domingo, 31 de julho de 2011

Julho já está no final!

Bom dia!

Agora são 06h17min deste dia 31 de julho de 2011, domingo!

Trinta e um dias que meu esposo está limpo!

Esse mês de julho está chegando ao seu final, e com certeza, foi um mês lindo e especial em nossas vidas! Neste mês, meu esposo não teve nenhuma recaída! Neste mês, uma nova vidinha nos foi dada de presente! Neste mês, completaram cinco anos que nos conhecemos!

Por tudo isso só posso agradecer a Deus!

Queridos, tenho recebido muitos comentários, tenham certeza que antes de publicá-los, os leio com toda atenção, mas, infelizmente não estou conseguindo responder um a um, entretanto, continuem enviando, pois pode ajudar a alguém. E aos poucos, vou respondendo.

Em especial, hoje estou aqui para agradecer pelas felicitações e palavras de bênçãos recebidas pela gravidez. Obrigada!

A Patrícia, o Junior, a P, a Tininha, a tia Gaby (Rs), a Dione, o Adilson, a Giulli, a Kátia e a Dayla (via Orkut), cada um à sua maneira, me trouxe mais alegria ainda com suas palavras.

Agradeço ao Junior também pela resposta enviada ao comentário da Patrícia, falou tudo! E eu só queria abrir um parêntese, Patrícia, quando você diz a mim que “o fato é que seu marido, aparentemente, também não quer parar, assim como eu”, preciso discordar de você.

Só por hoje, e no ultimo mês, ele tem sido mais forte do que a obsessão pela droga. Ele a tem vencido a cada dia. Só por hoje eu posso te afirmar que ele quer parar sim. Que só por hoje, a vontade dele de estar limpo e sereno, e de voltar para casa ao fim do dia de cabeça erguida, tem prevalecido, e é isso o que importa querida.

Comece de novo. Um dia de cada vez. Você quer? Então você pode!

Amigos, outra coisinha que queria dizer é que eu não vou embora não! Apenas vou reduzir um pouco as postagens. Agora mesmo estou aqui a morrer de enjôos diante dessa luz do PC... Mas, estarei sempre aqui.

Queridos, gostaria de deixar para vocês duas mensagens de pacientes, enviadas ao Serviço de Atendimento ao Cliente do hospital onde meu esposo trabalha, na íntegra, conforme eu havia mencionado no post Ele é um Homem Bom! Vejam:

Em 15/07/2011: “Gostaria de elogiar em especial o Técnico de Enfermagem XXX, por desempenhar sua profissão com amor e dedicação. Gostaria de acrescentar que o mesmo é super atencioso, humano e competente. Se eu tivesse que dar uma nota de 0 a 10, não teria dúvida que daria 10!”

Outra paciente, em 26/07/2011: “Elogio ao Enfermeiro XXX. Há Enfermeiros bons, mas ele é excelente! Nunca me deparei com um profissional tão excepcional, que além de fazer jus à profissão, é humano e extremamente atencioso com os pacientes. Mesmos sem ser chamado, ele passa nos quartos várias vezes no decorrer de seu plantão para ver se o paciente está bem e se precisa de alguma coisa. Ele é muito prestativo, e a atenção, paciência e carinho que tem com o paciente, resolvendo tudo o que está sobre seu alcance o destaca entre os profissionais da área. Ele é carismático e transmite uma energia muito boa, muito positiva, que é o que os pacientes precisam. Sou grata a ele, pois foi bom saber que existe profissional assim, muito além das expectativas, foi um prazer ter sido sua paciente, mesmo que por um dia, mas, que já fez a diferença. Se todo profissional fosse como ele, esse mundo estava feito. Posso dizer que o Enfermeiro XXX é o orgulho desta categoria profissional e merece ser reconhecido e valorizado.”

Essas duas mensagens ficaram no mural por três dias, e depois sua chefe imediata o entregou assinado e acompanhado de um “Parabéns”!

Que orgulho do papai! Hehe

Esse é o homem pelo qual me apaixonei. Esse é de fato o meu esposo. Que Deus lhe dê forças, meu amor, para seguir em sua recuperação, e para que reconheças, a cada dia, o quanto a vida vale a pena!

Viram como ele é especial?

Por isso criei esse blog. Para mostrar que um dependente químico é alguém doente. Que precisa de ajuda. E não alguém sem caráter, ou coisa parecida, como muitos pensam e julgam.

Gostaria de enviar aqui também uma mensagem ao Gabriel. Ele me deixou dois comentários no post Me perco nos Caminhos! Ele é um garoto de 13 anos. Sua mãe já foi usuária de maconha, mas, se livrou do vício após conhecer o seu padastro, há dois anos. Entretanto, o seu padastro é dependente de crack, e os relatos desse garoto mexeram com meu coração.

Querido Gabriel, claro que não foi perda de tempo ler sua história. Se você me contou tudo aquilo, é porque são fatos importantes para você.

Espero, de coração, que seu padastro encontre o caminho da recuperação nesta internação. Mas, me preocupei com você. Você é muito jovem para tanto sofrimento. Use tudo isso a seu favor! Nunca experimente nenhuma droga, pois, como você tem visto elas não são solução para os nossos problemas. Meu pai vendia nossas roupinhas e até nossas comidinhas para trocar por drogas. Entretanto, minha irmã e eu decidimos estudar e ter uma vida digna. Nunca usamos drogas. Nunca precisamos delas. E por isso, hoje podemos dizer para nós mesmas que vencemos. Temos bons empregos. Somos reconhecidas pela sociedade.

