segunda-feira, 27 de junho de 2011

Passei a bola, desliguei!



Agora são 22:31 horas deste 27 de junho de 2011.

Meu marido permanece limpo. Doze dias. Só por hoje!

Se eu fosse traduzir este dia em uma palavra, ela seria esperança.

“Esperança: expectativa de um bem que se deseja, sentimento de quem vê como possível a realização daquilo que deseja, confiança em coisa boa, fé.”

Hoje tive a oportunidade de conhecer um pouco mais de perto o que a minha amiga Giulli, do Blog Valeu a Pena, vem postando a alguns dias.

Trata-se de um tratamento para dependentes químicos que envolve psicoterapias e o uso de uma raiz africana. Segundo relatos, o índice de recuperação é bem alto, e eu pude conversar com o médico que realiza esse procedimento no Brasil.

Eu não conseguia conter minha emoção e ansiedade diante de uma nova oportunidade de recuperação para o meu esposo. Liguei em seu trabalho e falei resumidamente o que o médico havia me dito.

Acredito que até neste momento estava tudo normal em minha reação, afinal, caso descobrissem a cura do câncer, por exemplo, que esposa de um enfermo não ficaria radiante de felicidade, não é mesmo?

Na verdade, eu nem me deixei abater diante do alto valor de, em média, R$ 12.000,00 (doze mil reais), que teríamos que desembolsar com passagens, diárias, internação e tratamento.

Quase que eu não conseguia me segurar de ansiedade em ver meu esposo e lhe relatar os detalhes de tudo. Eu já estava com quase tudo planejado em minha mente, quando ir, como ir, como levantar esse dinheiro... STOP! Esse papel não caberia ao meu esposo? Olha a co-dependência colocando as garrinhas de fora!

No horário de costume, meu esposo chegou em casa. Ele estava sério. Estava com dor de cabeça e sem nenhuma vontade de conversar. Mas, ainda assim, eu insisti em falar, falar e falar sobre o tratamento.

“Ai, amor, nem acredito que vou te ver livre disso!” Eu falei, radiante, sem perceber o quanto estava sendo inoportuna.

“Amor, chega por favor, vamos parar com esse assunto.” Ele falou em tom meio áspero.

Calei-me e pude ponderar em minhas ações neste dia. Não sei se sua reação foi por medo de não dar certo, ou receio de como levantar o dinheiro, ou de acreditar mais uma vez, ou de mudar. Mas, sei que devo respeitar.

O meu papel já foi feito. Extraí todas as informações sobre o tratamento. Agora a decisão de fazer ou não, ou mesmo de como fazer, e quando, só cabe a ele. É da vida dele que estamos falando.

Engraçado como a co-dependência age, não é mesmo? Minha visão é praticamente monocular, tenho um sério problema para ver de longe. Está piorando a cada dia. Os médicos acreditam que eu já tenha nascido com esse problema, alguns suspeitam que seja “herança” do vício do meu pai. Há anos sonho em fazer minha cirurgia, que custa em média, uns R$ 5.000,00 (cinco mil reais). Mas, nunca foi possível. Nunca tenho dinheiro, tempo ou meios para fazê-la.

Entretanto, quando o assunto é salvar meu amado adicto, tudo é possível, nada é difícil. Percebem?

Bom, o fato é que agora, esse assunto não diz mais respeito a mim. Já falei o que tinha a falar para ele. A “bola” está com ele, cabe a ele fazer o gol ou chutar para fora.

Meu papel agora é me desligar...

Mudando de assunto, hoje à noite, recebi uma partilha especial de uma companheira que descobriu este Blog por acaso.

Uma história de alguém que ama um dependente químico e não sabe mais o que fazer para ajudar o seu amor.

Em um trechinho do e-mail, ela diz: “namoro ele faz 6 anos, na esperança de que fique limpo, que vai ser diferente, vivenciei todo os seus sentimentos, angustias, medos, raiva...nossa... parece que você falava de mim...”

Querida leitora, sinto o mesmo. Cheguei a pensar que eu estava ficando louca. Que eu era a única no mundo que sentia e pensava assim. No grupo Nar-Anon, e aqui no Blog, tive a oportunidade de conhecer várias outras pessoas muito parecidas comigo, na dor, no amor, na esperança. Portanto, sinta-se em casa! Aqui ninguém julga ninguém, todos entendemos uns aos outros, porque sentimos e passamos pelas mesmas experiências.

Ela ainda diz: "nao sei o que fazer qdo ele chegar, se espero ele me pedir ajuda, ou se vou correndo oferecer a ajuda, to cansada, me sinto sozinha e nao quero mais viver assim nessa instabilidade emocional e financeira. O que faço, quero me separar, nao posso mais aceitar essas recaidas, ficar dando murro na ponta de faca."

Minha querida, todos nós temos os nossos limites. Se você já chegou ao seu limite, e não quer mais essa situação em sua vida, saiba que é um direito seu escolher isso pra você e deixar que seu namorado siga o seu próprio caminho.

Sugiro que você leia os Posts Escolhas, de 31 de maio, e o Tempestade, de 15 de junho, vai te ajudar.

Uma coisa é certa, a salvação do seu namorado depende somente dele. Não se sinta responsável por ele, porque você não é. Se ele quiser se recuperar, ele achará esse caminho com ou sem você. E se ele não quiser, ele se manterá na droga, também com ou sem você.

Portanto, estando com ele, ou resolvendo deixá-lo, esteja focada em você mesma e no que será melhor para a sua vida.

Qualquer caminho que escolhamos, não será fácil, e exigirá de nós muita coragem, força, serenidade e vontade de viver de verdade.

“Decisão: algo que alguém escolhe ou muda de opinião a respeito, depois de considerar essa e outras alternativas possíveis.” (Encarta World English Dictionary).

Faltam apenas quatro dias para o sorteio de aniversário do 1º mês deste Blog, participe!

3 comentários:

  1. É querida Poly, a sua parte foi feita, agora é entregar e confiar, esperar que ele seja tomado por coragem, vontade e tudo mais...
    Você está certa em agora deixar a decisão nas mãos deles, eu sei o qnto isso é difícil, agente ver a possibilidade da luz no fim do túnel e não podermos fazer nada, porque quem tem que ver essa luz são eles e não nós...
    Amiga, sei que td isso não foi em vão, em breve você verá, ele se acostumará com a idéia e discutirá o assunto.
    Estou aqui na torcida pela recuperação dele, não importa como, o importante é que ele encontre o caminho.
    Beijos e muita luz no seu caminho...

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  2. Está tudo bem, Giulli. Na hora, confesso que senti como um "balde de água fria", mas, sei que ele está pensando no assunto e ainda vai falar sobre isso. Agora é esperar o tempo dele, né? Obrigada por tudo e pela força!
    Beijos!

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  3. Exatamente, é esperar tempo dele!!! Na cabeça dele deve ta pasando tanta coisa com essa nova hipótese, que é normal né que ele precise de tempo pra assimilar...
    Bjos...

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