sexta-feira, 27 de janeiro de 2012

Minha história de co-dependente!


Nos blogs aos quais sigo, nas reuniões que participo, nos livros que leio, nas terapias familiares com a Psicóloga, o tema sempre é esse: a co-dependência. Ela sempre é o assunto principal, às vezes de forma indireta, e às vezes mostrando mesmo a sua cara.

Ela também é chamada de dependência afetiva ou dependência emocional.

Geralmente começa com uma linda história de amor. E a vontade de que isso seja perfeito e duradouro nos motiva a gradualmente nos anularmos para “servir” ao ser amado, até que um dia nos vemos sem identidade, sem vida, sem rumo, e passamos então a exigir que ele nos retribua com o mesmo tipo e quantidade de amor. Passamos a pensar que não podemos sobreviver sem o ser amado. Somos dependentes dele. Com sintomas de compulsão e de fissura. Só que no nosso caso, a droga é uma pessoa, e a loucura é algo parecido com amor, mas, que olhando bem de pertinho, é uma doença... ou seria uma maldição?!

Não precisa ser pai, mãe, esposa, irmã, namorada, ou alguém próximo de um dependente químico para desenvolver a co-dependência. Ela é o resultado da seguinte continha matemática:

CO-DEPENDÊNCIA = Rejeição real ou imaginária de alguém importante + Necessidade não satisfeita de amor + Baixa auto-estima + Necessidade de controle por não confiar nas pessoas + Solidão + Insegurança + Amargura.

Pronto. É só colocar todos os ingredientes juntos e misturar, que o resultado será um ser co-dependente.

O que ocorre é que quando convivemos com um dependente químico, passamos por todos os itens acima citados, ou ao menos, a grande maioria, e por isso somos propensos a desenvolver essa dependência afetiva incontrolável.

Quando olho para mim, vejo que sempre fui uma co-dependente, desde pequenininha. Talvez pela dependência química e ausência constante do meu pai, talvez pelas conseqüências que isso causou na minha mãe, talvez pela rejeição que senti dela, sei lá, mas, o fato é que eu sempre tive uma necessidade enorme dentro de mim de amor e aceitação das outras pessoas. Ah, como eu desejava ser querida! E eu pensava que era necessário fazer algo para isso, e não apenas existir e ser eu mesma...

Nunca tive muitas coleguinhas na infância. Nunca fui popular. Embora sonhasse com isso.

Aos 12 anos me apaixonei pela primeira vez. Aquele amor da infância, sabe? E, um dia, descobri que o rapazinho também gostava de mim. Ele era 05 anos mais velho que eu. Havíamos crescido na mesma igreja. E eu sonhava com o meu principezinho encantado.

Resolvi contar o que estava sentindo para a minha mãe. E ela ficou totalmente fora de si com a idéia de eu estar apaixonada. Ela devia ter muitos traumas na área sentimental, não sei ao certo. Na minha pré-adolescência e adolescência, sofri muitas agressões físicas e verbais por ter confiado a ela o que eu sentia. Foi muito doloroso. Meu namoradinho me via na escola, e nós nunca havíamos sequer trocado um selinho. Apenas de mãozinhas dadas, ele me consolava pelo que passava em casa. Eu não conseguia entender. Na verdade, até hoje dói lembrar.

Resumindo a história, em 1997, nos casamos. Eu, aos 19, e ele aos 24. Minha família toda apoiou, menos minha mãe. Ela não foi ao casamento e somente voltou a falar comigo seis meses depois, quando ela foi embora do país. Ele não tinha nenhum vício, era de família boa, apenas era um rapaz muito simples. Mas, o que ele e eu não sabíamos, é que tudo o que eu havia vivido na minha infância e adolescência estava cultivando dentro de mim um monstro incontrolável chamado co-dependência.

