quinta-feira, 30 de junho de 2011

Falando de coisa boa!



Olá! Bom dia! Agora são 03:23 horas da madrugada deste dia 30 de junho de 2011, quinta-feira.

Segundo dia que meu esposo está limpo.

Ontem à noite conversamos por um bom tempo. Percebo muita auto-piedade e culpa nele.

Resumindo, ele reconheceu que tem vontade de se recuperar, mas que, nos últimos dois meses e meio, ele não está conseguindo se manter limpo, e também não tem feito nada para se ajudar.

“Tenho vontade, mas está faltando querer.”

Nossa conversa foi muito séria e firme. Está bem claro que se ele não tomar uma postura diferente, se ele não reagir contra a sua doença, não poderei fazer nada, e não terei outra escolha a não ser seguir meu próprio caminho.

Um pastor amigo nosso ligou aqui em casa, e meu esposo atendeu. Ouvi quando ele combinou para hoje um encontro às duas horas da tarde.

“Pastor, estou precisando de ajuda, tem um tempinho pra mim?”

Fiquei feliz com sua atitude, embora ainda esteja apreensiva pelo fato de hoje ele estar de folga, e ficar sozinho em casa. Mas, vou entregando isso nas mãos de Deus, e vou me desligando do que não tenho o poder de controlar.

“Preciso ter um verdadeiro encontro com Deus.” Foi uma de suas frases ditas.

Reconheço que isso é fundamental para a sua recuperação, visto que esta, para ser completa e efetiva, deve ser física, mental e espiritual.

“A fé em Deus me faz perceber que o medo não evita que coisas desagradáveis aconteçam, porém ela me dá forças para enfrentá-las com equilíbrio e serenidade. Coragem é o medo que orou suas orações.” (Histórias de Recuperação, pág. 20)

Gente, estou precisando falar de coisas boas. Vamos? Que tal falarmos do nosso sorteio que acontecerá no sábado?

A boa notícia é que o livro Compartilhando Experiência, Força e Esperança já está aqui comigo, apenas aguardando para saber o seu destino. Esse livro tem 371 páginas, e contém reflexões diárias, com relatos de pessoas que, como nós, amam um dependente químico, e estão trilhando sua própria recuperação. Amo esse livro! Depois da Bíblia, ele é meu livro de cabeceira. O carrego na bolsa, sempre. Isso porque não se trata de um livro teórico, escrito por estudiosos, mas, um livro de relatos de gente que sente o mesmo que nós sentimos.

A minha vontade é de enviar um livro para cada um de vocês, entretanto, infelizmente, não posso. Mas, resolvi mudar uma coisinha.

Adquiri dois livretes, cujo título é Histórias de Recuperação, também com experiências e palavras de reflexão para co-dependentes. Este possui 41 páginas.

E, ainda, adquiri os folhetos: FAÇA NÃO-FAÇA, que é um guia prático de acertos e erros que cometemos tentando ajudar nosso dependente químico; e o DESLIGAMENTO, que, como o próprio nome diz, nos ajuda a desligar, a aprender que não somos responsáveis pelas ações dos outros, nem pelas conseqüências dessas ações por eles escolhidas. Estes são folhetos, com frente e verso.

A idéia é a seguinte.

No sábado serão sorteados três nomes.

O primeiro nome sorteado levará um livro Compartilhando Experiência, Força e Esperança + folheto FAÇA NÃO-FAÇA + folheto DESLIGAMENTO.

E o segundo e terceiro nomes sorteados levarão um livrete Histórias de Recuperação + folheto FAÇA NÃO-FAÇA + folheto DESLIGAMENTO, cada um.

Felizes? Eu estou! Sei que essas palavras serão de muita ajuda para alguém, assim como têm sido para mim. Elas mudaram minha vida e minha forma de olhar para a doença do meu esposo. Então, boa sorte, amigos!

Para participar, clique aqui, e envie o seu comentário para o post Sorteio.

Lembrando que os comentários deverão ser enviados até amanhã, dia 01/07/2011, às 23:59 horas, ok? Sendo que cada participante poderá enviar até 03 (três) comentários, contendo as frases com as quais mais se identificou, ou foi ajudado, deste Blog.

E o sorteio será no sábado, 02/07/2011, ao meio-dia. Sendo divulgado o seu resultado até as 23:59 horas do mesmo dia.

O livro, livretes e folhetos serão enviados sem nenhum custo, via correio, por carta registrada.

Estou mais ansiosa que vocês. Risos.

Abraços e muita serenidade, só por hoje!

terça-feira, 28 de junho de 2011

Triste escolha!



Agora são 17:41 horas deste dia 28 de junho de 2011.

Saí mais cedo do trabalho, porque estava preocupada, conforme relatei no post anterior.

A colega que senta ao meu lado falou: "Vai lá, vai mais cedo curtir o maridão e o filhote".
Bom seria se assim fosse.

Por volta das 15:45 horas eu já estava chegando em casa.

Vi tudo aparentemente normal.

Abri o portão. Destranquei a porta da sala. Avistei meu esposo varrendo a cozinha. Fiquei aliviada ao vê-lo.

“Amor, o que houve com o telefone? Liguei várias vezes e não atende.”

“Não sei.” Ele respondeu com voz estranha.

“O que houve? Você usou aquilo de novo?” Perguntei.

“Claro que não!”

Fiquei meio confusa porque a porta estava trancada.

