sexta-feira, 16 de setembro de 2011

Sem esperar nada em troca!


Já voltei... Não vivo sem vocês... Rs.

16 de setembro de 2011.

05h 54min. O dia está quase clareando.

Nove dias que o maridão está limpo, e desta vez, posso dizer que ele está levando a sério sua recuperação.

Suas idas ao CAPs estão sendo muito produtivas. Psiquiatra, Psicóloga, Assistente Social, cada um ajuda em determinado aspecto da doença.

Para quem não sabe, o CAPs  AD – Centro de Apoio Psicossocial para Usuários de Álcool e Drogas é um serviço prestado pelo governo, gratuito, que tem por objetivo dar suporte terapêutico aos dependentes químicos e seus familiares. O trabalho é desenvolvido por uma equipe multiprofissional e interdisciplinar (Psiquiatra, Clinico Geral, Farmacêutico, Enfermeiro, Psicólogo, Assistente Social, Terapeuta Ocupacional e Técnicos de Enfermagem). Aqui no DF tem 12 CAPs, e desses, 05 atendem dependentes químicos. Onde meu marido está fazendo o seu acompanhamento, no centro de Brasília, o atendimento é 24 horas por dia.

Não importa o caminho escolhido, o importante mesmo é que eles caminhem por sua recuperação, não é mesmo? Fica a dica.

Ontem ele chegou por volta de 20 horas em casa. Trouxe chocolates para o pequeno, estava muito sereno. Eu que não estava bem.

Como alguns sabem, perdi o cargo que ocupei desde janeiro, e isso não significa apenas uma perda de 25% do salário, mas também, uma luta dentro de mim para convencer-me que dei o meu melhor e que sou competente no que faço. Estou me sentindo muito por baixo, entendem? Tipo, o cocô do cavalo do bandido.

É estranho porque desde o início, quem acompanha o Blog, me via falando do meu trabalho com enorme satisfação, era uma área que me servia como terapia quando as coisas em casa andavam mal, porque gosto do que faço, e por isso tento fazer da melhor forma possível. E agora, quando as coisas por lá andam mal, me sinto meio perdida.

Então, quando meu esposo chegou em casa, eu estava deitada. O choro foi inevitável quando o vi. Estava precisando de um abraço. De alguém que me dissesse que vai ficar tudo bem. De ouvir alguém dizendo que sou uma boa profissional e que o que houve não afeta em nada a minha qualificação.

E ele fez isso. Conversou comigo por um bom tempo. Deu-me carinho e atenção. Me fez ter esperança. Cedeu-me o seu ombro e o calor do seu abraço. Fez-me ver que não posso manter-me no estado em que estou, pois só vai fazer mal ao bebê.

Enfim, ele fez toda a diferença. E percebi o quanto a recuperação desperta esse homem bom e o traz novamente à vida!

Ele não foi ao NA como havia programado, e dessa vez a culpa foi minha... Ele não foi para ficar comigo, e eu aceitei. Estava mesmo precisando.

Por um lado estou até feliz, porque há muito tempo minhas tristezas não eram por mim mesma, mas, sempre focadas no meu amado, e desta vez, é por um motivo só meu... Recuperação? Nem tanto.

No fundo, o que me tem feito sofrer mais é a necessidade de reconhecimento dos outros (característica fortíssima em um co-dependente). Muitas vezes nosso empenho em ser reconhecido (em qualquer área, inclusive com nosso amado adicto) pode acabar gerando repulsa nos outros.

Por isso, o importante mesmo é amar com o melhor amor, trabalhar da melhor forma possível, fazer o bem, educar os filhos com a melhor educação, enfim, viver dando o seu melhor, pela simples satisfação de fazê-lo, somente pelo prazer de se doar, sem esperar nada em troca.

Assim somos muito mais felizes.

O maior exemplo de doação nos foi dado, não é mesmo? Jesus Cristo!

Ah, Senhor, ainda tenho tanto a aprender!

