realista. Ter um parceiro constante pode ou não, ser sinônimo de felicidade. Você pode ser feliz solteiro, feliz com uns romances ocasionais, feliz com um parceiro, feliz sem nenhum. Não existe amor minúsculo, principalmente quando se trata de amor-próprio. Dinheiro é uma benção. Quem tem, precisa aproveitá-lo, gastá-lo, usufruí-lo. Não perder tempo juntando, juntando, juntando. Apenas o suficiente para se sentir seguro, mas não aprisionado. E se a gente tem pouco, é com este pouco que vai tentar segurar a onda, buscando coisas que saiam de graça, como um pouco de humor, um pouco de fé e um pouco de criatividade. Ser feliz de uma forma realista é fazer o possível e aceitar o improvável. Fazer exercícios sem almejar passarelas, trabalhar sem almejar o estrelato, amar sem almejar o eterno. Olhe para o relógio: hora de acordar É importante pensar-se ao extremo, buscar lá d entro o que nos mobiliza, instiga e conduz, mas sem exigir-se desumanamente. A vida não é um jogo onde só quem testa seus limites é que leva o prêmio. Não sejamos vítimas ingênuas desta tal competitividade. Se a meta está alta demais, reduza-a. Se você não está de acordo com as regras, demita-se. Invente seu próprio jogo. Faça o que for necessário para ser feliz. Mas não se esqueça que a felicidade é um sentimento simples, você pode encontrá-la e deixá-la ir embora por não perceber sua simplicidade. Ela transmite paz e não sentimentos fortes, que nos atormenta e provoca inquietude no nosso coração. Isso pode ser alegria, paixão, entusiasmo, mas não felicidade.

    Mário Quintana

    Amiga juntas somos mais forte, bjs nas crianças e um abraço no esposo, 24 horas de serenidade para nós, mil bjs

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  5. Poly!
    Suas palavras me fizeram refletir muito, vc não sabe o quanto é importante em nossas vidas ter alguem assim, como vc, que nos abre a mente e faz compreender melhor nosso coração!
    Eu sou uma codependente sim e confesso que ainda não aprendi a lidar com isso! Até "ontem" não assumia e queria acreditar que dependencia quimica não era doença e sim vadiagem! Fui aprendendo que não é bem por ai, até me assumir codependente tbm!
    Estou convivendo com isso há 5 anos. Entre indas e vindas com meu namorado. Estamos juntos há 7, nesse tempo todo é como se estivessemos em uma gangorra, um dia lá em cima outro despenca lá em baixo.
    Após a ultima recaida dele me sinto muito magoada e frustrada, tenho tratado ele com indiferença e culpando-o! As vezes, qdo lembro da recaida que ele teve, das mentiras e do prejuizo me encho de raiva, um odio me consome! Pretendo me libertar disso e preciso me libertar para ser feliz e ter paz.
    Talvez esteja errada mas como digo para ele: Estou fazendo tudo que eu posso para viver ao lado dele, ter um lar uma familia com a pessoa que eu amo.
    Mas sinto que estou vivendo mais a vida dele que a minha propria, me preocupo tanto com ele que esqueço de mim!
    Acho que assim como ele também preciso de ajuda.Eu o amo muito e quero que ele vença! Sei que é uma pessoa boa e quer se recuperar! E É por isso que eu acredito e estou ao lado dele!
    Bem Poly, obrigada por suas palavras que não são diretas mas que foram de muita valia para mim!
    Amor e fé!!

    bjos
    Francielle G.P.

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  6. Sabe,Poly,q quando conheci,me apaixonei comecei a amar meu DQ,ele era um homem livre q fumava e bebia socialmente,seria a materialização do PRÍNCIPE ENCANTADO! Lindo,inteligente,cheiroso,dedicado,companheiro...eu poderia passar horas descrevendo as incontáveis qualidades desse sujeito q hoje está comigo e com quem tenho dois filhos. Então fico um pouco desconcertada sempre q leio sobre "ter escolhas".Eu conheci e formei uma família com uma pessoa q se transformou em seu próprio avesso.Eu AMO uma pessoa q talvez não exista mais e ao mesmo tempo está aqui na minha frente.Tenho escolhas mas faço O QUE com meu amor,meus sentimentos por ele? Já tentei ficar longe em um tempo em q ele estava mal e eu não tinha entendimento sobre sua doença,então desenvolvida,mas voltamos quando ele parou e ficou 4 anos sem usar; faz um ano e meio q recaiu e não tem mais o q se faça para ajuda-lo.Já foi internado duas vezes nesse ano e meio,o q soma 5 internações,e cada dia está pior...e pior para mim também q tento a todo tempo fazer com q as crianças não sintam neles as consequências do problema do pai...Não quero q minha família fique sem o pai,não quero educar meus filhos sozinha,embora esteja fazendo isso praticamente só...A minha escolha foi ser feliz,com minha família em paz e por hoje isso é IMPOSSÍVEL!!