Mas, ao olhar em seus olhos, ela estava lá. Não tinha como negar. Conheço aquele olhar perdido que por tantas vezes vi. Ela estava com ele, estava nele. Ela o levou de mim mais uma vez.

Ela estava lá, e parecia colocar uma lança em meu peito. Ela estava lá destruindo nossos sonhos, nossos planos... nossa família.

“Essa sua recaída quer dizer muita coisa pra mim.”

Essa foi uma das suas recaídas que mais doeu em mim. Quem acompanha o blog sabe que há dois dias descobrimos um novo tratamento que tem tido resultados positivos na recuperação de dependentes químicos.

Eu estava sonhando acordada com a possibilidade do meu marido ir se tratar. Ontem ele pareceu meio apático diante das boas notícias, mas, pensei que fosse por medo.

Hoje eu vejo que não. Não era medo. Ele não quer deixá-la. Não adianta eu continuar a mentir para mim mesma. Se ele, de fato, quisesse, hoje teria ficado em casa, a se preparar para o tratamento, buscando informações, sonhando com a nova vida que poderia ter.

Mas, ele optou pela maldita droga mais uma vez. Escolheu esconder dinheiro, arrancar os pinos da porta, para encontrá-la.

Para fazer o tratamento é preciso estar limpo há sessenta dias, ele estava limpo há treze, eu já estava fazendo a contagem regressiva. Mas, agora, acabou.

Hoje não consegui conter o choro. Era muita dor. Decepção. Liguei para uma amiga, mas, mal conseguia falar, apenas pedi para ela orar por mim.

Um pouco depois, ficamos ali. Ele sentado em uma ponta da cama, e eu na outra ponta. Olhares perdidos. Silêncio. Dor. Lágrimas.

“Não chora, por favor, não chora.” Ele me pediu.

Agora ele está lá fora. E o vazio aqui dentro de casa é enorme, só não é maior do que o vazio que sinto dentro de mim.

Ele fez a sua escolha. Por mais que seja doloroso aceitar, ele fez nitidamente a sua escolha.

Eu preciso de muita serenidade, coragem e força para fazer a minha.

É hora de buscar meu filho na escolinha. Preciso me fortalecer. E nada melhor do que o sorriso do meu filhote para isso.

Orem por mim. Peçam pra Deus me ajudar e me dar uma direção. Estou me sentindo muito sozinha e confusa.

Para participar do sorteio, clique aqui.

Angústia!

13:30 horas.

Telefone não atende em casa.

Coração apertado.

Talvez ele esteja dormindo. Talvez o aparelho de telefone esteja com defeito.

Ou talvez seja uma nova recaída...

Quando esse medo e dúvidas me assombram, volto a me sentir assim, como se fosse um barco a deriva, sem rumo, sem destino certo, sem por quê...

Quem somos nós os co-dependentes, afinal?

Às vezes me sinto como uma sombra do meu amado. Se ele está bem, eu também estou. Se ele fica mal, eu o acompanho.

Não dá pra viver assim.

Deus, ajude-me contra esse meu mal! Ajude-me a recuperar a Polyanna que perdi dentro de mim...

Hoje li um artigo no Journal Brazil, onde uma frase dizia o seguinte: 

Famílias dilaceradas e dependentes cada vez mais envolvidos, o que poderíamos dizer, até o fim do poço. Assim é definido em pouquíssimas palavras o uso de drogas.

Muito triste esse quadro. Confesso que por vezes me revolto.

Sabe aquela angústia que aperta tudo por dentro? Isso acaba com a gente! Ela está aqui comigo agora.

Vou tentando focalizar em mim mesma. Vou buscando capacidade para me permitir sentir os meus próprios sentimentos e aceitá-los, ao invés de rejeitá-los ou temê-los.

Assim, vou crescendo, me fortalecendo, pouco a pouco.

Vou valorizando esse enorme presente de Deus que é a serenidade, a fim de não descuidar-me e perdê-la.

Se eu der ouvidos à minha insanidade latente, sairei do meu trabalho agora, correndo, para saber o que está se passando neste momento com meu esposo.

E se ele estiver dormindo, ou se o telefone estiver estragado, ou se ele estiver se drogando, o que eu poderei fazer?

Como podem constatar, sou apenas uma co-dependente de carne e osso, que sofre, mas, que busca sua recuperação, incessantemente.

“Se você encontrar um caminho sem nenhum obstáculo, ele provavelmente não o levará a lugar algum.” (Frank A. Clark)

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segunda-feira, 27 de junho de 2011

Passei a bola, desliguei!



Agora são 22:31 horas deste 27 de junho de 2011.

Meu marido permanece limpo. Doze dias. Só por hoje!

Se eu fosse traduzir este dia em uma palavra, ela seria esperança.

“Esperança: expectativa de um bem que se deseja, sentimento de quem vê como possível a realização daquilo que deseja, confiança em coisa boa, fé.”

Hoje tive a oportunidade de conhecer um pouco mais de perto o que a minha amiga Giulli, do Blog Valeu a Pena, vem postando a alguns dias.

Trata-se de um tratamento para dependentes químicos que envolve psicoterapias e o uso de uma raiz africana. Segundo relatos, o índice de recuperação é bem alto, e eu pude conversar com o médico que realiza esse procedimento no Brasil.

Eu não conseguia conter minha emoção e ansiedade diante de uma nova oportunidade de recuperação para o meu esposo. Liguei em seu trabalho e falei resumidamente o que o médico havia me dito.