Sempre insegura. Sentia-me culpada por tantas coisas. Sentia-me só. Muito só. Não houve traição, não houve uma briga feia, nada, mas, eu estava tão infeliz. Às vezes penso que estava em um quadro depressivo, mas, ninguém me compreendia, nem eu mesma.   

Em 2002, aos 24 anos, decidi divorciar-me e foi definitivo. Eu o amava, mas, não conseguia conviver com esse vazio dentro de mim, e pensava que as causas disso estavam no casamento ou nele.

Daí foi ficando cada vez mais explícita a minha co-dependência. Eu não me interessava por quem se interessava por mim. Eu não me interessava por quem não tinha problemas, afinal, eu precisava “ajudar” alguém para merecer o seu amor, não é mesmo? Não tive muitos relacionamentos, posso dizer que foram apenas três: meu ex-marido, um ex-namorado adicto, e meu atual esposo.

Sim, já namorei anteriormente com um dependente químico. Foi no ano de 2004. Um rapaz muito bonito (estilo Joe Tribianni do Friends), filho de um coronel aposentado e de uma linda peruana. Classe média alta. Mas, ele não tinha nada na cabeça. Pronto, suficiente pra eu me apaixonar... Nos dois primeiros meses, ele grudou em mim feito chiclete, só depois descobri que ele estava me usando para manter-se limpo. Mas, depois, ao recair, comecei a viver o que todas relatam em suas histórias. A descoberta do vício dele, o partilhar da sua dor, o pedido de ajuda, os sumiços. O agravante foi que, além disso, ele me traiu. E por isso terminei o relacionamento. Sofri um ano por ele, acreditam? Claro, ele era o meu número. Co-dependente + Homem problemático se encaixam perfeitamente.

Mas, segui minha vida e superei.

Um ano depois nos reencontramos, mas, eu já estava ciente do que eu não queria para mim.

Eu trabalhava. Fazia faculdade. Mergulhei na dança de salão, o que me fez um bem enorme. Curtia minha filhota. Mas, dentro de mim, havia um monstro adormecido...

Um dia conheci meu esposo. Quem quiser saber melhor como começou nossa história, veja os posts O início, O encontro, e Entrevista com a Poly.

É engraçado que todas as histórias de amor que leio por aqui das minhas companheiras são histórias intensas, não é mesmo? A nossa não foi diferente. O diferente é que hoje, após 05 anos e 02 meses vivendo sob o mesmo teto, eu o amo ainda mais, e sinto que ele também me ama de verdade.

Seria muito fácil e cômodo jogar todas as minhas dores e frustrações sobre ele, sobre a sua doença, mas, como podem ver, a realidade não é bem essa. Quando vejo relatos das moças que namoram adictos, sobre continuar ou terminar, o que digo é que olhem para si mesmas, se amem, se cuidem bem, porque somente assim encontrarão o caminho da felicidade.

Quanto a mim, decidi que a minha co-dependência não vai acabar com o meu casamento, nem com a minha vida. É certo que um dependente químico na ativa é intolerável, mas, também é certo que há quatro meses meu esposo está limpo, se tratando, e existem outras portas de tratamento se abrindo, e eu quero estar ao lado dele, dizendo: acredite, tente! E principalmente, segura de mim mesma, feliz comigo mesma, gostando do que vejo no espelho, me aceitando. Isso faz toda a diferença.

“Como dar a outro aquilo que não se tem? O ponto de partida do Amor-Exigente é você. Ele começa com cada um de nós, para então expandir-se. Nesse caminho, estabeleceram-se cinco metas:
- Não procurar causas fora de si mesmo para desculpar-se.
- Responsabilizar-se por todas as suas atitudes.
- Fixar os limites do que é aceitável.
- Exigir que o comportamento inaceitável cesse.
- Não é preciso ser autoridade, com solução para todos os problemas; é preciso amar e querer ajudar, para ser ajudado.” (O que é Amor Exigente, pág. 33)

Tudo o que estou tentando agora é agir de modo diferente para que os resultados sejam diferentes.

