segunda-feira, 29 de agosto de 2011

Mulher, beleza, sonhos, drogas, prisão, recuperação, ressocialização!


Em 09 de agosto deste ano foi realizado o concurso “Miss Penitenciária”, ocorrido na Penitenciária Feminina do Gama, no Distrito Federal.

O “Miss Penitenciária” é um projeto da Secretaria de Justiça, Direitos Humanos e Cidadania do DF em parceria com a Secretaria de Segurança Pública do DF, Subsecretaria do Sistema Penitenciário, e a organização do Miss Distrito Federal.

O objetivo do concurso é resgatar e aumentar a auto-estima das detentas, motivando-as para uma mudança de vida, e também mudar a forma como a sociedade vê essas mulheres, e assim reduzir a discriminação sofrida por elas, após o cumprimento de suas sentenças em regime fechado.

Alguns podem estar se perguntando: Se o Blog é sobre amar dependentes químicos, o que tem de relação com detentas?

Ocorre que grande parte dessas detentas foram presas por crimes relacionados com o tráfico de drogas. Algumas são usuárias, outras apenas amantes de usuários de drogas (ou traficantes), e que no auge do desespero, levadas por um amor insano, resolveram traficar. Muitas foram presas tentando levar drogas para seus amados que estavam dentro da cadeia.

Você pode julgá-las? Sinceramente, diante das loucuras que já fiz por amar um dependente químico, embora não sejam loucuras ilícitas ou ilegais, não me sinto apta para julgá-las, senão para compreendê-las e pedir a Deus que lhes dê dias melhores daqui pra frente.

Para o concurso, foram selecionadas dez candidatas que foram submetidas a aula de boas maneiras, aula de passarela, acompanhamento psicológico, advogada para acompanhar o processo de cada uma, além da transformação no visual, incluindo corte e tintura de cabelo, e tratamentos de beleza em geral.


Eu, particularmente, aplaudo essa iniciativa de pé.

Decidi escrever sobre esse tema porque ele retrata a vida de pessoas (mulheres) que vivem à margem da sociedade. Assim como qualquer dependente químico que, direta ou indiretamente, também vive ali, discriminado.

Por que não divulgo o meu nome ou o do meu esposo? Simplesmente por medo da discriminação que ele possa sofrer. Porque a nossa sociedade é sim cheia de conceitos pré-formados e julgamentos pré-estabelecidos. E se ele for conhecido como um dependente químico não haverá espaço para que se conheça o homem bom, o profissional, o caridoso, o inteligente.

É preciso mudar a forma como olhamos para o próximo.

Primeiramente, quero falar de duas amigas que conheci no órgão onde trabalho. Elas são presas. Aqui no Distrito Federal, alguns presos, pré-selecionados, podem desempenhar suas atividades profissionais em órgãos públicos, e é o caso dessas duas meninas.

Quando as conheci, juro que não sabia que eram presas. Duas mulheres bonitas, educadas, inteligentes... normais como eu e você. Uma loira e uma morena, cabelos na altura da cintura. Quero partilhar com vocês a história delas, vale a pena.

“Sou C, tenho 28 anos e cometi o crime aos 22 anos de idade. Entreguei drogas para uma pessoa entrar no presídio e repassar para o meu irmão, mas, em razão de uma denúncia anônima, nós duas fomos presas. Meu irmão estava com dívida dentro da cadeia e eu não tinha dinheiro para pagar a sua dívida. Por minha pouca idade e inexperiência, fiquei com medo de que algo de ruim acontecesse com ele, por isso enviei a droga para que ele vendesse e pagasse o que devia. Fui presa em 2006. Fiquei 3 meses e 18 dias até minha liberdade provisória. Três anos depois fui condenada a 4 anos de reclusão no regime fechado. Voltei para a prisão em maio de 2010, para o cumprimento da pena, permanecendo 1 ano, 3 meses e 20 dias, passando depois a responder em prisão domiciliar, que se encerrará em maio de 2013. Fui presa por causa de droga. Passei por tanto sofrimento por causa dela, e passo até hoje, com meu irmão lá preso. Odeio as drogas, e se eu tivesse poder, acabaria com todo esse tráfico que existe e que trás tanto sofrimento para as pessoas. Hoje o meu maior sonho é conquistar uma vida estruturada e servir de exemplo ao meu irmão. Mostrar que mesmo passando pelo que eu passei, consegui vencer, e tirar o melhor dessa situação: o aprendizado.”