Acredito que até neste momento estava tudo normal em minha reação, afinal, caso descobrissem a cura do câncer, por exemplo, que esposa de um enfermo não ficaria radiante de felicidade, não é mesmo?

Na verdade, eu nem me deixei abater diante do alto valor de, em média, R$ 12.000,00 (doze mil reais), que teríamos que desembolsar com passagens, diárias, internação e tratamento.

Quase que eu não conseguia me segurar de ansiedade em ver meu esposo e lhe relatar os detalhes de tudo. Eu já estava com quase tudo planejado em minha mente, quando ir, como ir, como levantar esse dinheiro... STOP! Esse papel não caberia ao meu esposo? Olha a co-dependência colocando as garrinhas de fora!

No horário de costume, meu esposo chegou em casa. Ele estava sério. Estava com dor de cabeça e sem nenhuma vontade de conversar. Mas, ainda assim, eu insisti em falar, falar e falar sobre o tratamento.

“Ai, amor, nem acredito que vou te ver livre disso!” Eu falei, radiante, sem perceber o quanto estava sendo inoportuna.

“Amor, chega por favor, vamos parar com esse assunto.” Ele falou em tom meio áspero.

Calei-me e pude ponderar em minhas ações neste dia. Não sei se sua reação foi por medo de não dar certo, ou receio de como levantar o dinheiro, ou de acreditar mais uma vez, ou de mudar. Mas, sei que devo respeitar.

O meu papel já foi feito. Extraí todas as informações sobre o tratamento. Agora a decisão de fazer ou não, ou mesmo de como fazer, e quando, só cabe a ele. É da vida dele que estamos falando.

Engraçado como a co-dependência age, não é mesmo? Minha visão é praticamente monocular, tenho um sério problema para ver de longe. Está piorando a cada dia. Os médicos acreditam que eu já tenha nascido com esse problema, alguns suspeitam que seja “herança” do vício do meu pai. Há anos sonho em fazer minha cirurgia, que custa em média, uns R$ 5.000,00 (cinco mil reais). Mas, nunca foi possível. Nunca tenho dinheiro, tempo ou meios para fazê-la.

Entretanto, quando o assunto é salvar meu amado adicto, tudo é possível, nada é difícil. Percebem?

Bom, o fato é que agora, esse assunto não diz mais respeito a mim. Já falei o que tinha a falar para ele. A “bola” está com ele, cabe a ele fazer o gol ou chutar para fora.

Meu papel agora é me desligar...

Mudando de assunto, hoje à noite, recebi uma partilha especial de uma companheira que descobriu este Blog por acaso.

Uma história de alguém que ama um dependente químico e não sabe mais o que fazer para ajudar o seu amor.

Em um trechinho do e-mail, ela diz: “namoro ele faz 6 anos, na esperança de que fique limpo, que vai ser diferente, vivenciei todo os seus sentimentos, angustias, medos, raiva...nossa... parece que você falava de mim...”

Querida leitora, sinto o mesmo. Cheguei a pensar que eu estava ficando louca. Que eu era a única no mundo que sentia e pensava assim. No grupo Nar-Anon, e aqui no Blog, tive a oportunidade de conhecer várias outras pessoas muito parecidas comigo, na dor, no amor, na esperança. Portanto, sinta-se em casa! Aqui ninguém julga ninguém, todos entendemos uns aos outros, porque sentimos e passamos pelas mesmas experiências.

Ela ainda diz: "nao sei o que fazer qdo ele chegar, se espero ele me pedir ajuda, ou se vou correndo oferecer a ajuda, to cansada, me sinto sozinha e nao quero mais viver assim nessa instabilidade emocional e financeira. O que faço, quero me separar, nao posso mais aceitar essas recaidas, ficar dando murro na ponta de faca."

Minha querida, todos nós temos os nossos limites. Se você já chegou ao seu limite, e não quer mais essa situação em sua vida, saiba que é um direito seu escolher isso pra você e deixar que seu namorado siga o seu próprio caminho.

Sugiro que você leia os Posts Escolhas, de 31 de maio, e o Tempestade, de 15 de junho, vai te ajudar.

Uma coisa é certa, a salvação do seu namorado depende somente dele. Não se sinta responsável por ele, porque você não é. Se ele quiser se recuperar, ele achará esse caminho com ou sem você. E se ele não quiser, ele se manterá na droga, também com ou sem você.

Portanto, estando com ele, ou resolvendo deixá-lo, esteja focada em você mesma e no que será melhor para a sua vida.

Qualquer caminho que escolhamos, não será fácil, e exigirá de nós muita coragem, força, serenidade e vontade de viver de verdade.

“Decisão: algo que alguém escolhe ou muda de opinião a respeito, depois de considerar essa e outras alternativas possíveis.” (Encarta World English Dictionary).

Faltam apenas quatro dias para o sorteio de aniversário do 1º mês deste Blog, participe!

domingo, 26 de junho de 2011

Palavras do meu Amado Adicto!



16:53 horas deste domingo maravilhoso! Dia tranqüilo em família, graças a Deus!

Hoje ligamos para falar com a família do meu esposo, afinal, estavam todos reunidos na casa da minha cunhada mais velha, para comemorarem o aniversário da minha sogra e do afilhado do meu esposo. Eu gostaria muito de morar mais perto deles, sei que me dariam mais força nessa batalha, mas, se Deus quis assim, essa distância entre nós, Ele sabe o por quê.

