sexta-feira, 17 de junho de 2011

Desligamento!




05:51h desta manhã de sexta-feira, 17 de junho de 2011.

35 horas que meu esposo está limpo. Dia gelado. O sol ainda não apareceu.

Ontem o dia foi tranquilo. Meu marido ficou trancado em casa, a seu pedido. Quando regressei do trabalho, a casa estava impecavelmente limpa e organizada. Ele estava de banho tomado, barba feita. Tentava me agradar nos mínimos gestos. Um cafuné, preparou o lanche, me ajudou nos afazeres e nos cuidados do nosso filho.

Agora ele saiu para o trabalho. Roupas brancas. Hoje a camisa escolhida possui mangas longas, para esconder as marcas do vício em seus braços.

Na hora de sair, ele me olhou com cara de desespero, como se não quisesse ir, com medo. Medo do que está lá fora, sendo que o grande mal está dentro dele, a adicção.

"Pra mim, essa é a pior doença que existe. Ela arrasa com tudo. É desmoralizante." Ele falou em tom de desabafo.

Ele está cheio de medo e de autopiedade.

Diante disso, eu tenho duas opções de escolha. Chorar, me descabelar, não cumprir minhas obrigações, me encher de pena, ficar questionando o porquê de tudo isso; ou tomar o meu banho, orar a Deus entregando-o tudo o que não posso controlar, incluindo o meu esposo e sua doença, e simplesmente deixando que a serenidade e a paz fiquem em meu peito, apesar da dor.

Escolho a segunda opção.

Medo? Sim, ele vem. Agora a pouco ele estava aqui dentro de mim, me dizendo que meu marido vai usar drogas novamente hoje. Eu disse para ele ir embora, porque eu já tenho ciência da minha impotência diante desse quadro, e que esse assunto deveria ser tratado com o meu Deus, não comigo. Pois não há nada que eu possa fazer para resolver isso, apenas orar e amar. Nada mais.

Alguns companheiros de Blog me perguntaram por que ele não busca ajuda. Eu já falei com ele, várias vezes, sobre a necessidade dele buscar essa ajuda, onde quer que seja, pois, sozinho é impossível. Entretanto, não posso amarrá-lo e levá-lo. Ele não tem feito nada para cuidar-se, infelizmente não posso fazer por ele.

Mente aberta é fundamental, e a dele não está. A iniciativa e o desejo tem que partir dele, senão, qualquer caminho que escolha, não dará em lugar nenhum.

No fundo, a vontade de drogar-se tem sido maior do que qualquer outra vontade.

É difícil? Sim, muito. Mas, só me resta aceitar isso.
Posso mudar a vontade do meu esposo? Não.
Posso mudar como a sua vontade de usar drogas afeta a minha vida? Sim. Posso, quero, e essa será a minha busca hoje.

Amanhã pela manhã farei cinco provas da Pós-Graduação. Preciso de serenidade para estudar. Não posso ficar estagnada por causa dele e do seu problema.

Amanhã será a festinha da família da creche do meu caçulinha. É certo deixar esses momentos passarem em branco?

A vida continua. Ele usando drogas ou não. A vida está passando e eu quero sentí-la.

Desligamento emocional. Esse é o segredo. Não posso controlar? Me desligo. Entrego pra Deus. E fim de conversa...

"Coragem é resistência ao medo, domínio do medo, e não ausência do medo". - Mark Twain

2 comentários:

  1. Ola querida!
    Acredito que o desligamento emocional é o mais difícil, pois estamos acostumadas a sempre parar tudo por que eles recaíram, estou aprendendo muito com sua lição de vida, e a cada dia vejo onde errei e quero fazer diferente.
    Você está progredindo com sua recuperação, espero e desejo muito que seu amado faça o mesmo!
    Boas 24 horas pra você!
    Abraços...

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  2. Querida Mariana, é verdade, o desligamento emocional não é fácil, mas, é muito benéfico para os dois lados, vale a pena!
    Só por hoje meu amado está aqui, chegou em casa bem, está com o filhote, comendo e vendo TV.
    Fique com Deus, e muita serenidade!

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