segunda-feira, 1 de agosto de 2011

Patrícia, você pode, basta querer de verdade!



Bom dia, amigos!

Agora são 06h34min deste dia 1º de agosto de 2011, segunda-feira!

Meu esposo saiu agora a pouco para o seu trabalho, hoje ele fará home care. E, graças ao nosso Bom Deus ele continua limpo e sereno. Limpo há 32 dias!!!

Ele está mais carinhoso comigo e com o nosso filhote depois que assimilou a notícia da gravidez. Está um fofo!

Ontem ele chegou um pouco tarde em razão de uns probleminhas lá no hospital, tentei ficar relaxada, afinal, agora a serenidade é ainda mais importante, pois não quero passar nada de ruim para essa vida que está dentro de mim.

Entretanto, ele chegou bem, feliz, e sem drogas. Apenas um pouco cansado, mas, lindo!

Amigos, nos últimos dias, tenho recebido comentários da Patrícia, falando sobre a vida dela e sua experiência pessoal com as drogas.

Ela é uma advogada de 36 anos, inteligente, culta, e dependente da cocaína. Ela está na ativa, ou estava até ontem.

É uma história forte que eu gostaria de partilhar com vocês.


Texto deixado em 30 de julho de 2011, às 08:29h

Oi, Polly ! Acabei de conhecer seu blog e li tudo no final desta madrugada. Me emocionei bastante, visto que sei bem as agruras que nossos familiares passam todos os dias. A rotina de medos, incerteza, apreensão. Não é justo com eles. Se fosse apenas auto-destruição eu poderia até defender o direito que tenho sobre meu próprio corpo, mas a verdade é que levamos todo mundo na enxurrada de lama - onde nos metemos por vontade própria.

Eu tenho 36 anos, sou advogada, me formei em universidade pública e já vivi em dois países diferentes. Sempre fui compulsiva e gostava de beber com os amigos. De vez em quando fumava um baseado, mas não tinha descontrole algum.

Até que há dois anos comecei a usar um medicamento chamado Ritalina. Em poucos dias estava viciada. Procurei tutoriais de uso abusivo nos fóruns de drogas e passei a cheirar os comprimidos.
Algumas semanas depois experimentei a coca, e foi amor à primeira vista. Usava direto no trabalho, e quando saía bebia cerveja para cheirar mais antes de dormir, quando tomava um Rivotril para apagar. Adquiri dependência cruzada de várias drogas. Passei a não ligar para o meu trabalho e aparência pessoal. Depois de muito sofrer, procurei ajuda em janeiro deste ano. Achei um anjo de psiquiatra que me ajudou e ajuda muito.

Primeiro fiquei 70 dias, recaí um dia e entrei no NA. Fiquei indo direto por quase três meses, mas comecei a cansar e parei de freqüentar. Semana passada recaí de novo e minha família descobriu. Foi um choque horrivel para todos. E sabe o que é pior: assim que pude, saí pra usar.
Em um ano me transformei em uma pessoa mentirosa, manipuladora e insensível. Sei que preciso parar, sinto remorso quando afeto os parentes e amigos, mas é como se uma força diabólica se apossasse de mim. Só vivendo pra saber a intensidade da compulsão, o desespero da necessidade. Quando bate a vontade, é como se estivéssemos presos em uma câmara sem ar e aquele fosse o único saco de oxigênio.

Escravidão é isso.

Penso que seu marido é como eu: sente muita tristeza por ver a vida escorregando ladeira abaixo, mas não consegue abrir mão de verdade por que há alguma lacuna que ele só consegue suprir com as drogas.

No meu caso, tenho depressão e tag. Como estou cheirando muito, parei com a medicação até minha médica voltar de recesso. Começo outro antidepresivo na quarta-feira e também quero voltar ao NA, mas cadê vontade ? Como eu posso parar de usar se preciso tanto da felicidade artificial que as drogas me trazem ?

O fato é que seu marido, aparentemente, também não quer parar, assim como eu.