Uma das minhas razões ao criar esse blog é tentar mostrar que um dependente químico não é um monstro, não é um marginal, não é uma pessoa má. Um dependente químico é uma pessoa normal, com qualidades e defeitos, portadora de uma doença que causa muita dor e sofrimento.

Hoje eu vi um texto que meu esposo escreveu no ano passado, sobre sonhos. Vejam esse relato.

“Qual o meu real desejo? Muitas vezes eu fazia sonhos e planos para minha vida. Lembro-me que com 15 anos isso era muito forte em mim e uma tarefa diária. Eu sonhava e fazia muitos planos. Acreditava em mim! Tinha convicções e estas se baseavam em estudar, trabalhar, ter minha casa, meu carro, minha esposa e filhos. Eu tinha força de vontade e determinação. Eu lutava para vencer e o melhor: acreditava no que pensava.

Hoje, exatamente dia 13 de julho de 2010, vejo que vinte anos se passaram... Bem, eu me sinto neste instante realista, e não auto-piedoso pra fazer um balanço. Eu carrego uma bagagem, uma personalidade e uma vivência que me desperta no mínimo interesse, e mais precisamente posso dizer hoje que venci!

“Os grilhões do passado não me prendem nem me atemorizam mais”, li isso no livro O Poder do Agora, e essa frase explana tudo. Consigo unir desgraça e experiência, porque a culpa não existe, e não posso mudar uma vírgula do ontem.

Vinte anos... Dezesseis de adicção ativa. Incontáveis tentativas para sair dessa. Duas internações e tudo o que há na literatura... Nada funcionava, por um certo período sim, mas quando caía no uso, era sempre para pior.

Das raias da loucura a overdoses, financeiramente falido, uma dor emocional insuportável, e com medo de mim mesmo, desconhecendo quem eu era, mas o pior, enterrando talentos e me tornando quem eu jamais imaginei que seria, seja em ações, reações, condutas, prostração ou pensamentos.

Vinte anos depois... Vejo que meus planos estavam alicerçados no materialismo e em provar para os meus pais que eu seria alguém na vida. Eu não previa que era portador de uma doença, que associada ao vazio interior, e ao experimentar a cocaína, o chão sumiria dos meus pés.

Incontáveis tentativas... Por que dessa vez daria certo? Por que eu sou verdadeiramente livre agora? Porque esse é o maior desejo que tenho. O meu maior desejo não é mais o dinheiro, nem status, nem ser o melhor em tudo o que faço. Não preciso provar mais nada. Hoje eu só preciso estar limpo. Limpo pra mim é o mesmo que estar vivo. Tenho três meses e alguns dias, mas, esse é o meu maior patrimônio. Se eu estiver limpo e em recuperação, vivenciando o programa e praticando os doze passos, meu casamento é uma benção, meu filho tem um pai presente, eu prospero e tenho paz.

Hoje sigo sugestões, estou gostando de mim, e quase forçando um relacionamento com Deus. Digo forçando, porque minha Bíblia diz que o que eu pedir, eu receberei, bata e abrir-se-á. Eu creio na Bíblia com todo meu entendimento e fé que busco e cultivo.

Qual o meu real desejo? Vivenciar recuperação, vivo e limpo só por hoje. Fé consciente em Deus. E tudo o mais Ele tem reservado para mim.”

Por isso me mantenho com ele, ao seu lado. Eu o amo demais e vejo sua luta constante. Acredito, do fundo do meu coração, que ele vai conseguir! Nessa época do relato acima, ele havia sido internado. Voltou para casa após quatro meses de internação e logrou onze meses limpo.

Hoje ele está limpo há onze dias, e espero que ele consiga perceber que esse é o seu maior patrimônio, como ele mesmo descreveu.

Entretanto, amar é uma coisa e passar a mão na cabeça é outra. Eu o amo, verdadeiramente. Mas, deixo bem clara a minha postura diante do seu uso continuado da droga, bem como a impossibilidade de estar ao seu lado, se essa for sua escolha de vida.

Só pra finalizar, eu queria contar uma das coisas que aprontei em função da co-dependência e que hoje, faria bem diferente. Um tempo atrás, meu marido e eu nos inscrevemos num curso on-line de comunicação. Cada um fazia o seu, apenas trocávamos idéias no decorrer do curso. Acontece que na última semana do curso, ele recaiu, portanto, não faria as duas últimas avaliações, e seria reprovado.

O que a super-esposa aqui fez? Já imaginam, né? Entrei no e-mail dele, peguei a senha do curso, entrei na senha dele, e fiz suas avaliações. Um mês depois chegaram os dois certificados. Eu ajudei ou atrapalhei? O que acham? Eu fiquei com pena, porque só o meu certificado chegaria, e ele ficaria triste, e esses tipos de pensamentos que com certeza vocês conhecem.

Gente, eu agi muito mal. O dependente químico tem que arcar com as consequências do seu vício sim. Senão eles nunca sentirão a necessidade de mudar. Nunca terão perdas, porque nós não deixamos. Só pra constar, ele quase nem deu valor quando o certificado chegou. Claro, talvez até tenha se sentido pior do que se não tivesse chegado.

Eu não conseguia ver isso, não conseguia entender. Pensava que estava ajudando, no entanto, só atrapalhava todo o processo. Sem falar que quanto mais eu me esforçava por ele, mais eu cobrava dele, e mais degastada eu ficava. Isso era muito ruim para o nosso relacionamento. Eu era obcecada por ele. Necessitava dos problemas da adicção dele para viver.

