quarta-feira, 27 de julho de 2011

O maior presente que ele me deu!

Bom dia, queridos!

Hoje é dia 27 de julho de 2011, quarta-feira, 08h25min desta manhã fria.

Vinte e sete dias que meu maridão se mantém limpo! Obrigada, Senhor!

A cada dia, as coisas vão entrando em seu devido lugar, as lembranças ruins vão se apagando, e vamos voltando à normalidade da vida.

Viver com um dependente químico na ativa nos deixa totalmente abalados. Ontem eu vi na TV um depoimento de uma mãe que dizia: “a dependência química adoece a família. O adicto quebra um prato na sua cabeça sob efeito da droga, e você, sem efeito de droga nenhuma quebra dez pratos na cabeça dele...”

Ficamos, de fato, meio enlouquecidos.

Meu esposo está limpo há quase um mês, mas, ainda hoje tenho sonhos freqüentes dele usando drogas.

Ontem eu fui fazer uma faxininha em casa e aconteceu uma cena que me fez rir muito de mim mesma. Ao arrastar a cama, para limpar embaixo, vi um pequeno plástico quadradinho. Gelei. Tinha umas coisinhas brancas nele. Peguei-o. Fiquei olhando pra ele como quem olhava para um fantasma. Apalpei. Olhei. Revirei. Estava com medo de cheirar para saber o que era... Gente, era a embalagem de uma cocadinha branca, que meu bebê comeu dias atrás, e deve ter jogado ali, bem escondidinho.

A gente fica meio paranóico sim.

Até hoje quando vou procurar alguma coisa em casa e não acho, vem o pensamento: “será que ele trocou por droga, quando estava na ativa?”

Dia desses eu estava procurando um tênis do meu bebê e não encontrava de jeito nenhum.

“Amor, você viu o tênis azul do bebê?” Perguntei, com medo da resposta, afinal, ele nunca trocou nada do nosso filho ou da minha filha, por drogas.
“Então, amor, era isso que eu ia te falar...”
Aiaiai, fiquei gelada.
“O tênis está lá fora, porque sujamos ele todo de terra, brincando.”

Como ele fala, BAH!, me senti culpada. Mas, é assim a vida de quem tem esse problema em casa, mesmo em tempos de calmaria, não ficamos totalmente normais.

Sem falar da ansiedade diante dos ponteiros do relógio e da aflição a cada pequeno atraso.

Mas, vou seguindo em frente, e espero um dia encontrar a serenidade total.

Bom, amigos, mudando de assunto, como sabem, estou de férias do meu trabalho, e até hoje não tive coragem de levar o meu filhinho para a escolinha dele. Ele é meu companheirinho. Mas, hoje terei que levá-lo de qualquer jeito, senão, não conseguirei fazer minha monografia.

Hoje eu gostaria de falar um pouquinho sobre o meu filhote. Esse presente de Deus na minha vida!

Ele veio de uma gravidez planejada. O pai dele estava há alguns meses limpo, estávamos muito felizes, firmes em uma igreja, e percebi que era a hora de conceder a realização desse sonho ao meu esposo, afinal, ele não tinha nenhum filho.

Descobri que estava grávida em abril de 2008. Eu havia passado muito mal, e pensei que fosse por causa de um salpicão. No hospital, no estado de Maryland, nos Estados Unidos, os médicos me disseram que eu estava grávida, mas, que eu perderia o bebê, pois, estava em processo abortivo.

Pensei que fosse castigo, por causa do que relatei no post O Maior Erro.

Chorei muito ao chegar em casa. E orei a Deus para salvar aquela vidinha que estava dentro de mim.

Fiquei muito triste. Liguei para o meu esposo e dei as duas notícias, a boa e a ruim. Daí, nem comemoramos a gravidez. Apenas ficamos esperando acontecer a perda.