“Meu nome é J., tenho 25 anos, e aos 21 anos fui presa por tráfico de drogas e associação ao tráfico. Meu ex-marido trabalhava, mas, ganhava pouco. Quando engravidei, ele deixou o trabalho e começou a vender drogas. Após uma investigação, fui presa e sentenciada a 8 anos de prisão, dos quais cumpri 3 anos e 6 meses. Posso dizer que nesse tempo amadureci e procurei medidas de crescimento. Drogas são usadas para destruir as pessoas, iludidas, pois não tem como você ser feliz fazendo coisas ruins para o próximo, pois, com a venda de drogas, você destrói não somente ao usuário, como também toda a sua família, e você paga por isso, pois você atrai o que você transmite. Hoje o que mais quero é cursar uma faculdade, fazer um concurso público, construir uma vida com bases sólidas, sem fazer mal algum para ninguém. Quero fazer o bem.”

Tive a honra de conhecer essas meninas, de trabalhar e de aprender com elas. E estou aqui na torcida para que dê tudo certo para as duas!

Voltando a falar sobre o Miss Penitenciária, a ganhadora foi a interna Raíra Aparecida Pereira Paixão, de 20 anos. Apesar de sonhar com o curso superior em Enfermagem, Raíra já recebeu um convite para atuar em uma agência de modelos, assim que receber o alvará de soltura. Que legal, né?!



A miss penitenciária DF recebeu como prêmio R$ 1 mil, que será pago quando ela ganhar liberdade. A segunda e a terceira colocada levaram R$ 800 e R$ 500, respectivamente, e a terceira colocada levou ainda o título de miss simpatia, eleita pelas outras concorrentes.

O Miss Penitenciária também premiou a detenta Márcia de Almeida Araújo, 26 anos, que mesmo sem ter o ensino fundamental completo, ganhou o primeiro lugar no concurso de poesia, escrevendo o texto abaixo. É de arrepiar! Vejam.

A Maior Ilusão

Depois que te conheci,
quis logo te sentir                                                                                                  
desejo e alucinação
você foi a melhor sensação
de ti fui me aproximando,
acabei me apegando                                                                               
meus problemas esqueci,
dos meus ideais desisti e continuei a te seguir.
Quem me amava deixei de lado e por ti sofri calada, só lembrava de ti,
minha vida fui te entregando
quando percebi meus problemas ainda estavam ali
no espelho refletia uma sombra, todos me desconheciam,
então quis me libertar
mas tu me iludia,
eu fraca em sua armadilha caia                                                                           
sofri tanto por ti,
algumas vezes quase morri
me livrar de ti não conseguia,
tu era forte e sempre me vencia
muitos tentaram me ajudar,
mas uma força maior fazia eu te procurar                                     
decidi mesmo te largar,
pois contigo minha vida era vegetar                                                     
pedi pra Deus me ajudar e a felicidade encontrar
com muita força de vontade consegui te abandonar                                                                     
agora sei o que é viver,
a minha vida não mais te darei                                                                      
por todo mal que me fez,  
de ti me libertei
e a ti Crack nunca mais me entregarei.


Confesso que me emocionei com as palavras dessa jovem.

É isso aí, meus amigos. Como meu trabalho me proporcionou a oportunidade de acompanhar essas histórias, decidi compartilhá-las para que tiremos nossas lições de vida.


Quem quiser saber mais sobre o Miss Penitenciária DF, veja o Profissão Repórter, da rede Globo, que irá ao ar nesta semana (amanhã), com o jornalista Caco Barcellos.

As drogas estão aí, afetando a vida de diversas pessoas, de diversas famílias, e de formas variadas. Às vezes me pergunto onde é que isso vai parar... Só Deus mesmo!

Beijos!

Serenidade só por hoje!

“O que aprendemos depois que conhecemos tudo é o que realmente conta.” (CEFE, pág. 209)

quinta-feira, 18 de agosto de 2011

Três meses!



Olá, amigos!

Boa tarde!