Faça o mesmo Gabriel. Vale a pena. Só assim você poderá ajudar sua mãe e seus irmãos. Afinal, você tem o nome de um anjo, sabia?!

Bom, amigos, é isso. Se vocês sentirem no coração de responder algum comentário deixado, fiquem a vontade, ficarei muito grata, e esse é o objetivo do blog, partilha de experiências, força, fé e esperança!

“Só é possível viver feliz para sempre, depois que se tem por base o dia-a-dia.” (Margaret Bonnano)

sábado, 30 de julho de 2011

Positivo!


Bom dia, amigos queridos!

Agora são 04h10min deste dia 30 de julho de 2011, sábado.

Trinta dias que meu esposo está limpo! Felicidade imensa!

Perdoem-me pela ausência, mas, vou explicar-lhes o porquê, e vocês com certeza irão compreender...

No dia 27/07 pela manhã, registrei aqui o post O Maior Presente que Ele me deu!, falando sobre o nascimento do meu filho caçula. Me emocionei  bastante ao escrevê-lo, recordando da minha gravidez e chegada do pequeno.

Ok, ok. Muita sensibilidade materna, não é mesmo?

Ocorre que, após terminar esse post, atentei que minha “regra” estava demorando a chegar. Daí, fui fazer minhas continhas e tal, e vi que havia um atraso de uns dez dias. Além disso, estava me achando meio gordinha. Atentei-me para algumas partes do meu corpo doloridas.

No mesmo dia, resolvi comprar um teste de gravidez de farmácia. Foram os cinco minutos mais longos, até sair o resultado.

POSITIVO! Aqueles dois tracinhos vermelhos no teste me fizeram perder o chão!

Calma, calma, muita calma nessa hora. Afinal, eles só acertam 99% dos casos, posso estar no 1%, não é mesmo?!

Mas, e quanto a esse enjoozinho e demais sintomas? Senti o barulhinho quando a ficha caiu: estou grávida!

Mil pensamentos por segundo na cabeça. Um pouquinho de preocupação. Mas, logo relaxei, e falei a mim mesma que ficaria muito feliz, afinal, esse é o maior presente que podemos receber!

Confesso que não estava nos nossos planos, mas, estava nos planos de Deus, e é isso o que importa! Seja bem-vindo(a) e muito amado(a), anjinho(a)!

Fiquei apreensiva em qual seria a reação do maridão. Não sabia como lhe contar. Medo até mesmo dele recair. Então, com a ajuda da minha filha, armamos um plano.

Compramos um sapatinho verdinho de bebê, colocamos dentro de uma linda caixinha escrita, Paizão você é... (na tampa) e várias virtudes (herói, amigo, querido, etc) na parte debaixo da caixa. Além dos sapatinhos envoltos em papel de seda, coloquei um envelopinho, com a seguinte mensagem dentro:

“Amor,
Fomos agraciados mais uma vez com essa grande bênção de Deus! Tô grávida!!! Parabéns, Daddy!”

Então fomos eu, minha filha e meu filhote, buscar o papai no hospital à noite. Encontrei uma colega dele lá embaixo. Era tudo o que eu precisava! Pedi que ela levasse a caixinha para ele, mas, não dissesse que era minha, apenas entregasse em nome de “alguém”.

Tadinho.

Quando o vi lá embaixo, ele estava simplesmente pálido com a caixinha na mão.

Ele disse que quase enfartou quando abriu a caixinha! Os amigos rindo e parabenizando, e ele sem saber o que pensar.

Meu marido ficou meio introspectivo por dois dias. Eu respeitei. E ainda assim, me mantive em minha felicidade e comemorando junto a familiares e amigos.

Entretanto, ontem ele já se mostrou feliz. Buscou várias informações no hospital quanto ao meu pré-natal e até quanto ao parto.

Fiz o exame de sangue no dia 28 e veio a confirmação.

Ontem tomei o reforço da vacina antitetânica, fiz a primeira ecografia, e alguns exames para dar início ao pré-natal. Está tudo bem comigo e com o(a) bebezinho(a)! Cinco semanas de gestação! Provavelmente nascerá em março de 2012.

Queridos, diante dessa notícia, gostaria de informar que minhas postagens não poderão mais ser diárias, visto que estou sentindo enjôos e muita dor de cabeça.

Mas, sempre que possível, virei aqui relatar nossas caminhadas de recuperação! Afinal, sinto falta de vocês, e preciso disso.

Embora, inevitavelmente, minhas postagens passarão a ter cheirinho de bebê. Risos.

Bom, queridos, é isso. Mesmo diante dessa bombástica notícia, que abala a emoção de qualquer um, meu marido se mantém firme. Quem sabe esse(a) anjinho(a) só vem para somar em sua recuperação, e na minha também, não é mesmo?!

Gostaria de aproveitar para responder uma pergunta que a Dione me fez, se um filho de um adicto tende a herdar essa doença do pai.

