sexta-feira, 24 de junho de 2011

Esclarecimentos!

Hoje, por volta das 19 horas recebi um e-mail muito interessante de uma leitora do Blog, onde ela me apresenta alguns questionamentos. Tentarei respondê-los com a maior sinceridade e clareza possível:
“Tentei postar a mensagem abaixo em teu blog, mas por inexperiência não consegui. Assim a estou enviando por este email. Aí segue: Li todas as mensagens postadas em seu blog. Aprendi muito e lhe agradeço por isso.Você é uma pessoa iluminada sem dúvida, mas algumas dúvidas surgem e me permito tentar entender. Você relata muitas vezes atitudes dele provocadas pela falta da droga como por exemplo quando sentiu vergonha na festinha de seu filho e da vez que colocou a mão em seu pescoço , mas você nunca relata descontroles seus como se conseguisse "sempre" se manter no controle, na serenidade. A meu ver isso parece um pouco irreal, pois por mais que seu tratamento apresente resultados,como pode consegui-los em 100% das vezes?”
Querida leitora, o blog hoje tem mais de 80 posts, não sei se você conseguiu acompanhar todos desde o início. Nem sempre mantive o controle. Quando ocorreu esse fato mesmo dele me agredir (pescoço), no primeiro ano do nosso casamento, eu estava totalmente descontrolada, afundada em minha doença sem saber, não tinha serenidade nenhuma. Em muitos posts citei minhas loucuras, inclusive um deles tem o título “Insanidades”.  Eu gritava, xingava, chantageava, ameaçava ir embora, já avancei nele também, era um terror que não gosto nem de me lembrar. Hoje, graças a Deus, consigo sim manter minha serenidade, por ter havido uma mudança de pensamento. Não sei se você conhece os doze passos, eles mudam a nossa vida sim. Já vi mães com três filhos se drogando, e, ainda assim, mantendo a serenidade. Acredite, é possível, e é real. Eu tenho os meus sentimentos sim. Sinto raiva, dor, decepção, mas, não me deixo levar por eles, tenho o controle sobre mim mesma, e isso é maravilhoso. Faço a oração da serenidade. Penso se o que vou falar ou fazer trará algum resultado. Se a resposta é negativa, fico quieta, me ocupo com as crianças, até que o que estou sentindo passe. Somos casados há cinco anos, e eu estou em recuperação há dois anos. Ainda há muito a melhorar, mas, posso dizer que sou uma outra pessoa. Meu marido vê isso. Eu vejo isso. E isso reflete na minha família muito positivamente.  
Outra dúvida, será isso é amor ou teimosia....Onde estará o limite entre persistência e teimosia? Será que não é uma "luta de braços" e você quer provar para si mesma que é uma heroina e vai lutar até morrer para conseguiur um troféu e assim provar para si mesma que é uma vitoriosa? Será que você precisa deste troféu para se sentir melhor? ou se aceitar como você é com suas carências e fraquezas. Amor entre homem e mulher exige respeito, admiração, companheirismo, fidelidade e será que neste relacionamento isso existe?
Sinceramente, eu sempre me faço essas perguntas também. Até que ponto é amor, e até que ponto é a co-dependência. Para isso estou fazendo meus tratamentos psicológicos, pois, ainda não tenho a resposta. Talvez eu queira salvá-lo para fazer o que não fiz pelo meu pai. Talvez eu queira provar a mim mesmo o quanto sou boa. Eu sempre fui muito cabeça dura, talvez seja isso, teimosia. Mas, talvez também seja amor. Eu sempre fui muito romântica, e sempre acreditei muito no amor. Claro que a co-dependência nos faz ter um parâmetro diferente do utilizado por pessoas sem esse problema. Mas, na minha concepção, é amor, por isso ainda estou aqui. Leia o post Páginas Brancas, lá fala um pouco dos nossos momentos de amor, da nossa história que, graças a Deus, não se resume à Dependência Química. Com o tempo, aprendemos a nos respeitar e admirar. Admiro o meu esposo, embora abomine a sua doença. Ele é grosseiro quando está em abstinência, mas, também sabe ser muito amável e carinhoso quando está bem. Relacionamento perfeito? Não, nosso relacionamento está longe da perfeição. Mas, acredito sim no amor dele por mim, e no meu amor por ele. E isso pra mim basta. Existe sim respeito, admiração, companheirismo e fidelidade, quando as drogas estão fora da jogada. Quando elas entram, não sobra nada, é verdade.