Agora são 14h34min desta quinta-feira, dia 18 de agosto de 2011.

Seis dias que meu esposo está limpo.

Hoje o blog Amando um Dependente Químico está completando três meses! E eu não poderia deixar de vir aqui para agradecer a cada um.

Obrigada a você, amigo(a), com o qual já tenho um vínculo e participo da sua história (e vice-versa).

Obrigada a você, fiel em seus comentários.

Obrigada a você, que prefere ler em silêncio e anonimamente.

Obrigada a você que algum dia passou por aqui e se identificou com a luta narrada nessas páginas.

Obrigada a todos os que fazem parte desta enorme família composta de pessoas que amam dependentes químicos, e que aqui encontraram muitos outros nessa mesma condição, e foram unidos por esse amor, por uma força, e por uma esperança...

Vamos aos números do Blog, para juntos comemorarmos?

Número de acessos:  13.580 !!!

Sendo:

Brasil
12.999
Estados Unidos
488
Alemanha
24
Reino Unido
20
Portugal
14
Dinamarca
3
Índia
3
Itália
2
Áustria
1
República Dominicana
1


Foram 150 postagens (algumas felizes, outras cheias de dor, outras repletas de esperança), e em todas pude sentir o coração de vocês a compartilhar de tantos sentimentos comigo. E isso não há palavras que descreva ou retribua!

Um total de 692 comentários ! Esses enriquecem este blog de forma sem medida, e muitas vezes me fizeram pensar, chorar, sorrir, refletir... Aprendo muito com vocês.

Agradeço ainda aos meus amigos blogueiros que lindamente também batalham nessa causa (ajudar dependentes químicos e seus familiares, e combater as drogas) e que tanto me ajudam com suas experiências, além de colaborarem na divulgação do blog Amando um Dependente Químico.

Pra comemorar, hoje lançarei a terceira enquete do Blog. Mas, não será sobre drogas, nem sobre dor, nem co-dependência ou adicção. Hoje quero falar de VIDA. Vamos?

A enquete é: qual é o sexo do(a) bebê que a Poly está esperando? Menino ou menina? Façam suas apostas que em breve emitirei o resultado real... hehe... Mãe boba rindo sozinha aqui...

Tá vendo como me sinto a vontade com vocês?!!

Além disso, tenho uma novidade!

A novidade que tenho para lhes contar é que estou trabalhando para transformar esse blog em um livro. Pela falta de tempo, isso ainda é um projeto, que está em fase de amadurecimento.

Só pra ter idéia, quem tem interesse em adquirir um livro Amando um Dependente Químico, levanta a mão, por favor... Risos.

A idéia é levar a mensagem a quem não possui acesso diário à internet. E também disponibilizá-la em livro, facilitará a leitura onde quer que você esteja, além de poder presentear a quem precisa... Mas, ainda é um projeto, ok? Mas, um projeto bem adiantadinho...


Espero que tenham gostado.

“Eu seguro a minha mão na sua, e uno meu coração ao seu, para que juntos possamos fazer aquilo que eu não posso fazer sozinha".

Lembrando que:
“Para estar junto não é preciso estar perto, e sim do lado de dentro...” (Leonardo da Vinci)

Obrigada, companheiros, muito obrigada! Amo vocês!

segunda-feira, 15 de agosto de 2011

A Serenidade voltou!


Bom dia, amigos.

Sem palavras para retribuir ao carinho recebido.

O cabo da minha internet rompeu, daí fiquei todo o dia de ontem sem vocês. Mas, agora estou aqui e já pude ler cada palavra deixada.

No sábado à noite eu senti algo tão horrível dentro de mim que pensei que fosse surtar. Um nó, uma dor no peito que parecia me tirar o ar. Só conseguia chorar. Daí imediatamente liguei para um casal de amigos, ele é pastor de uma igreja e ela é uma mulher muito querida. Em menos de dez minutos eles estavam lá em casa.

Conversaram comigo e com ele. Oraram por nós. Deram-nos carinho e atenção. Consegui me acalmar um pouco.

Eu estava com uma enorme raiva dele. Sentia raiva até mesmo por seus ferimentos nos pés. Queria não ter que vê-lo mais.

A casa estava uma bagunça. E eu não conseguia sair do lugar.