Querida, a dependência química envolve três características: a base genética, o meio e o indivíduo. Não somente a base genética. Tanto é que eu e minha irmã tivemos um pai dependente químico, e nunca desenvolvemos a dependência química. Meus avós não eram adictos, mas, meu pai foi. Meu sogro e sogra não usam drogas, e meu marido sofre da dependência química.

Entretanto, se tivermos nossos filhos, que geneticamente são mais favoráveis a desenvolverem a dependência, e somarmos a lares turbulentos, sem diálogo, sem amor, e enlouquecidos pela dependência química de um e a co-dependência do outro, é muito difícil para o desenvolvimento emocional sadio dessa criança.

Já li que filhos de pais dependentes são geneticamente diferentes, porém, só desenvolverão a doença se estiverem em um meio propício, e ainda se apresentarem características psicológicas individuais favoráveis.

Hoje vivemos em um mundo cheio de más influências, não só em relação às drogas, mas, onde vemos pessoas egoístas, pessoas más, desumanas.

Entretanto, não penso que meus filhos serão assim. Primeiramente, porque todos foram apresentados a Deus desde o ventre. Oro por eles diariamente. E busco mostrar-lhes e dedicar-lhes amor e atenção. Diante disso, só tenho em minha mente bons pensamentos para eles três!

Os filhos são herança do Senhor! (Salmos 127:3)

É isso aí, mamãe denovo!!!!

Mãe

É ela o bem mais precioso
Jóia de valor inigualável
Ser divino, amoroso
Dona do colo sempre afável

Guia no caminhar
Refúgio na tempestade
Amparo no tropeçar
Força na adversidade

Ela é musa doce e singela
Possui um frágil coração
Mas, se tocam na cria dela
Tem a força de um vulcão

É ela quem enxuga o pranto
E traz de volta o sorrir
Quem entoa o mais lindo canto
Mesmo cansada, até o filho dormir

Mãe é anjo, é heroína
Merecedora de toda reverência
Seu cuidado constante, fascina
E faz-se presente, mesmo na ausência

Ser mãe
É ter o coração pulsando em outro ser
É esperar ansiosamente por um abraço
É por nem um minuto esquecer
Daquele seu "outro pedaço".

quarta-feira, 27 de julho de 2011

O maior presente que ele me deu!

Bom dia, queridos!

Hoje é dia 27 de julho de 2011, quarta-feira, 08h25min desta manhã fria.

Vinte e sete dias que meu maridão se mantém limpo! Obrigada, Senhor!

A cada dia, as coisas vão entrando em seu devido lugar, as lembranças ruins vão se apagando, e vamos voltando à normalidade da vida.

Viver com um dependente químico na ativa nos deixa totalmente abalados. Ontem eu vi na TV um depoimento de uma mãe que dizia: “a dependência química adoece a família. O adicto quebra um prato na sua cabeça sob efeito da droga, e você, sem efeito de droga nenhuma quebra dez pratos na cabeça dele...”

Ficamos, de fato, meio enlouquecidos.

Meu esposo está limpo há quase um mês, mas, ainda hoje tenho sonhos freqüentes dele usando drogas.

Ontem eu fui fazer uma faxininha em casa e aconteceu uma cena que me fez rir muito de mim mesma. Ao arrastar a cama, para limpar embaixo, vi um pequeno plástico quadradinho. Gelei. Tinha umas coisinhas brancas nele. Peguei-o. Fiquei olhando pra ele como quem olhava para um fantasma. Apalpei. Olhei. Revirei. Estava com medo de cheirar para saber o que era... Gente, era a embalagem de uma cocadinha branca, que meu bebê comeu dias atrás, e deve ter jogado ali, bem escondidinho.

A gente fica meio paranóico sim.

Até hoje quando vou procurar alguma coisa em casa e não acho, vem o pensamento: “será que ele trocou por droga, quando estava na ativa?”

Dia desses eu estava procurando um tênis do meu bebê e não encontrava de jeito nenhum.

“Amor, você viu o tênis azul do bebê?” Perguntei, com medo da resposta, afinal, ele nunca trocou nada do nosso filho ou da minha filha, por drogas.
“Então, amor, era isso que eu ia te falar...”
Aiaiai, fiquei gelada.
“O tênis está lá fora, porque sujamos ele todo de terra, brincando.”

Como ele fala, BAH!, me senti culpada. Mas, é assim a vida de quem tem esse problema em casa, mesmo em tempos de calmaria, não ficamos totalmente normais.

Sem falar da ansiedade diante dos ponteiros do relógio e da aflição a cada pequeno atraso.

Mas, vou seguindo em frente, e espero um dia encontrar a serenidade total.

Bom, amigos, mudando de assunto, como sabem, estou de férias do meu trabalho, e até hoje não tive coragem de levar o meu filhinho para a escolinha dele. Ele é meu companheirinho. Mas, hoje terei que levá-lo de qualquer jeito, senão, não conseguirei fazer minha monografia.

Hoje eu gostaria de falar um pouquinho sobre o meu filhote. Esse presente de Deus na minha vida!

Ele veio de uma gravidez planejada. O pai dele estava há alguns meses limpo, estávamos muito felizes, firmes em uma igreja, e percebi que era a hora de conceder a realização desse sonho ao meu esposo, afinal, ele não tinha nenhum filho.