Quando passamos a viver a vida do outro, é porque há algo em nós para o qual queremos fechar os olhos, não queremos nos ver, sentir nossas deficiências.

Hoje estou ao lado do meu marido, graças a Deus! E esse é o lugar reservado pra mim, ao seu lado. E não vivendo a sua vida, no lugar dele!


"Não são nossas desvantagens ou fraquezas que são ridículas, mas, sim, a maneira como tentamos escondê-las e o nosso desejo de agir como se elas não existissem."
(Giacomo Leopardi)


Um dia verde!


Caros parceiros, bom dia!
Hoje é domingo, dia 26 de junho de 2011, 09:21 horas.
Onze dias que o maridão está limpo! No entanto, o mais importante é “só por hoje”!
Ontem não pude escrever no Blog, pois, tivemos um dia cheio. E cheio de encantos! Foi maravilhoso. Fomos a um pesque-pague, um lugar lindo, muita natureza. Amamos. Árvores, verde, animais, água, comidinha mineira... Bom demais!
Nosso caçula brincou no parquinho, nadou na piscina, pescou com o papai, jogou bola, correu, brincou com um gatinho, um pavão, patos, cavalinho e até com um boizinho. Até pula-pula tinha pra ele. E ainda passeou de pônei.
Enquanto eu fui para a piscina com o filhote, o maridão ficou a pescar, coisa que ele ama fazer, e não fazia há muito tempo. Deu pra meditar, relaxar, descansar.
Curti demais aquela natureza incrível. Quanta perfeição!
Coloquei uma foto, apesar de estar trabalhada para preservar o anonimato do meu esposo e filho, acho que dá pra ver o papai levando o pequeno para passear de pônei.
Nosso bebê ficou tão cansado que ainda dorme até agora!
Momentos como esse me fazem ver que meu esforço não é em vão. E que meu amor vale sim a pena.
Identifico-me com essa frase escrita por um marido co-dependente de uma adicta, (na verdade, me identifico com todas) do livro Compartilhando Experiência, Força e Esperança: “Estou mudando e aprendendo a aceitar e a amar a mim mesmo. Não tem sido uma transição fácil. Sei que tenho que cuidar de mim, antes que possa contribuir com qualquer relacionamento. Pág. 167.
Escolhi esse livro para ser o prêmio do sorteio de aniversário de um mês do Blog, porque ele me ajudou e ajuda demais. Não existe um autor ou escritor, mas, é uma coletânea de várias partilhas, de vários co-dependentes, como você e eu, relatando suas dificuldades e progressos de recuperação.
Se você já está participando, participe novamente, enviando até três comentários para o post Sorteio.
Se ainda não está participando, participe. Faltam apenas seis dias para saber quem receberá esse livro tão precioso em casa!
Para participar do sorteio, clique aqui.
Muita serenidade neste domingo, companheiros!
Agora tenho que ir, o filhote acordou...

sexta-feira, 24 de junho de 2011

Hoje ela perdeu!

Esse dia foi, de fato, especial. E teria que ser assim até o seu final...
17:30h – Eu estava postando O Chamado do Amor, falando do quanto amo meu esposo, da nossa esperança de recuperação e dos nossos planos para o final de semana.
18:00h – Chamei um táxi para buscar meu filhote na creche, visto que hoje meu esposo foi trabalhar com o carro. Na ida, ainda no caminho, liguei para o hospital, e falei para o meu esposo sobre o culto que haveria hoje na igreja. Combinamos de irmos juntos.
Quando você chegar, eu e o bebê estaremos prontos te esperando para irmos à igreja então, ok?”
Estava tudo combinado. Sua voz continuava serena e feliz. Fiquei ainda mais tranqüila e radiante.
18:30h – Chegamos em casa, eu e o pequeno. Gastei um tempo com ele, trocando sua roupinha e fralda, lhe preparando um lanchinho, e depois assistindo DVD, nós dois deitadinhos no sofá.
19:40h – Meus olhos começaram a procurar pelo relógio. De carro, são mais ou menos trinta minutos do trabalho do meu esposo até nossa casa, se não houver trânsito.
20:00h – Eu estava, de fato, ansiosa. Fui para a garagem com o nosso pequeno. Pude sentir meu coração acelerado.
Não pode ter acontecido, não pode...”

20:30h – Resolvi trocar a roupinha do meu filho pelo pijaminha. Eu era só tristeza.
Meu Deus, por que tudo isso de novo? Logo hoje. Parecia estar tudo tão bem. Estávamos esperançosos. Fazendo planos para nosso fim de semana. Eu sou uma grande tola por acreditar...”

20:45h – O portão se abriu. “Tarde demais para chegar do trabalho e cedo demais para quem havia buscado drogas.”
Abri a porta. Fitei bem dentro dos seus olhos. Não vi sinais de ter usado nada. Vi, sim, um grande e lindo sorriso em sua face, e recebi um apertado abraço.
“Cheguei, amor, cheguei.”

“O que houve?”

“Fui parado pela polícia em uma blitz, e cadê o documento do carro!” Ele falou rindo.

O documento havia ficado em minha bolsa, mas, graças a Deus, após checarem, e ao verem ele todo de branco, voltando do trabalho, liberaram.

Eu o abracei tão forte e chorei, chorei.

“Que foi, amor, por que está chorando assim?” Ele perguntou.

É de felicidade, amor, é de muita felicidade!”

“Estou aqui, meu bem, graças a Deus, estou em casa!”

