domingo, 23 de outubro de 2011

Pedaço de mim!



24 dias desde a sua internação.

Não há um dia sequer que nosso filhinho não pergunte ou não fale do papai.

Hoje almoçaremos juntos na instituição, e, pela primeira vez, levarei o pequeno para estar com ele.

Ontem dormi com a camisa dele...

Quem disse que saudade não dói? Dói sim, e muito...


“Oh, pedaço de mim
Oh, metade afastada de mim
Leva o teu olhar
Que a saudade é o pior tormento
É pior do que o esquecimento
É pior do que se entrevar
Oh, pedaço de mim
Oh, metade exilada de mim
Leva os teus sinais
Que a saudade dói como um barco
Que aos poucos descreve um arco
E evita atracar no cais”
(Chico Buarque)


Bom domingo, queridos!

Muita serenidade!

Ps: Fotos, em Santa Catarina, no início deste ano. Por isso dói tanto, esses cinco anos juntos não se resumem à dependência química... Tem mais, muito mais...


Te amamos! Fica bem!

quinta-feira, 20 de outubro de 2011

Como ajudá-lo em sua recuperação?

Boa tarde!

20 de outubro de 2011. Horário de almoço chegando ao fim, mas, antes de retomar o trabalho, eu precisava vir aqui.

21 dias que meu esposo está internado.

Saudade enorme no peito e uma grande tranqüilidade por saber que só por hoje ele está limpo, sereno e se tratando.

Às vezes choro, não vou negar. Sinto falta dele. E por vezes me pego com aqueles pensamentos do que seria uma “gravidez perfeita”, com papai e mamãe juntinhos, mas, esses tipos de pensamentos só me levam à autopiedade, já estou aprendendo a driblá-los, principalmente com o “jogo do contente” (leia o post).

Daí passo a olhar as coisas boas da minha vida. As bênçãos de Deus sobre mim e minha família. O cuidado constante Dele para conosco. E quando percebo, já estou bem novamente. E os problemas se tornam tão menores.

Somos apenas um casal apaixonado. Amo o meu esposo e sou amada por ele. Temos problemas a superar (como todo mundo), que no nosso caso, são a dependência química dele e a minha co-dependência, dentre outros menores. E, só por hoje, estamos vencendo. E isso basta!

Se me perco por um minuto pensando no que poderá dar errado no amanhã, ou nas dores sofridas ontem, me sinto atormentada, desperto o medo. Concentrar-me no hoje é minha garantia de serenidade.

Ontem uma colega de trabalho me disse que estou diferente, com um aspecto mais descansado, mais leve, mais feliz. Só assim vou me dando conta do quanto eu ainda me permitia sofrer com as insanidades do meu esposo.

Mas, felizmente, hoje estamos todos bem!

Eu gostaria de partilhar mais alguns itens que aprendi na terapia de sábado.

Gente, dependente químico em recuperação NÃO PODE TOMAR BEBIDA ALCÓOLICA! Nem um pouquinho de vinho? NÃO! Nem um golinho de cerveja com a família? NÃO! Nem uma cervejinha sem álcool? NÃO! Não se enganem, a dependência química é uma doença. O problema não está na droga, está no cérebro. E qualquer substância psicoativa vai acionar o cérebro para que solicite a droga de preferência do adicto.

Eu não sabia disso. No inicio do nosso casamento bebíamos “socialmente”, só hoje sei o quanto isso prejudicava meu marido em sua recuperação.

Outra questão é o HLP. Dependente químico em recuperação deve evitar HÁBITOS, LUGARES e PESSOAS da época da ativa. Se ele começar a freqüentar os mesmos lugares, ou voltar aos “velhos amigos”, ou começar com hábitos de ativa como mentiras, por exemplo, inevitavelmente, recairá.

Uma ótima fonte de ajuda para a recuperação dos dependentes químicos é o Narcóticos Anônimos com a prática dos Doze Passos. Mas, também é fundamental que eles cuidem de sua espiritualidade. Ter uma fé, uma crença, ajuda e muito na recuperação.

