quarta-feira, 1 de junho de 2011

Nada a fazer!

São 05:43h da manhã deste 1º de junho de 2011. Sete dias que meu esposo está limpo!

Hoje, ao acordar, ele disse: "Estou sentindo uma paz..."

Passei seu uniforme branco, enquanto ele estava no banho. Ele foi para o trabalho há poucos minutos atrás.

"Vai com Deus, amor. Só por hoje estaremos te esperando em casa, tá?!" Como se eu buscasse uma palavra que me tranquilize, uma garantia de que hoje dará tudo certo, uma certeza de que ele voltará para casa, sem perder-se no caminho...

Hoje ficarei em casa. O médico receitou corticóide e antibiótico para o meu bebê. Ele está com faringite. Esta noite ainda teve muita febre. Pedia muita água e suco. Dormiu agarradinho ao meu colo... Cantei bem baixinho até ele adormecer...

Eu sempre quero que ele fique quietinho, porque é muito levado, mas, quando o vejo quietinho assim, me corta o coração...

O que me preocupa é que ele é muito difícil para tomar remédios. Ontem ao tomá-los, os vomitou. O médico pediu para retornarmos amanhã ao consultório. Sei que ele vai ficar bonzinho logo!

Embora meu esposo esteja acostumado com enfermidades, afinal, faz parte do seu trabalho, quando o enfermo é o nosso filhinho, ele fica totalmente desorientado. Ontem passou o dia calado, irritado e impaciente. Reclamou de dor de cabeça e ficou deitado a maior parte do tempo, além de mostrar-se intolerante diante da dificuldade do nosso pequeno em tomar as medicações.

Esse é um dos fatores que acompanha uma esposa, ou quem tem como companheiro um dependente químico, a ausência de alguém para se apoiar quando você necessita... Eles não têm nenhuma estrutura para problemas. Então nós, co-dependentes, sempre temos que segurar a barra sozinhas.

Então me apoio e busco forças em Deus!

No entanto, ele tenta ser diferente. Percebo isso. Ele foi conosco à consulta médica do bebê, e se mostrou prestativo na clínica, e durante o atendimento.

Ontem, pela manhã, uma senhora ligou para parabenizar meu esposo por seu aniversário no dia 30. Era a filha de um velhinho que ele havia cuidado até o início do ano passado. É uma família muito querida, que ama muito o meu esposo, pelo carinho que ele dedicou ao senhorzinho. Entretanto, quando ele trabalhava lá, entrou em uma crise terrível que culminou na internação. A família até hoje não sabe ao certo o que ocorreu com ele, pensam que foi uma crise depressiva. No auge da sua obsessão e compulsão pela droga, ele chegou ao cúmulo de bater na porta dessa senhora às quatro horas da manhã, pedindo R$ 50,00. Posteriormente ela me ligou relatando o fato, eu não sabia o que dizer, fiquei com vergonha e com pena do total descontrole do meu esposo. Então, apenas disse que ele não estava bem e que estava precisando se tratar.

Ontem ela ligou e o convidou para voltar a cuidar do seu pai. Ou seja, um dia ele estará de plantão no hospital, e no outro, cuidando desse senhor. A proposta é muito boa. O salário é melhor que o do hospital, pois, é uma família muito bem estruturada financeiramente. Eu deveria estar feliz. Deveria comemorar com ele. E até tentei fazer isso, mas, no fundo estou com medo! Medo de reviver tudo novamente... Medo daquelas lembranças que até hoje enchem meu peito de dor...

Eles moram muito longe da nossa casa. Meu marido atravessa a cidade para chegar lá. Penso que essa ligação também colaborou para sua angústia no decorrer do dia de ontem. "Tenho medo, mas, tenho que encarar." Foi o que ele disse.

Meu marido sempre foi um excelente profissional. Ele ama o que faz. É perfeccionista em suas atividades. E principalmente trata os pacientes com muito carinho. Sendo assim, ele sempre foi muito querido pelas famílias, além de estar sempre recebendo presentes, e elogios direcionados à sua chefia.

Infelizmente, muitas vezes os presentes recebidos em dinheiro, se transformaram em drogas. È o lado dele que essas famílias não conhecem. O lado dolorido, auto-destrutivo, e sempre muito bem camuflado.

Ficou combinado para ele começar amanhã nesse trabalho. Não posso decidir por ele. Não posso carregá-lo no colo. Não posso fazer nada. Apenas confiar em Deus!

Amanhã deixemos para amanhã, não é mesmo?

Só por hoje, quero viver bem e serenamente, sem os fantasmas do medo e da angústia a me rodearem!

4 comentários:

  1. Amiga, se eu duvidasse eu juro que eu não falava mas, eu creio: o dia da tua recompensa já está na agenda de Deus, e vai ser antes de mais nada pelo reconhecimento público de seu esposo, de que és uma mulher de fato virtuosa!

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  2. Parabéns pelo Blog. Força, fé e esperança, sempre!
    Bjs

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  3. Querida Darléa, muito obrigada por seu comentário! Te desejo o mesmo: força, fé e esperança só por hoje, e sempre!

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