Nosso bebê agora dorme. Já namoramos um pouco. Meu esposo está vendo seus programas no canal da History, que ele ama, enquanto eu vim aqui rapidinho para dividir com vocês o que havia acontecido.
Estou muito feliz! Mais um dia, graças a Deus!
Só por hoje, ele conseguiu! Obrigada, Senhor!

Esclarecimentos!

Hoje, por volta das 19 horas recebi um e-mail muito interessante de uma leitora do Blog, onde ela me apresenta alguns questionamentos. Tentarei respondê-los com a maior sinceridade e clareza possível:
“Tentei postar a mensagem abaixo em teu blog, mas por inexperiência não consegui. Assim a estou enviando por este email. Aí segue: Li todas as mensagens postadas em seu blog. Aprendi muito e lhe agradeço por isso.Você é uma pessoa iluminada sem dúvida, mas algumas dúvidas surgem e me permito tentar entender. Você relata muitas vezes atitudes dele provocadas pela falta da droga como por exemplo quando sentiu vergonha na festinha de seu filho e da vez que colocou a mão em seu pescoço , mas você nunca relata descontroles seus como se conseguisse "sempre" se manter no controle, na serenidade. A meu ver isso parece um pouco irreal, pois por mais que seu tratamento apresente resultados,como pode consegui-los em 100% das vezes?”
Querida leitora, o blog hoje tem mais de 80 posts, não sei se você conseguiu acompanhar todos desde o início. Nem sempre mantive o controle. Quando ocorreu esse fato mesmo dele me agredir (pescoço), no primeiro ano do nosso casamento, eu estava totalmente descontrolada, afundada em minha doença sem saber, não tinha serenidade nenhuma. Em muitos posts citei minhas loucuras, inclusive um deles tem o título “Insanidades”.  Eu gritava, xingava, chantageava, ameaçava ir embora, já avancei nele também, era um terror que não gosto nem de me lembrar. Hoje, graças a Deus, consigo sim manter minha serenidade, por ter havido uma mudança de pensamento. Não sei se você conhece os doze passos, eles mudam a nossa vida sim. Já vi mães com três filhos se drogando, e, ainda assim, mantendo a serenidade. Acredite, é possível, e é real. Eu tenho os meus sentimentos sim. Sinto raiva, dor, decepção, mas, não me deixo levar por eles, tenho o controle sobre mim mesma, e isso é maravilhoso. Faço a oração da serenidade. Penso se o que vou falar ou fazer trará algum resultado. Se a resposta é negativa, fico quieta, me ocupo com as crianças, até que o que estou sentindo passe. Somos casados há cinco anos, e eu estou em recuperação há dois anos. Ainda há muito a melhorar, mas, posso dizer que sou uma outra pessoa. Meu marido vê isso. Eu vejo isso. E isso reflete na minha família muito positivamente.  
Outra dúvida, será isso é amor ou teimosia....Onde estará o limite entre persistência e teimosia? Será que não é uma "luta de braços" e você quer provar para si mesma que é uma heroina e vai lutar até morrer para conseguiur um troféu e assim provar para si mesma que é uma vitoriosa? Será que você precisa deste troféu para se sentir melhor? ou se aceitar como você é com suas carências e fraquezas. Amor entre homem e mulher exige respeito, admiração, companheirismo, fidelidade e será que neste relacionamento isso existe?
Sinceramente, eu sempre me faço essas perguntas também. Até que ponto é amor, e até que ponto é a co-dependência. Para isso estou fazendo meus tratamentos psicológicos, pois, ainda não tenho a resposta. Talvez eu queira salvá-lo para fazer o que não fiz pelo meu pai. Talvez eu queira provar a mim mesmo o quanto sou boa. Eu sempre fui muito cabeça dura, talvez seja isso, teimosia. Mas, talvez também seja amor. Eu sempre fui muito romântica, e sempre acreditei muito no amor. Claro que a co-dependência nos faz ter um parâmetro diferente do utilizado por pessoas sem esse problema. Mas, na minha concepção, é amor, por isso ainda estou aqui. Leia o post Páginas Brancas, lá fala um pouco dos nossos momentos de amor, da nossa história que, graças a Deus, não se resume à Dependência Química. Com o tempo, aprendemos a nos respeitar e admirar. Admiro o meu esposo, embora abomine a sua doença. Ele é grosseiro quando está em abstinência, mas, também sabe ser muito amável e carinhoso quando está bem. Relacionamento perfeito? Não, nosso relacionamento está longe da perfeição. Mas, acredito sim no amor dele por mim, e no meu amor por ele. E isso pra mim basta. Existe sim respeito, admiração, companheirismo e fidelidade, quando as drogas estão fora da jogada. Quando elas entram, não sobra nada, é verdade.
Quanto a seus filhos: até que ponto manter este ambiente é saudável para eles? Será mais saudável ver um pai doente ou sentir saudades?
As duas opções são ruins, por isso ainda aposto na recuperação do meu esposo, embora possa parecer utópico para alguns. Meu pai era dependente químico, e sei que não é fácil. Mas, se um dia eu me separar do meu marido, quero poder olhar nos olhos dos meus filhos e dizer que eu fiz TUDO o que podia. Meu caçula é apaixonado pelo pai, e com certeza não quero que ele cresça vendo o pai sofrer, e sofrendo por isso. Mas, meu marido luta por sua recuperação, e é isso que faz a diferença em minhas decisões. Se ele um dia me disser que é a droga que ele quer, não tenho mais o que fazer aqui. Mas, o que tenho visto é alguém que tem lutado, e muito por sua recuperação. E eu sou sua esposa, sua companheira, e eu jurei estar com ele na saúde e na doença, e enquanto eu puder, vou cumprir. Quanto aos meus filhos, o mais importante é lhes dar uma mãe serena, tranqüila e amorosa, para ajudá-los e ampará-los quando as dificuldades vierem, quer seja a adicção do pai, ou qualquer outra.