Não gosto de mexer no passado, mas, às vezes é preciso. Doeu escrever este post, mas, foi bom para mim.

Só por hoje, meu esposo está limpo há 118 dias.

Só por hoje, eu não preciso fazer nada para receber o seu amor, apenas amá-lo!

Para terminar, quero deixar claro que amo muito a minha mãe. Atualmente nos falamos regularmente via telefone, embora eu não me sinta a vontade para contar-lhe o que se passa comigo. Entretanto, hoje entendo que as limitações dela são exemplos de onde eu posso chegar, se não me tratar e não abolir da minha vida essa tal co-dependência.

Hoje eu quero apenas ser como uma flor. Aquela flor linda, com um perfume tão gostoso, que mesmo que ninguém a perceba, e ainda que ninguém admire sua beleza ou sinta sua fragrância, ela permanece ali, crescendo... O que as pessoas acham dela é irrelevante, o importante é o que ela é, e ponto. Hoje não preciso condicionar a minha beleza ou a minha fragrância à aceitação dos outros, e isso é o que eu chamo de ser livre!

quarta-feira, 25 de janeiro de 2012

Esperança!


Barriguinha com trinta e duas semanas de gestação!

Agora são 18h43min desta quarta-feira, dia 25 de janeiro de 2012.

116 dias que o “papaizinho” está limpo!

A saudade é grande, e às vezes o medo e a insegurança tentam obter um espacinho aqui, mas, posso afirmar que muito maior e mais forte são o amor e a esperança...

E quando sinto esse bebezinho dando suas piruetas dentro de mim, não tem como sentir nada diferente além disso: esperança!

Às vezes, essa esperança é tão forte, que chega a se tornar uma certeza, uma convicção de que tudo vai dar certo... De que tudo já deu certo! Afinal, o que é a fé senão isso: a certeza de algo, antes dele acontecer?!

Bom, meus queridos, apenas queria partilhar essa foto da gravidinha redondinha aqui, e deste momento tão especial que estou vivendo...

E dizer que eu acredito!

Beijos!

quinta-feira, 19 de janeiro de 2012

Post com sabor de chocolate! Oito meses!

Bom dia, companheiros!

04h10min desta quinta-feira, dia 19 de janeiro de 2012.

110 dias que meu esposo se mantém limpo, graças a Deus! E 111 dias desde a sua internação. E o mais importante é que eu sei que só por hoje ele está bem, e não usará nenhuma droga.

O dia ainda não apareceu, mas, passei por aqui para dizer que estou bem e para agradecer, mais uma vez, pelas palavras de força recebidas no ultimo Post!

Estou melhor! Na segunda-feira, fiquei em casa, com meus filhotes, e isso me renovou! Ontem trabalhei normalmente, e foi um dia produtivo e alegre no trabalho. Após um dia em casa, meu filho ficou bem mais calminho! Agora, ele e minha filhota dormem como dois anjinhos. E, daqui a pouco, sairei para uma consulta médica de rotina.

Hoje, à tarde, buscarei meu esposo para um novo período de ressocialização, e isso me deixa feliz! Muito feliz!

É difícil definir recuperação, não é mesmo? Mas, no ultimo período em que ele esteve aqui, aconteceu um fato, pequeno, mas enorme para mim, que esqueci de lhes contar. No dia em que meu esposo voltou para a instituição, ele estava ansioso e apressado, com medo de se atrasar e sofrer disciplina lá. Passamos rapidamente por uma padaria para que ele comprasse seus cigarros. Eu permaneci no carro, e lhe pedi: “Amor, traz um chocolate prestígio pra mim?” Ele foi, e ao voltar com a sacolinha, percebi que só havia os cigarros. “Esqueceu meu chocolate?” Vi a decepção no rosto dele. Sim, ele havia esquecido. Mas, estávamos quase atrasados para a sua chegada na instituição, eu disse pra ele esquecer, e irmos embora.