Outro ponto importante que me lembrei diz respeito a nós, familiares. Muitas vezes, quando o nosso familiar amado recai, pensamos: “Como ele pode fazer isso comigo, passar por cima de mim e do meu amor?” ou, “como ele pode esquecer-se dos próprios filhos?” Meus queridos, a realidade dói, mas, a realidade é que o dependente químico quando recai, antes de qualquer outra pessoa, ele está passando por cima de si mesmo, dos seus próprios sonhos, dos seus próprios ideais. E isso os faz sofrer demais. É uma doença! Vejam que o que relato do meu esposo é o que o seu esposo, ou namorado, ou filho, ou irmão vivem também... São os mesmos sintomas, os mesmos dolorosos sintomas.

Mas, só conseguiremos lidar com isso, se estivermos fortalecidos. E não há outra forma de nos fortalecermos a não ser tendo vida própria, nos amando, nos cuidando, focando em nós mesmos e nos desligando com amor.

Abaixo segue um trecho de um artigo muito interessante sobre o assunto.

“Dizer NÃO ao dependente químico não se trata de abandonar o seu familiar ou de ser cruel. Trata-se de compreender que você não pode ajudá-lo. Trata-se de compreender que se você mantiver a situação como está e continuar aceitando todas as manipulações e situações geradas pelo dependente químico, as probabilidades de que ele peça  ajuda a quem pode ajudá-lo diminuirão, e assim segue-se o ciclo negativo, pois ele “enterra” todos os dias a si mesmo e a todos que o rodeia.
Avance e não olhe para trás. O dependente químico precisa sentir perdas, precisa “bater no fundo” e compreender que não é seguro manter o caminho que segue. Não espere que ele lhe agradeça por tudo o que você faz pela sua sobrevivência, ele não tem a capacidade de avaliar as situações corretamente.
E ele age desta forma porque está doente e porque estes são sintomas de dependência e também porque esta, assim como outras doenças, mina e transforma a personalidade do indivíduo. Por isso compreenda que martirizar-se por um dependente químico é colocar mais chamas na fogueira em que ele já arde.  O que você tem a fazer é simplesmente agir da forma correta.”

É isso aí, amigos. Precisava partilhar isso com vocês, afinal, pode servir de ajuda a alguém.

Muita serenidade, só por hoje!

Ahhh, domingo será dia de almoço em família na instituição... Saudade e ansiedade. Afinal, eu o amo demais!

quarta-feira, 19 de outubro de 2011

Resultado do 2º Sorteio!


Queridos amigos, muito obrigada pela companhia, força, carinho e partilhas nesses cinco meses juntos.

Muito obrigada pelos mais de 24.000 (vinte e quatro mil acessos)!

Os dez países com mais acessos, nesse período foram: Brasil – 22.594, Estados Unidos – 1.005, Alemanha – 193, Holanda – 44, Portugal – 38, Rússia – 37, Reino Unido – 20, Dinamarca – 10, Índia – 05 e França – 03!

Sabem o que isso significa? Significa que a adicção é uma das doenças em maior progressão no mundo atual (infelizmente), e que estamos falando de uma doença grave, mortal, que não é apenas um problema vivido pelo meu esposo ou pelo seu familiar amado, mas, é um flagelo social de enormes proporções.

Aqui no Blog (e em outros similares) encontramos um “cantinho” onde é possível nos darmos as mãos a fim de nos sentirmos mais fortes e continuarmos a nossa caminhada ao lado de quem amamos (junto ou separado).

Aqui percebemos que não estamos sozinhos!

 “Alegria partilhada é alegria dobrada e tristeza partilhada é dividida pela metade”.

“Eu seguro a minha mão na sua e uno o meu coração ao seu, para que juntos possamos fazer aquilo que eu não posso fazer sozinha".

Obrigada pelos 1029 comentários deixados em 186 Posts!

Obrigada por cada história de vida a mim relatada. Aprendo demais com vocês. Perdoem-me se nem sempre eu consigo responder a todos.

Estamos juntos, ok?!

Agora vamos ao sorteio?

