terça-feira, 9 de agosto de 2011

Seqüelas!



Boa tarde, meus queridos!

Saudades. Nunca tinha passado tanto tempo sem passar por aqui.

Agora são 14h11min desta terça-feira, dia 09 de agosto de 2011. Quarenta dias que meu esposo amado está limpo!!!

Nesse final de semana viajamos para o interior de Goiás e foi maravilhoso. Pude rever meus familiares e relembrar o que é estar no meio da família. Foi perfeito! Muitos risos, conversas, brincadeiras. A casa estava cheia.

Cinco crianças (fora a que tenho na barriga) eram a alegria maior da casa. Comemos x-salada, brincamos na piscina, e ainda paparicamos os quatro cachorrinhos que também movimentavam a casa.

No dia 06, como falei anteriormente, foi aniversário da minha vovozinha, ela fez 93 anos. Infelizmente, por causa do Alzheimer, ela apenas nos reconhecia por alguns momentos, mas, foi bom ver que ela não está sofrendo e está muito bem.

Meu esposo me surpreendeu. Ele assumiu os cuidados (troca, banho, movimentos, etc) da minha avó enquanto lá estávamos. E foi muito carinhoso nesses cuidados com ela. Ele a tratava por “minha flor”, “querida” e “vovó”, foi bonito de se ver, e ele ganhou um milhão de pontos comigo em seus gestos com ela, e com minha família também.

Ninguém sabe da doença dele (apenas minha irmã e cunhado), e meus familiares o amam e têm muito carinho com ele. Pensam que ele é o “homem perfeito”...

Além disso, ele foi pescar com meus primos, e eu pude curtir tranquilamente, pois, o que a família do meu pai tem de louca, a da minha mãe tem de conservadora e careta (ainda bem!). Fiquei realmente em paz nesses dias. E ele simplesmente ama aquele lugar. Aliás, ele ama interior, gado, mato, mosquito, natureza... e detesta a vida agitada de Brasília... Mas, precisamos conviver com isso.

Ao entrar no Distrito Federal, ele já começou a mostrar-se agitado novamente.

Mudando um pouco de assunto, e ainda falando de coisa boa, ontem retornei ao meu trabalho, acabaram as férias. Foi uma delícia receber tantos abraços, sorrisos e carícias na barriguinha. Muitas conversas cujo tema eram bebês e gravidez. Fui recebida com muito carinho e paparicação, e isso me fez muito bem.

Hoje não fui ao trabalho porque foi dia de exames para o pré-natal. Como estou sem plano de saúde, inicialmente pensei em fazê-lo no posto de saúde, mas, minha gente, que atendimento é aquele?! Cheguei lá às sete horas da manhã, em jejum, e até mais de oito horas, o pessoal do laboratório ainda nem tinha chegado. Tinha umas cinqüenta pessoas, gente doente e gente grávida, tudo misturado num lugar apertado e fechado, eu estava a ponto de cair. Daí saí e fui para outro laboratório para realizar os exames. Vou dizendo a mim mesma que tudo vai dar certo!

Cheguei tarde em casa, e nem deu para ir ao trabalho, visto que ele fica muito longe da cidade onde moro, e eu chegaria lá quase na hora de voltar. Dormi bastante, eu precisava disso, estava hiper cansada.

Agora vamos falar de uma coisinha meio chata?

O dia dos pais está chegando. E o papai aqui de casa tem deixado um pouco a desejar. O fato é que tenho me entristecido diante da rejeição do meu esposo em relação a essa gravidez. Não sei como agir. Ele continua frio e distante. Quando pergunto, ele diz que é porque ainda não aceitou a idéia de ter que começar tudo de novo. Me dá a sensação de estar gerando esse filho sozinha. E isso não tem feito bem nem pra mim, nem para o nosso relacionamento.

Vou tentando compreender, afinal, todo mundo sabe que o adicto vive num mundo próprio dele, e é infantil e egoísta. Vou tentando entender e aceitar suas limitações, mas, não está fácil. Ele está me magoando com essa forma de agir.