Vocês devem estar se perguntando onde está a recuperação nesse fato, né? Primeiramente, está em mim. Há tempos atrás, eu interpretaria isso como falta de amor, egoísmo, etc, etc... Talvez até choraria por isso. Ficaria de “bico”. Mas, dessa vez, consegui ver esse fato como tão pequeno, como resultado da sua pressa e preocupação... E só. Não me abalei. Não fiquei chateada com ele. Nada.

Passou.

E lembram que quando nós mudamos, tudo muda ao nosso redor? Eu achei que ele nem havia se importado com esse esquecimento também. Entretanto, quando cheguei para visitá-lo no sábado, foi um dos primeiros assuntos dos quais ele falou:

“Amor, fiquei tão angustiado com o que fiz. Partilhei muitas e muitas vezes sobre isso.”           

“O que houve?” Perguntei.

“Esqueci seu chocolate naquele dia, e isso doeu em mim. Partilhei sobre o meu egoísmo. Será que nunca vou mudar?”

Sorri. E percebi que ele já está mudando... Isso me deixou muito feliz.

“Quando você for para casa, comprará uma caixa de prestígios pra mim, e estará tudo resolvido.” Respondi brincando.

Sabem aquele ditado que diz que “o segredo é não correr atrás das borboletas, mas, cultivar o jardim para que elas venham até você”? Pois é, isso é recuperação de um co-dependente. Enquanto nos anulamos, não nos amamos e nos desesperamos correndo atrás de um pouco de amor, não o encontramos. Mas, quando paramos um pouco, olhamos para nós, e começamos a cuidar do nosso jardim, o amor vem... Acreditem!

Bonitinho, né?!

Meus queridos, ontem nosso Blog fez mais um aniversário. Eu gostaria de ter postado, mas, hora minha filha está em suas redes sociais, hora meu pequeno está vendo desenhos no computador, daí não sobra para a mamãe aqui... Só nas madrugadas mesmo! Risos.

Oito meses desde a criação deste Blog!!!

Oito meses de partilhas e trocas!!!

Dizer obrigada a vocês é muito pouco. Este blog superou todas as minhas expectativas, em todos os aspectos. E posso dizer que ele mudou a minha vida. Ele muda os meus dias, sempre, aliás, vocês fazem isso. Muito obrigada de todo o meu coração!

Hoje estamos com 40.839 acessos!

Os países com mais acessos são: Brasil (37.665), Estados Unidos (1.619), Alemanha (615), Holanda (302), Suécia (113), Portugal (108), Rússia (106), Letônia (38), Reino Unido (27) e França (23)!

Além disso, até hoje já foram partilhados 1.358 comentários!

Hoje somos uma “rede” de mais de 20 blogs de co-dependentes em recuperação, de pessoas que amam um dependente químico, e que na troca de experiências, trocam também força, fé, esperança...

92 seguidores, aos quais eu prefiro chamar de companheiros!

Eu não esperava isso, meus amigos, não mesmo. Era apenas um desabafo de uma mulher desesperada e solitária. Era apenas um grito de dor, após mais uma recaída de quem tanto amo às drogas. Era apenas a certeza de que alguém, em algum lugar, passava pelo mesmo que eu... E eu estava certa. Nós somos muitos. E ao mesmo tempo, de mãos unidas, somos apenas um... Só posso agradecer a Deus por tudo isso! E a vocês.

Perdoem-me por não responder a todos os comentários deixados, mas, tenham certeza que leio um a um, e choro, e sorrio diante deles. E, na medida do possível, vou respondendo com todo o meu carinho! As palavras de vocês fazem toda a diferença!

Obrigada!!!

É isso aí, meus queridos, agora preciso ir me arrumar para a consulta. Posto de saúde tem que chegar de madrugada! Rs. E à tarde, buscar o amorzão! E comer chocolate prestígio... Risos!

Amo vocês, incondicionalmente, e sempre!

Obrigada pelo carinho, meus irmãos!

Beijos no coração!

Poly.