O segundo sorteio do nosso Blog foi realizado às 19h45min do dia 18/10. Contamos com 32 (trinta e duas) participações, somando-se os comentários do Post 2º Sorteio e os e-mails recebidos com esse fim. Obrigada pela participação!

Antes de divulgar os nomes só queria ressaltar que foi um sorteio aleatório, e não uma escolha de melhores histórias, ok? É apenas uma tentativa de retribuir, de alguma forma, o carinho recebido...

Os sorteados, na ordem, foram:

Adriana (Sofya e Emanuelle): “Eu não sei se consigo escrever ,to chorando muito... Queria ler por aqui relatos que não existe recaídas.. que a cura é pra sempre...Infelizmente não é assim. O Oscar está na minha vida a 8 anos +- .. Idas e vindas.... temos uma menina de 4 anos, mas estamos separados... Ele foi internado e saiu em maio...diz que está limpo... eu não sei... Ele quer voltar... eu tenho MEDO... tenho hoje uma vida de paz, namoro um moço bom, sem vícios e que pode me dar uma vida tranqüila... Mas meu amor, minha alma gêmea é o Oscar... Ah... quero participar do sorteio :)” (26/09/2011)

Lavínia: “Oi Polly, acompanho o seu blog diariamente,desde a primeira vez que encontrei. Sou esposa de um adicto,estamos casados há 4 anos e temos uma filhinha de 1 ano. Tenho dificuldade e as vezes vergonha de escrever (sei que não deveria), daí aproveitei o sorteio para fazer o meu primeiro contato com você. Tenho uma admiração enorme por você e pela maneira que vc encara a vida e os problemas. Todas as noites eu oro por você e sua família. Tenho certeza que será muito feliz e terá uma vida cheia de bênçãos,pois você tem ajudado a muitas mulheres e familiares de adictos. Você escreve muito bem!!
Meu marido é dependente de cocaína há 12 anos.Descobri quando estávamos noivos,mas eu não tinha a menor idéia do que seria amar e conviver com um dependente químico. Ele já passou por 2 internações e cometeu inúmeras insanidades...você pode imaginar.  Hoje sei que continuo com ele por vontade de Deus,e minha,pois também sinto este amor forte e pleno, com toda minha alma..Já o perdoei inúmeras vezes e ele novamente recaiu. Ele esta limpo há 21 dias.Nesta ultima recaída eu saí de casa e fiquei 15 dias longe dele. Nunca tivemos problemas financeiros, graças a Deus, mas já enfrentamos todos os outros.
Você tem sido um anjo na minha vida e tenho certeza que na de muita gente!! Sofro junto com vc quando o seu marido recai.. e fico alegre quando esta tudo bem como agora. Vc é muito especial. Ah,o post que mais gostei foi "Paginas Brancas",me serviu de inspiração e fiz uma carta para meu marido. Um beijo grande.” (20/09/2011)

Queridas Adriana e Lavínia, parabéns! Espero que esses livros lhes ajudem no caminho de sua própria recuperação!

Agora preciso que vocês me enviem, para o e-mail polyp.escritos@gmail.com: o nome do destinatário e o endereço completo incluindo o CEP, e também o nome do seu livro escolhido, lembrando que poderá ser:

Co-Dependência Nunca Mais, da Melody Beattie;
Assuma o Controle da Sua Vida, da Melody Beattie, ou
Meditações Diárias para Mulheres que Amam Demais, da Robin Norwood

O livro será enviado via correio, por carta registrada, até o dia 04/11/2011, quando lhes enviarei o número da postagem para acompanhamento.

Parabéns mais uma vez, meninas! E aos demais, não fiquem tristes que existirão outras oportunidades!

Se tudo der certo, em maio do ano que vem, o livro Amando um Dependente Químico estará disponível! #ansiosa

Um grande abraço!

E muita serenidade!

terça-feira, 18 de outubro de 2011

Eu Sou Responsável!


