quarta-feira, 28 de setembro de 2011

Tudo de novo!


“... e viveram felizes para sempre...”

Quantas vezes ouvi histórias que terminavam assim, e me colocava a sonhar. Sempre fui tão romântica e sonhadora. Sempre acreditei no amor verdadeiro e na felicidade.

Mas, a realidade é tão diferente. É tão menos colorida.

Eu não soube o que era ter um pai de verdade. Ele nunca foi à minha escola. Nunca me ligava. Nunca se preocupou comigo ou com minha irmã. Lembro-me de suas brincadeiras conosco, quando viajávamos para a casa da minha avó (onde ele morava), nas férias. E só. Ali terminava o seu papel de pai.

Ele não se importava se tínhamos o que comer ou o que vestir. Ele não se importava se estávamos bem. Ele não se importava com nada.

Não que ele fosse um homem mau. Pelo contrário, ele era dócil e bom. Mas, sua única preocupação era em drogar-se. E assim, um dia, ele se foi. Overdose de drogas injetáveis, e ficamos eu, aos 16, e minha irmã aos 19, sem o nosso pai. Mas, na verdade, nós nunca o tivemos.

E agora, eis que tudo se repete. Meu marido é bom, é bonito, educado. Mas, ele não se importa comigo, nem com nossos filhos. Essa é a realidade. Não se importa com o nosso bem-estar. Não se importa com nada que não seja o prazer que a cocaína pode lhe proporcionar. Dói demais viver tudo isso novamente.

É como se eu tentasse dizer: “Droga, dessa vez eu vou vencer!”

Mas, não é assim que as coisas funcionam. Estou perdendo outra vez.

Hoje meu esposo me ligou várias vezes durante o dia. Ele estava de folga e ficou em casa. Disse que não era necessário que eu trancasse as portas e portões, pois, ele estava bem e centrado. Em suas ligações, ele me relatava o que estava fazendo (tarefas domésticas), e eu em minha correria, não percebi nada de anormal.

Eu passei o dia confiante de que estava tudo bem. Fui trabalhar de carro para chegar mais cedo em casa, e cheguei. Adentrei o portão. As janelas estavam abertas. O chamei pela janela: “Amorrr, amorrr”.

Vazio. Silêncio. Dor.

A casa estava na mais completa desordem. Tudo o que ele relatou que estava fazendo era mentira. Eu não consegui entrar. Agarrei-me às grades da janela, e ali mesmo chorei. “Meu Deus, não pode ser, não pode ser...”

Chorei de dor, uma dor que parece corroer tudo por dentro. Chorei de raiva de mim mesma, por acreditar. Chorei por perceber que minha vida está muito longe do que sonhei. Chorei por ver que mais uma vez estou perdendo alguém a quem amo para as drogas.

Preciso organizar meus pensamentos e sentimentos. Tá tudo fora do lugar em mim. E há um ser inocente aqui dentro sendo gerado. E outros dois seres inocentes que precisam de mim. Preciso de serenidade, preciso colocar um basta nisso.

Orem por mim, por favor.

terça-feira, 20 de setembro de 2011

2º Sorteio!



Chegou a hora de comemorar os quatro meses do nosso Blog!

Se você tem interesse em receber na sua casa, sem custo nenhum, os livros:

Co-Dependência Nunca Mais, da Melody Beattie

Assuma o Controle da Sua Vida, da Melody Beattie,

ou Meditações Diárias para Mulheres que Amam Demais, da Robin Norwood

(são três livros maravilhosos e que, com certeza, ajudarão alguém na caminhada de sua recuperação contra a co-dependência),

...basta participar do segundo sorteio do Blog Amando um Dependente Químico!


Para participar:

Envie um comentário para este post 2º Sorteio, relatando sucintamente sua experiência com a co-dependência ou com a adicção, ou ainda com este blog ADQ.
Atenção: para participar não valem comentários em outros posts.

Não existe limite de participação. Quanto mais comentários enviar, mais chance terá de ganhar.

Se o seu comentário for enviado como “anônimo” você deve incluir seu nome ou pseudônimo a fim de identificá-lo no sorteio. Não terão validade os comentários não identificados.