"Eu seguro a minha mão na sua, e uno o meu coração ao seu, para que juntos possamos fazer aquilo que sozinha eu não consigo!"

quinta-feira, 12 de janeiro de 2012

Respostas!


Olá, meus queridos! Boa tarde!

Agora são 12h48min deste 12 de janeiro de 2012, quinta-feira.

104 dias que meu esposo se mantém em tratamento, numa instituição para dependentes químicos. E o mais importante é que só por hoje ele está bem e em recuperação!

Muito obrigada pelas palavras de apoio e de comemoração deixadas no Post anterior! Estou realmente muito feliz com as atitudes que meu esposo tem tomado em prol da sua recuperação. Sem expectativas, mas, cheia de esperanças!

Quem estiver passando, neste momento, pelo “olho do furacão”, lembre-se que “depois da tempestade, sempre vem a bonança...” e que “o choro pode durar uma noite, mas, a alegria vem pela manhã...” Serenidade!

Nos dias em que meu esposo esteve em casa, li as seguintes palavras por ele registradas, na capa de sua Bíblia:

“Quanto mais experiência adquiro de viver, ao invés de simplesmente existir, mais compreendo quão preciosa e encantadora pode ser a vida... Viajar, louvar a Deus, brincar com meus filhos, passear de mãos dadas com minha esposa, estão entre as inúmeras atividades que dizem: “estou vivo”. Sinto gratidão a Deus por ter tido uma segunda chance...”

Lindo, né?! Eu também sou grata a Deus por essa “segunda chance”...

Queridos leitores, recebi dois e-mails recentemente, e tomei a liberdade de publicá-los aqui, preservando o anonimato dos envolvidos, e respondê-los via blog, visto que pode servir para outros que passam pela mesma situação.

Além disso, não sou detentora da verdade, o que nos faz fortes e nos dá a direção são as trocas de experiências, portanto, se puderem, ajudem-me a responder a essas duas companheiras: a “R.S.” e a “M.”

Palavras da R.S.:
Olá Poly! Me identifico muitooo com suas postagens no seu blog. Meu esposo é um dependente químico,  eu estou grávida, e não sei mais o que fazer... Leio há alguns meses seu blog, nunca postei nenhum comentário pois sempre ao final estou muito emocionada, e também não saberia o que dizer, pois procuro lá alguns atos seus para me espelhar... Por isso não sei se o meu comentário a ajudaria de alguma forma, Quando eu estou procurando ajuda. Desculpas por isso. Estou lhe enviando este email, pelo meu email pessoal porque peço encarecidamente para que me passe por favor o nome da clínica em que seu esposo está, ou que me dê o nome de alguma que seja da mesma "forma" entende? Gostei por ter grupo na mesma clinica tanto pra você quanto pra ele... E estou vendo que ele se manteve firme lá... Isso me encorajou a procurar. Moro no Rio de Janeiro, e é muitoooo difícil achar uma boa por aqui... E também por ser muito caro... Ele esteve internado, mas só um mês em Gurararema-SP, mas não tivemos como arcar com as despesas e passagem para ir visitá-lo.
Obrigada pela atenção, se puder me enviar alguns nomes, telefones, eu ficaria muito grata.
Ah! Onde encontro o livro CEFE? São iniciais de quais palavras? Procuro na internet e não encontro...
Abraço, e força!

Querida R.S., estamos juntas! É tão bom quando percebemos que não estamos sozinhas com a nossa dor, não é mesmo? Querida, não sou um exemplo, apenas relato coisas que aprendi com o tempo, freqüentando o Nar-Anon e com livros sobre o assunto, e principalmente com a vida ao lado de um esposo a quem tanto amo, e que é portador da dependência química. Posso te afirmar que muito da minha força veio de palavras recebidas em comentários deixados nesse blog. E tenho certeza que você pode sim, ajudar a mim e a muitos outros. Acredite! De qualquer forma, sinta-se a vontade para falar ou para calar-se quando assim sentir.

