quarta-feira, 14 de março de 2012

Até logo!!!

Bom dia, meus queridos!

02h53min desta quarta-feira, dia 14 de março de 2012!

Meu esposo se mantém limpo há 05 meses e 12 dias! Vivendo um dia de cada vez, ele está conseguindo vencer! Estou muito feliz com suas conquistas, e muito grata a Deus!

Reuniões de NA, medicações com acompanhamento do Psiquiatra, vivência com outras pessoas em recuperação e espiritualidade têm sido os seus suportes de recuperação.

Um companheiro me perguntou se eu havia visto a reportagem do Fantástico, no domingo, sobre a Justiça Terapêutica, confesso que não assisti, mas, vi no site. Vocês viram? Resumindo, fala sobre a troca de prisão por tratamento aos usuários de drogas. Clique aqui e veja. Fico muito feliz que o Brasil esteja, enfim, enxergando a dependência química com outros olhos. Ainda há muito a fazer, mas, ao menos é um início, não é mesmo? Esse tipo de matéria, aos poucos, vai conscientizando a população e reduzindo o preconceito.

Em razão de sua profissão na área da Enfermagem, meu esposo tem ido quase que diariamente à instituição onde esteve internado para prestação de assistência voluntária. Estive lá com ele. E, do carro, pude observar aqueles rapazes. Muitos são bem afeiçoados, de boas famílias. Médico, policial, músico, padeiro, pedreiro... Seres humanos. Todos ali, lutando por uma coisa só: liberdade! Foi bonito de se ver.

Quanto ao meu esposo e eu, temos feito muitas coisas juntos. Ele não me deixa dirigir por causa do barrigão, então resolvemos tudo juntos. Ele ainda está em sua licença pelo INSS, e eu já estou em gozo da minha licença-maternidade, assim, enfim, temos tempo livre para nós.

Vejo sintonia em nós dois nos cuidados dos últimos detalhes para a chegada do nosso bebê, nas idas às reuniões abertas do NA, nas compras no supermercado, nas atividades com as crianças, em nossas conversas, em nossas sessões de filmes no DVD, quando dividimos a cozinha, e até nas faxinas em casa. O que posso afirmar é que a cada dia o amo mais. Não quero dizer com isso que um dependente químico em recuperação seja perfeito, mas sim, que eu o amo, exatamente do jeito que ele é! Ele coloca muitos “não-adictos” no chinelo...

Ontem vimos o filme Quando um Homem ama uma Mulher. É um filme de 1994, protagonizado por Meg Ryan e Andy Garcia. Além de ser um lindo filme de amor, ele trata sobre a adicção e codependência. Simplesmente amei! Fica a dica.

Não vou contar o filme, claro, mas, vou deixar aqui escrito uma partilha de uma companheira de Al-Anon (grupo de apoio a familiares de alcoólatras) que, no filme, fala sobre a violência emocional que ela sofria:

“Eu era cruelmente violentada emocionalmente pelo meu marido, pois eu não era senhora das minhas emoções. Tudo girava em torno das emoções do meu marido. Se ele ficava triste, eu ficava mais ainda. Quando ele estava feliz, eu também estava. Dia após dia, eu tentava saber como ele estaria, para assim descobrir como eu deveria me sentir. Graças ao grupo, hoje tenho minhas próprias emoções e estou aprendendo a lidar com elas. E sou grata por isso.”

Me identifico demais!

Esse tem sido o meu maior aprendizado, a cada dia. Ao longo da minha vida, aprendi a ter um comportamento codependente, e não é fácil reconstruir a mim mesma, mas, sei que é possível, e eu quero. Por isso, luto por minha própria recuperação. E hoje posso dizer que tenho sim as minhas próprias emoções e as aceito.

E por falar em emoções...

Meu parto cesáreo está marcado para a próxima segunda-feira, dia 19/03, às 17 horas. O bebê já está devidamente encaixadinho! Barriguinha baixa, dores... Nem sei se ele vai esperar até lá... 

Diante disso, meus queridos, estarei um pouco ausente. Assim que der, enviarei notícias, e uma foto do nosso pequeno Victor, cujo nome significa Vitória Certa!

Acredito que a missão deste blog esteja quase completa. 

Diante desta tela de PC, chorei e sorri. Sofri com alguns depoimentos e comemorei progressos de recuperação...

Falei das dores que senti durante recaídas do meu esposo, da desesperança, do fundo de poço... Falei do amor, da força, da fé, do tratamento e recuperação... E, principalmente, falei do que é ser uma codependente, não de uma forma teórica, mas sim, do ponto de vista de quem vive isso na pele... Falei sobre a nossa própria recuperação.

Aprendi e ensinei... Trocamos.

Foram 234 postagens. Nunca escrevi nada que não sentia ou que não fosse real. E talvez por isso encontrei tantos amigos que se identificaram com o que eu relatava.

Também me identifiquei com cada um de vocês. Eu oro por vocês. E lhes serei grata sempre pelo carinho e força recebidos por meio deste blog.

Não é uma despedida, de forma nenhuma... Mas, acredito que um ciclo se encerra aqui.

O que desejo a todos vocês, do fundo do meu coração, é que tenham muita serenidade sempre, e que se amem e se valorizem. Somente assim poderemos amar verdadeiramente ao nosso próximo...

“Eu seguro a minha mão na sua, e uno o meu coração ao seu, para que juntos possamos fazer aquilo que sozinha não consigo...”