quarta-feira, 22 de junho de 2011

Amar, uma decisão!


Agora são 19:29 horas desta quarta-feira, véspera de feriadão. Só retornarei ao trabalho na segunda-feira!
Estamos em casa. Todos em paz. Graças a Deus.
Meu marido está com o nosso filhote na área, conversando e brincando. De vez em quando ele faz um comentário comigo sobre os noticiários que estão passando na TV.
Aos poucos meu esposo vai recuperando seu peso e também a sua alegria, embora ainda esteja muito impaciente. Estou aqui olhando para ele e pensando no quanto o amo.
Ele está vestindo uma bermuda azul e uma camiseta preta, com a seguinte frase escrita: “I am out of my mind. Please leave a message.” Que quer dizer: “Estou fora da minha mente, por favor, deixe uma mensagem.
Graças a Deus, hoje ele não está fora da sua mente. Hoje ele está aqui, presente, de corpo e alma. Buscando sua recuperação. Não preciso deixar nenhuma mensagem para quando ele voltar.
Hoje eu o perguntei quando buscará ajuda. Ele disse que iniciará alguma coisa em breve. Sempre a mesma resposta, mas, não vejo ação. Ele está numa fase de negação à necessidade de buscar ajuda, confesso que isso me deixa insegura. Sozinho é praticamente impossível. Não sei o que ele está esperando acontecer para se cuidar.
Infelizmente, não posso agir por ele. Não posso interferir em suas escolhas. Somente posso orar para que Deus o ilumine e lhe dê forças para lutar contra essa maldita adicção.


Não agüento mais vê-lo sofrer. E também não agüento mais sofrer. Confesso que fico amedrontada quando vejo sua inércia diante da doença.
Eu o amo verdadeiramente e não quero perdê-lo para as drogas.

Eu o amo! Sabem o que é isso?

Olho ao meu redor e vejo o quanto o amor está vulgarizado nesses dias. Tudo é amor: paixão, atração física, desejo, admiração, e até mesmo egoísmo, são chamados de amor. Por isso não são poucas as sugestões que recebo para separar-me e tocar minha vida em frente, afinal, “eu mereço ser feliz”, como dizem.

Entretanto, penso que não há amor sem renúncia. Independente de quem sejam os amantes, sempre haverá renúncia dos dois lados.

Uma vez eu ouvi que amar não é um sentimento, mas sim, uma decisão. Uma decisão não vem apenas do coração, mas, também da mente, da razão.

Eu decidi amar meu esposo. É claro que eu o admiro e sinto afeição por ele, e que há muito sentimento envolvido, mas, o amor vai bem além disso. O amor foi a escolha que fiz de sair de mim mesma e ir ao encontro dele. Foi a escolha que fiz de compreender, aceitar, perdoar, ser paciente, agir com honestidade, fidelidade e generosidade.

Decidimos ser cúmplices. Nós dois nos tornamos um só.

A alegria de saber que existe uma pessoa especial que dedica o seu amor a mim e que recebe o meu amor, faz com que eu me sinta tão feliz e realizada.

Não é justo que a dependência química termine com tudo. Não posso aceitar isso.

Espero que meu marido se desperte a tempo, e continue trilhando o seu caminho, e busque a sua recuperação, para que nada venha ferir fatalmente o nosso amor, que é tão lindo e verdadeiro.

Quero participar do sorteio de aniversário do 1º mês do blog Amando um Dependente Químico!

6 comentários:

  1. Onde é que eu assino? hehehe
    Ah, como eu te entendo, querida Poly!
    Infinitas horas de serenidade e sobriedade para vocês!
    Beijos!
    Isabelle

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  2. Concordo plenamente com você, o amor é uma decisão!
    vi essa cruz ai em cima na foto e me lembrei de Jesus que é o maior exemplo de quem decidiu amar!
    Ele deixou a sua glória, se esvaziou e achou-se como servo e nos provou com grande é o amor Dele por nós.
    O amor tudo sofre;tudo crê, tudo espera e tudo suporta!

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  3. Querida Isabelle, fico tão feliz de ter um espaço onde as pessoas me entendem!
    Muita força, querida, só por hoje!
    Beijos.

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  4. Pois é, Mari, essa foto eu tirei dele, em Garopaba. Aliás todas as fotos desse Blog são nossas mesmo, apenas coloco alguns efeitos. Mas, como eu ia dizer, essa foto foi colocada nesse Post propositalmente. Porque essa cruz é o símbolo do amor maior, e da maior renúncia. É o símbolo Daquele que decidiu nos amar, Jesus, apesar das nossas muitas falhas.
    Beijo no coração, querida!
    E muita serenidade.

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  5. Concordo com você Poly, não é justo que a dependência acabe com isso, o amor que você demonstra ter por ele, é lindo e real, e seguindo a lógica da vida, esse amor há de ser mais forte que todas as adversidades que vocês estão enfrentando.
    Torço que ele procure logo algum grupo de apoio, sei que isso lhe trará um pouco de paz e fará bem para ele...
    Beijo Poly!
    Muita luz no seu caminho!

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  6. É verdade, Giulli, se ele buscasse ajuda, eu me sentiria mais leve e ele se sentiria mais forte. Infelizmente, ele continua em sua passividade quanto a doença...
    Grande beijo.
    Bom feriado!

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