Descobri que estava grávida em abril de 2008. Eu havia passado muito mal, e pensei que fosse por causa de um salpicão. No hospital, no estado de Maryland, nos Estados Unidos, os médicos me disseram que eu estava grávida, mas, que eu perderia o bebê, pois, estava em processo abortivo.

Pensei que fosse castigo, por causa do que relatei no post O Maior Erro.

Chorei muito ao chegar em casa. E orei a Deus para salvar aquela vidinha que estava dentro de mim.

Fiquei muito triste. Liguei para o meu esposo e dei as duas notícias, a boa e a ruim. Daí, nem comemoramos a gravidez. Apenas ficamos esperando acontecer a perda.

Entretanto os dias foram passando. Eu me sentia muito bem. Muita fome! Daí, resolvemos procurar outro médico, fizemos uma ultrassonografia, e lá estava ele, nosso pequeno, bem saudável! Não havia nenhuma anormalidade, estava tudo bem com a gente.

Agora sim comemoramos!

Meu esposo não recaiu nenhuma vez durante a gravidez. Ele dizia que nunca mais iria recair, afinal, seria pai, teria alguém olhando para ele.

Eu acreditei.

Minha gravidez foi maravilhosa! Eu que tinha medo de não conseguir amar meu filho da mesma forma que amava a minha princesinha (filha mais velha), já estava totalmente apaixonada por aquele serzinho dentro de mim.

Curtimos cada chute, cada movimento, cada momento.

Dois fatos engraçados que ocorreram, foi quando tive desejos. Desejo de verdade! Uma vez de comer coxinha e outra vez de comer beijinho. Fácil, né? Sim, se não estivéssemos nos Estados Unidos.

As coxinhas meu marido fez para mim em casa. Foi muito engraçado. Ficaram feinhas, mas, foram as coxinhas mais gostosas que já comi em toda a minha vida!

E quanto aos beijinhos, fomos a uma loja brasileira, logo cedinho, antes dela abrir, e ficamos esperando na porta. Cena muito hilária. Quando a dona chegou, contamos que eu havia passado a noite pensando no tal beijinho. Mas, ela não tinha beijinhos na loja! “Não serve brigadeiro?” Não, não servia. Então ela me falou para fechar os olhos. Ela retirou a ameixa de um olho de sogra, e me fez comer de olhos fechados. Lembro-me que ela nem cobrou pelo docinho. Meu esposo comprou os ingredientes, e quase me matou de tanto comer beijinhos em casa.

Foi uma gravidez de fato feliz.

O dia do baby shower (chá de bebê) foi inesquecível. Muitos amigos e até minha mãe estava presente. Meu filho ganhou absolutamente tudo!

Eu havia me esquecido da adicção do meu marido nesse tempo.

Numa véspera de Natal, às 23h05min, nosso americaninho nasceu. Meu esposo estava lá ao meu lado. Assistiu o parto. E foi o primeiro a segurar nosso filhinho no colo. O momento mais emocionante na vida de uma mulher, com certeza.

Esse anjinho, sem saber, conseguiu fazer com que o papai ficasse um ano e dois meses sem usar drogas.

Alguns dizem que eu não devia ter tido um filho de um dependente químico. Mas, hoje, quando olho para o meu filho, não tenho como me arrepender.

Meu filho e minha filha, são minha vida. Entretanto, minha filha tem o pai saudável, tem os avós e tios que a amam e me ajudam em seus cuidados, enquanto meu caçulinha só tem a mim. Por ele, vejo que não posso desistir, não posso me entregar.

Olhar para ele me dá força!

Ele se parece um pouco com o seu avô (meu pai). É uma criança muito esperta. E tudo o que peço a Deus todos os dias, é que Ele o abençoe e o livre de todo mal.

Esses versos foram escritos no último mês da minha gravidez:

Presente de Deus, nosso plano.
Encontro. Fruto de um laço de amor eterno.
Semente do mais íntimo, germinação.
Ser tão pequeno e tão enorme...
Tão sensível e frágil, e tão forte...
Milagre da vida que cresce, dia a dia, aos poucos,
Como planta em solo fértil.
Que mais poderíamos querer?
Você misturado a nós, e nós a você,
Cúmplices do mesmo dom...
Nosso bem querer, nosso mais que querer...
Experiência única, efêmera e eterna.
Projeto de Deus, perfeição.
Sinta o nosso amor, desde agora, desde o ventre e para sempre.
Filho amado, laçado com cordão de bênçãos, seja bem-vindo aos nossos braços.
Venha e ocupe todos os espaços que já são seus...

Mas, agora não tem jeito, vou ter que levá-lo para a escolinha... Coração de mãe boba apertado!

terça-feira, 26 de julho de 2011

O exemplo de Francine Deschamps!


Francine Deschamps, uma médica veterinária linda, alegre, inteligente e cheia de sonhos que teve a sua vida interrompida aos 26 anos, em outubro de 2009, em razão de uma overdose, causada pela mistura dos medicamentos que tomava e cocaína.

Conheci o Blog Saudades da Fran, há mais ou menos duas semanas. Esse blog foi escrito por sua irmã Isabela, e traz nele escritos deixados pela Francine enquanto esteve internada e em tratamento, e também relatos de sua irmã sobre o sofrimento e luta da família em recuperar a Francine, bem como após a sua partida.