Eu sou responsável por mim.
Eu sou responsável por viver ou não a minha vida.
Eu sou responsável por prover o meu bem estar espiritual, emocional, físico e financeiro.
Eu sou responsável por identificar e satisfazer minhas necessidades.
Eu sou responsável por resolver meus problemas ou aprender a conviver com eles, se não, puder resolvê-los.
Eu sou responsável por minhas escolhas.
Eu sou responsável pelo que dou e recebo.
Eu sou responsável por estabelecer e alcançar minhas metas.
Eu sou responsável pelo tanto que desfruto de minha vida.
Eu sou responsável pelo tanto de prazer que encontro em minhas atividades diárias.
Eu sou responsável por quem eu amo, e como escolho expressar este amor.
Eu sou responsável pelo que faço aos outros, e pelo que eu permito que os outros me façam...
Eu sou responsável pelos meus desejos.

Tudo em mim, todo aspecto do meu ser, é importante. Eu sirvo para algo. Eu sou importante. Posso confiar em meus sentimentos. Meu pensamento é apropriado. Estimo meus desejos e necessidades. Não mereço e não tolerarei abusos ou maus tratos constantes. Tenho direitos, e é de minha responsabilidade afirmá-los. As decisões que faço, e o modo que administro, refletem a minha alta auto-estima. Minhas decisões levam em conta minhas responsabilidades para comigo.

Palavras de Melody Beattie.

Só pra dar um gostinho, afinal, logo mais, às 19 horas, será realizado o nosso 2º sorteio, onde dois nomes serão sorteados e poderão escolher entre os livros Co-Dependência Nunca Mais, da Melody Beattie; Assuma o Controle da Sua Vida, da Melody Beattie; ou Meditações Diárias para Mulheres que Amam Demais, da Robin Norwood. Se você ainda não sabe como participar, clique aqui, e leia o Post 2º Sorteio. Boa sorte, amigos!

Ahhh, muita gente está reclamando que não está conseguindo postar comentários. Fico triste com isso, não sei o que está havendo! Caso não consigam enviar via comentário, enviem um e-mail para polyp.escritos@gmail.com, nas condições descritas no Post 2º Sorteio, ok?

Bom, queridos, falando um pouquinho do texto acima, é isso aí, eu sou responsável pela minha vida. Eu e somente eu. Por vezes, é muito cômodo termos um dependente químico em casa, sobre o qual jogamos todas as nossas frustrações, não é mesmo?

“Eu sou tão infeliz, mas, isso é porque sou casada com um adicto...”
“Estou endividada, graças ao meu adicto...”
“Estou doente, por causa do meu adicto...”
“Não cuido de mim, porque tenho que cuidar do meu adicto...”

E por aí vai...

Não temos o direito de jogar a nossa vida e felicidade sobre ninguém. Seja lá o que for que estivermos vivendo hoje, é fruto das nossas próprias escolhas. Assumir isso dói no início, mas, depois, nos dá uma enorme sensação de liberdade e poder... Que tal sermos responsáveis por nós mesmos(as) só por hoje?!!

Respondendo a alguns amigos, meu pé está bem melhor, graças a Deus! O tornozelo ainda está inchadinho, e o pé dói um pouquinho as vezes, mas, já estou livre da botinha.

Quanto à gravidez, está tudo ótimo... Bebezinho mexendo, barriguinha crescendo... Rumo à 18ª semana de gestação!

Obrigada pela preocupação e carinho! J

Fiquem com Deus! Muita serenidade, e até mais tarde!

Uhuuu, hoje nosso blog está fazendo cinco meses de vida!!!

“Tenho escolhas. Posso ser responsável por minhas ações e bem estar. Não sou obrigada a fazer pelos outros coisas que não queira ou que sejam nocivas para mim. Cuidar de mim não é egoísmo. Hoje posso escolher viver a minha vida, colocando primeiro Deus, depois eu mesma e, então, os outros.” (CEFE, pág. 232)

“Nosso foco mais importante, durante os tempos de estresse, é cuidar de nós mesmos. Assim, somos mais capazes de lidar com as circunstâncias difíceis. Somos mais capazes de nos relacionar com os outros, se cuidarmos de nós mesmos.” (Melody Beattie)

domingo, 16 de outubro de 2011

Deixar de lagartear, e virar borboleta!