Viramos monstros egoístas. Viramos cascas secas onde antes só havia bondade. Pode acontecer com qualquer um. Chega uma hora em que nos sentimos dominados. Vou começar meu tratamento e - se continuar recaíndo - é internação na certa.

Falo em nome de todos nós que sofremos desta desgraça maldita: peço desculpas pelo sofrimento enorme que causamos a vocês que nos amam.

Nós também amamos vocês, mas há algo viscoso que cobre nossa pele e nos impede de fazer esse amor virar real e maduro.

Não tenha pena: se ele continuar com esse padrão, a tendência é só piorar. Às vezes o fundo do poço é o único lugar que nos faz ter a vontade inabalável de mudar de vida. Eu ainda continuo cavando. Pelo visto, ele também.

Não se deixe levar junto. Proteja seus filhos. E reze por nós, os que se perderam e precisam achar o caminho de volta.

Muita força pra você e parabéns pelo novo bbzinho!


Texto deixado em 1 de agosto de 2011, à 01:21h

Oi, Polly !

Fico feliz pelo bebê novo e pelo progresso do seu marido, que tem muita sorte de ter encontrado uma mulher especial como você.

Entretanto, acho que me não me expressei corretamente. Peço permissão para explicar melhor meu ponto de vista.

Todos nós - adictos - queremos parar de usar drogas. Quando chegamos a nos perguntar: " Eu tenho um problema ?" já sabemos a resposta de antemão, mesmo que tenhamos dificuldade em aceitá-la. A verdade é que nenhum ser humano deste mundo, por mais reles e vil, por mais desumano ou covarde, deveria experimentar esse sofrimento.

Então, como um adicto poderia não querer superar aquilo que contraria sua natureza, que é viver em liberdade ? Não faz sentido. Todos nós queremos a mesma coisa: liberdade e felicidade.

Ponto.

Bem, o Júnior falou em "fundo do poço". Gostaria de comentar algo sobre isso.

Sabe, eu gosto muito de ler os artigos da Nora Volkow, e ela fala muito deste conceito, que os americanos chamam de "hitting bottom".

É aquele momento em que a força inabalável chega, e ela sempre é provocada por algum acontecimento, doloroso ou não: perdas irreparáveis, nascimentos felizes, desespero sem saída ou algo que cale fundo dentro de nós - exatamente por ter sido decorrência de/ou por sofrer ameaça de ter seu curso desviado pelo uso de drogas.

Ela diz, e eu concordo plenamente, que essa idéia atrapalha muito o tratamento da dependência química. O adicto tem que esperar tudo desabar para buscar ajuda ? Não! Como em qualquer doença, quanto mais cedo for a intervenção, maior as chances de recuperação.

No meu caso, as perdas ainda não foram devastadoras, mas sei que estou na fase do "ainda". Perdi um pouco da funcionalidade laborativa, do respeito da família ( que descobriu recentemente ), bastante em auto-estima e amor próprio, um pouco da saúde. É muita coisa e nada em comparação do que eu teria perdido se não comecasse o tratamento logo que me dei conta de que não, aquilo não era normal, e não, eu não poderia continuar me enganando. Não se quisesse sobreviver.

Então, Júnior, não acredito em fundo do poço.

Nós, enquanto adictos, devemos lutar contra esse mito, que apenas faz durar algo que poderia ter morrido muito antes.

O quê me fez escrever aquela frase, Polly, foi uma percepção subjetiva minha. Todo dependente têm histórias parecidas, e a minha e a do seu marido é a do dia em que você foi com ele a um restaurante para protegê-lo de si mesmo.

Sabe, eu também já fiz isso com uma pessoa a quem amo muito. Quase a mesma história, só os personagens são diferentes. Levei-a para um local de tráfico, fiz com que ela presenciasse aquilo e corresse os riscos que esse tipo de ambiente gera. Fiz isso para comprar cocaína. Eu precisava de cocaína. Meu amor, apesar de real, não conseguiu me blindar contra a necessidade do meu cérebro enlouquecido.Essa pessoa nunca bebeu, fumou ou teve qualquer vício. Foi comigo por amor, para me segurar, e eu a deixei ir por que precisava usar.