Confesso que fiquei muito emocionada com o que li. A Francine tinha um jeito despachado e engraçado de relatar os fatos. Eu ri e chorei diante desse PC.

Foi uma viagem ao passado, lembrando do sofrimento do meu pai e da luta dos meus avós, e ao mesmo tempo, identifiquei muito do meu esposo nos relatos da Francine. Nem sempre a realidade do adicto é igual a nossa. Aliás, quase nunca é.

São relatos dos altos e baixos de uma dependente química, e o sofrimento de toda uma família ao redor da sua adicção.

Recordo que quando meu pai faleceu, tudo mudou na casa dos meus avós, que já eram velhinhos. Meu avô passou a viver cabisbaixo, calado, vindo a adoecer logo em seguida. Acabou ficando acamado, e faleceu três anos depois.

Minha avó, que era a pessoa mais doce que já conheci, também nunca mais se recuperou. Parecia sentir-se culpada. Não aceitava a perda do filho. Na ultima vez que a vi com vida, ela já não nos reconhecia, e disse: “Tem um filho meu que nunca vem me ver. Aquele bonito, moreno. Fala pra ele vir aqui que eu quero falar com ele.” Ela estava se referindo ao meu pai.

Tudo isso é muito triste. E a esperança que eu, e com certeza a Isabela (irmã da Francine), temos, é que de alguma forma, alguém possa aprender com essas tristes histórias, a fim de não terem o mesmo final.

Uma das partes mais emocionantes do Blog é a carta da mãe da Fran, seis meses após o falecimento da filha. Clique aqui, e leia na íntegra a carta.

Francine, minha filha:

Hoje faz 6 meses! A dor da saudade é terrível, parece que o peito vai explodir. Choro todos os dias, de manhã quando acordo o primeiro pensamento é em ti, e antes de dormir choro com saudades...
Eu ainda custo a acreditar que não estás mais aqui. Parece que é um pesadelo e que vou acordar, mas a verdade é outra...

Conforme os dias passam, a saudade aumenta. Nada irá fazer com que voltes. É difícil superar a morte de uma filha, ainda mais da forma como aconteceu. Tem dias que estamos para baixo. É terrível, vários amigos tentam ajudar, mas é muito difícil a resignação, o aceitar...

Às vezes eu penso que podia ter um telefone lá no céu, já pensou eu falar contigo todos os dias e poder matar um pouco a saudade? Mas como não é possível, eu fico aqui convivendo com a dor, relembrando, chorando e esperando o dia em que eu vou te encontrar e aí sim nos abraçarmos e matar toda a saudade.

De sua mãe Leila”

O blog deixou de ser atualizado há nove meses, mas, ainda hoje, tem ajudado pessoas, e continua recebendo comentários. Vale a pena divulgar.

Parabéns pela iniciativa, Isabela! Desejo, de todo coração, que Deus conforte toda a sua família e coloque a serenidade em suas vidas, e a certeza de que vocês deram o melhor à Francine.

Abraços.

domingo, 24 de julho de 2011

Amor sem limite!


Domingão. 14h53min deste dia 24 de julho de 2011.

Vinte e quatro dias que meu amado esposo está limpo!

Vocês não imaginam o quanto estou feliz por cada 24 horas por ele conquistadas. Ele está a cada dia melhor. Já ganhou peso, não existem mais marcas em seus braços, nem sinais de feridas em seus pés. A irritabilidade está passando. Ele está feliz.

E quando vejo meu filho grudado no paizão, quando recebo os seus carinhos, quando vejo o brilho em seus olhos, quando acompanho suas conquistas profissionais, sinto que valeu a pena tentar mais uma vez. Valeu a pena não desistir do nosso amor, da nossa história, do nosso matrimônio e da nossa família.

Ontem fui buscá-lo no trabalho, à noite. Ele ficou bem contente. Voltamos os quatro juntos e foi muito divertido.

Hoje acordamos um pouco mais tarde. Havíamos programado uma ida à casa da minha irmã, mas, somos caseiros demais, acabamos optando pelo aconchego da nossa casinha. O dia está delicioso!

Vimos um filminho. Curtimos os meninos. Agora estou aqui dedicando um tempinho na net, enquanto ele está cuidando da fachada da casa lá fora, na companhia do caçulinha.

Meu esposo ama mexer com jardinagem, é apaixonado por flores e plantas. As orquídeas me fazem lembrar dele sempre.

Usando as perfeitas palavras do rei Roberto Carlos:

“Quando a gente ama alguém de verdade esse amor não se esquece. O tempo passa, tudo passa, mas no peito o amor permanece... E qualquer minuto longe é demais, a saudade atormenta, mas qualquer minuto perto é bom demais, o amor só aumenta...

Vivo por ele, ninguém duvida, porque ele é tudo na minha vida...

Eu nunca imaginei que houvesse no mundo um amor desse jeito, do tipo que quando se tem não se sabe se cabe no peito... Mas eu posso dizer que sei o que é ter um amor de verdade, e um amor assim eu sei que é pra sempre, é pra eternidade...

Quem ama não esquece quem ama, o amor é assim. Eu tenho esquecido de mim, mas dele eu nunca me esqueço... Por ele, esse amor infinito, o amor mais bonito, é assim nosso amor sem limite... O maior e mais forte que existe...”