Boa noite!

23h46min deste 15 de outubro de 2011.

Hoje não haverá meia-noite, pois, os relógios serão adiantados em uma hora, é o início do horário de verão.

Cai uma chuvinha maravilhosa lá fora, que me faz lembrar do cuidado de Deus constante sobre a minha vida, e sobre a sua.

Dezesseis dias que o meu esposo está internado. E estou feliz porque só por hoje ele está se tratando, está limpo, sereno e centrado em sua recuperação.

Se eu fosse definir esse dia em uma canção, certamente seria nessa:

Eu não sei de onde vem essa força que me leva pra você
Eu só sei que faz bem, mas confesso que no fundo eu duvidei
Tive medo, e em segredo, guardei o sentimento e me sufoquei
Mas agora, é a hora
Eu vou gritar pra todo mundo de uma vez
EU VERDADEIRAMENTE TE AMO!

Meus últimos dias foram confusos e repletos de medos e inseguranças. Acredito que faça parte do processo de adaptação dessa nova situação: a internação do meu esposo. Mas, agora estou em paz.

Hoje eu estive com ele. Foi dia de terapia familiar. Muito aprendizado...

Hoje acordei bem cedo. Estava ansiosa com o fato de revê-lo, após tantos dias (nunca ficamos tanto tempo sem contato). Esperei meu filho acordar, e juntos fomos ao supermercado comprar alguns itens para casa, e para levar ao meu esposo.

Às vezes parece que preparam uma trilha sonora por onde passo. Ao chegar no mercado, tocava “sem você... sem você... o silêncio dessas horas frias, são palavras que não sei dizer... Ainda amo você.” Lágrimas.

Voltamos para casa, após as comprinhas. Eu estava, de fato, ansiosa. Como se fosse o primeiro encontro.

Cheguei na Instituição por volta das 13h30min. E lá estava ele. Camisa gola pólo branca, bermuda social bege. Fisionomia tranqüila e saudável. Foi impossível segurar o meu coração, ele acelerou, e pareceu vir à boca.

Não houve aquele beijo apaixonado, nem aquele abraço de filme. Estávamos tensos. Não sabíamos o que se passava dentro um do outro, após tantos dias afastados, e principalmente, após tantas situações horríveis por sua adicção ativa, nos últimos momentos que tivemos juntos.

Sentamos e começamos a conversar sobre tudo.

E eu tive a certeza: eu o amo. Não é co-dependência (embora eu a tenha), não é doença, é amor puro e verdadeiro. E eu senti, olhando dentro dos seus olhos castanho-claros, às vezes verdes, que ele também me ama.

Às 14h começou a terapia com as famílias. Então as famílias foram para um grupo, e os residentes para outro.

Tantas histórias. Tantos rostos marcados pelo sofrimento. Éramos apenas três esposas, e a grande maioria eram mães. Muitas histórias me chamaram a atenção. Mas, dentre tantas histórias de co-dependentes doentes, que fazem verdadeiras loucuras por seus adictos amados, fiquei chocada com a história de uma mãe, de 74 anos de idade, cujo filho recaiu após 12 (doze!!!) anos limpo, e hoje está lá internado junto com meu esposo.

A Psicóloga é excelente, e abordou muitos pontos. Conforme eu for me lembrando, vou partilhando com vocês.

Aprendi que dizer que o meu amado é um dependente químico, é errado. Ele é um ser humano, e ele está dependente químico. Mas, ele como ser humano, tem o poder da decisão, e inclusive o poder de decidir deixar de estar dependente químico. Entendem? E se ele de fato quiser, ele pode!

Mais uma vez ouvi que a Dependência Química é uma doença crônica, como a diabetes ou a hipertensão. Doenças que não têm cura, mas, que têm controle, e requer cuidados por toda a vida. A grande diferença é que a diabetes ou a hipertensão não destrói famílias.

Uma das frases ditas foi: “a droga é o pior mal que há. Onde há a droga, nada, absolutamente nada nasce ou cresce, vemos somente destruição...”

Muito se falou em limites e em cuidarmos da nossa própria recuperação, enquanto eles permanecem ali.