O sorteio será realizado no dia 18 de outubro de 2011, às 19 horas. O seu resultado será divulgado até às 23:59 horas do mesmo dia da realização.

Serão sorteados dois nomes, e os ganhadores poderão escolher um dos livros acima citados, para a premiação.

Os nomes dos ganhadores serão divulgados no Blog e os mesmos deverão encaminhar o título do livro escolhido e o seu endereço completo para o e-mail polyp.escritos@gmail.com , após a divulgação do resultado.

O livro será enviado, via correio, por correspondência registrada.

Participem! Esse Blog é de todos nós!


Serenidade, SÓ POR HOJE!

domingo, 18 de setembro de 2011

Quatro meses!

Há exatos quatros meses atrás eu me sentava nesta mesma cadeira. Sentia uma dor aguda no peito e uma necessidade de expor o meu amor, a minha esperança e também o meu sofrimento.

Até então, eu me via como uma carta fora do baralho, um peixe fora d’água, meio desconexa do mundo ao meu redor. Os amigos mais próximos me consolavam quando eu necessitava, mas infelizmente eles não conseguiam entender com plenitude o que é amar um dependente químico. É tipo uma freira consolando alguém com dores de parto, entendem?

Meu esposo havia recaído no dia anterior. A dor não cabia em mim. E se por um lado, eu pensava que ninguém nesse mundo seria capaz de me entender ou de sentir o que se passava dentro de mim, por outro, eu sabia que havia sim, em algum lugar, uma multidão de outras pessoas que carregavam consigo essa mesma história de amor, de luta, de esperança e de perseverança.

Naquele 18 de maio de 2011, sentada nesta cadeira, eu chorava. Pesquisava no Google palavras como: co-dependência, amar dependente químico, esposa de adicto e coisas afins. Mas, só encontrei sites teóricos, e a teoria eu já sabia de cor e salteado. Eu precisava partilhar e ouvir partilhas, precisava de pessoas que me compreendessem e não me julgassem, eu precisava encontrar vocês.

Enxuguei as lágrimas, e meio sem saber como um blog funcionava (e até hoje não sei direito), comecei a digitar as seguintes palavras: São seis horas da manhã, desta quarta-feira, dia 18 de maio de 2011. Hoje decidi criar esse blog pra registrar o que estou sentindo, na certeza que muitas outras esposas (ou maridos), pais, mães, irmãos e outros familiares ou amigos de dependentes químicos sentem o mesmo que eu...”

Eu não tinha idéia do que esse blog me proporcionaria. Logo no início encontrei o Blog da Giulli e me encantei, embora ela não seja casada com um adicto, já namorou um, e conheceu a co-dependência. Em seguida, encontrei blogs de adictos em recuperação SÓ POR HOJE, e do Jorge Alberto, por meio do qual me foi possível compreender mais o meu esposo. Depois, conheci o da Cicie, uma co-dependente em recuperação também. Me senti tão a vontade com cada um de vocês. Aqui não preciso “sorrir para a foto” ou dizer que está tudo bem, se não estiver, e todos me compreenderão.

Aqui eu posso dizer que tenho esperança na recuperação do meu esposo, e ninguém me julgará insana por isso, porque todos partilhamos da mesma esperança. Senti pessoas do Brasil inteiro me estendendo suas mãos e o seu carinho.

O melhor estava por vir. Várias mulheres que se julgavam fracas e cansadas, uniram-se a nós, e hoje têm seus próprios blogs que servem de ajuda a outras mulheres, e são exemplos de força. Dentre elas posso citar a Mari, a Gaby e a Jé. Hoje sei que posso passar uma semana sem postar nada, que os leitores terão várias outras fontes para se fortalecerem, pois agora somos uma rede!

Estou muito feliz. A mensagem está sendo levada!

Ainda hoje recebo mensagens, principalmente de esposas e namoradas de dependentes químicos, que aqui encontraram refúgio, um cantinho, um abrigo.

Aqui busco passar adiante o que um dia recebi no grupo familiar Nar-Anon e em outras literaturas. Tento falar sobre a co-dependência e do mal que ela faz, pois, sei que muitos sofrem com as insanidades causadas por ela, sem ao menos saberem quem ela é, como foi o meu caso, durante dois anos.