Só por hoje, a adicção e as drogas perderam para a serenidade e o amor!

Só por hoje!

Obrigada, Jesus!

Facebook

Queridos, entrei no facebook, uma forma a mais de nos interagirmos.

Quem quiser adicionar é Polyanna Amando um DQ.

Fiquem com Deus.
Bom domingo!
Serenidade! ☺

sexta-feira, 22 de julho de 2011

I love myself!

Bom dia!

Amigos, muito obrigada pelas palavras deixadas ontem!

Hoje começa um novo dia. Agora são 06h12min, desta sexta-feira, dia 22 de julho de 2011.

22 dias que meu esposo está limpo! Obrigada, Senhor!

Estou muito feliz pela força dele. O caminho que ele está usando para se recuperar é o trabalho. Por vezes, sinto sua falta, mas, o importante é que ele está bem.

Eu o amo. Do jeito que ele é, com seus defeitos e qualidades. Entretanto, amar um dependente químico não é uma escolha fácil de fazer.

A imaturidade e infantilidade são algumas das características do dependente químico, visto que por alguma razão, o desenvolvimento emocional dele estaciona na época em que fez uso da droga pela primeira vez. Ou seja, hoje a idade emocional do meu marido está perto dos 20 anos, o que o faz agir de forma mais egoísta, outra característica dos adictos.

Explicando melhor, o que nos faz amadurecer são os problemas e como os resolvemos. Tendo em vista que a droga se torna uma fuga ao adicto, ele envelhece na idade, mas, não aprende com as experiências “solucionadas” pelas drogas.

Então, nesse relacionamento, temos de um lado, o adicto, com suas características. E do outro lado temos a co-dependente, no caso, eu. Carente, necessitada de carinho, afeto e cuidado, que, de alguma forma, foram insuficientes na infância.

Meu amado não pode me dar esse afeto, cuidado e atenção da forma que eu desejo. Não que ele não queira, ele simplesmente não pode.

Então esse é o quadro. E quando fico assim debilitada fisicamente, sinto isso de forma mais intensa.

Não adianta me iludir, ele não tem condições de ser aquele cara preocupado, que vai acordar no meio da noite pra ver como estou. Ele está focado (e precisa estar) em sua recuperação e em seu trabalho que é o meio que encontrou para ocupar sua mente. Pedir que ele se preocupe com quem está ao seu lado, é pedir demais, e pode colocar tudo a perder.

Isso já trouxe muitos problemas para o nosso relacionamento porque eu cobrava algo que eu não havia recebido dos meus pais, mais especificamente, do meu pai, e que eu queria que o meu marido compensasse. Entretanto, ele também tem dificuldades nessa área, e não pode me dar isso.

Hoje eu entendo melhor, e não cobro. Mas, às vezes ainda me entristeço diante dessa realidade.

Ontem minha irmã esteve aqui em casa com uma amiga de infância nossa. Foi muito bom. A casa cheia de crianças. E nós pudemos bater um bom papo. Elas ficaram preocupadas comigo, por causa dessa alergia que nunca passa, e do meu abatimento. Diante dos cuidados delas, me deu vontade até de chorar, porque quase nunca recebo aquele tipo de preocupação e atenção. Geralmente sou apenas eu quem cuido.

Talvez esse tenha sido um dos motivos que me levaram a abrir para o mundo a minha vida, aqui no blog, na tentativa de receber mimos, cuidados, carinho, mesmo que seja assim, virtualmente.

Entendam que eu amo o meu esposo. E não tenho dúvida nenhuma do amor dele por mim. Apenas estou expondo uma dificuldade nossa. Um problema que existe na junção de um dependente químico com um co-dependente.

E não vou negar que essa foi uma das razões de eu estar “deprê” esses dias.

O mais engraçado é que eu também não cuido de mim como deveria, entretanto, quero que outros o façam. Estranho não?

Bom, amigos, apenas estou abrindo o meu coração pra vocês. Mas, hoje estou de fato melhor. Tentarei seguir o que vocês me orientaram nos comentários do Post anterior.

“Acordo de manhã e fico contente por me encontrar? Gosto de estar comigo? Gosto de meus pensamentos? Divirto-me em minha companhia? Amo meu corpo? Estou contente por ser eu?

Se não tenho um bom relacionamento comigo, como posso ter com os outros? Se não me amo, estarei sempre procurando alguém que me complete, me faça feliz, realize meus sonhos...

Ser "carente" é o jeito mais fácil de atrair um relacionamento insatisfatório...

Em qualquer relacionamento no qual duas pessoas tornam-se uma, o resultado final apresenta duas pessoas pela metade...

Comece hoje mesmo a afirmar o amor e o respeito por si mesmo. Olhe-se com freqüência no espelho e diga: EU AMO VOCÊ. Pode parecer algo muito simples, mas é uma afirmação de cura poderosa. À medida que o amor por si mesmo for crescendo, seus relacionamentos refletirão amor e respeito.

Se você espera que a outra pessoa "conserte" sua vida, ou seja a sua "melhor metade", está preparando um fracasso. Precisa estar feliz com o que você é, antes de entrar num relacionamento. Precisa ser tão feliz que nem precise de um relacionamento para ser feliz."

