terça-feira, 31 de maio de 2011

Novo Laço!

Agradeço imensamente pela manifestação de carinho da autora do livro e Blog Valeu a Pena - A Jornada de Uma Codependente, Giulliana Fischer Fatigatti.


Clique aqui e veja o que ela registrou sobre este Blog Amando Um Dependente Químico.


Nâo tenho palavras para agradecer!

Dodói!

São 11 horas da manhã desta terça-feira, 31 de maio de 2011. 06 dias que meu esposo está limpo!

Como falei no ultimo post, hoje estou de folga. Tirei um abono no meu trabalho para que eu e o maridão pudéssemos ficar um pouco juntos. Entretanto, nem tudo saiu perfeitamente como planejamos... Meu filhinho teve febre de quase quarenta graus nesta madrugada, está com uma tosse feia, já marquei a consulta com seu pediatra para hoje às 18 horas. Penso que é a gargantinha.

Os filmes que locamos terão que ficar para depois. Hoje minha dedicação será exclusiva ao pequenininho. Me desculpem se me ausentar um pouco do blog durante este dia... Vida de mãe!

Mas, o que importa é que estamos todos juntos, e que a paz está reinando nesta casa... Só por hoje!

segunda-feira, 30 de maio de 2011

Conflitos!

Agora são 08:14h da manhã. A bolsa do meu filho está pronta para a escola. Eu também estou pronta para o trabalho. Camisa amarela, calça social preta, sapatos... Cabelos ainda molhados, brincos, um batom discreto... É hora de estampar o sorriso no rosto, sufocar a co-dependente dentro de mim, e dar lugar à "mulher bem sucedida".

Mas, antes disso, precisava voltar aqui para dizer que não estou bem. Que meu coração está apertado. Que estou com medo. Vontade de chorar inexplicável. Vontade de não sair de casa, de não ver ninguém. Vontade de não ser eu... De mudar o meu passado, a minha história... Receio do futuro... Estou em recaída (dessa terrível co-dependência)!

Deus, só por hoje me ajude a confiar em Ti!

Preciso encarar a vida, só por hoje...

sexta-feira, 27 de maio de 2011

Opinião de um Jornalista!

Fiquei muito feliz e emocionada ao ver que essa história de amor e dor, cujo objetivo é levar a mensagem de conforto a quem sofre, está sendo divulgada...

Clique aqui e veja o artigo escrito pelo jornalista Gibran Luis Lachowski, sobre este blog Amando um Dependente Químico.

Gratidão!!!

Insanidades!

 “A dor é inevitável, o sofrimento é opcional”.  Recordo-me do quanto eu sofri antes de saber da existência da co-dependência e de conhecer a família Nar-anon. Era horrível a sensação de perda do controle próprio nas frustradas e incessantes tentativas de controlar meu marido... Uma experiência de insanidade, e ainda me via cheia de razões em minhas loucas ações... Pensava que era amor, mas, era falta de amor próprio... Estava doente. Se alguém me perguntasse onde estavam os problemas, quem era o doente, quem precisava de ajuda na minha casa, eu nem pensaria para responder: meu marido, o dependente químico, claro! Eu não conseguia ver o quanto eu também precisava de ajuda...
Não que hoje eu esteja curada, mas, já foram muitos progressos, graças a Deus!
Estava me lembrando de um dia, quando ainda morávamos nos Estados Unidos, ele estava em uma crise horrível. Era inverno. Muito frio. Ele subitamente pegou um cofrinho cheio de moedas que tínhamos em casa, e saiu correndo para o carro. Corri atrás dele. Ele ligou o carro. Coloquei-me na frente do veiculo. Ele engatou a ré e manobrou para o outro lado. Eu corri, corri muito atrás do carro pela rua... Meu Deus, quem eu estava pensando que era? A salvadora? Eu queria ter o controle sobre ele, mas, estava a cada dia mais sem controle sobre mim. Era muito doloroso. Sofria muito. E não conseguia ajudar meu marido em nada com essas atitudes.
Ainda fora do Brasil, naquela noite eu sabia que ele iria comprar drogas. Ele comprava em um restaurante mexicano. Eu pedi para ir com ele, a fim de que ele não exagerasse no uso. E fui mesmo. Fiquei no carro, no estacionamento vazio, no meio da noite, enquanto ele entrou no restaurante. Eu chorava muito... Mais uma vez, o que eu estava fazendo? No fundo eu sabia que não adiantaria estar ali, mas, estava. Machucava-me. E ainda o culpava.
Perdi as contas de quantas vezes arrumei as malas ameaçando ir embora. Passava dias e dias chorando e me lamentando. Não comia, não dormia. Como se isso fosse tocar o coração do adicto e fazê-lo parar com as drogas. Posso afirmar que essa tática não funciona.
Agradeço a Deus pela oportunidade da mudança, e peço que Ele ilumine a multidão de pessoas familiares de dependentes químicos que ainda sofrem, como um dia eu sofri.