Eu disse antes que não tinha perdido muito em termos externos, não foi ?

Pois interiormente essa foi a pior perda.

Sei que posso me perdoar e conquistar um novo modo de vida, mas jamais vou me livrar daquele momento. Não enquanto viver.

Foi ali que vi realmente quem eu estava me tornando. Foi ali que percebi a extensão de meu egoísmo quando a fissura dava ordens ao meu corpo. A sensação é de horror. Não há outra palavra para definir esse momento em que nos vemos do jeito que somos, e no que podemos ainda nos transformar.

Nem sempre nossa vontade se ajusta com nossos atos, e algumas escolhas nos perseguirão o resto da vida.

Infelizmente, a dor e o arrependimento não impediram que eu recaísse.

Entretanto, depois de ter entrado em contato com aquela parte degradante, passei a entender que não tenho o direito de levar ninguém comigo. Vou lutar feito uma fera, mas, se perceber que chegou o limite, não quero ter mais a cena de alguém inocente me esperando na cabeça.

Estou desde quinta-feira sem dormir, cheirando cocaína. São 11:57, quase primeiro de agosto. Amanhã recomeço meu tratamento. Nesse momento, acabei de usar a última dose, apesar do nariz estar sangrando. Queria me despedir da droga. E falo sério: vou tentar mais uma vez.E mais uma. E mais uma. Mas não tenho filhos e, se recair, vou tentar de tudo para poupar minha família disso.

Se daqui a algum tempo continuar tropeçando, já tomei a decisão de meter uma bala na cabeça. Mas nunca mais exponho outro ser humano ao castelo de miséria que eu mesma construí.

Então, o que eu queria te dizer neste enorme texto prolixo; eu, que estou agora mesmo limpando sangue e lágrimas, pois vejo que o relógio marca 00:00 h e estou oficialmente em terra de reabilitação; eu, que quero desesperadamente parar e preciso desesperadamente usar...é que nós precisamos ter esperança, desde que os danos afetem somente a quem opta por mantê-la. Um pouco de realismo faz bem, e saber o que queremos quando acontece aquilo que não desejamos, também.

Não me entenda mal, por favor.
 
Espero de coração que seu marido saia dessa. Espero que tudo isso vire passado e vocês sejam muito felizes.

Mas, se isso não acontecer, não deixe seus filhos serem afetados por isso.
Amá-lo e apoiá-lo foi opção sua. Você é adulta e sabia que a luta era difícil.
As crianças não tiveram nenhum poder de escolha. E nenhuma criança deveria viver num ambiente em que a doença esteja descontrolada.

É muito antipático o que estou dizendo...não fique com raiva de mim. Eu queria te dizer essas coisas para te proteger. Quero te ver feliz mesmo sem te conhecer.

Eu fiz a minha escolha. Condenável, para alguns. A única, para mim. Talvez um dia você precise fazer a sua também. Então, talvez você sinta que não nos falta vontade, mas a luta é contra o demônio, Polly.

E se é contra o demônio, que seja só a nossa luta, e a de mais ninguém.

Que as estatíticas apoiadas na base ambiental e genética englobem outras pessoas, e não as nossas famílias.

Sei que estou sendo desagradável, mas desejo todo o bem do mundo a você e a ele. Só peço - e pode me odiar por isso - que, se um dia tiver que optar, a não deixar essa praga se espalhar.

Força para todos nós.


Texto deixado em 1 de agosto de 2011, às 02:22h

Nossa, não faz nem uma hora que escrevi meu texto deprimente e já vim aqui pedir desculpas.

Todo mundo comemorando o novo bb e eu preocupadíssima com você, que nem conheço direito, só por ter se encaixado em uma situação na qual eu, infelizmente, me reconheci.