Bom, meu esposo está internado em uma instituição próxima de Brasília-DF. Acredito que ficaria longe pra vocês. Uma dica que te dou é: procure membros de confiança do N.A., foi por meio deles que recebi a indicação dessa instituição. Na verdade, foi o padrinho do meu esposo quem a indicou. A mensalidade de onde ele está é de R$ 700,00 + 2 cestas básicas + 6kg de carne mensais, mas, acho que não é fixo para todos os residentes. Entretanto, eu gostaria de ressaltar que para um bom tratamento, 50% depende da instituição ser boa, mas, os outros 50% depende do querer do dependente químico. Peço ajuda aos leitores do Rio de Janeiro, se alguém souber de uma boa instituição, por favor envie-nos via comentário ou via e-mail. E caso você queira ligar para o N.A., querida, o telefone de um dos grupos do Rio é: (21)2533-5015 ou 8653-4486. Torço para que dê certo para vocês, como tem dado para nós.

Quanto ao livro CEFE, o título é Compartilhando Experiência Força e Esperança. Esse livro é maravilhoso para nós, familiares de dependentes químicos. Você pode encontrá-lo nos grupos familiares Nar-Anon. A linha de ajuda do Rio é: (21)2516-0057, e-mails: comitearearj@naranon.org.br ou sidrj@naranon.org.br. Aproveite para conhecer o grupo, vai ser muito bom pra você, com certeza. Espero ter ajudado, querida.
Beijos.

Palavras da M.:
Ola Poly!!!  Tenho 25 anos. Descobri que meu namorado é dependente químico, e quando soube disso meu chão sumiu bateu o desespero. Ele me pediu ajuda, e eu resolvi ajudá-lo. Até então estava tudo bem sem recaídas, ele estava morando comigo, estávamos felizes, pois eu havia sofrido um acidente de moto e estava acamada, ele fazia tudo pra mim: comida, lavava roupa, limpava a casa e cuidava de mim... Mas tudo que é bom dura pouco. Minha família descobriu que ele era um dependente e que havia sido preso em 2007 e pra ajudar a ex- namorada dele resolveu aparecer e dizer barbaridades, falando que ele a espancava, que ele a roubava e a tinha ameaçado de morte. Então minha família mandou ele embora de casa... No mesmo dia ele recaiu, fiquei desesperada, chorei um monte, fiquei triste com todos, pois minha mãe se referia e se refere a ele como marginal, drogado, desgraçado... Eu decidi morar com ele, mas para isso tenho que fugir de casa, mas, estou com o coração na mão pois ontem ele teve uma recaída e ainda não chegou em casa, e passou na frente da minha casa hoje. O que eu faço? Quero ajudá-lo muito, o amo, mas tenho medo dessas recaídas. Conversei com ele, pedi pra se focar na gente e ele disse que está fazendo isso, que me ama, mas que a culpa de tudo isso que está acontecendo com ele é da sua ex-namorada, pois ele estava quieto e feliz e ela apareceu para destruir a vida dele. Disse que precisa de mim do lado dele, que está se sentindo muito só e sente minha falta. Ele me liga todos os dias, diz que me ama, mas quando ele recai não atende o celular, então fico triste e com muito medo... Poly, quero e preciso da sua ajuda. O que faço? Vou embora com ele? Ou fico com minha família? A família dele esta me apoiando em tudo que precisar, mas será que eles não querem se livrar dele? Por favor, me ajude.
Grata.