Hoje pela manhã ele me abraçou, e eu falei: “estou precisando de você, por favor.”

Surpreendentemente, ele me ligou hoje por três vezes, e mostrou-se atencioso em saber como havia sido a minha ida ao posto e como eu estava me sentindo. Mas, de repente, ele se transforma. Vai entender!

Amigos, é isso aí. Conviver e amar um dependente químico não é fácil. Mas, quem falou que seria, não é mesmo?

Quando eles estão na ativa, nós quase morremos, e vivemos alimentados das suas compensações pelos erros. Quando eles estão limpos, parecem sentir raiva de nós, é como se nos dissessem nos gestos: “eu estou limpo, não é isso que ela queria, então é só isso que ela vai ter, não preciso dar mais nada...”

Quero que ele se recupere por inteiro. Ah, como eu quero...

Vou tentando motivá-lo em sua caminhada. E sei que não posso exigir dele atitudes de um cara normal, afinal, são apenas quarenta dias limpo. E percebo o quanto ele tem dado o seu melhor.

“A família é fundamental para o sucesso do tratamento da dependência química. Pensar que tudo se resolverá a partir de uma internação ou após algumas consultas médicas é uma armadilha que não polpa a mais sincera tentativa de tratamento. A dependência é um problema que se estruturou aos poucos na vida da pessoa. Muitas vezes, levou anos para aparecer. Muitas coisas foram afetadas: o desempenho escolar, a eficiência no trabalho, a qualidade dos relacionamentos, o apoio da família, a confiança do patrão, o respeito dos empregados. Como esperar então que algo presente na vida de alguém há tempo e que lhe trouxe tantos comprometimentos desapareça de repente? Quem decide começar um tratamento se depara com os sintomas de desconforto da falta da droga e, além disso, com um futuro prejudicado pela falta de suporte, que o indivíduo perdeu ou deixou de adquirir ao longo da sua história de dependência.” (Vander Campello)

7 comentários:

  1. Oi Polyzinha!
    Que bom que passaste um final de semana, feliz, de alegria, são esses momentos que você tem que guardar no seu coração. É assim, livre, longe dos perigos, que seu marido revela quem realmente ele é, na essência, esse marido prestativo e amoroso.
    Sabe o que eu acho que ele pensa, em relação ao comportamento dele com o bebe?
    Acho que ele tem medo Poly, medo de te decepcionar, medo das responsabilidades, você vai ter que ser forte amiga, passar segurança pra ele...pra ele se sentir forte, seguro e ele tem participar, ao participar da sua gravidez, voce vai ver o quanto vai ajudar ele. Ele esta receioso, normal no começo, tá digerindo ainda que mais do que nunca precisa se manter sóbrio. Ajuda ele Poly, a tirar essas neuras da cabeça e viver só por hoje. Faz ele fazer carinho na sua barriga, fala "venha aqui papai que o nenem quer carinho, vamos só curtir nosso nenem, sem pensar no futuro, só agora...você é muito importante pra ele, ele sente tudo", essas coisinhas, incentiva ele, sei que vai dar tudo certo!
    Deus tem um carinho especial por sua familia, chega de lágrimas dona Poly, agora só sorrisos, é preciso coragem mas vale a pena!

    Beijos em vocês, da tia Gaby.

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  2. Que saudades amiga!!!
    Que bom você pode curtir bastante a família né...
    Olha no começo da minha gravidez também foi assim, ele não tinha aceitado você sabe te escrevi naquele resumo, mais depois com o tempo ele foi se chegando, tenha calma tudo vai dar certo, não deixe que os egoísmos da adicção atrapalhe na sua gravidez, você e forte, guerreira e vai conseguir dar a voltar por cima, isso só e uma fase ruim, que adicção tem, o egoísmo, engraçado domingo passado estavamos conversando eu e o meu esposo e ele tava lembrando que na minha gravidez ele não tinha comprado nada para o nosso filho, e hoje ele vive comprando varias coisas para o bebê, e ele disse que acha que faz isso pra recompensar o que ele não fez antes, por causa da doença dele, que se sente muito satisfeito em poder comprar coisas pra gente, fazer várias conquistas, realizar alguns sonhos, engraçado né, mais minha amiga, de tempo ao tempo, tudo vai dar certo, você merece.