Agora me dei conta de que nem pensei na grande vitória do seu marido em estar se mantendo limpo, e sim no fato dele ter feito a mesma coisa condenável que eu fiz um dia.

A verdade é que fiquei com raiva dele. Sim, por ter raiva de mim mesma. Agi igualzinho, oras!

Desculpe a negatividade, Polly. Tive que lavar o nariz, retirar o resto de pó que estava lá dentro e engolir o choro. Só assim pude lembrar que estou de novo no meu primeiro dia.

Tenho mais uma vez uma nova chance.

Acho que estou morrendo de medo, por isso é tentador tentar salvar a humanidade da angústia que sinto agora, depois da recaída e depois de voltar a entupir o nariz de farinha.

A verdade é que é muito fácil tentar ser realista e abdicar da esperança, mas sem as duas qualidades, fé e pé no chão, não vou chegar a lugar algum. Sorte que percebi isso antes de amanhecer o dia.

Vou levantar a cabeça e apreciar o fato de estar nascendo de novo.

( Gente moralista que vem espiar deve dizer assim: noooooooossa, esses viciados têm umas alterações humor que vou te contar, héin! hahahahaahah )

Beijooo, Polly !


Querida Patrícia, vi que você foi muito sincera comigo, então diante disso, me sinto a vontade para ser muito sincera com você também.

Ao ler suas palavras, fui capaz de visualizar você, até porque, após cinco anos de convivência com um adicto, consigo ver o que há por trás das palavras por vocês ditas.

A primeira coisa que tenho a te falar, querida, é que só há uma forma para os dependentes químicos e os co-dependentes viverem. E essa forma é vivendo o AGORA, o HOJE. Certamente se eu decidir relembrar todas as agruras que meu esposo me causou pelas drogas, isso só me trará dor, mágoa, e me afastará da pessoa que amo, destruindo nossa família.

O que passou, passou.

Por outro lado, se vivermos na incerteza do amanhã, se ele vai recair ou não, também levaremos uma vida muito angustiante. Ninguém tem garantias sobre o amanhã.

Entretanto, Patrícia, se consigo focar no agora, nos 32 dias em que meu esposo está limpo, e nessa bênção de Deus que trago no ventre, serei de fato feliz. Seremos!

Isso também se aplica a você. As loucuras que fez no passado, ou até nesta madrugada, passou! Perdoe-se! Começou um novo dia! Só hoje, nesse dia 1º de agosto, eu sei que você pode viver limpa, serena e feliz, se quiser.

Outra coisa, querida, cuidado com a autopiedade.  Você está doente, sim. Mas, você é responsável por suas escolhas e atos. Ainda que a vontade seja devastadora, quem já passou 70 dias limpa, passa uma vida inteira, você sabe muito bem disso.

Se você recaiu, levanta! Sacode a poeira! Começa de novo! Culpa não vai te ajudar em nada. Raiva também não. O melhor é ocupar-se de bons sentimentos e de bons pensamentos.

Remorso não muda ninguém, mas, arrependimento sincero sim.

Busque ajuda, Patrícia. Sozinha é mais difícil, você sabe. Que seja o Psiquiatra, ou o NA, ou uma igreja. Busque ajuda.

Conheço uma história de um senhor que faleceu a poucos anos numa queda de um helicóptero. Morreu dignamente e amado por muitos. Ele fez um trabalho lindo de ajuda a dependentes químicos, durante vinte e cinco anos.

Esse mesmo senhor era dependente químico e alcoólatra. Sua esposa e filhos não agüentaram mais a dor e o colocaram para fora de casa. Ele foi mendigar. Chegou a vender o próprio sangue (anos 70) para comprar drogas e bebidas. Fez coisas inimagináveis para obter drogas, e sob o seu efeito.

Entretanto, um dia, no Rio de Janeiro, com seus pensamentos totalmente confusos, ele olhou para o Cristo Redentor, e falou para ele: “Se tu realmente existes, me dê um sinal hoje!” Ali mesmo ele apagou sob efeito das substâncias.