São tantos nomes, e eu gostaria de citar um por um, será que consigo? Tentarei...

Adilson Garbi, Adriana, Alexandre, Aline, Amandio Teixeira, André Luis, Angell, Andrea Maria, Andréia, Antônia, Ariele, Bárbara, Bruno Cidade, Camila, Camila Brito, Camila Santos, Carine, Carla, Chega de Sofrer, Cicie, Cinthia, Darléa Zacharias, Dayla, Denise, Deia, Dione, Érica, Érica Rezende, Espírita Cientista, Estacionada, Estrela.p, “Eu”, Evelyn, Ex-dependente químico, Fabiana, Fábio, Fake-Gineco, Felipe, Fernanda, Flávia (G. em recuperação), Filipa Serôdio, Flávia Amorim, Gaby, Gabriel, Gatamarrylua, Gerlândia, Gibran Luis, Giulli, Giselli, Higor, Ingrid, Isabela Deschamps, Isabelle, Ivete, Jann, Janaina Cequine, Janete, Jaque, Jaqueline, JB, Jé, Jésica Gonçalves, Jorge Alberto, Josi, Josiane, Josimara, Junior (Adicto em Recuperação), Kayana Luz, Kate Middleton, Kretli, Lalá Soares, Ledinha, Lili, Kátia (mulher que ora), Leda Dutra, Leka, Leyla, Lilian (Lika-Bia), Lineker – Bauru, Lívia, Lua, Luana, Luana Perez, Luiz, Márcia, Margarete Alkimim, Maria Cristina, Mariana Lira, Maurício, Michelly, Misael Barboza, Nanda, Natan, Noélia, “P”, Petescadas, Patrícia, Poeta, Psicóloga, Rafaela, Raquel, Raquel Lessa, Renata, Rosane Aparecida, Sandra, Samukana Guimarães, S.Esperança Sempre, Selmara, Sem Máscaras, Silvia, sml, SPH, Suely, Sueli Luzz, Sulei, Thaís, Tamo Junto, Tininha (parceira desde o início!), “.”, Vavaa, Vera Maria, Viviane F., Walkiria...

Muito obrigada a todos vocês, pelos comentários enviados, pelas mensagens via e-mail, facebook ou orkut, ou simplesmente por seguirem esse blog. Sei que por trás de cada um desses 122 nomes, existem 122 histórias de vida, agradeço de coração por me permitirem, de alguma forma, participar delas. Por favor, me perdoem, se esqueci de alguém, afinal, a família está enorme!

O meu muito obrigada ainda aos incontáveis anônimos que passam por aqui diariamente, que sabem o que é amar um dependente químico, ou que simplesmente torcem pela recuperação do meu esposo e por um final feliz para a nossa história de amor.

Todos juntos, trouxeram esses lindos números, em apenas quatro meses:

166 postagens

841 comentários

18.216 acessos!!!, sendo: 17.256 no Brasil, 701 nos Estados Unidos, 129 na Alemanha, 20 no Reino Unido, 18 na Holanda, 17 em Portugal, 05 na Índia, 03 na Dinamarca, 03 na França e 03 no Japão!!! Uhuuu, estamos juntos!!!

E de mãos dadas vamos prosseguindo, um dia de cada vez, na certeza que juntos somos mais fortes!

Quando o nosso Blog completou um mês, foi feito um sorteio, se lembram? Os ganhadores foram a Bárbara, a Tininha e o Jorge Alberto, e foi uma delícia enviar os prêmios às casas desses companheiros. Me fez muito bem, e espero que o livro, livretes e folhetos lhes tenham sido úteis em suas recuperações.

Agora quero repetir a dose. O que acham?

Amanhã postarei o que é necessário fazer para participar do 2º sorteio do Blog ADQ, e concorrer a três livros maravilhosos: Co-Dependência Nunca Mais (Melody Beattie), Assuma o Controle da Sua Vida (Melody Beattie), e Meditações Diárias para Mulheres que Amam Demais (Robin Norwood).

É a forma que encontrei de tentar recompensá-los pelo grande bem que me fazem. Conto com a participação de todos, e tenho certeza que esses livros poderão lhes ajudar demais, como ajudaram e ajudam a mim.