Entretanto os dias foram passando. Eu me sentia muito bem. Muita fome! Daí, resolvemos procurar outro médico, fizemos uma ultrassonografia, e lá estava ele, nosso pequeno, bem saudável! Não havia nenhuma anormalidade, estava tudo bem com a gente.

Agora sim comemoramos!

Meu esposo não recaiu nenhuma vez durante a gravidez. Ele dizia que nunca mais iria recair, afinal, seria pai, teria alguém olhando para ele.

Eu acreditei.

Minha gravidez foi maravilhosa! Eu que tinha medo de não conseguir amar meu filho da mesma forma que amava a minha princesinha (filha mais velha), já estava totalmente apaixonada por aquele serzinho dentro de mim.

Curtimos cada chute, cada movimento, cada momento.

Dois fatos engraçados que ocorreram, foi quando tive desejos. Desejo de verdade! Uma vez de comer coxinha e outra vez de comer beijinho. Fácil, né? Sim, se não estivéssemos nos Estados Unidos.

As coxinhas meu marido fez para mim em casa. Foi muito engraçado. Ficaram feinhas, mas, foram as coxinhas mais gostosas que já comi em toda a minha vida!

E quanto aos beijinhos, fomos a uma loja brasileira, logo cedinho, antes dela abrir, e ficamos esperando na porta. Cena muito hilária. Quando a dona chegou, contamos que eu havia passado a noite pensando no tal beijinho. Mas, ela não tinha beijinhos na loja! “Não serve brigadeiro?” Não, não servia. Então ela me falou para fechar os olhos. Ela retirou a ameixa de um olho de sogra, e me fez comer de olhos fechados. Lembro-me que ela nem cobrou pelo docinho. Meu esposo comprou os ingredientes, e quase me matou de tanto comer beijinhos em casa.

Foi uma gravidez de fato feliz.

O dia do baby shower (chá de bebê) foi inesquecível. Muitos amigos e até minha mãe estava presente. Meu filho ganhou absolutamente tudo!

Eu havia me esquecido da adicção do meu marido nesse tempo.

Numa véspera de Natal, às 23h05min, nosso americaninho nasceu. Meu esposo estava lá ao meu lado. Assistiu o parto. E foi o primeiro a segurar nosso filhinho no colo. O momento mais emocionante na vida de uma mulher, com certeza.

Esse anjinho, sem saber, conseguiu fazer com que o papai ficasse um ano e dois meses sem usar drogas.

Alguns dizem que eu não devia ter tido um filho de um dependente químico. Mas, hoje, quando olho para o meu filho, não tenho como me arrepender.

Meu filho e minha filha, são minha vida. Entretanto, minha filha tem o pai saudável, tem os avós e tios que a amam e me ajudam em seus cuidados, enquanto meu caçulinha só tem a mim. Por ele, vejo que não posso desistir, não posso me entregar.

Olhar para ele me dá força!

Ele se parece um pouco com o seu avô (meu pai). É uma criança muito esperta. E tudo o que peço a Deus todos os dias, é que Ele o abençoe e o livre de todo mal.

Esses versos foram escritos no último mês da minha gravidez:

Presente de Deus, nosso plano.
Encontro. Fruto de um laço de amor eterno.
Semente do mais íntimo, germinação.
Ser tão pequeno e tão enorme...
Tão sensível e frágil, e tão forte...
Milagre da vida que cresce, dia a dia, aos poucos,
Como planta em solo fértil.
Que mais poderíamos querer?
Você misturado a nós, e nós a você,
Cúmplices do mesmo dom...
Nosso bem querer, nosso mais que querer...
Experiência única, efêmera e eterna.
Projeto de Deus, perfeição.
Sinta o nosso amor, desde agora, desde o ventre e para sempre.
Filho amado, laçado com cordão de bênçãos, seja bem-vindo aos nossos braços.
Venha e ocupe todos os espaços que já são seus...

Mas, agora não tem jeito, vou ter que levá-lo para a escolinha... Coração de mãe boba apertado!