Ao acordar, já desesperado para usar mais, começou a apalpar seus bolsos em busca de algo que pudesse trocar por mais drogas. E o que ele encontrou foi um cartãozinho dizendo: “Se você quiser continuar bebendo, o problema será seu, mas, se você quiser parar, o problema será nosso!” Era dos Alcoólicos Anônimos.

De imediato ele se recordou das palavras que tinha dito em oração, e cruzou a cidade para buscar ajuda naquele endereço do papelzinho.

Ele questionava muitas coisas do A.A., era resistente, e não parou com as drogas de imediato, mas, continuou voltando.

Até que um dia, tomado por uma força maior do que a sua doença, ele disse a si mesmo: “a partir de hoje, nunca mais usarei droga nenhuma!”

E ele cumpriu.

Sabe por que, Patrícia? Ele não era melhor do que você ou do que o meu esposo, mas, a vontade de parar, foi maior do que qualquer outra.

Ele recuperou sua dignidade. Sua família. Sua vida profissional. E ainda ajudou a muitas pessoas que sofriam do mal que ele conhecia tão bem.

Se ele pôde, qualquer um pode, basta querer. E é exatamente isso o que digo ao meu esposo, e é o que gostaria de te dizer, com todo carinho.

Nâo se apegue a estatísticas. Ainda que o índice de recuperação de dependentes químicos seja baixo, eu te digo que 100% dos que querem sua recuperação mais do qualquer outra coisa, conseguem.

Ninguém pode querer por você. Mas, se você quiser, terá muitos para te ajudar, inclusive nós aqui do blog.

Estarei orando para que Deus te ajude a fazer a melhor escolha!

Um grande beijo.

5 comentários:

  1. Patricia, esse comentário foi deixado pela Gaby no post Julho já está no final!

    Gaby disse...

    Patricia querida, você está muito perdida menina, nem você sabe o que de fato quer... No fundo você mesma não acredita na própria recuperação, e isso já é o começo para não dar certo. Se tanta gente consegue, pq com voce vai ser diferente? Já vi pessoas se curarem de cancer em estado terminal, oq é a dependencia química, em relação a um cancer?
    Se você pensar que pode ou que não pode de qualquer modo você estará certo.
    Muitas pessoas não se permitem lutar pelo que realmente desejam porque não vislumbram como isso pode se concretizar.
    Não tente entender como isso é feito, apenas acredite que efetivamente será feito.
    E lute, mate um leão por dia, cade sua força? Será que sua vida vale tão pouco assim para levar uma bala na cabeça? Você já está pensando no e se não der certo. Ou seja negatividade total.
    Não pense em recuperação Patricia, antes de trabalhar o seu interior, antes de descobrir seu real valor, antes de determinar se recuperar. Antes de querer de todo o coração, enquanto você nutrir essa paixão pela droga fica difícil.

    Mas eu estou com voce! E eu acredito em voce! Qualquer coisas estamos aí...

    Beijos

    1 de agosto de 2011 08:16

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  2. Patrícia, esse comentário foi deixado pelo Junior, no Post Julho já está no final!

    adicto em recuperação disse...