Lembram quando falei que uma recaída é como um tsunami ou como um furacão que passa, destruindo tudo? É exatamente isso. Só destroços ao redor.

No domingo pela manhã, ele estava tentando me agradar de alguma forma. Mas, a mágoa era tão enorme. Eu não conseguia aceitar que era uma doença. Apenas via o mal que ele estava fazendo a mim e às crianças.

“Por que você não vai ao grupo hoje?” Perguntei, me referindo ao NA.
“Porque tenho vergonha.” Foi a resposta.
“Ok, então fica aí levando essa sua vida de aparência e vamos ver onde você vai parar.”

Silêncio.

Ele fumou um cigarro e, ao voltar, disse que iria para o NA.

Eu o levei e, embora fosse reunião aberta, não quis ficar. Quando o busquei ao meio-dia, ele estava com outra fisionomia. Semblante mais leve. Cabeça mais erguida. Disse que era tudo o que ele precisava para recomeçar.

Durante a tarde trocamos pouquíssimas palavras. Por vezes ele me pedia um abraço, mas, eu não conseguia retribuir. Muita mágoa no coração. Eu não conseguia esquecer a estante vazia e o fogão sem o botijão.

Eu não conseguia esquecer a dor da decepção. Os sonhos mais uma vez estraçalhados.

À noite, fomos juntos à igreja. E ali pude voltar a sentir paz no meu coração. Orei muito a Deus pedindo uma direção. E principalmente pedindo paz e que Ele apagasse essa dor do meu peito. O culto foi especial pelo dia dos pais, algumas homenagens, tudo muito lindo. E eu saí de lá com minhas forças renovadas, e novamente serena.

Hoje o primeiro passo para a transferência do carro foi dado, agora é só aguardar a confirmação do banco.

É isso aí, meus queridos. Estou muito centrada em organizar a minha vida. Espero que seja com ele, mas, se não for possível, será sozinha mesmo.

Amigos, vou abrir um parêntese para responder a um companheiro, adicto, que tem deixado alguns comentários anônimos.

Primeiramente, quero te dizer que meu esposo é usuário de cocaína há 16 anos. E ele a usa da pior forma possível, injetando-a. Ele não usa crack nem qualquer outra droga, e nem precisa, pois somente esta já é suficiente para fazer o enorme estrago que vem causando. O crack não é a única droga no mundo, existem muitas outras que devastam também.

Em segundo lugar, quero esclarecer que o Nar-Anon nunca ensinou o egoísmo, meu amigo. Sinto muito pela mágoa que você traz da sua família. Mas, é uma questão de sobrevivência. Hoje eu posso escolher afundar-me e afundar meus três filhos mantendo-nos nessa vida infernal, ou posso deixar que meu esposo se afunde sozinho. O que você acha mais justo? Não me diga que a segunda opção é egoísmo, pois não é. Ela dói muito em nós, familiares, mas, infelizmente não temos alternativa.

Eu continuo aqui. Amo o meu esposo. E estou disposta a ajudá-lo. Entretanto, é ele quem não está aqui. Minha mão está estendida, mas, ele não quer segurar nela, o que posso fazer? Nada, infelizmente. Nada, além de seguir a minha vida.

Se você realmente seguir o NA, tanto rancor se apagará do seu coração, tenho certeza. Desejo-te o melhor.

Amigos, nos últimos posts tenho recebido diversos comentários. Li todos. São comentários de pessoas que estão passando por situação igual (ou pior) que a minha. São adictos em recuperação que tem a oportunidade de ver (recordar) o que a recaída causa. E, sobretudo são amigos que mais uma vez me acolheram, e me fazem ver que não estou sozinha. Muito obrigada. Perdoem-me por não responder um a um. Ainda estou sentindo muito enjôo. E a minha vida não parou pelas recaídas do meu esposo (trabalho, pós, filhos...), a correria continua. Mas, o que importa é que estamos juntos!

Ontem uma das canções entoadas na igreja, dizia assim:

“Mestre, eu preciso de um milagre
Transforma minha vida, meu estado
Faz tempo que eu não vejo a luz do dia...
Estão tentando sepultar minha alegria
Tentando ver meus sonhos cancelados...
Mestre, não há outro que possa fazer
Aquilo que só o Teu nome tem todo poder
Eu preciso tanto de um milagre...”