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  7. Mais uma vez, vc foi brilhante!
    Sou seu fã e adoooooooooro acompanhar seu blog, minha amiga!
    Essa sua postagem está, simplesmente, magnânima, fantástica!
    Os leitores do seu blog, bem como da Revista, irão entender perfeitamente o que quisestes transmitir. Suas palavras foram, como sempre, sábias e bem colocadas.
    Abração e TAMUJUNTU.

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  8. Nossa encontrei seu blog, porque estava desesperada procurando achar alguma solução para meu marido...E foi maravilhoso pois aqui vi que nao sou só eu que estou nessa luta, e suas palavras foram uma benção e consegui ver as coisa a DQ por um outro lado. Realmente vc é muito abençoada.

    Faz um ano e dois meses que sou casada,foi depois do casamento que ele começou a ser usúario...to lutando tanto por esse casamento, meu marido estava 4 meses limpo e segunda dia 9 ele teve a recaída...Hj ele reeniciou seu tratamento....Acredito que Jesus vai mudar essa história...

    Um grande abraço...e obrigado pelas palavras confortantes....

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  9. Nossa muito bom, tudo é uma questão de escolha, pena que muitas pessoas não entendem nossas escolhas...
    Estava com saudade de posts assim...
    Grande Beijo Polly

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  10. Polyyyy... eu vi a fotinho do seu bebe, que lindooooooooo...
    Aproveita esse momento, tudo de bom amigaa
    Beeijãoo

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  11. Oi Poly!
    Tudo bem por ai? e como está sendo com bbzinho novo na casa? Tudo tranquilo? Espero que sim!
    Por aqui não está nada bem, infelizmente meu noivo recaiu na ultima quarta-feira!
    Mas agora é recomeçar do zero e seguir em frente!
    Ele retornou as reunioes do NA e estamos confiantes!

    Bom, algumas vezes eu já comentei por aqui, agora queria anunciar que me encorajei e fiz um blog tbm:
    http://diarioco-dependente.blogspot.com.br/

    Vamos unir nossas forças e vencer essa luta!

    bjoo querida!

    Francielle G.P.

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  12. Parabéns pelo sucesso querida!
    Vc merece! Ótimo artigo.

    E é a mais pura realidade. E eu também estou ajunta na escolha de continuar com o amado!

    Beijooos

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  13. PERFEITO Poly!!!
    Muito bom! Se alguém estiver em dúvidas em relação a escolha de umm dependente quimico, basta ler este post.
    PERFEITO!!
    Bjus linda!

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  14. Amada Poly, me lembro muito bem quando deixou um recado em uma postagem minha, falando essa frase, eu acatei ela de tal forma que consegui superar a minha culpa, você me mostrou que eu pulei fora porque ambos estavam se afogando e isso me ajudou muito.
    Amo você, você é iluminada!!!
    Lindo artigo, parabéns!!!
    Muita Paz para vocês...
    Beijos

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  15. Owm minha linda....que texto maravilhoso!! Vc é surpreendente!
    Li o post do seu baby novo...que lindo!!
    Sua vida está mais que perfeita...vc é merecedora de tudo isso!
    Parabéns mesmo

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  16. É exatamente isso que voce descreveu que eu vivo. É triste que qase ninguem consegue compreeender. Muitas pessoas acham que minha vida seria melhor sem ele, mas só eu sei o quanto ele e o nosso amor é essencial para a minha vida. Sigo na luta, sempre! E nao me arrependi nunca até hoje.
    Grande beijo! Parabens pelo pequenino!
    Isabelle

