sexta-feira, 30 de dezembro de 2011

Um desabafo de amor!

Existem canções que falam exatamente o que estamos sentindo...


Fecho os olhos pra não ver passar o tempo, sinto falta de você...
Anjo bom, amor perfeito no meu peito, sem você não sei viver!


Então vem, que eu conto os dias conto as horas pra te ver
Eu não consigo te esquecer!
Cada minuto é muito tempo sem você, sem você...


Os segundos vão passando lentamente, não tem hora pra chegar
Até quando te querendo, te amando, coração quer te encontrar
Então vem, que nos seus braços esse amor é uma canção
E eu não consigo te esquecer
Cada minuto é muito tempo sem você, sem você...


Eu não vou saber me acostumar sem sua mão pra me acalmar
Sem seu olhar pra me entender, sem seu carinho, amor, sem você
Vem me tirar da solidão, fazer feliz meu coração
Já não importa quem errou, o que passou, passou, então vem!



Ah, amor, a casa hoje está meio vazia. Na verdade, acho que eu é que estou me sentindo assim... vazia. Passei por aqui apenas para dizer que te amo e que acredito em você, amor.

Hoje não posso segurar tua mão, nem olhar em teus olhos, e nem ao menos ouvir-te ou falar-te, mas, isso não quer dizer que não estejamos juntos. Estou contigo, meu bem! E sei que parte de ti também está aqui comigo!

Segundo a palavra de Deus, quando nos casamos, nos tornamos um só, e talvez isso explique essa conexão tão perfeita e forte.

Não, não é fácil. Já sou tão acostumada com o teu abraço e beijo desejando um feliz ano novo, acostumada com nossos planos a cada ano que nasce, que dizer que estou inabalável diante da tua ausência seria muita hipocrisia. Sinto a tua falta. Demais! Mas, saiba que tua “macaquinha” está aqui te esperando e orando por ti... por nós. Não somente eu, mas, as crianças também. Te amamos, meu querido! E é justamente por te amar que suportamos a tua ausência. Na certeza de que é o melhor pra ti!

Acredite: o melhor de Deus está por vir!

Tenha um 2012 abençoado, meu querido!!!
Até domingo! Essas horas passarão rapidinho e logo estaremos juntos, e em paz.
Beijos!!!

N.E.O.Q.A.V.

sábado, 17 de dezembro de 2011

É bom saber que alguém se importa!


Bom dia!

Agora são 07h36min deste sábado, dia 17 de dezembro de 2011.

79 dias se passaram, desde a internação do meu esposo.

Alguns dias são fáceis, outros difíceis...  Mas, a felicidade por ele estar limpo e em recuperação é constante.
Nesta semana, na quinta-feira a noite, minha filha, uma coleguinha dela, e eu, fomos assistir a apresentação do caçulinha. Ele vestido de anjinho cantando músicas de Natal com as tias e coleguinhas. Foi tão lindo. Fiquei muito emocionada. Feliz de ver o meu pequenininho ali em sua primeira apresentação da escola. Mas, não posso negar, que algumas lágrimas caíram por pensar que o papai não estava lá. Meu pequeno não perguntou nada sobre o pai, mas, às vezes ele diz coisas que doem em mim: “Mamãe não tranca o portão porque o papai vai chegar pra brincar comigo...”

Ontem a tarde foi a festinha de aniversário do nosso pequeno na escola. Ele fará 03 aninhos no dia 24. Nunca tínhamos feito uma festinha só dele. Nos anos anteriores apenas encomendávamos um bolinho e cantávamos os parabéns na ceia de Natal mesmo. Ele ficou radiante de alegria. O tema escolhido por ele foi dos Carros. Muitos balões, bolo, salgadinhos, docinhos (com direito a brigadeiro), e muitos presentes dados pelos coleguinhas da creche e tias. Ele não cabia em si de felicidade. E essa felicidade me contagiou demais. Entretanto, por vezes, senti falta da presença do papai ali...

Postei uma foto da apresentação e uma do aniversário. É bom partilhar esses momentos bons com vocês!