Querida “M”, obrigada por confiar a mim parte de sua história. Entretanto, é muito difícil dar uma resposta a essa sua pergunta: “o que eu faço?” Afinal, a resposta somente você a tem. Veja bem, estamos falando da sua vida, de uma decisão muito séria, e cujas conseqüências cairão sobre você. Por isso, muita serenidade ao decidir. Viver com um dependente químico em recuperação é difícil, e viver com um na ativa posso te dizer que é praticamente insuportável. Começar a vida assim, fugindo de casa com alguém que está doente, e que ainda não está se tratando, será que vale a pena? Seria essa a única forma de ajudá-lo? É isso mesmo o que você quer para a sua vida? Querida, são respostas que estão com você. Deixarei para você um trechinho do livro CEFE, da pág. 276, onde diz: “Estou aprendendo que preciso seguir em frente com a minha vida. Tenho que fazer minhas próprias escolhas e tomar minhas próprias decisões. Sou a responsável pelas conseqüências.” Qualquer decisão que tome, estarei aqui no que precisar. E nunca se esqueça de pensar na pessoa mais importante da sua vida: você mesma!
Beijos.

É isso aí, meus amigos e parceiros, serenidade só por hoje!

Poly.

quinta-feira, 5 de janeiro de 2012

Escalando a montanha!


Boa noite, amigos!

Agora são 23h53min deste 04 de janeiro de 2012, quarta-feira.

96 dias que meu amado esposo segue internado e em recuperação. E o mais importante é que só por hoje ele está bem, está limpo, sem drogas, e isso é razão de sobra para eu estar feliz!

Hoje tive a oportunidade de falar com dois companheiros do grupo de apoio a familiares Nar-Anon do qual faço parte, embora não esteja em condições de ir às reuniões, e por telefone me lembrei o porque dessas pessoas terem mudado a minha vida. Vocês não têm idéia do carinho, amor e força que essas pessoas emanam! Haja gratidão!

Na conversa, ao telefone, dentre outras coisas, falei que meu esposo está internado. É engraçado que as pessoas que não conhecem o problema de perto, quando sabem da internação, e olham para a minha barriga de 7 meses, fazem cara de pena, dizem “sinto muito” ou coisa parecida. Entretanto, esses companheiros, que vivem o mesmo que nós, ao saberem da internação do meu marido, fizeram festa ao telefone! Afinal, eles sabem que o mais importante é isso: hoje meu esposo está bem, está limpo, está se recuperando, enquanto muitos sofrem e morrem nas ruas usando drogas.

Tudo é uma questão do ângulo pelo qual enxergamos as coisas. Vejo a recuperação como o subir em uma montanha. No auge da nossa co-dependência, ficamos tão envolvidos no sofrimento, que não vemos nada de bom na vida, não enxergamos saídas. Entretanto, quando começamos o caminho da nossa própria recuperação, vamos andando passo a passo, escalando essa montanha. Não estou dizendo que o caminho é fácil, pois, de fato não é. Mas, lá de cima, ao vermos a pessoa que tanto amamos na adicção ativa, conseguimos sim, enxergar saídas, e ver o lado bom de tudo o que ocorre conosco. Portanto, vale a pena!

Às vezes deslizamos, é normal. Choramos por nada (ou por tudo), a auto-piedade quer nos dominar, a desesperança... Mas, o que temos a fazer é levantar, sacudir a poeira e retomar o caminho. A cada passo dado nessa escalada, vamos nos tornando mais fortes, e a vista panorâmica vai ficando mais ampla e bonita.

Bom, meus amigos, em novembro do ano passado, postei as histórias de três leitoras do Blog: A História de M.C.L., A História de R.R. e A História de uma Maria. Na ocasião, recebi uma linda mensagem, por meio de uma rede social, da companheira N.R., e hoje, gostaria de compartilhar essas palavras com vocês.

“Oi Polyanna, espero que esteja bem, sempre leio e posto em seu blog e isso me ajuda muito, gostaria de postar algo lá que não posso pois ficou muito grande o comentário, será que pode postar pra mim?

R.R, MCL e Maria, também passo pelo mesmo, também sou co-dependente e também, como a Poly meu amado esta internado. Sou "dependente emocional" assumida, do estilo "mulheres que amam demais".

