sexta-feira, 27 de maio de 2011

Insanidades!

 “A dor é inevitável, o sofrimento é opcional”.  Recordo-me do quanto eu sofri antes de saber da existência da co-dependência e de conhecer a família Nar-anon. Era horrível a sensação de perda do controle próprio nas frustradas e incessantes tentativas de controlar meu marido... Uma experiência de insanidade, e ainda me via cheia de razões em minhas loucas ações... Pensava que era amor, mas, era falta de amor próprio... Estava doente. Se alguém me perguntasse onde estavam os problemas, quem era o doente, quem precisava de ajuda na minha casa, eu nem pensaria para responder: meu marido, o dependente químico, claro! Eu não conseguia ver o quanto eu também precisava de ajuda...
Não que hoje eu esteja curada, mas, já foram muitos progressos, graças a Deus!
Estava me lembrando de um dia, quando ainda morávamos nos Estados Unidos, ele estava em uma crise horrível. Era inverno. Muito frio. Ele subitamente pegou um cofrinho cheio de moedas que tínhamos em casa, e saiu correndo para o carro. Corri atrás dele. Ele ligou o carro. Coloquei-me na frente do veiculo. Ele engatou a ré e manobrou para o outro lado. Eu corri, corri muito atrás do carro pela rua... Meu Deus, quem eu estava pensando que era? A salvadora? Eu queria ter o controle sobre ele, mas, estava a cada dia mais sem controle sobre mim. Era muito doloroso. Sofria muito. E não conseguia ajudar meu marido em nada com essas atitudes.
Ainda fora do Brasil, naquela noite eu sabia que ele iria comprar drogas. Ele comprava em um restaurante mexicano. Eu pedi para ir com ele, a fim de que ele não exagerasse no uso. E fui mesmo. Fiquei no carro, no estacionamento vazio, no meio da noite, enquanto ele entrou no restaurante. Eu chorava muito... Mais uma vez, o que eu estava fazendo? No fundo eu sabia que não adiantaria estar ali, mas, estava. Machucava-me. E ainda o culpava.
Perdi as contas de quantas vezes arrumei as malas ameaçando ir embora. Passava dias e dias chorando e me lamentando. Não comia, não dormia. Como se isso fosse tocar o coração do adicto e fazê-lo parar com as drogas. Posso afirmar que essa tática não funciona.
Agradeço a Deus pela oportunidade da mudança, e peço que Ele ilumine a multidão de pessoas familiares de dependentes químicos que ainda sofrem, como um dia eu sofri.

2 comentários:

  1. http://bloguedogibran.blogspot.com/2011/05/amando-um-dependente-quimico.html

    Leia

    Gibran

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  2. Agradeço imensamente ao professor de jornalismo Gibran Luis Lachowski pelo artigo escrito sobre este blog. Vejam:

    http://bloguedogibran.blogspot.com/2011/05/amando-um-dependente-quimico.html

    Muito obrigada!

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