Hoje haverá visita na Instituição e levarei as fotos para meu esposo ver. Ele pode se revoltar e achar que deveria sair para curtir esses momentos, ou ele pode usar tudo isso que tem perdido para aproveitar seu tratamento ao máximo, e nunca mais ser ausente à sua família, nem por internações, nem por drogas.

Hoje irei sozinha à visita. Uma tia ficará com meu pequeno em casa, pois, amanhã haverá a confraternização de Natal com as famílias na Instituição. E levar meu pequeno os dois dias é muito cansativo. Ou seja, hoje teremos mais tranqüilidade para conversar.

É isso aí, o verei hoje e amanhã, e depois, somente no dia 02/01/2012. Se tudo continuar indo bem no tratamento, em janeiro ele dará início à ressocialização, onde virá dois ou três dias de algumas semanas para casa.

Eu continuo acreditando! Vai dar certo!

Agora mudando um pouco de assunto, queria falar sobre algo que vi ontem no Facebook. Um ex-colega de faculdade postou a seguinte mensagem em seu face: Não tenho pena de drogado, experimentar foi escolha não coação.” Duas pessoas curtiram sua frase preconceituosa. Não consegui ficar quieta diante de suas palavras, ao que respondi:  “Experimentar é escolha, adoecer não. Dependência Química é doença reconhecida pela OMS. E posso te afirmar que é uma triste doença.” Ele respondeu-me: “Temos visões muito diferentes do tema e fui nascido e criado em uma periferia.”  Como se as drogas só estivessem na periferia, não é mesmo? Típica resposta de quem só conhece o assunto de ouvir.  Então, eu lhe respondi: “Certamente não tens nenhum dependente químico na família, essa é a diferença.”

Fiquei triste com isso. As pessoas tem tantas coisas boas pra compartilhar nessas redes sociais, mas, por vezes, preferem espalhar pensamentos cheios de preconceito, induzindo à discriminação. E pior, são pessoas que não sabem do que estão falando. Esse carinha deve ter uns 27 anos. Não sabe nada da vida. Não sabe nada de drogas. Não sabe nada da dor de um dependente químico. Não sabe nada do sofrimento das famílias de adictos. Mas, se achou no direito de difundir essa mensagem tão julgadora, como se ele fosse melhor que os outros. Doeu.

Mas, deixa pra lá.

Por outro lado, recebi um comentário muito especial nesta semana. O comentário da Débora:

“Oi Poly, meu nome é Débora, sigo seu blog há alguns meses, encontrei-o por acaso, estava procurando algo totalmente diferente, mas me deparei com ele e comecei a ler. Desde então venho aqui todos os dias para saber notícias suas. Se temos algo em comum não sei, não tenho problemas com drogas, álcool ou nada parecido na minha família, graças a Deus. Aliás, muito pelo contrário, tenho um marido perfeito, nem sei se merecia tanto. A única coisa que me aflige é o diagnóstico de autista de um sobrinho de um ano, mas estamos cuidando dele e isto está longe de ser um problema, pois, se Deus mandou este anjinho sem asas para nós cuidarmos, então faremos isso agradecendo sempre a Ele. Mas enfim, por que acompanho seu blog?? Porque simplesmente torço por vc, penso em vc e me preocupo com vc, não nos conhecemos e provavelmente isto nunca acontecerá, mas quero que vc saiba que de longe, do sul de Minas, vc tem a mim que torce e ora pela sua familia. Vc tem toda a minha admiração. O poder da oração é muito forte e continuarei orando pela sua felicidade. Beijos no seu coração.”

Esse comentário foi especial pelo fato dela não ter problemas com dependência quimica, e ainda assim, se importar. Parabéns por sua humanidade e sensibilidade, Débora!

A maioria das pessoas não se importa com os cancerosos ou aidéticos, até alguém que elas amam adoecer. Não se importa com a violência ao redor, até que alguém próximo seja vítima. Não se importa com os portadores de necessidades especiais, a não ser que haja um dentro de casa. Não se importa com a dor de quem está ao lado, até que aquela se torne a sua dor. Não se importa, e ainda julga e discrimina os dependentes químicos, até que alguém a quem elas querem bem caia nas garras das drogas...