Eu não posso, mas, sei que Deus pode. É uma certeza que trago dentro de mim.

Assim como a certeza de que serei feliz. Espero que seja com minha família completa, mas, se o caminho escolhido por meu esposo for outro, ainda assim serei feliz, vocês vão ver.

Hoje busquei o resultado do meu hemograma, estou muito bem de saúde, graças a Deus. A cinturinha está mais larguinha. Rs. Tudo o que eu quero é ter paz para curtir minha barriguinha e meus filhotes.

Vocês precisavam de ver o meu caçulinha ontem na igreja. Ele foi lá pra frente (sempre exibidinho) e cantava, dançava, batia palmas, ele era só sorrisos, e é isso o que mais importa pra mim, e é isso o que move a minha vida hoje, ver meus filhos felizes e saudáveis. E eu também, claro. Infelizmente, não posso escolher isso para o meu esposo também, por mais que eu queira...

Ele está limpo há três dias.

“Mantenha sua fé em todas as coisas belas; no sol mesmo quando ele estiver escondido, na primavera mesmo quando ela tiver terminado.” (Roy Gilson)

quinta-feira, 11 de agosto de 2011

Aonde você está quando mais preciso?


22h49min, 11 de agosto de 2011. Aconteceu de novo...

Tristeza...

Hoje acordei e parecia ser um dia normal.

Hoje retomei minhas idas à Psicóloga, e nossa conversa me deixou muito reflexiva sobre tantas coisas...

Hoje trabalhei bastante.

Hoje adiantei um pouco da minha Monografia da Pós.

Hoje pensei em escrever no Blog, mas, o tempo escasso e os enjôos não me permitiram. Entretanto, ainda assim, já estava (estou) com dois temas acumulados para escrever, e com uma enorme vontade de responder aos comentários que tanto me ajudaram, e também comentar tantas coisas que li em outros blogs de amigas(os).

Hoje eu estou com sete semanas de gestação.

Hoje eu me emocionei ao ler que “nesta semana o seu bebê estará passando por alguns processos de mudanças extraordinários. A cabeça, o coração, medula espinhal, e alguns dos vasos sanguíneos começam a se formar. Como estes vasos se formam, o coração começa a bombear fluído através deles, e os primeiros glóbulos vermelhos do seu bebê são criados. Nesse momento o seu bebê deve está medindo cerca de 7 a 9 mm, o que pode ser comparado à um caroço de feijão.” (fonte: semana a semana)

Hoje eu fiquei chocada com a notícia de que uma colega foi indiciada por fraude em nosso trabalho.

Hoje comprei três bodyzinhos para o (a) bebê.

Hoje não recebi ligações do meu esposo, nenhuma.

Hoje busquei meu filho na escolinha, voltamos para casa, e juntos brincamos um pouco. Assistimos desenho, lhe dei comidinhas, banho, lhe contei historinhas, e o fiz dormir.

Hoje lavei os uniformes brancos do meu esposo e arrumei a casa para esperá-lo e contar-lhe tudo o que havia acontecido...

Mas, hoje meu marido não voltou pra casa. Hoje não adianta me iludir que o ônibus quebrou, ou que quem sabe ele foi comprar alguma coisinha para o(a) bebê, ou qualquer outra desculpa idiota.

Hoje não posso dizer que meu esposo está há quarenta e dois dias limpo, pois diante das circunstâncias e do sumiço já tão rotineiro e bem conhecido, sei que ele está se drogando.

Hoje ele voltaria para casa com R$ 390,00, e seria o primeiro valor a ser depositado em uma poupancinha para o parto e enxoval do(a) bebê.

Hoje ela venceu. Voltamos à estaca zero.

É incrível que quando essa maldita vontade vem, tudo ao redor se torna tão insignificante. E nesse tudo estamos inclusos eu, nosso filho, nossa casa, esse pequeno ser dentro de mim, ele mesmo. Tudo é nada. E nada tem importância nenhuma. Nada tem mais valor que a droga.

Quantas vezes mais me permitirei sentir essa dor?

Apego-me a Deus neste momento. Agarro-me a Ele, pois sei que desesperar-me não ajudará em nada, ao contrário, só nos trará ainda mais perdas.