Quanto a seus filhos: até que ponto manter este ambiente é saudável para eles? Será mais saudável ver um pai doente ou sentir saudades?
As duas opções são ruins, por isso ainda aposto na recuperação do meu esposo, embora possa parecer utópico para alguns. Meu pai era dependente químico, e sei que não é fácil. Mas, se um dia eu me separar do meu marido, quero poder olhar nos olhos dos meus filhos e dizer que eu fiz TUDO o que podia. Meu caçula é apaixonado pelo pai, e com certeza não quero que ele cresça vendo o pai sofrer, e sofrendo por isso. Mas, meu marido luta por sua recuperação, e é isso que faz a diferença em minhas decisões. Se ele um dia me disser que é a droga que ele quer, não tenho mais o que fazer aqui. Mas, o que tenho visto é alguém que tem lutado, e muito por sua recuperação. E eu sou sua esposa, sua companheira, e eu jurei estar com ele na saúde e na doença, e enquanto eu puder, vou cumprir. Quanto aos meus filhos, o mais importante é lhes dar uma mãe serena, tranqüila e amorosa, para ajudá-los e ampará-los quando as dificuldades vierem, quer seja a adicção do pai, ou qualquer outra.
Quanto a seu marido: que perdas ele tem pela sua opção? Tem uma esposa maravilhosa sempre dizendo que o ama , mantendo uma casa sempre organizada com tudo o que ele precisa, filhos que não precisam do resultado de seu trabalho para o seu sustento e nem de seus cuidados pois tem uma super mãe que mantém tudo sob controle, carro para usar para buscar sua droga e nem sequer precisa se procupar em pagar a prestação de seu financiamento, eletrodomésticos a sua disposição para manter seu vício. Enfim, para que mudar, para que se tratar?????
Houve um tempo em que eu o superprotegia das conseqüências do seu vício. Hoje não mais. O fato de manter minha família não quer dizer que eu o impeça de arcar com as conseqüências do seu vício. Ele trabalha, e muito. Ele tem o seu salário e sou eu quem o administro, a seu pedido. Os objetos trocados não são substituídos por mim. O carro raramente fica com ele. Ele tem ciência que estou muito cansada de tudo, e que pode sim perder sua esposa e sua família. Considero-me uma boa esposa, de fato. Quero deixar bem claro que não sou perfeita. Sou ciumenta, às vezes sou chata, sou ansiosa, e por aí vai. Mas, sou uma boa esposa e boa mãe sim. E se meu marido continuar no vício, ele me perderá, com certeza, e ele sabe disso. Conseqüentemente, perderá tudo o que tem hoje. Antes ele me via arrasada, abatida, chorando, o esperando de madrugada. Hoje, ele me vê dormindo quando chega da rua, me vê indo trabalhar, me arrumando, tocando a minha vida, apesar dele estar se drogando. Isso o deixa inseguro e o faz refletir que algo mudou por aqui, e pode mudar ainda mais.
Quanto a você: como consegue tempo para cuidar tão perfeitamente de tudo e de todos, fazer os trabalhos domésticos que não são poucos ( a não ser que tenha uma auxiliar doméstica que não relatou), trabalhar, ir a estudar e fazer trabalhos de conclusão de pós que exige muita dedicação , ir ao psicólogo, ir ao psiquiatra, ir ao salão de beleza, estar presente nas festinhas de escola...etc....Como consegue o que parece impossível sempre mantendo a serenidade e nunca perdendo o controle ???