A reunião terminou às 17 horas.

Depois, fizemos um lanche. E aproveitei para matar um pouco mais da saudade.

“Eu estou aprendendo que posso ser quem eu quiser ser.” Ele disse.
“E quem você quer ser, você sabe?” Perguntei-lhe.
“Quero ser um homem bom. Um bom esposo e um bom pai. Você acredita que eu possa ser?”
“Claro que acredito. Você mesmo acabou de me dizer que você pode ser quem quiser. E eu acredito nisso.”

Precisei vir embora às 17h30min, por causa do meu filhinho que havia ficado em casa, com a “tia” que cuida dele na escolinha.

Mas, nesse pouco tempo juntos, me senti leve novamente. Percebi que eu estava sem fé e sem esperança, e por isso me sentia tão mal. Hoje, só por hoje, posso dizer que estou acreditando novamente!

Um abraço apertado. Um beijo.

“Te amo, amor, cuide-se.”
“Te amo, fica com Deus.”


“... Saiba que você é muito especial e querida por várias pessoas, principalmente por DEUS... Sei do que você está passando, seu marido também... não gosto de falar muito nessa parte, porque sei que é doloroso para ambas as partes... mas, como dependente, te digo que não queríamos ser assim... fazer as pessoas que nos amam e amamos sofrer... aqui é meu marido quem passa um pouco do que você passa... sei que não é fácil lidar com isso... posso dizer também que ele precisa muito de você e que o que ele mais precisa você tem: O AMOR... só ele junto com DEUS, nos ajuda e salva de várias coisas...” (e-mail recebido de Wilza)


“Hoje ainda é difícil eu dar o primeiro passo, eu decidir me mudar. Só o Poder Superior sabe o quanto foi difícil as decisões que eu tomei, que decidi que começasse por mim, mas valeu a pena, valeu para eu aprender também que eu não posso mudar o outro, e que se algo ou alguém me incomoda tanto, talvez:
Que comece por mim as mudanças necessárias para minha felicidade.
Que comece por mim a aceitação do que é, e de como é
Que comece por mim a decisão de ser feliz
Que comece por mim o trabalho de recuperação de mim mesmo
Que comece por mim... deixar de lagartear por aí e virar borboleta! “ (e-mail recebido de Simone).


“...É do seu conhecimento de que DQ é uma doença, certo? É do seu conhecimento de que seu esposo está doente, certo? Então, ajudá-lo, apoiá-lo, estar disposta a ser útil ao próximo é um dom que poucas pessoas têm, sabia? Muitas vezes a gente só olha o lado da codependência, em si...mas esquecemos que, de certa forma, quando vivemos em função de ajudar o próximo, estamos sendo útil em nossa Missão aqui na terra. Logicamente que a codependência nos tira esse direito, pois ficamos não vivendo ajudando ao próximo, mas sim sendo vítimas do próximo. Porém, se estamos nos doando para ajudar na melhora do estado de saúde de alguém, estamos cumprindo o que O PODER SUPERIOR nos pede. O ajudar ao próximo deve ser uma qualidade do Servo.
"Quem despreza ao seu próprio próximo está pecando, mas feliz é aquele que mostra favor aos atribulados." - Provérbios 14:21” (e-mail recebido do Junior).


Amando uma Co-dependente

“Quem tem ódio de si mesmo, na verdade, só odeia os pensamentos que tem a seu próprio respeito. Só isso. Em geral, tal fato acontece porque a pessoa não teve uma infância muito feliz, não se sentiu valorizada ou tem um nível de exigência impossível de ser satisfeito.” (Louisse Hay)

Estou muito feliz e grato por você estar aqui comigo. Nestes dias não me senti só porque sei que Deus está aqui comigo, e Ele cuida de mim... de nós.

Esta foi a decisão mais correta que tomei neste ano, pedir ajuda e transformar minha vida. Estou cuidando de mim, e o objetivo aqui é me descobrir e deixar-me ser transformado... Eu quero!

Estou gostando do tratamento e me rendo, para aí sim poder ser ajudado.