    Agora, mais uma vez com sua permissão, quero me dirigir a nossa amiga Patrícia.
    Infelizmente, Patrícia, vc ainda não percebeu o conteúdo, o contexto do termo "fundo de poço", no sentido literal e figurativo da coisa.
    Digo isto pq o que vc diz é totalmente contraditório com suas ações e até mesmo pq o que eu havia contado sobre "fundo de poço" é justamente o que vc relata. Entretanto, não concordo com o fato de que o termo "fundo de poço" atrapalhe o tratamento da DQ. Muito pelo contrário...aqueles que não chegarem e não admitirem que chegaram, infelizmente continuarão morrendo nas garras da adicção.
    Entretanto, o que eu quis dizer e repito, é justamente o que vc diz: que não é necessário se perder tudo pra que aquilo seja o seu "fundo de poço". Certamente vc não leu o que eu comentei no Post DA FRAQUEZA À FORÇA. no meu Blog. Porque é o seguinte, amiga! Se vc conta toda esta sua história e não considera isto uma perda, não tem como parar de usar, pois não estás tendo prejuizo algum, entende? Agora se vc acha que está tendo alguma perda com isso, aí fica mais fácil querer deixar de usar. Então, qualquer que seja o motivo que vc alega que foi uma perca grande, já é um "fundo de poço". Por isso, não acho que deveríamos lutar contra este mito, que pra mim não é mito. Infelizmente não estou conseguindo te explicar o que é realmente o conceito de "fundo de poço"....ou talvés vc ainda não esteja pronta para adimití-lo. Não sei. Só sei que aqueles que não se entregarem completamente ao programa de recuperação, serão vítimas das terríveis consequências da adicção ativa. Espero que isso não aconteça contigo.
    Estou aqui torcendo por ti. Li seu texto e confesso que me emocionei, quando vc disse que iria dar cabo a vida, se não conseguisse. Peço que nunca mais nem pense nisso...não é esse o caminho que vc deve seguir...não é tomando uma atitude insana desta que vai resolver o problema.
    Quero que vc entenda que realmente isso que vc já está passando, vivendo, já é uma espécie de perda...e já chega...não precisa perder mais nada...como vc mesma disse, é muita coisa...agora é buscar um recomeço...e sei que vais conseguir..claro que vais conseguir!
    Voce disse: "eu, que quero desesperadamente parar e preciso desesperadamente usar.." digo que vc não precisa desesperadamente usar. Isso é apenas a fissura falando e agindo mais alto. Mas não que PRECISA USAR. Se vc faz parte de NA, certamente já escutou dizer que "UM ADICTO, QUALQUER ADICTO, PODE PARAR DE USAR, PERDER O DESEJO DE USAR E ENCONTRAR UMA NOVA MANEIRA DE VIVER".
    Eu sou prova disto, Patrícia! Eu estava como vc. Eu tinha que usar pra poder viver! Eu realmente acreditava nisso! Mas quando comecei a fazer minha recuperação valer a pena, estou sem usar, SÓ POR HOJE....e SÓ POR HOJE, não usei. Não precisei desesperadamente, como antes.
    Entenda, minha amiga, que estamos aqui do teu lado. Embora não fisicamente, mas este espaço aqui proporciona muita sintonia. Estamos aqui todos, digo todos(as) mesmo, torcendo por ti. Jamais queremos ter notícias de que vc abriu mão de vc mesma.
    Não foque sua recuperação no contexto de se ter atingido ou não o que os outros denominam "fundo de poço"...apenas aceite que está perdendo as forças para as drogas e que elas estão te causando danos. Isto já é um ponto de partida.
    Aí certamente as coisas começarão a seguir o caminho certo.
    Sou teu amigo e TAMUJUNTU, Patrícia!
    Que possas encontrar o brilho da luz em meio a escuridão da adicção.
    Abração, Patrícia!
    Abração, Poly!
    TAMUJUNTU.

    1 de agosto de 2011 09:00

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  3. Patrícia, esse comentário foi deixado pela Cicie no Post Julho já está no final!

    Anônimo disse...

    PARA PATRICIA: Que bom que vc tá tentando... Eu to aqui vibrando por vc!!!
    Nunca se esqueça : "O VELHO ESTIGMA DE QUE UMA VEZ DROGADO SEMPRE DROGADO NÃO SERÁ MAIS TOLERADO, SOMOS ADICTOS EM RECUPERAÇÃO..."
    E que a "RECAÍDA FAZ PARTE DA DOENÇA, MAS NÃO DA RECUPERAÇÃO"
    Fique bem anjo... e não se importe se outros pensem que temos "muitas alterações" de humor... foi pensando e se importando com que os outros iam pensar que acabamos falidos.... Hoje podemos optar por um amor incondicional, o amor que não julga só ama... o amor de companheiros verdadeiros!
    Te amo garota!!! Te amo de um jeito especial, torço por sua recuperação.
    cicie
    modificaramimmesma.blogspot.com