(Dr. Wayne Dyer)

quinta-feira, 21 de julho de 2011

Pra baixo!

21 de julho de 2011, quinta-feira, 08h06min.

Vinte e um dias que meu esposo está limpo!

Não estou conseguindo escrever nestes dias. Estou com meus dois filhos em casa, aliás, hoje tenho três crianças em casa, pois, veio uma coleguinha da minha filha para brincar com ela. Os três ainda dormem.

Meu esposo já saiu para o trabalho.

Para eu conseguir escrever, preciso ouvir meu coração, e ele parece estar em silêncio, ou há muito barulho ao redor. Desculpem-me. Mas, semana que vem as coisas voltarão ao seu normal.

Amigos, não estou bem. Após aquela segunda-feira maravilhosa, passei a uma série de programas com meus filhos (shopping, parquinho, karaokê, sorvete e por aí vai), e tem sido uma delícia, mas, não estou bem. Lá dentro, bem no fundo, há algo que não sei descrever. Um aperto.

Tive sonhos ruins. Sonhei com meu pai, com drogas. Sonhei com o velório de um primo nosso que, no sonho, havia morrido de overdose.

Não entendo por que estou me sentindo assim. Está tudo bem. Mas, eu estou com medo. Não adianta negar, fingir que o medo não está aqui, porque ele está.

Será que isso se dá por que não me permito ser feliz quando posso? Ou isso é natural, diante de tantas recaídas vividas ao longo desses cinco anos?

Sei lá.

Eu sou a pessoa mais alérgica que existe no universo. E nestes dias, estou muito atacada. Aliás, há muito tempo não melhoro. Uma amiga me disse que isso são sentimentos reprimidos. Na hora eu sorri, mas, estou começando a acreditar. Quando está tudo tranqüilo por aqui, fico bem. Entretanto, quando o vejo agitado ou irritado, disparo a espirrar sem parar. Ataca minha rinite e todas as outras “ites” na hora. É muito louco!

O fato é que juntando essas crises alérgicas + efeito dos antialérgicos + medo + Psicóloga de férias + TPM, o resultado não é nada agradável. Estou meio pra baixo. Inegável. Desculpem-me.

E o fato de estar de férias há seis dias, e até hoje não ter conseguido tirar nem um minutinho para mim mesma, me irrita. Ainda me vejo no finalzinho da fila da minha lista de prioridades. Isso é horrível.

Gente, melhor eu parar de falar, hoje só estou soltando marimbondos pela boca... Rs. Vou deixar o livro Compartilhando Experiência Força e Esperança – CEFE, falar por mim, é melhor.

“Quando me surpreendo sendo levada por pensamentos negativos, converso a respeito de minhas preocupações para aliviar o medo que sinto. Lembro a mim mesma que não posso ver o futuro, e preocupação nunca evitou que algo acontecesse. Então, me solto e entrego minhas preocupações a Deus, dizendo a mim mesma que seria melhor que vivesse o aqui e o agora. Preciso me desligar do futuro e do resto do mundo.

Tenho que viver um dia de cada vez, como se o amanhã não existisse. Por isso, me preocupar com o amanhã ou com especulações sobre o futuro não vai trazer paz e serenidade para minha vida. Se tomar atitudes que demonstrem minha sinceridade em relação aos outros e cultivar minha confiança em Deus, terei o que quero: uma existência equilibrada, longe dos altos e baixos que sempre acompanham minhas preocupações e medo.” (CEFE, pág. 153)

“Não antecipe problemas ou se preocupe com coisas que talvez nunca aconteçam. Mantenha-se sob a luz do sol.” (Benjamin Franklin)

Beijos.
Serenidade pra nós, só por hoje!

terça-feira, 19 de julho de 2011

O desejo de parar de usar!

Bom dia!

Agora são 08h44min, desta terça-feira, dia 19 de julho de 2011. O dia ideal para sermos felizes, não é mesmo?

Dezenove dias que meu esposo está limpo!

Ele saiu para o trabalho por volta de 05h55min. Saiu apressado, pois, estava um pouco atrasado. Roupas brancas. Cabelos bem cortados. Barba feita.

Já estou com saudades. Mas, a vida segue. E hoje é dia de curtir meus filhotes!

Além de me possibilitar conhecer muitas histórias de co-dependentes, este blog também me permite acompanhar muitos dependentes químicos em recuperação. Torço, oro, e desejo que tudo dê certo para esses companheiros.

No dia 17 deste mês, recebi um e-mail, com uma história de superação, uma história que emociona e nos mostra um pouco do que o adicto sente, que eu não poderia guardar apenas para mim. Ele é o marido da nossa amiga, cuja história foi relatada no post Um Casal em Recuperação.

Suas palavras me encheram de esperança. Sei que o meu marido também pode, e vai!