Prefiro não julgar. Prefiro me compadecer do próximo, ainda que eu não saiba ou não compreenda o que ele sente...


sábado, 3 de dezembro de 2011

Olhando de cima!


03 de dezembro de 2011 (uau, o ano está acabando!), 00h52min deste sábado chuvoso.

Meu esposo está internado há sessenta e cinco dias.

Na próxima quarta-feira, farei a apresentação da Monografia da minha Pós-Graduação, em Goiânia. Falarei sobre motivação, quem quiser ir, está convidado... Rs.

Faltam mais ou menos quatorze semanas para a chegada do nosso bebê. Viram a foto do barrigão, acima? Estou redonda... Rs.

Ou seja, motivos eu tenho de sobra para andar com a ansiedade à flor da pele!

Por isso, mais uma vez, o melhor mesmo é viver no SÓ POR HOJE!

Após meu ultimo Post, em tom de desabafo, recebi palavras que me fizeram ver as coisas com outros olhos. Como se eu subisse em uma montanha e pudesse visualizar o mesmo cenário, mas, de um ângulo diferente. Isso graças a vocês. E hoje, estou passando por aqui, apenas para agradecer do fundo do meu coração.

Obrigada, Jorge Aberto, por me lembrar que nada dura eternamente e que Deus não nos dá um fardo acima das nossas forças para carregar. Olhar para a sua história me faz acreditar.

Obrigada, , por me fazer sentir que não estou sozinha, mas, o Deus do Impossível está comigo, e não desistiu de mim, nem de minha família. Chorei ao som daquela linda canção.

Obrigada, Cicie, por me fazer ver que embora eu e meu esposo não estejamos juntos neste final de ano, isso não é o fim, mas apenas o começo, e que vale a pena.

Obrigada, MCL, por me mostrar que é preciso seguir com o baile da vida, que é possível encontrar forças nos olhos dos meus filhos, e que pessoas como você, estão sim aqui ao meu lado.

Obrigada, Helena, por partilhar comigo parte da sua história, e fazer-me entender que nossa própria recuperação vem em primeiro lugar, e que não adianta fantasiar a vida que levamos ao lado do nosso amado adicto.

Obrigada, Anônimo, por me fazer enxergar que esse tempo longe do meu esposo é necessário para que eu me perceba, e veja minhas próprias limitações, e trabalhe a minha própria recuperação. Realmente, tudo tem um porquê nessa vida.

Obrigada, Anônima, por partilhar sua experiência, e me fazer lembrar o quanto é bom ter uma vida sossegada e em paz, apesar da saudade.

Obrigada, Giulli, por me ensinar tanto. Você também me ensinou que não preciso ser forte sempre. E me fez ver que o mais importante eu tenho: a saúde do meu bebê. Suas palavras me dão esperança.

Obrigada, Mônica Prestes, por partilhar a sua dor e me fazer perceber que não estou sozinha nessa história. Por me fazer agradecer ao fato do meu esposo estar aceitando e respondendo bem ao tratamento. Querida, vai dar tudo certo, acredite!

Obrigada, Junior (adicto em recuperação), por me mostrar o outro lado, o quanto será importante para o meu esposo a experiência de passar este Natal e virada de ano junto de companheiros, e por me mostrar que ainda tem força aqui dentro.

Obrigada, Priscilla, por partilhar comigo o seu desespero, e me fazer também agradecer pelo tratamento e recuperação que meu esposo está vivendo agora. Querida, apesar de ser difícil, busque serenidade em Deus e olhando para você mesma...

Simplesmente, muito obrigada, companheiros!

Bom, amigos, agora vou voltar para o meu sono, que logo mais estarei com meu esposo, afinal, hoje é dia de visita à Instituição. Estou com muitas saudades dele...


“Eu sei que vou te amar
Por toda a minha vida eu vou te amar
Em cada despedida eu vou te amar
Desesperadamente, eu sei que vou te amar
E cada verso meu será
Pra te dizer que eu sei que vou te amar
Por toda minha vida
Eu sei que vou chorar
A cada ausência tua eu vou chorar
Mas cada volta tua há de apagar
O que esta ausência tua me causou...”
(Tom Jobim)