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  17. Oi Poly,

    Primeiramente parabéns pelo Bebezinho!!!! Ah, qua alegria, a casa fica cheia de boas vibrações né! a começar pelo cheirinho de Bebê que se espalha por todos os cantos...Aproveite.
    Em meu post de 10 de abril eu contei sobre graves problemas que pareciam indicar que meu casamento estaria chegando ao fim, eu já cansada de tanto sofrimento diante daquela situação aguardei a decisão final dele e não pedi para ficar, e nem fiz questão de ficar implorando seu perdão como fazia antigamente.Encarei as coisas de uma forma bem madura e até fria pois pela primeira vez senti que a separação não seria o fim do mundo para mim e sim o começo de uma vida nova, talvez melhor ou não, difícil saber...
    Então ele percebeu que eu não estava mais tão preocupada, e estava conformada com a situação então ele voltou atrás e disse que não queria se separar de mim, depois que ele pediu para eu resolver minha situação e ver se eu ia ficar na minha mãe eu começei a ver isso, então quando ele se deu conta que poderia chegar em casa e eu não estivesse mais, tratou de me ligar e informar que estava vindo para casa.Sabe Poly eu sei que fiz algo que não devia contando para a esposa do "amigo" dele as pilantragens que ele aprontava na rua pois me coloquei no lugar dela, e ser engana deve ser péssimo, eu sei que meu marido não é santo mas sinceramente, tem coisas que eu nem mexo pois tenho medo de encontrar algo, ou talvez eu não tenha mais interesse.
    Hoje depois de tantas decepções,humilhações e ameaças de separação, eu não tenho mais espectativa de nada, não acredito em sua recuperação, sei que a culpa não é minha( embora ele diga que depois que me conheceu a compulsão aumentou). Até a maneira com que eu o via mudou depois que fiquei desempregada e por vezes ele me humilhou.
    Já não sei mais até quando ficaremos juntos, pois aquele sonho de construir uma família linda ter um marido presente, se dissolveu...Sei que isso não me pertence.
    A vida em preto e branco é bem difícil, tem dias que sinto vontade de dormir o dia inteiro, talvez até o resto da vida se fosse possível assim eu não sofreia mais e ele não sentiria mais o peso de me carregar nas costas.
    Queria ver um dia de novo o colorido da vida, a liberdade de pegar o carro e sair sem ter que me preocupar com quem ficou dormindo o dia inteiro pq passou a noite na rua.
    Queria ser amada pelo que sou e não pelo que possuo.
    Queria fazer as coisas que tenho vontade e não só aquilo que ele quer que eu faça.
    É, lendo tudo isso a palavra chave para ester problemas seria "separação"...talvez.
    Vou vivendo...até quando? não sei.
    Me preparo todos os dias...

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  18. olá,entre tantos depoimentos que refletiram uma realidade que vivi durante 14 anos,fiz a escolha para meu bem estar e de meu filho, pedi a separação enquanto ele estava internado e após 7 meses percebi o quanto eu o amo e ainda sou codependente dele.Atualmente ele está num novo relacionamento e usando drogas com sua nova parceira, de vez em quando me visita dizendo me amar.Hoje faço terapia que tem me ajudado muito a compreender a tal da codependência e trilhar caminhos saudáveis à minha vida.

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  19. Poly, estou no mesmo barco, não é fácil, tambem amo meu marido dependente quimico em recuperação, mas nao tenho me sentido amada e querida por ele...