Muita serenidade, só por hoje!

Grande abraço cheio de gratidão e amor! Até amanhã!


sexta-feira, 16 de setembro de 2011

Sem esperar nada em troca!


Já voltei... Não vivo sem vocês... Rs.

16 de setembro de 2011.

05h 54min. O dia está quase clareando.

Nove dias que o maridão está limpo, e desta vez, posso dizer que ele está levando a sério sua recuperação.

Suas idas ao CAPs estão sendo muito produtivas. Psiquiatra, Psicóloga, Assistente Social, cada um ajuda em determinado aspecto da doença.

Para quem não sabe, o CAPs  AD – Centro de Apoio Psicossocial para Usuários de Álcool e Drogas é um serviço prestado pelo governo, gratuito, que tem por objetivo dar suporte terapêutico aos dependentes químicos e seus familiares. O trabalho é desenvolvido por uma equipe multiprofissional e interdisciplinar (Psiquiatra, Clinico Geral, Farmacêutico, Enfermeiro, Psicólogo, Assistente Social, Terapeuta Ocupacional e Técnicos de Enfermagem). Aqui no DF tem 12 CAPs, e desses, 05 atendem dependentes químicos. Onde meu marido está fazendo o seu acompanhamento, no centro de Brasília, o atendimento é 24 horas por dia.

Não importa o caminho escolhido, o importante mesmo é que eles caminhem por sua recuperação, não é mesmo? Fica a dica.

Ontem ele chegou por volta de 20 horas em casa. Trouxe chocolates para o pequeno, estava muito sereno. Eu que não estava bem.

Como alguns sabem, perdi o cargo que ocupei desde janeiro, e isso não significa apenas uma perda de 25% do salário, mas também, uma luta dentro de mim para convencer-me que dei o meu melhor e que sou competente no que faço. Estou me sentindo muito por baixo, entendem? Tipo, o cocô do cavalo do bandido.

É estranho porque desde o início, quem acompanha o Blog, me via falando do meu trabalho com enorme satisfação, era uma área que me servia como terapia quando as coisas em casa andavam mal, porque gosto do que faço, e por isso tento fazer da melhor forma possível. E agora, quando as coisas por lá andam mal, me sinto meio perdida.

Então, quando meu esposo chegou em casa, eu estava deitada. O choro foi inevitável quando o vi. Estava precisando de um abraço. De alguém que me dissesse que vai ficar tudo bem. De ouvir alguém dizendo que sou uma boa profissional e que o que houve não afeta em nada a minha qualificação.

E ele fez isso. Conversou comigo por um bom tempo. Deu-me carinho e atenção. Me fez ter esperança. Cedeu-me o seu ombro e o calor do seu abraço. Fez-me ver que não posso manter-me no estado em que estou, pois só vai fazer mal ao bebê.

Enfim, ele fez toda a diferença. E percebi o quanto a recuperação desperta esse homem bom e o traz novamente à vida!

Ele não foi ao NA como havia programado, e dessa vez a culpa foi minha... Ele não foi para ficar comigo, e eu aceitei. Estava mesmo precisando.

Por um lado estou até feliz, porque há muito tempo minhas tristezas não eram por mim mesma, mas, sempre focadas no meu amado, e desta vez, é por um motivo só meu... Recuperação? Nem tanto.

No fundo, o que me tem feito sofrer mais é a necessidade de reconhecimento dos outros (característica fortíssima em um co-dependente). Muitas vezes nosso empenho em ser reconhecido (em qualquer área, inclusive com nosso amado adicto) pode acabar gerando repulsa nos outros.

Por isso, o importante mesmo é amar com o melhor amor, trabalhar da melhor forma possível, fazer o bem, educar os filhos com a melhor educação, enfim, viver dando o seu melhor, pela simples satisfação de fazê-lo, somente pelo prazer de se doar, sem esperar nada em troca.

Assim somos muito mais felizes.

O maior exemplo de doação nos foi dado, não é mesmo? Jesus Cristo!

Ah, Senhor, ainda tenho tanto a aprender!

quinta-feira, 15 de setembro de 2011

Notícias

15 de setembro de 2011.

18h 34min.