“Boa noite Poly, tudo bem? Meu nome é M., sou marido da T., e tenho acompanhado sua história, através do seu blog.
Sou um adicto em recuperação, membro do N.A., Só por Hoje não usei drogas e isso se repete a oito meses e sete dias, mas é só por hoje, não tem nada garantido se eu não continuar voltando.
Vou contar um pouquinho da minha história para você.
Comecei a usar droga muito cedo, aos doze anos foi a primeira dose, e a minha droga de escolha era a cocaína.
Aos 35 anos resolvi pedir ajuda, pois, não suportava mais tanto sofrimento, nem meu, nem das pessoas que faziam parte do meu convívio e que me amavam, o sofrimento é muito grande para todos.
Durante todo esse tempo usando drogas, posso afirmar, com bastante certeza que não houve um dia que eu consegui pelo menos empatar, foi derrota, atrás de derrota. Cometi diversas insanidades para conseguir mas uma dose. Todos os dias eu desejava, de verdade para de usar, mas não conseguia, era mais forte que eu, era uma briga desigual, era a minha carne pedindo mais uma dose, e a minha mente não tinha meios de dizer não para o meu corpo, e assim eu continuava usando, e conseqüentemente, acabando com a minha vida em todas as áreas.
Não conseguia ser pai, marido, filho, profissional, amigo, etc... Resumindo, eu não conseguia ser nada, cheguei ao ponto de não me reconhecer mais, perdi minha própria identidade, pois, vivia usar e usava para viver.
Por diversas vezes vi a morte bem de perto, pois, quase fui assassinado e quase morri de overdose algumas vezes, mas graças ao meu Poder Superior, que o da minha compreensão é DEUS, estou aqui tendo a oportunidade de contar um pouquinho da minha história pra você.
Minha esposa sofreu muito com a minha adicção ativa, cheguei a pedir que ela me abandonasse, pois, não suportava mais ver o sofrimento dela. Um determinado dia, depois de ficar cinco dias na rua usando drogas, e sem dar notícias, ao chegar em casa, pedi que ela pegasse nosso filho e fosse embora, pois, eu não via mais nenhum motivo para ela estar comigo. Disse que eu não servia para mais nada,mas que ainda assim eu ia tentar me salvar, e ela me disse o seguinte: EU TE AMO, VOCÊ É O PAI DO MEU FILHO E NÃO VOU TE DEIXAR, VOU CONTINUAR AO SEU LADO E VOCÊ VAI CONSEGUIR SAIR DESSA!
Naquele momento, meu filho que tinha apenas 1 ano e 4 meses, saiu do colo dela e me deu um abraço muito apertado, demonstrando que estava com muita saudade de mim, e foi essa demonstração de amor que salvou minha vida, pois, peguei o telefone e pedi ajuda.
Uma semana depois, estava chegando na casa de recuperação de uma comunidade católica, permanecendo por lá 3 meses e meio, e sou muito grato àquelas pessoas que me receberam com muito amor e carinho, algo que nunca tinha experimentado antes.
Fiquei limpo por um tempo, e logo veio a primeira recaída, mas não desisti da minha vida, pois, quando estava internado, aprendi que CAIR É DO HOMEM, E LEVANTAR É DE DEUS.
Após algumas recaídas, cheguei à sala de Narcóticos Anônimos, onde também fui recebido com muito amor e carinho, e lá eles me disseram que eu era a pessoa mais importante, o que me surpreendeu, pois, durante anos da minha vida, eu já não era importante nem para mim mesmo.
Em N.A. aprendi que eu era um adicto, que era portador da doença da adicção, que é incurável, progressiva e de determinação fatal, que me levaria a três caminhos, instituição, prisão ou morte e que antes de me matar ela iria me desmoralizar.
Preso eu já fui usando droga, estive internado em uma instituição, assim só me restava a morte... Ocorre que eu não queria morrer usando droga, e por isso continuei voltando e fazendo o que o programa me sugere, e isso tem salvo a minha vida, só por hoje, há 8 meses e 7 dias.
Hoje, Poly, estou limpo, consigo ser pai, ouço do meu filho todos os dias que sou seu melhor amigo, consigo ser um marido para a mulher que um dia fiz sofrer tanto, consigo ser um profissional competente, consigo ser amigo, e assim tudo vem dando certo em minha vida, isso porque encontrei uma nova maneira de viver, "SEM O USO DE DROGAS".
Tenho acompanhado a sua luta diária, com seu marido e posso te dizer que é possível parar de usar, perder o desejo, e encontrar uma nova maneira de viver, mas isso não depende de você, depende somente do desejo dele, pois diz a 3ª Tradição de N.A. que: O ÚNICO REQUISITO PARA SER MEMBRO É O DESEJO DE PARAR DE USAR.
Um adicto que não queira parar de usar, não vai parar de usar. Pode ser analisado, aconselhado, persuadido, pode se rezar por ele, pode ser ameaçado, surrado ou trancado, mas não irá parar até que queira parar.
Poly, espero de verdade, que seu marido consiga se livrar da garras da adicção ativa, pois, sei o sofrimento que é, e não desejo isso pra ninguém...
Esse é um pouquinho da minha história.
SÓ POR HOJE: EU ESTOU AGRADECIDO POR PODER ME IDENTIFICAR COM OUTROS. HOJE, AO PARTILHAREM SUAS EXPERIÊNCIAS, EU OUVIREI E PARTILHAREI AS MINHAS COM ELES.
Seja muito feliz, Só por Hoje! Abraços.”

Dispensa comentários adicionais, não é mesmo?

Apenas desejo muita serenidade a esse casal, e que Deus os abençoe só por hoje, e sempre! E que o amor sempre fale mais alto...