“Mude, mas comece devagar, porque a direção é mais importante que a velocidade.”

Sinto falta de ti, minha macaquinha. Estou me trabalhando (árduo, lento e dolorido) para me perdoar. Porém, não aceito mais ressentimentos quanto a nós dois. Só por hoje, nos estão reservados momentos futuros para nos cuidarmos e curarmos as feridas em nosso casamento.

Espero que estejas disposta e que ainda me ame para isso. Eu creio que Deus tem um envelhecer juntos de paz e serenidade em nosso lar. Te amo e sempre te amei. Vou cuidar de mim para estar sempre ao teu lado. Não me esqueça. Mas, cuide-se também. Você também adoeceu... cuide-se. Sare suas seqüelas espirituais.

Cuide dos nossos pimpolhos, estou sempre orando por nós.

Só por hoje! 24 horas!” (carta recebida do meu esposo hoje)


O amor não é um sentimento, é uma decisão. E eu decidi amá-lo! Esse amor me faz ser uma pessoa melhor, e me faz acreditar que é sim possível!

Beijos no coração de vocês, e muita serenidade!


Faltam apenas dois dias para o nosso 2º sorteio do Blog Amando um Dependente Químico. Participe e concorra a livros que mudarão sua vida! Clique aqui!

segunda-feira, 3 de outubro de 2011

O que importa é o final!

Embora quase todas as famílias tenha algum dependente químico, seja de drogas ilícitas, álcool, cigarro ou medicamentos, a dependência química ainda é vista com muito preconceito por ser uma questão cercada de valores e conceitos morais.

Internar um canceroso ou um diabético é digno de compaixão alheia e de apoio, mas, a internação de um adicto não é vista com os mesmos olhos, e não precisamos esperar o mesmo apoio e carinho de terceiros.

O usuário de drogas deveria ser visto como alguém que necessita de ajuda, mas, a sociedade, e muitas vezes a própria família, encara o consumo de drogas pelo viés da repressão e “demoniza” a pessoa que precisa de acolhimento.

Grávida de quatro meses, um filho pequeno, e meu esposo internado. Entretanto, como a doença em questão é a dependência química, não existiram visitas nem telefonemas de conforto, embora os meus familiares mais próximos e os dele já tenham sido avisados.

Ontem, domingo, chuva caindo à tardinha, claro que bate a saudade, a solidão e uma ponta de tristeza, mas, tudo isso é necessário, e o que me conforta é saber que ele está bem, e vai ficar melhor.

Eu, sinceramente, prefiro acreditar. Opto pela esperança de dias melhores e pela certeza de sua recuperação.

Vasculhando a minha caixa, vi que ainda tinha o primeiro e-mail que eu o enviei, em 17/07/2006, e acho que tem tudo a ver com o que estamos vivendo agora, mais de cinco anos depois:

“Um homem estava lendo um livro. Enquanto ele progredia na leitura, ficava cada vez mais contrariado porque o vilão sempre derrotava o mocinho. Ele decidiu pular para o fim do livro e ler os últimos parágrafos para saber como terminava a luta entre os dois adversários. Para seu deleite, o livro terminava com a vitória do mocinho. Ele voltou à página onde tinha parado e continuou lendo. Toda vez que o vilão derrotava o mocinho ele sorria para si mesmo e dizia: "Ah, se você soubesse o que eu sei!” Por quê? Porque ele conhecia o final, nenhuma aparente derrota do mocinho o deixava triste. A alegria substituiu sua tensão inicial, apesar dos revezes.


Se tudo parece ir mal, se o inimigo parece estar vencendo, lembre-se que o final da história está escrito, e nele o mocinho vence!”


Eu queria poder ler o último capítulo dessa história. Mas, não posso. Entretanto, posso crer, posso acreditar com todas as minhas forças que vai dar tudo certo. E só assim será mais fácil e mais leve viver o “só por hoje”.

Uma certeza eu tenho: "Todas as coisas contribuem para o bem daqueles que amam a Deus".


Então o melhor a fazer é descansar e confiar em Deus, e relaxar tipo o bebezinho da foto...