6 comentários:

  1. Que bom polly o seu esposo quer encontrar o caminho da recuperação..
    Quanto ao seu trabalho.. haa nãoo polly para aí ta amiga.. aff uma mulher dessa que escreve divinamente bem (eu acho) como pode pensar que não faz um bom trabalho, que não é reconhecida? haa não.. meu Deus do céu.. aqui no blog você "fecha" (como diz o ditado, rsrs) imagina no trabalho...
    Fica bem amiga e como você mesma disse fazemos algo sem esperar nada em troca!
    bjus saudades.

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  2. Polly?

    TE

    AMO

    ASSIM

    INCONDICIONALMENTE

    DESSE

    JEITINHO

    ASSIM

    COMO

    VOCÊ

    É!!!!

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  3. Poly, por acaso descobri seu blog e estou apaixonada pela seua clareza de sentimentos. Qunado leio o que vc escreve, juro que me vejo em você.
    São tantas semelhanças de sentimentos. Sou casada com um adicto. E estou com ele pela mesmas razão imensa que te faz estar com o seu marido, o amor.
    Vi também que vc mora no DF, também sou daqui, já frequentei Nar-Anon, psicólogos, igreja, outros grupos relacionados, enfim, busquei a minha serenidade.
    Hoje posso me considerar uma co-dependente vencedora. Meu marido está em recuperação porém já aconteceram recaídas, hoje eu verdadeiramente sofro muito menos. Consigo me concentrar no trabalho como se nada estivesse acontecendo quanele recai, durmo a noite toda, enfim, minha vida pouco muda quando ele recai.
    Na verdade quando somos casadas com adictos o único dia que importa é o de hoje, deixei de tentar prever e controlar o futuro.

    Enquanto meu amado adicto quiser recuperação estamos juntos mas mesmo sem o poder de escolher que eles perdem devido a dependência de drogas, acredito ainda que a decisão de viver na adicção ativa é dele e caso ele considere essa hipotese eu me trabalho diariamente para deixá-lo.
    Sabe, li tambpem sobre o preço que pagamos quando vivemos com um adicto. É de fato o preço é alto, as felicidades também são muitas pois caso contrário eu já teria desistido. Sabe o pensamento que me vem a cabeça frequentemente? não consigo acreditar que um ser humano tão maravilhoso irá perder pra droga.
    Seu blog me inspirou a começar um também. Tenho pensamentos que quero dividir, depois de um momento de pânico inicial eu conseui tomar as rédeas da minha vida. Voltei ao mercado e tenho uma vida maravilhosa, mesmo vivendo com um adicto. Consegui alcançar o desligamento com amor, e isso não tem preço.

    Seus relatos são lindo e você ganhou mais uma fã.

    Lua

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    1. Olá. Desligamento emocional, parece ficção. Estou nessa tormenta a pouco tempo. Muito confusa e perdida. Preciso entender tanta coisa. Vc pode me ajudar? 91 993685024

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  4. Poly, deculpe os erros do comentário anterior, não revisei e seguiu assim mesmo. Espero que apesar deles eu tenha conseguido te passar alguma coisa. Beijos, Lua.

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  5. Poly...lembre-se que és uma guerreira e que tens vencido as mais difíceis batalhas. Lembre-se que este fato de não está mais no mesmo encargo não é tudo e pode (como deve) não ser levado como um fato que faça diferença, pois nada poderia fazer-nos bem a não ser nós mesmos como nossas próprias vontades, independente da situação ou dos fatos que nos advém!
    Veja como suas palavras aqui, mesmo quando postas fragilidade, ainda assim, consegues levantar o astral e auto-estima das pessoas que seguem seu blog! Veja como sua história de superação é capaz de fazer as pessoas mudem de atitude e continuem lutando, independente da situação! Veja como as coisas já estiveram bem pior e hoje estão retornando a normalidade! Certamente as coisas irão voltar a ser como vc gostaria que fossem, mas, o que importa, só por hoje, é que temos a compreensão de que elas são do jeito que O PODER SUPERIOR quer que seja. Afinal, "SEJA FEITA A SUA VONTADE, NÃO A MINHA!".

    Quanto a nossa amiga Lua...TAMUJUNTU, amiga!
    É nós na fita!
    Sua história só vem fortalecer nossa luta!

    Abração, amigas!
    TAMUJUNTU.

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