E estou numa fase MARAVILHOSA da minha vida... mas só cheguei a isso depois de passar por tudo o que vocês descreveram, tudo mesmo, e ainda pior, o meu amado foi preso (por furto) na favela, onde ja estava ha um mes (desaparecido), só fiquei sabendo onde ele estava quando o advogado me ligou avisando da prisão e eu tive que tirar ele (nunca me imaginei ir nem na porta de um presídio). Não é facil, mas aprendi, aaah se aprendi...

Como já disse a Poly vou dizer a vocês, se o amor por ele é um fato, a ação que decorre disso é OPCIONAL, o sofrimento também.

Ele precisa mudar, mas você não vai muda-lo, nem ninguém... Você precisa mudar e só você pode fazer isso, mais ninguém... Mude sua cabeça e principalmente suas atitudes, o planeta dá de volta tudo aquilo que você emana (indico os livros 'O Segredo' e 'Pare de Sofrer'). Comece a sorrir para todos a sua volta e verá como lhe serão ofertados sorrisos que te darão força, no começo é dificil, sentimentos negativos viciam tanto quanto a droga...

Agradeça a Deus a oportunidade maravilhosa de fazer a caridade ao proximo, agradeça pelo seu aprendizado, pelo quanto você melhora espiritualmente. Não faça de suas experiências um sofrimento, faça delas um crescimento, faça com que, apesar de tudo, a sua vida não piore, mas melhore por tudo isso, pois você melhorou, cresceu, ficou mais humilde, aprendeu a aceitar os defeitos dos outros e se valorizar...

Não preciso ver você, mas sei que vc, só por suportar tudo isso, é LINDAAAAA, mostre ao mundo como você é mesmo linda. Comece a pensar em você, em uma mulher forte, linda, sorridente, alegre, que todos querem estar por perto e verá como as coisas vão mudar e até ele vai mudar com você e com o tempo, se for o que você REALMENTE quer, você vai se valorizar tanto que vai conseguir deixa-lo sim, mas se não, não se desepere, AGRADEÇA a Deus a oportunidade de ter conhecido o VERDADEIRO amor, porque a maioria das pessoas sonha em encotrá-lo, mas quando encontra não tem as forças de mantê-lo.

Minha vida esta maravilhosa, apesar da saudade, da carencia e da solidão na minha cama eu estou irradiando felicidade e luz, cuidando da minha aparencia porque engordei 30 kg na ultima gravidez, estudando muuuito na faculdade, ESTOU ME AMANDO ACIMA DE TUDO E TODOS (e olha que eu sozinha "cuido" emocionalmente do meu namorido, minha sogra que também é co-dependente e recusa assumir isso, minha mãe e nossos dois filhos) e quanto mais o tempo passa, mais e mais as pessoas querem ficar do meu lado, mais e mais amigos eu estou fazendo. Sabe, eu me sentia tão sozinha, aí adivinha qual a resposta que o mundo me dava: SOLIDÃO (esse negócio de oposto atrair oposto é mentira, você atrai aquilo que você emana)...”

É isso aí! Obrigada por suas palavras tão positivas, N.R! Demorei, mas, postei! Ajudou a mim, e sei que ajudará a outros também.

Bom, meus companheiros queridos, amanhã (sexta-feira), o maridão virá para casa, para o seu primeiro período de ressocialização. Ai, estou ansiosa... Feliz demais e grata a Deus com os progressos em seu tratamento! Na segunda-feira, pela primeira vez desde o início da gestação, o papai participará da consulta do Pré-Natal... Enfim, poderei ficar dengosa para receber alguns mimos merecidos, não acham? Risos.

Ah, para quem quiser entrar em contato comigo o e-mail é polyp.escritos@gmail.com. Respondo a todos, ainda que demore um pouquinho... Paciência com a “mãezinha” aqui... Rs.

Mensagem de hoje: “A adicção é uma doença e a doença não amedronta nem ama, apenas é... Posso escolher minhas reações.” (C.E.F.E., pág. 174)

Serenidade, queridos, só por hoje!