    Não some mais não, sinto muito a sua falta, dê um beijo nos filhotes, diz que a tia Tina, que mandou.
    te adoro amiga, fica com Deus
    Juntas somos mais forte!!!
    bjs

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  3. Me identifico com o tema de hoje.
    a adicçao me deixou sequelas terriveis
    e o processo de recuperaçao tem sido demorado... lento e gradual
    não posso querer recuperar em meses o que foi destruido em anos de uso
    expressar amor, sentimentos e compaixao ainda é uma tarefa diária que se for praticada constantemente, pode vir a ser um habito
    cada um tem seu tempo. eu só comecei a dar amor e carinho quando aprendi a me amar. Quanto maior o tempo de sobriedade, maior nossa consciencia de nós mesmos, tudo é questao de tempo e boa vontade.


    mantenha a mente aberta Poly que muito mais será revelado.

    Sorte sempre
    :*

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  4. Poly, como senti a sua falta!!! Passei quase dois meses lendo seus posts todos os dias e agora sinto falta disso.
    Que bom que foi td bem na sua viagem, acho que isso lhe fez bem não é mesmo?
    Ai querida Poly, não sei o que dizer para motivá-la em relação a parede de vidro que seu marido está criando, talvez ele esteja com medo e se colocou em uma redoma, mas, com certeza essa redoma vai se quebrar e logo ele vai curtir com vc cada momento dessa gravidez.
    Eu torço para que isso ocorra, vc merece, vc é guerreira, tenha paciencia que Deus está lhe preparando o melhor, você já plantou o suficiente, está na hora de colher, pode acreditar.
    Não fique triste, o seu bb já é mto amado, por isso, não fique para baixo.
    Um grande beijo de quem lhe gosta muito.
    Você foi e é mto importante para mim querida Poly, pode contar comigo, se tivermos que chorar e rirmos juntas, aqui estarei!
    Fica com Deus!
    Beijos

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  5. Polyanna,

    Parabéns pela gravidez. Espero que tudo ocorra bem.
    Quanto à reação de seu esposo, tenha calma. Às vezes pode ser certa apreensão pela relação entre a adicção e a renovação da responsabilidade de pai. Paciência que tudo se ajustará em seu devido tempo.
    Tudo de bom para você e sua família.

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  6. Oi Polly
    A gravidez nada mais é que um recado de Deus que diz assim:
    "olá Poly, sou Deus, o criador de todas as coisas, e a cura de todas as doenças.Um pequenino vai adentrar seu lar, e trará grandes alegrias, incluindo nelas a cura da adicção de quem, por merecimento,será abençoado.Ser pai é a forma que eu encontrei de ele perceber o quão grandiosa é a sua vida.Grande abraço, Deus".

    è isso ai minha amiga. Sorte, e avante sempre!!!!!

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  7. à dias venho lendo seu Blog e me identifico muito...muito triste nossas histórias...eu preciso de ajuda para minha co dependencia,tenho um relacionamento de 18 anos casada á 14 com um adicto...tenho 34 anos e duas filhas lindas ...meu marido foi internado e hoje é membro de NA á 3 anos e o maximo que ele conseguiu ficar limpo foi um ano... fica 30 dias 90 (isso é muitas vezes mente o tempo limpo)agora esta á 8 dias acho... pq realmente não acredito 8 dias é oque ele diz...á seis dias achei seu blog tambem em meio ao desespero...obrigado poor partilhar a esperança e é tão bom saber que eu não sou a unica que ainda não desisti...rsss só por hoje vou me manter serena e desejo a vc oque eu não abro mão pra mim bons momentos!!!!bjsFran

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