Quanto a seu marido: que perdas ele tem pela sua opção? Tem uma esposa maravilhosa sempre dizendo que o ama , mantendo uma casa sempre organizada com tudo o que ele precisa, filhos que não precisam do resultado de seu trabalho para o seu sustento e nem de seus cuidados pois tem uma super mãe que mantém tudo sob controle, carro para usar para buscar sua droga e nem sequer precisa se procupar em pagar a prestação de seu financiamento, eletrodomésticos a sua disposição para manter seu vício. Enfim, para que mudar, para que se tratar?????
Houve um tempo em que eu o superprotegia das conseqüências do seu vício. Hoje não mais. O fato de manter minha família não quer dizer que eu o impeça de arcar com as conseqüências do seu vício. Ele trabalha, e muito. Ele tem o seu salário e sou eu quem o administro, a seu pedido. Os objetos trocados não são substituídos por mim. O carro raramente fica com ele. Ele tem ciência que estou muito cansada de tudo, e que pode sim perder sua esposa e sua família. Considero-me uma boa esposa, de fato. Quero deixar bem claro que não sou perfeita. Sou ciumenta, às vezes sou chata, sou ansiosa, e por aí vai. Mas, sou uma boa esposa e boa mãe sim. E se meu marido continuar no vício, ele me perderá, com certeza, e ele sabe disso. Conseqüentemente, perderá tudo o que tem hoje. Antes ele me via arrasada, abatida, chorando, o esperando de madrugada. Hoje, ele me vê dormindo quando chega da rua, me vê indo trabalhar, me arrumando, tocando a minha vida, apesar dele estar se drogando. Isso o deixa inseguro e o faz refletir que algo mudou por aqui, e pode mudar ainda mais.
Quanto a você: como consegue tempo para cuidar tão perfeitamente de tudo e de todos, fazer os trabalhos domésticos que não são poucos ( a não ser que tenha uma auxiliar doméstica que não relatou), trabalhar, ir a estudar e fazer trabalhos de conclusão de pós que exige muita dedicação , ir ao psicólogo, ir ao psiquiatra, ir ao salão de beleza, estar presente nas festinhas de escola...etc....Como consegue o que parece impossível sempre mantendo a serenidade e nunca perdendo o controle ???
 Quem disse que nunca perco o controle? As vezes fico louca em meio a tantas atividades! Mas, deixa eu esclarecer como arco com minhas obrigações. Entro no trabalho às 09:00h e saio às 17:00h, de segunda a sexta. Não tenho uma auxiliar doméstica e nem mesmo uma diarista, pois, estamos muito apertados financeiramente, mas, não sou uma excelente dona de casa. Não gosto de tarefas domésticas, mas, mantenho minha casa organizada na medida do possível, não posso ser neurótica pela limpeza da casa, senão realmente vou pirar. Devo ser justa e dizer que meu esposo me ajuda muito nas tarefas domésticas quando está de folga. Minha Pós-Graduação é à distância. Como tenho muita insônia, estudo muito de madrugada, ou no horário de almoço no meu trabalho, ou mesmo em horas vagas (no trabalho). Para concluir minha monografia, agendei minhas férias para o mês que vem. Minha Psicóloga é todas as quintas-feiras pela manhã, das 09h às 10h, pego um atestado médico e apresento em meu trabalho, por chegar mais tarde. O Psiquiatra é apenas uma vez no mês, e tenho direito a atestado médico também, caso me ausente do trabalho. Festinhas de escola geralmente são aos sábados ou à noite, e amo participar, é uma diversão pra mim curtir os filhotes, não obrigação. Salão de beleza, confesso que deveria ir mais vezes. Minhas unhas e sobrancelhas, por exemplo, estão horríveis. Quando vou ao salão é no meu horário de almoço, dei a sorte de encontrar uma boa cabeleireira perto do meu trabalho. Aos finais de semana, é impossível, por causa do meu caçula. Uma vez o levei ao salão e, enquanto fazia uma unha, ele quase virou o salão de cabeça pra baixo. O que me ajuda muito é o fato do meu caçula ficar o dia todo na creche e da minha filha mais velha (do meu primeiro casamento) ficar com a avó durante a semana. Não é fácil essa rotina. Muitas vezes me sinto muito cansada. Na verdade, cheguei a um nível de exaustão tão grande, que precisei começar a usar sertralina (anti-depressivo), o que me ajudou bastante.
Poly, espero que permita que estas questões tenham respostas e que eu e todos os demais leitores de seu blog entendam como você consegue tudo isso.
Espero ter sido clara em minhas respostas e te agradeço pela colaboração. Com certeza, outros leitores podem também ter os mesmos questionamentos.
Gostaria de ressaltar ainda, que essa é a minha escolha de vida. Talvez eu esteja certa, talvez esteja errada. Por isso criei esse blog, para trocar experiências com outras pessoas que passam pelas mesmas coisas, e aprender. Aqui é o lugar que me sinto a vontade para desabafar o que sinto. Não sou nenhuma heroína, nem sou um exemplo. Talvez me separar do meu marido e esquecer tudo isso fosse a opção mais sensata, mas, eu não posso fazer isso agora, porque meu coração pede pra tentar mais um pouco, e é isso que estou fazendo, tentando. E hoje sei que é possível conciliar o amor por um dependente químico e a paz de espírito. Sou uma aprendiz como todos os leitores. Apenas uma aprendiz.
Grande abraço!
P.S.: Gente, hoje passamos por uma experiência incrível, depois eu conto, agora farei o pequeno dormir e o maridão também quer atenção. Até mais.

