quarta-feira, 18 de maio de 2011

Não está nas minhas mãos!

Ontem quando ele chegou à noite em casa, naquele estado, não sei dizer direito o que senti. Talvez pena, talvez raiva, ou compaixão, ou decepção... Tudo misturado. Por isso, apenas o olhei. Não disse uma só palavra. Não tinha o que dizer. Não sabia o que dizer... Fiquei vendo TV e brincando com meu filho, até irmos dormir. Ele tomou a iniciativa de dormir no sofá.

Mas, nem sempre foi assim.

Dois meses depois do nosso casamento ele teve a primeira recaída. Fiquei enlouquecida. O que eu fiz de errado pra ele recair? Ou o que deixei de fazer para que ele ficasse bem? Como se eu fosse a responsável...

Morávamos fora do país e naquela noite seria meu início no novo emprego, um fast food, com bom salário e chances de ascensão. Uma ótima oportunidade para uma imigrante.

Tomei banho, vesti o uniforme, maquiagem, perfume... Estava pronta e ansiosa. Quando ele chegou do trabalho, o vi agitado. Queria que eu fosse logo para o trabalho. Estava escrito na testa dele que, quando eu virasse as costas, iria buscar drogas.

O que eu fiz? Não fui para o trabalho. Perdi a oportunidade do emprego. Fiquei com ele naquela noite.

Resolveu o problema? Não!
No dia seguinte, ele se drogou.

Vejam, perdi uma boa oportunidade, pensando que ajudaria o meu adicto, e no dia seguinte o inevitável aconteceu, porque ele queria usar e iria usar, independente do que eu fizesse.

Já chorei, já corri atrás do carro, já gritei, já conversei, já abracei... Já fui até a “boca” com ele para evitar que ele usasse muito. Já fiquei sem comer. Já passei noites em claro, olhando pela janela. Já rodei a cidade de madrugada, com meu bebê ainda pequeno, procurando por ele. Já registrei ocorrência em delegacia por desaparecimento dele. Já fiz busca em hospitais e IML, quando ele sumiu. Já menti para os outros. Já cobri dívidas sem poder e acabei me endividando. Adoeci.

Um dia percebi que nada disso estava adiantando, simplesmente porque o segredo para se curar da dependência química não está nas minhas mãos e atitudes, e sim na vontade dele. Está no quanto ele quer isso. Sei que ele quer ficar bem, mas, até o momento, a vontade de se drogar tem sido maior, e eu devo respeitar isso. Não sou obrigada a conviver com isso, mas, devo respeitar a escolha dele. Sou sim responsável pelas minhas escolhas.

Hoje vejo isso: não está nas minhas mãos!

3 comentários:

  1. Passo por situação semelhante e tenho vontade de cometer suicídio sempre que acontece. Fico sem chão, sem segurança nenhuma. Decepcionada, desnorteada, triste, doente na alma. Mescla de raiva com pena, desprezo com preocupação. Diante de tantas incertezas, a única certeza que tenho é de que meus sonhos de infância (os que ainda me restaram), vão sendo enterrados, esquecidos e aniquilados. Me pergunto se algum dia serei feliz!

    ResponderExcluir
  2. Bom dia! Me identifiquei totalmente com sua postagem e também com o comentário. Espero que seu blog me ajude a ter uma postura diferente do que venho tendo. Sou uma codependente e preciso entender que não é minha culpa nem minha responsabilidade. Fique na paz.

    ResponderExcluir
  3. Vivi tudo isso TB, fiz o que podia e até o que não podia, perdi emprego.em multinacional, me endividei, troquei noite pelo dia, emagrecimento, parecia que quem estava usando era eu.
    O desespero para ele não sumir, deixava ele usar dentro de casa :( fiquei 6 meses nessa situação em 2012 até interna lo novamente.
    São 5 anos juntos, todas as vezes q ele acha q está bem larga de mim....da dois meses e recai...dessa vez ele estava a 2 anos e 6 meses limpo...não queria estar casado mais, dizia ser muito novo...dia 27/1 fez dois meses que ele saiu de casa..dia 1/2 recaiu, e hj faz 9 dias de internacao.

    ResponderExcluir