Oito dias que meu esposo está limpo.

Ontem ele foi ao CAPs e hoje irá ao NA após o trabalho. Ou seja, graças a Deus, ele está caminhando em sua própria recuperação, e isso me deixa muito feliz.

Amigos, tenho passado por um momento muito difícil na área profissional e financeira, e confesso que não estou com cabeça nem mesmo para postar aqui no Blog, desculpem-me.

Além disso, sábado terei cinco provas (as finais) da Pós... Assim que a poeira baixar, eu volto.

Continuamos juntos, ok?!

Força, fé e esperança, sempre!

E muita serenidade... Só por hoje!

quarta-feira, 7 de setembro de 2011

Em que mãos está a minha felicidade?



Bom dia, amigos!

Hoje é dia 07 de setembro de 2011. Feriado. Dia da independência! Agora são 06h24min.

Ainda estou pensando o que farei nesse dia, afinal, só cabe a mim fazer dele um dia leve e feliz, e aproveitá-lo.

Gostaria de deixar aqui um comentário que recebi ontem. E aproveito para agradecer pela participação de todos, o que enriquece demais essas páginas. Esse comentário falou de algo que eu já tinha em meu coração para escrever. Vejam.

“Olá Poly! Encontrei seu blog num momento de desespero que coloquei a seguinte frase no Google "namoro um dependente químico mas desisti", isso mesmo, eu estou querendo desistir como já quis diversas vezes mas nunca consigo porque ele sempre me vem com promessas e eu por amar finjo pra mim mesma que acredito! Sempre me vem na cabeça "agora vai!" mesmo sabendo que ele nunca cumpre o que promete! Hoje é um dia daqueles que estou pensando comigo mesma "minha vida vai ser muito melhor sem ele daqui pra frente" porque estamos em véspera de feriado, combinamos de dormir juntos na casa dele com meu filho e ele resolveu usar, estragou tudo, e ainda o vi por acaso na rua com aquela cara de drogado... eu não sei o que fazer, porque ainda o amo, porque ele não me ama o bastante pra sair dessa... será que o problema está mesmo comigo?? Meu filho não é dele, mas ele diz que o ama tanto, esse amor naum é o suficiente pra ele querer casar, ter nossos próprios filhos??? Me identifiquei muito com esse blog, mas não acredito que eu seja forte como vocês pra viver com isso durante anos... estou com ele há 1 ano e meio mas fazem só 6 meses que ele me falou a vida que levava, a nossa vida era de mentiras até então.Vou continuar acompanhando e desabafando por aqui, porque na verdade não sei nem com quem contar porque minha família não sabe e meus amigos não entenderiam o porque ainda estou com ele... Obrigada mulher guerreira por essa oportunidade!”

Amigos, quem de nós não se identifica com essas palavras? Desespero, promessas, acreditar, “pensar que agora vai”, recaída, decepção, desilusão... Elas fazem parte desse ciclo que envolve o adicto e nós, que convivemos com ele e que o amamos.

Gostaria de deixar bem claro a todos que não sou favorável a esse tipo de vida. Ela traz muita dor, principalmente a nós, que encaramos tudo de “cara limpa” e que acabamos arcando com as conseqüências dos atos insanos dos dependentes químicos na ativa.

Sou a favor sim, do amor. E muitas vezes por amarmos, não conseguimos sair desse ciclo doentio. E enquanto não temos a convicção que sair disso é o melhor, ou enquanto não temos forças para isso, talvez por ainda haver esperança de que tudo possa ser diferente, tento mostrar aqui no blog que nesse meio tempo, também há vida, e que precisamos ser felizes, ainda que em meio ao sofrimento (adicção de quem amamos).

Confesso que ao acompanhar vários outros blogs, tenho minha opinião pessoal. E muitas vezes minha opinião é “se eu pudesse, eu diria para ela deixá-lo e seguir sua própria vida, sem drogas, sem adictos, afinal, ela é tão jovem ainda, e tem a vida toda pela frente, cheia de escolhas...” Mas, eu sei que essa decisão só cabe a essas jovens, e não a mim. Eu já tive a minha chance de escolher um dia...

