terça-feira, 26 de julho de 2011

O exemplo de Francine Deschamps!


Francine Deschamps, uma médica veterinária linda, alegre, inteligente e cheia de sonhos que teve a sua vida interrompida aos 26 anos, em outubro de 2009, em razão de uma overdose, causada pela mistura dos medicamentos que tomava e cocaína.

Conheci o Blog Saudades da Fran, há mais ou menos duas semanas. Esse blog foi escrito por sua irmã Isabela, e traz nele escritos deixados pela Francine enquanto esteve internada e em tratamento, e também relatos de sua irmã sobre o sofrimento e luta da família em recuperar a Francine, bem como após a sua partida.

Confesso que fiquei muito emocionada com o que li. A Francine tinha um jeito despachado e engraçado de relatar os fatos. Eu ri e chorei diante desse PC.

Foi uma viagem ao passado, lembrando do sofrimento do meu pai e da luta dos meus avós, e ao mesmo tempo, identifiquei muito do meu esposo nos relatos da Francine. Nem sempre a realidade do adicto é igual a nossa. Aliás, quase nunca é.

São relatos dos altos e baixos de uma dependente química, e o sofrimento de toda uma família ao redor da sua adicção.

Recordo que quando meu pai faleceu, tudo mudou na casa dos meus avós, que já eram velhinhos. Meu avô passou a viver cabisbaixo, calado, vindo a adoecer logo em seguida. Acabou ficando acamado, e faleceu três anos depois.

Minha avó, que era a pessoa mais doce que já conheci, também nunca mais se recuperou. Parecia sentir-se culpada. Não aceitava a perda do filho. Na ultima vez que a vi com vida, ela já não nos reconhecia, e disse: “Tem um filho meu que nunca vem me ver. Aquele bonito, moreno. Fala pra ele vir aqui que eu quero falar com ele.” Ela estava se referindo ao meu pai.

Tudo isso é muito triste. E a esperança que eu, e com certeza a Isabela (irmã da Francine), temos, é que de alguma forma, alguém possa aprender com essas tristes histórias, a fim de não terem o mesmo final.

Uma das partes mais emocionantes do Blog é a carta da mãe da Fran, seis meses após o falecimento da filha. Clique aqui, e leia na íntegra a carta.

Francine, minha filha:

Hoje faz 6 meses! A dor da saudade é terrível, parece que o peito vai explodir. Choro todos os dias, de manhã quando acordo o primeiro pensamento é em ti, e antes de dormir choro com saudades...
Eu ainda custo a acreditar que não estás mais aqui. Parece que é um pesadelo e que vou acordar, mas a verdade é outra...

Conforme os dias passam, a saudade aumenta. Nada irá fazer com que voltes. É difícil superar a morte de uma filha, ainda mais da forma como aconteceu. Tem dias que estamos para baixo. É terrível, vários amigos tentam ajudar, mas é muito difícil a resignação, o aceitar...

Às vezes eu penso que podia ter um telefone lá no céu, já pensou eu falar contigo todos os dias e poder matar um pouco a saudade? Mas como não é possível, eu fico aqui convivendo com a dor, relembrando, chorando e esperando o dia em que eu vou te encontrar e aí sim nos abraçarmos e matar toda a saudade.

De sua mãe Leila”

O blog deixou de ser atualizado há nove meses, mas, ainda hoje, tem ajudado pessoas, e continua recebendo comentários. Vale a pena divulgar.

Parabéns pela iniciativa, Isabela! Desejo, de todo coração, que Deus conforte toda a sua família e coloque a serenidade em suas vidas, e a certeza de que vocês deram o melhor à Francine.

Abraços.

5 comentários:

  1. Que linda iniciativa a sua Poly, vou agora mesmo ler o blog e conhecer, é uma pena que não tenha um final feliz, mas, pode ajudar as pessoas não é mesmo! Vamos divulgar!
    Beijos

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  2. Que triste... o medo tomou conta de mim, imagnei tanta coisa ao ler tudo acima... Que destino triste, ao ler essa história e outras fico angustiada, ficamos né, por que não podemos fazer nada contra essa DROGA que acaba com a vida dos usuários e de muitas famílias. Vamos rezar pela Francine e pela sua familia para que encontrem o caminho da paz.

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  3. Nossa Poly, eu já conheço o Blog da Fran há um tempão, sou amiga de alguns familiares da Fran, mas não cheguei a conhecê-la, mas conheci o irmão dela. Ouvia muitas histórias das maluquices dela, ela sempre foi muita intensa, inclusive teve amigos nossos que faziam faculdade com ela, e sempre relatavam isso.
    Me emociona quando leio o diário dela, e sempre a uso de exemplo pro meu namorado.
    Foi um conjunto de coisas que fizeram com que a Fran tivesse esse final triste, mas posso te dizer que teve muito erro médico no tratamento dela.
    Triste tudo isso...
    Beijoos Polyzinha

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  4. Pois é, Gaby, conheci esse blog por meio de um link que uma companheira deixou pra você, no fórum da comunidade MADA.
    É, eu vi as atitudes estranhas do médico dela. Mas, independente disso, querida, drogas matam mesmo, e assim como a Francine, existem muitos outros jovens.
    É, queridas Giulli e P, é mesmo triste, mas, serve como exemplo, não é mesmo?
    Abraços.

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  5. me emocionei com essa carta, como é triste ver pessoas tão novas perdendo suas vidas pelas drogas!!!

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