 Quem disse que nunca perco o controle? As vezes fico louca em meio a tantas atividades! Mas, deixa eu esclarecer como arco com minhas obrigações. Entro no trabalho às 09:00h e saio às 17:00h, de segunda a sexta. Não tenho uma auxiliar doméstica e nem mesmo uma diarista, pois, estamos muito apertados financeiramente, mas, não sou uma excelente dona de casa. Não gosto de tarefas domésticas, mas, mantenho minha casa organizada na medida do possível, não posso ser neurótica pela limpeza da casa, senão realmente vou pirar. Devo ser justa e dizer que meu esposo me ajuda muito nas tarefas domésticas quando está de folga. Minha Pós-Graduação é à distância. Como tenho muita insônia, estudo muito de madrugada, ou no horário de almoço no meu trabalho, ou mesmo em horas vagas (no trabalho). Para concluir minha monografia, agendei minhas férias para o mês que vem. Minha Psicóloga é todas as quintas-feiras pela manhã, das 09h às 10h, pego um atestado médico e apresento em meu trabalho, por chegar mais tarde. O Psiquiatra é apenas uma vez no mês, e tenho direito a atestado médico também, caso me ausente do trabalho. Festinhas de escola geralmente são aos sábados ou à noite, e amo participar, é uma diversão pra mim curtir os filhotes, não obrigação. Salão de beleza, confesso que deveria ir mais vezes. Minhas unhas e sobrancelhas, por exemplo, estão horríveis. Quando vou ao salão é no meu horário de almoço, dei a sorte de encontrar uma boa cabeleireira perto do meu trabalho. Aos finais de semana, é impossível, por causa do meu caçula. Uma vez o levei ao salão e, enquanto fazia uma unha, ele quase virou o salão de cabeça pra baixo. O que me ajuda muito é o fato do meu caçula ficar o dia todo na creche e da minha filha mais velha (do meu primeiro casamento) ficar com a avó durante a semana. Não é fácil essa rotina. Muitas vezes me sinto muito cansada. Na verdade, cheguei a um nível de exaustão tão grande, que precisei começar a usar sertralina (anti-depressivo), o que me ajudou bastante.
Poly, espero que permita que estas questões tenham respostas e que eu e todos os demais leitores de seu blog entendam como você consegue tudo isso.
Espero ter sido clara em minhas respostas e te agradeço pela colaboração. Com certeza, outros leitores podem também ter os mesmos questionamentos.
Gostaria de ressaltar ainda, que essa é a minha escolha de vida. Talvez eu esteja certa, talvez esteja errada. Por isso criei esse blog, para trocar experiências com outras pessoas que passam pelas mesmas coisas, e aprender. Aqui é o lugar que me sinto a vontade para desabafar o que sinto. Não sou nenhuma heroína, nem sou um exemplo. Talvez me separar do meu marido e esquecer tudo isso fosse a opção mais sensata, mas, eu não posso fazer isso agora, porque meu coração pede pra tentar mais um pouco, e é isso que estou fazendo, tentando. E hoje sei que é possível conciliar o amor por um dependente químico e a paz de espírito. Sou uma aprendiz como todos os leitores. Apenas uma aprendiz.
Grande abraço!
P.S.: Gente, hoje passamos por uma experiência incrível, depois eu conto, agora farei o pequeno dormir e o maridão também quer atenção. Até mais.

3 comentários:

  1. hoje escrevo nao pra vc Poly mas para pessoa que te fez as perguntas,é amor nao teimosia atraz de milhares de adictos existem mulheres co dependentes mas que amam verdadeiramemte seus esposos, como vc consegue fazer tudo é simples a resposta vc é mulher pois nos mulheres conseguimos tudo que nos propomos a fazer. Poly querida um grande abraço fica com deus

    ResponderExcluir
  2. Prezada Anônima, obrigada! Os homens leitores do blog me desculpem, mas, deve realmente ser reconhecida a capacidade que nós mulheres temos de fazer 1000 coisas ao mesmo tempo, e sempre impulsionadas pelo amor...

    ResponderExcluir
  3. Acho honestamente q VC Polly tem um pique acima do meu. 34 dias q meu marido tq internado e eu tenho trabalhado " MODESTAMENTE " limpado q casa superficialmente , cuido da minha filha limitadamente e me lamento muito e penso td dia mil coisas sobre ele.... Se sobre ele. A clínica. O prazo e se tiro ele antes pq minha codenpencia e tamanha q posso literalmente atrapalhar o tratamento por SDS e egoísmo

    ResponderExcluir