Ser casada com um adicto há cinco anos não é mérito. Se ainda me mantenho com ele, é porque acho que vale a pena, e ainda acredito em sua recuperação. Mas, a partir do momento que ele me mostrar que não quer se separar das drogas, não terei mais o que fazer aqui ao seu lado. Viver com um adicto na ativa não é vida, vocês sabem disso. É muito sofrimento e dor.

Na verdade, admiro muito mais a Giulli e a Cicie que foram fortes o suficiente para deixarem seus amados dependentes químicos e seguirem adiante com suas vidas, por seus exemplos de força e coragem. Quanto a mim, não sei se sou um exemplo de força e coragem. Sou apenas alguém que ama e sonha demais, e por vezes sou muito penalizada por isso.

É preciso ter os pés no chão e a cabeça na lua. Eu tenho tudo na lua. Isso não é bom.

Meu ultimo post aqui foi Dias de Calmaria, escrito no dia primeiro deste mês. No dia 02, as coisas já haviam mudado novamente. São os altos e baixos do dependente químico (altamente bipolar!).

Refletindo sobre minha vida neste último mês e relendo alguns posts, pude ver o quanto ainda estou ligada ao meu amado adicto. Se ele está bem, estou bem. Se ele está mal, estou mal. Daí me sinto como se estivesse agarrada ao seu “carrinho da montanha russa”.

No dia 04, eu estava pensando sobre isso, daí fiz um gráfico da minha “felicidade” no ultimo mês.

Se eu falar da minha vida individual, posso dizer que em meu trabalho está tudo muito bem, tenho desempenhado bem minhas atividades e logrado reconhecimento por isso; minha Monografia da conclusão da Pós está sendo feita com muito carinho e estou gostando do resultado; meus filhos estão saudáveis, são inteligentes, e a cada dia estão mais lindos; minha barriguinha está começando a aparecer, estou entrando no terceiro mês de gravidez, e está tudo bem com a gente. Posso dizer que hoje, a única coisa que me aflige é a vida financeira, tenho muitos empréstimos (conseqüência da co-dependência), mas, no mais, está tudo perfeito.

Entretanto, porque meu “gráfico de felicidade” apresenta-se tão instável?

Simples: quando ele recai, quando ele não quer buscar ajuda, quando ele demonstra sinais de uma provável recaída, eu me permito ser atingida por isso, e o resultado é que me sinto infeliz. Por outro lado, quando vejo sinais de recuperação nele, me sinto “nas nuvens”. Vejam o gráfico (coisa de Contador... hehe).

Agora eu me pergunto: é justo colocarmos nossa felicidade e nossa vida nas mãos de outra pessoa?

Posso afirmar que uma das maiores ajudas que recebi no NAR-ANON foi descobrir o desligamento emocional, o “viva e deixe viver”. Confesso que já sofri muito mais com a co-dependência que me amarrava física e emocionalmente ao meu esposo. Mas, embora tenha caminhado bastante, ainda tenho muitos passos a dar no caminho da minha própria recuperação.

Não há como amar um dependente químico e ser feliz, sem nos desligarmos emocionalmente, isso é fato. Posso amá-lo, mas, não posso controlá-lo, não posso evitar que ele recaia, não posso tirar sua paixão pela droga, não posso viver sua vida. Não posso.

Posso viver minha própria vida. Posso ser feliz. Posso pedir a Deus por ele. Posso ter esperança. Só.

Meu marido se manteve limpo por vinte e cinco dias, que se encerraram nesta noite.

Ele chegou em casa por volta das 03 horas da manhã. Voltou a drogar-se.

O fim de semana agradável. O cinema com nosso filho, no domingo. Os sorrisos. A vida que carrego no ventre. Nada disso foi suficiente para mantê-lo limpo.

Hoje ele foi para o seu trabalho.

Hoje é feriado pra mim e para os pequenos.

Posso passar o dia chorando. Ou, como disse no início deste post, posso fazer dele um dia leve e feliz, e aproveitá-lo... isso só cabe a mim.

Pra terminar, diante dos comentários que tenho recebido e dos blogs que tenho lido, gostaria de deixar uma sugestão de leitura: livro Mulheres que Amam Demais, de Robin Norwood.

Abraços.
E bom feriado!