E eu sei que “nenhuma situação é tão difícil e nenhuma infelicidade é tão grande que não possam ser superadas.” (Livreto Azul do Nar-Anon)

Cansada, meus amigos, muito cansada desse ciclo sem fim.

terça-feira, 9 de agosto de 2011

Seqüelas!



Boa tarde, meus queridos!

Saudades. Nunca tinha passado tanto tempo sem passar por aqui.

Agora são 14h11min desta terça-feira, dia 09 de agosto de 2011. Quarenta dias que meu esposo amado está limpo!!!

Nesse final de semana viajamos para o interior de Goiás e foi maravilhoso. Pude rever meus familiares e relembrar o que é estar no meio da família. Foi perfeito! Muitos risos, conversas, brincadeiras. A casa estava cheia.

Cinco crianças (fora a que tenho na barriga) eram a alegria maior da casa. Comemos x-salada, brincamos na piscina, e ainda paparicamos os quatro cachorrinhos que também movimentavam a casa.

No dia 06, como falei anteriormente, foi aniversário da minha vovozinha, ela fez 93 anos. Infelizmente, por causa do Alzheimer, ela apenas nos reconhecia por alguns momentos, mas, foi bom ver que ela não está sofrendo e está muito bem.

Meu esposo me surpreendeu. Ele assumiu os cuidados (troca, banho, movimentos, etc) da minha avó enquanto lá estávamos. E foi muito carinhoso nesses cuidados com ela. Ele a tratava por “minha flor”, “querida” e “vovó”, foi bonito de se ver, e ele ganhou um milhão de pontos comigo em seus gestos com ela, e com minha família também.

Ninguém sabe da doença dele (apenas minha irmã e cunhado), e meus familiares o amam e têm muito carinho com ele. Pensam que ele é o “homem perfeito”...

Além disso, ele foi pescar com meus primos, e eu pude curtir tranquilamente, pois, o que a família do meu pai tem de louca, a da minha mãe tem de conservadora e careta (ainda bem!). Fiquei realmente em paz nesses dias. E ele simplesmente ama aquele lugar. Aliás, ele ama interior, gado, mato, mosquito, natureza... e detesta a vida agitada de Brasília... Mas, precisamos conviver com isso.

Ao entrar no Distrito Federal, ele já começou a mostrar-se agitado novamente.

Mudando um pouco de assunto, e ainda falando de coisa boa, ontem retornei ao meu trabalho, acabaram as férias. Foi uma delícia receber tantos abraços, sorrisos e carícias na barriguinha. Muitas conversas cujo tema eram bebês e gravidez. Fui recebida com muito carinho e paparicação, e isso me fez muito bem.

Hoje não fui ao trabalho porque foi dia de exames para o pré-natal. Como estou sem plano de saúde, inicialmente pensei em fazê-lo no posto de saúde, mas, minha gente, que atendimento é aquele?! Cheguei lá às sete horas da manhã, em jejum, e até mais de oito horas, o pessoal do laboratório ainda nem tinha chegado. Tinha umas cinqüenta pessoas, gente doente e gente grávida, tudo misturado num lugar apertado e fechado, eu estava a ponto de cair. Daí saí e fui para outro laboratório para realizar os exames. Vou dizendo a mim mesma que tudo vai dar certo!

Cheguei tarde em casa, e nem deu para ir ao trabalho, visto que ele fica muito longe da cidade onde moro, e eu chegaria lá quase na hora de voltar. Dormi bastante, eu precisava disso, estava hiper cansada.

Agora vamos falar de uma coisinha meio chata?

O dia dos pais está chegando. E o papai aqui de casa tem deixado um pouco a desejar. O fato é que tenho me entristecido diante da rejeição do meu esposo em relação a essa gravidez. Não sei como agir. Ele continua frio e distante. Quando pergunto, ele diz que é porque ainda não aceitou a idéia de ter que começar tudo de novo. Me dá a sensação de estar gerando esse filho sozinha. E isso não tem feito bem nem pra mim, nem para o nosso relacionamento.

Vou tentando compreender, afinal, todo mundo sabe que o adicto vive num mundo próprio dele, e é infantil e egoísta. Vou tentando entender e aceitar suas limitações, mas, não está fácil. Ele está me magoando com essa forma de agir.