    Abraço, thais-34

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  20. ... E ainda há momentos que eu duvido de Deus.
    Hoje, eu sei que foi ele que me trouxe até aqui.
    Assim como vocês, eu passei momentos trágicos em minha vida por causa da dependência química de meu marido... Foram 3 anos de lutas e batalhas e agora nos últimos dias, confesso que entreguei os pontos. Não suportei mais. Não foi por amor. Eu amo meu marido mais que tudo nessa vida. Não só o amo, como sou apaixonada até hoje por ele... Acabei com tudo por ter consciência de que eu adoeci minha mente. Minha alma. Meu coração. Já não consigo mais estar ao lado dele. Ser carinhosa. Sonhar. Me perdi completamente nesse caminho... As brigas, as cobranças... Sei que estou sendo um peso a mais para ele. Acabo perdendo a cabeça, falando coisas que eu não sinto. Que eu não penso...
    É tão complicado, não só lidar com a doença dele, que além de drogas é usuário de álcool... Ele é um cara sensacional. Nunca conheci ninguém com um coração tão enorme como o dele. Uma pessoa realmente boa. Ele é um homem lindo (não por ser meu marido, mas é um homem realmente lindo...). Trabalhador como ninguém. Diria até que o nome dele é trabalho...
    O que se tornou insuportável nessa montanha russa que vivemos é o fato de não saber como vai ser o amanhã. Já perdemos muito por causa das drogas: Empresas, carros, casa, mobílias da casa, roupas... Em fim... Tudo o que o dinheiro pode comprar. Comecei a adoecer ao pensar que eu poderia sair para trabalhar e ao voltar, encontrar minha casa vazia... Como já aconteceu e tantas outras situações como passar fome, depender das pessoas (que julgam com uma voracidade absurda...) para tudo... Até para pegar um ônibus. Dar explicações para minha família do por que em um dia eu tenho tudo e no outro não tenho nada... Lidar com os autos e baixos do emocional do meu marido que varia demais em questão de horas...

    Como vocês conseguiram lidar com isso? Como fazem para não deixar que o medo e a insegurança tomem conta de vocês? Como fazem para que o amor que sentem pelos seus maridos continue sendo maior que tudo? Eu amo meu marido. Gosto de cuidar dele... Gosto de tudo nele... Tenho orgulho do homem que ele é, pois apesar da doença, ele me enche de orgulho... Em fim... Gostaria do contato de algumas de vocês... Trocar confidências, experiencias... Em fim. Sei que Deus falou comigo e me mostrou um caminho... Espero que não seja tarde para eu voltar atrás quem sabe mudar tudo... Meu e-mail ondaroots@gmail.com

    Um grande abraço e fiquem com Deus

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  21. FIQUEI VERDADEIRAMENTE FELIZ EM VER SUA HISTORIA E COMO VC E SEU MARIDO CONSEGUIRAM PASSAR POR ESSE MOMENTO TÃO DOLOROSO DE NOSSAS VIDAS SEI BEM O QUE VC SENTIU E AINDA SINTO INFELIZMENTE ESTA IMENSA DOR E ESTA LUTA QUE PARECE NÃO TER FIM EM MINHA VIDA NUNCA TIVE CORAGEM DE DESABAFAR E NEM CONTAR A MINHA HISTORIA PRA NINGUEM MAS HOJE FAZ 3 DIAS QUE MEU MARIDO SAIU PARA TRABALHAR E NÃO VOLTOU E CRIEI UM BLOG CONTANDO ALGUMAS PARTES DA MINHA VIDA,FOI UM GRANDE DESABAFO MAS ACHO QUE VAI FAZER BEM PRA MIM PODER COMPARTILHAR COM PESSOAS QUE PASSAM OU JA PASSARAM PELO MESMO QUE EU. FICO MUITO FELIZ PO VC QUE DEUS ABENÇÕE GRANDEMENTE VC E SUA FAMÍLIA!
    http://lucianalpsm.blogspot.com.br/


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  22. Quando me fazem mais ou menos essa pergunta (como vc suporta viver ao lado de um dependente quimico?) eu respondo q o vício dele é um problema pequeno diante das suas imensas qualidades e que ninguém é perfeito...

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  23. Há um tempo atras conhecia uma pessoa, no início foi só amizade. Ele estava terminando o tratamento de DQ e estava muito empolgado por estar bem.. por se sentir bem. Daí começamos a nos relacionar. Comecei a amá-lo e querer ajudá-lo a continuar limpo. Um mês depois ele recaiu, quase teve uma overdose. E novamente foi internado. Nessa nova clínica o tratamento é de nove meses. Optei por esperá-lo, apesar de ser uma clínica muito rígida, onde não poderemos ter contato algum. Eu sinto que o amo e quero esperá-lo. Enquanto isso, estou pesquisando e aprendendo um pouco mais sobre dependência química, foi em umas de minha pesquisas que encontrei seu blog, que por sinal tem me ajudado bastante nessa caminhada. Que o Senhor te abençoe e que continue a nos dar forças para seguir este caminho, está escolha! A paz, forte abraço! E obrigada.

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