10 comentários:

  1. Que lindo Poly!
    Tomara que Deus me conceda um dia o dom da maternidade! Amo muito crianças, e ter um pimpolinho em casa deve ser a realização máxima de uma mulher!
    Felicidades pra vocês!!!!
    Beijoss

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  2. Com certeza, Deus vai te conceder sim, Gaby.
    É cansativo, e esses pequenos mudam a nossa vida em definitivo, mas, a melhor coisa da minha vida, é ser mãe!
    Um grande beijo!
    E estou participando da sua ansiedade, viu?!
    Beijos.

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  3. Poly!! Que lindo post, me emocionei... Bom, ri tb qndo vc fala da paranóia, quem já não fez e sentiu algo semelhante??? rs mas adorei tudo o que escreveu, vc tem um jeito lindo de contar as passagens da sua vida!
    Beijos

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  4. Que bom Poly que uma "máquina humana", mova suas emoções a caminho da felicidade, e outra lhe mova nas atenções necessárias do dia-a-dia.Acho que ser feliz tbem é isso. E mesmo nesta expectativas e medos é onde a gente encontra forças para sempre dar o primeiro passo e seguirmos.Tbem estou neste processo de co-dependência firme e forte, e espero que você continue com a Graça de Deus.
    Bjs

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  5. Querida Poly

    Realmente e muito bom ser mãe né, e uma dadíva de Deus, eu sou um tipo de mãe muita babona, faço tudo que eles me pedem, mais tbm sei disser não, e ruim , mais e bom eles saberem essa palavra desde cedo não é? Querida, também já tive esses momentos paranôicos e tbm tenho sonhos ainda horríveis, porque será que acontecer isso tudo com a gente? tento me desligar mais as lembranças do passado me assombram, mais bola pra frente né.
    Também estou curtindo as férias com a criançadas(cinemas, parques, praia, parquinhos, filmes em casa, pipoca, esta sendo muito bommm, faça isso você também curta bastante essa face tão boa que é a infância de nossos filhos.

    Força, Fé e alegria, mil bjs

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  6. Minha amiga Poly...
    Mais uma vez estou aqui, te seguindo, dando-te forças para que possas continuar lutando, me ajudando e ajudando a tantas outras pessoas, como tens feito ao longo de toda uma época.
    Amei este Post..aliás, admiro todos os seus Post's, pois são sempre cheios de riquezas espirituais.
    Abração, amiga.
    TAMUJUNTU.

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  7. Oi poli...tambem gostaria de ter um filho...vi vc falando q as pessoas falaram q nao deveria ter um filho de um dependente...falam pra mim tbem...fico com medo dele ter a mesma doença do pai...vc sabe me dizer se ha possibilidade de adquirir essa doença...bjus fica com deus...

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  8. Poly gosto muito quando você relata sua convivência com seu esposo, por que me faz refletir como é ser esposa de um dependente químico. Me faz refletir por que meu amor como você sabe é dependente químico, então ter uma noção de como é essa convivência é bom pra mim. Legal a foto e muito lindo esse seu amor pelo o seu filho, nem imagino como é ser mãe apesar de conviver com sobrinhos, é diferente o amor de mãe não é? Deve ser uma experiência emocionante!
    Bjus.

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  9. A querida, como é bom e agradável ler seus posts!
    Também sou bastante paranoica, mas estou tentando mudar!
    Linda foto do seu bebê, amo muito crianças, você nem imagina.
    Eis que os filhos são herança da parte do Senhor, e o fruto do ventre o seu galardão. Salmos 127:3.
    Que o Senhor continue te cercando de bênçãos, você merece!
    Tenho um grande carinho por você!!!
    Beijos...

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  10. Oi, Poly!
    Tudo bem?
    Tô sentindo falta de seus Post's estes dois dias, visse?
    TAMUJUNTU, amiga!
    Abraços e um ótimo final de semana pra ti.

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