    1 de agosto de 2011 13:35

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  4. PATRÍCIA...
    QUANDO TUDO ESTÁ PERDIDO SEMPRE EXISTE UM CAMINHO, QUANDO TUDO ESTÁ PERDIDO SEMPRE EXISTE UMA LUZ!(Legião Urbana).
    Patrícia tenha força!
    Nem posso imaginar o quanto é difícil isso tudo só vocês adictos sabem não é mesmo?
    Mais você deve LUTAR! Lutar primeiro contra a droga, lutar pela a sua recuperação e lutar contra esses pensamentos negativos.
    Lute, seja forte, você pode, você consegue, e por que não?
    Li vááárias histórias de pessoas que estavam dessesperadas mais procuraram ajuda e conseguiram a recuperação e nunca mais voltaram a usar NADA! e por que você não pode?
    Não se entregue, não seja fraca, sabe por que? por que é isso que a droga quer, mais mostre a ela mesma que você é mais forte que ela, que você PODE, você CONSEGUE, mostre para a droga que você consegue viver sem ela, e que você não vai se enttregar assim por causa dela! não faça isso, por que é isso que a droga quer! não faça as vontades da droga.
    PATRÍCIA ergue a cabeça, a vida é curta, por isso devemos aproveitar a vida, e aproveita-lá de forma sadia!
    ERGUE A CABEÇA! LUTE! NÃO SE ENTREGUE! O QUE É ISSO MENINA VAI SE ENTREGAR MESMO É? NÃO DEIXA NÃO! NÃO FAZ A VONTADE DELA NÃO!
    FORÇA! FORÇA E FORÇA!
    EU ACREDITO NA SUA RECUPERAÇÃO, ACREDITO QUE VOCÊ PODE, MILHARES DE PESSOAS CONSEGUIRAM SAIR DESSA E POR QUE VOCÊ NÃO CONSEGUE TAMBÉM?!
    Ha e procura ajuda, é a melhor opção nesse momento, vai te fazer um bem danado.
    ERGUE A CABEÇA E FORÇA! VOCÊ VAI VENCER, MAIS PARA CONSEGUIR VENCER PROCURA AJUDA!
    EU ACREDITO NA SUA RECUPERAÇÃO!!!!
    NEM TUDO ESTÁ PERDIDO!
    QUANDO TUDO ESTÁ PERDIDO SEMPRE, SMPRE, SEMPRE E SEEEEEEEEMPRE EXISTE UM CAMINHO, UMA LUZ!
    MAIS UMA VEZ, EU ACREDITO EM VOCÊ! NA SUA RECUPERAÇÃO! MAIS PRIMEIRAMENTE ACREDITE EM VOCÊ MESMA! ACREDITE QUE VOCÊ CONSEGUE!
    FOOOOOOOORÇA!

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  5. Poly, achei legal você colocar em um post só todos os comentários da Patrícia!
    Patrícia, sabe, vc disee que não acredita nesse lance do fundo do poço, mas, como diz o Júnior, o fundo do poço é diferente para cada um, talvez, o seu seja esse momento em que está, onde passou a questionar a existência do mesmo, uns, chegam ao fundo quando perdem tudo, outros, chegam ou fundo quando a família descobre e assim vai, mas, o que não se pode negar e que ele existe porque ele não é um lugar e sim uma espécie e insigth, onde a sua vida passa pela sua mente e você muda seus conceitos e decide então que é a hora de se eguer!!!
    Espero que você encontre o seu momento, mesmo que não queira chamar de fundo do poço, o nome não importa, desde que você se encontre e encontre força para sair dessa vida!
    Estamos juntas e juntas somos mais fortes, decida viver e faça dessa decisão a sua meta, você nasceu para ser feliz, basta dar o primeiro passo e o universo conspirá à seu favor!
    Beijos

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