O Chamado do Amor!

Agora são 16:43 horas, fim de tarde.

Como está o dia de vocês? Todo mundo está tão sumido, acho que só eu não viajei nesse feriado prolongado, né? Não me deixem sozinha, please... Rs.

Bom, eu não fui ao salão retocar o cabelo ou as unhas (como falei no post Floquinhos de Neve) porque optei por programas "0800", ou seja, sem custos. Rs. Mas, estou bem feliz com a produtividade deste dia. Consegui concluir um módulo inteiro da minha Pós-Graduação. Se Deus permitir, em setembro estarei concluindo o meu curso. Muitas vezes pensei em desistir e agora estou quase lá, na reta final.

Além disso, arrumei minha casinha, fiz tarefas domésticas (não tem como fugir delas), e estive com Deus em oração, e ouvindo canções que me dão paz ao coração.

Hoje meu marido me ligou três vezes. Estava com a voz, de fato, serena. Os pensamentos negativos que me rondavam pela manhã foram embora. Agora prefiro a certeza de que ele virá para casa ao fim do dia, e que passaremos um lindo final de semana juntos, afinal, ele terá folga amanhã e domingo, o que não acontece há muito tempo.

Estamos programando uma ida a um pesque-pague amanhã. Será agradável. Ele pesca, e eu brinco com as crianças. O lugar é lindo, muita natureza, vai nos fazer bem. Dá pra namorar também!

Hoje pela manhã, como devem ter visto em meu post anterior, eu li muito sobre a ibogaína, uma planta que conheci por meio do blog Valeu a Pena, da Giulli. Conversei com meu marido a respeito, ficamos muito esperançosos. Cheguei a chorar aqui lendo alguns relatos de pessoas que se trataram e estão bem há anos. Chorei mesmo. Só de pensar em meu marido recuperado, meu coração se enche de alegria, é o meu maior desejo.

Um dia, conversando com o Subsecretário de Políticas Contra Drogas do meu Estado, que é conhecedor do assunto e Mestre em Psicologia, ele me disse que muitos casamentos se acabam após o dependente químico se recuperar, porque afeta totalmente a relação do casal, afinal, aquele vínculo doentio entre adicção e co-dependência acaba.

Juro, do mais profundo do meu coração, que mesmo que sua recuperação significasse o fim do nosso casamento, ainda assim, eu iria até o fim. Claro que meu sonho é que continuemos juntos. Que um dia possamos passear pela praça, velhinhos, de braços dados, vendo nossos netinhos brincando. Envelhecermos juntos. Quem sabe até ter mais um filhinho, ou melhor, uma filhinha?! Conhecer a Itália...

Sei lá, são muitos sonhos ainda pra vivermos juntos que a Dependência Química tem tirado de nós cruelmente...  

Hoje recebi uma ligação muito especial. O Pastor da igreja que freqüentamos um tempo, dizendo que está orando por meu esposo, e nos convidando para um culto hoje. Eu vou. Ainda que ele não vá, eu vou. Preciso mais de Deus na minha vida. Minha fé, por vezes, fica muito pequenininha. E eu preciso crer, acreditar, contagiar meu esposo com minha certeza de que tudo dará certo!

Eu gosto de estudar com barulho, então enquanto eu estudava com a TV ligada, ouvi versos de um poema que me chamaram a atenção, e mais uma vez me fizeram chorar. Como podem perceber, sou uma manteiga derretida, choro até em comercial de margarina... Risos.

Deixarei os versos que ouvi, de Gibran Khalil, para aqueles que, assim como eu, atenderam ao chamado do amor, mesmo cientes de suas adversidades.


“Quando o amor vos chamar, segui-o
Embora seus caminhos sejam agrestes e escarpados
E quando ele vos envolver com suas asas, cedei-lhe
Embora a espada oculta na sua plumagem possa ferir-vos
E quando ele vos falar, acreditai nele,
Embora sua voz possa despedaçar vossos sonhos, como o vento devasta o jardim
Pois, da mesma forma que o amor vos coroa
Assim ele vos crucifica
E da mesma forma que contribui para vosso crescimento
Trabalha para vossa queda...”

"... E não imagineis que possais dirigir o curso do amor
Pois o amor, se vos achar dignos, determinará ele próprio o vosso curso
O amor não tem outro desejo senão o de atingir a sua plenitude
Se, contudo, amardes e precisardes ter desejos
Sejam estes os vossos desejos:
De vos diluirdes no amor e serdes como um riacho
Que canta sua melodia para a noite
De conhecerdes a dor de sentir ternura demasiada
De ficardes feridos por vossa própria compreensão do amor
E de sangrardes de boa vontade e com alegria
De acordardes na aurora com o coração alado
E agradecerdes por um novo dia de amor
De descansardes ao meio-dia
E meditardes sobre o êxtase do amor
De voltardes para casa à noite com gratidão
E de adormecerdes com uma prece no coração para o bem-amado
E nos lábios uma canção de bem-aventurança..."