Hoje pela manhã ele me abraçou, e eu falei: “estou precisando de você, por favor.”

Surpreendentemente, ele me ligou hoje por três vezes, e mostrou-se atencioso em saber como havia sido a minha ida ao posto e como eu estava me sentindo. Mas, de repente, ele se transforma. Vai entender!

Amigos, é isso aí. Conviver e amar um dependente químico não é fácil. Mas, quem falou que seria, não é mesmo?

Quando eles estão na ativa, nós quase morremos, e vivemos alimentados das suas compensações pelos erros. Quando eles estão limpos, parecem sentir raiva de nós, é como se nos dissessem nos gestos: “eu estou limpo, não é isso que ela queria, então é só isso que ela vai ter, não preciso dar mais nada...”

Quero que ele se recupere por inteiro. Ah, como eu quero...

Vou tentando motivá-lo em sua caminhada. E sei que não posso exigir dele atitudes de um cara normal, afinal, são apenas quarenta dias limpo. E percebo o quanto ele tem dado o seu melhor.

“A família é fundamental para o sucesso do tratamento da dependência química. Pensar que tudo se resolverá a partir de uma internação ou após algumas consultas médicas é uma armadilha que não polpa a mais sincera tentativa de tratamento. A dependência é um problema que se estruturou aos poucos na vida da pessoa. Muitas vezes, levou anos para aparecer. Muitas coisas foram afetadas: o desempenho escolar, a eficiência no trabalho, a qualidade dos relacionamentos, o apoio da família, a confiança do patrão, o respeito dos empregados. Como esperar então que algo presente na vida de alguém há tempo e que lhe trouxe tantos comprometimentos desapareça de repente? Quem decide começar um tratamento se depara com os sintomas de desconforto da falta da droga e, além disso, com um futuro prejudicado pela falta de suporte, que o indivíduo perdeu ou deixou de adquirir ao longo da sua história de dependência.” (Vander Campello)

sexta-feira, 5 de agosto de 2011

Tá tudo bem!

Boa tarde, amigos!

Agora são 14:57 horas deste 05 de agosto de 2011.

Trinta e seis dias que meu marido está limpo! Graças a Deus!

Após a postagem que fiz ontem cujo título é Sempre em Busca de um Pouco de Amor, onde fiz alguns desabafos, pude refletir, pensar em tantas coisas que já vivemos, e ponderar nas palavras que recebi, e cheguei à conclusão que está tudo bem sim.

Realmente estou mais sensibilizada pela gravidez, além disso, precisei parar com o meu tratamento, eu estava tomando um antidepressivo receitado por meu psiquiatra e tive que suspendê-lo de uma vez, então estou ainda mais alterada, normal.

Pude perceber que por vezes ainda tenho muitas expectativas em relação ao meu esposo, ou até mesmo fico comparando as atitudes dele com as de outras pessoas, não adictas, e isso é péssimo.

Eu o amo. Eu o escolhi. E ainda que ele às vezes fique distante, calado, isso não quer dizer que ele não me ame ou não me queira.

O fato de ele estar vencendo essa luta há 36 dias, posso dizer que é a maior prova de amor! E talvez um homem que dê flores, que seja paciente e perfeitinho, não seria capaz de dar essa prova de amor que é vencer a si mesmo.

Engraçado que ontem, ao acordar, a primeira coisa que ele fez foi acariciar minha barriga, até parecia ter lido o post enquanto dormia. Rs. E hoje ele repetiu o mesmo gesto.

Sei que não é fácil pra ele, por isso fiz questão de postar A Dor e os Conflitos do Dependente Químico. Ele está oscilando entre a irritação e a calma, entre o nervosismo e a serenidade, entre os carinhos e a indiferença. Tudo o que peço é que Deus multiplique esse amor em mim, um amor paciente e compreensivo.

Queridos, vim aqui bem rapidinho, pois, estamos de saída para uma viagem. Vamos ver a minha vozinha, amanhã será o aniversário dela de 93 anos, e a família estará toda reunida. Vai ser bom!

Um grande beijo no coração!

E um fim de semana bem sereno!

Fiquem com Deus!