sexta-feira, 20 de maio de 2011

O início!

16 de julho de 2006. Dia em que tudo começou. Eu havia concluído minha graduação a poucos dias e estava em minha última semana de férias do trabalho.

Minha filha e eu fomos ao shopping para escolher o novo computador. Estava prestes a desistir da compra, por causa dos valores. Quando ia sair da loja, encontrei uma grande amiga, que me convenceu a fazer o negócio.

Deixei minha filha na casa de sua avó paterna.

Abrindo um parêntese na história, gostaria de esclarecer que minha princesinha mora com a avó paterna, embora esteja comigo com freqüência. Ela é fruto do meu primeiro casamento. Casei-me aos 19. Durou cinco anos e se acabou por imaturidade. Descobri que meu príncipe encantado tinha defeitos, e ele descobriu que a princesa dele também tinha defeitos. Não soubemos lidar com as dificuldades da relação, mas, foi um casamento sem traumas.

Continuando, após deixar minha filha, fui correndo para o apartamento onde morava sozinha, para instalar o computador e testá-lo.

Entrei num chat de pessoas evangélicas. Dei boa noite. Quatro rapazes me responderam. Três moravam próximos a mim, e um morava fora do país há um ano e quatro meses. Não quis continuar a conversa com os rapazes da minha cidade, pois, sabia que iriam querer marcar encontro, e eu não estava interessada nisso, apenas queria conversar, passar o tempo, e testar a velocidade do PC. Continuei conversando com aquele rapaz educado que havia me saudado com um “muito boa noite” e que não representava nenhum perigo, afinal, estava do outro lado das Américas...

Trocamos msn e passamos a conversar pelo Messenger.

Ele parecia tão triste, tão perdido. Coloquei-me a tentar ajudá-lo. E no fim de nossa conversa ele se abriu dizendo que sofria de dependência química.

Juro que não imaginava que um dia ele seria meu esposo. Não era o que eu havia sonhado, mas, a vida e o destino nos pregam muitas peças...

quarta-feira, 18 de maio de 2011

Não está nas minhas mãos!

Ontem quando ele chegou à noite em casa, naquele estado, não sei dizer direito o que senti. Talvez pena, talvez raiva, ou compaixão, ou decepção... Tudo misturado. Por isso, apenas o olhei. Não disse uma só palavra. Não tinha o que dizer. Não sabia o que dizer... Fiquei vendo TV e brincando com meu filho, até irmos dormir. Ele tomou a iniciativa de dormir no sofá.

Mas, nem sempre foi assim.

Dois meses depois do nosso casamento ele teve a primeira recaída. Fiquei enlouquecida. O que eu fiz de errado pra ele recair? Ou o que deixei de fazer para que ele ficasse bem? Como se eu fosse a responsável...

Morávamos fora do país e naquela noite seria meu início no novo emprego, um fast food, com bom salário e chances de ascensão. Uma ótima oportunidade para uma imigrante.

Tomei banho, vesti o uniforme, maquiagem, perfume... Estava pronta e ansiosa. Quando ele chegou do trabalho, o vi agitado. Queria que eu fosse logo para o trabalho. Estava escrito na testa dele que, quando eu virasse as costas, iria buscar drogas.

O que eu fiz? Não fui para o trabalho. Perdi a oportunidade do emprego. Fiquei com ele naquela noite.

Resolveu o problema? Não!
No dia seguinte, ele se drogou.

Vejam, perdi uma boa oportunidade, pensando que ajudaria o meu adicto, e no dia seguinte o inevitável aconteceu, porque ele queria usar e iria usar, independente do que eu fizesse.

Já chorei, já corri atrás do carro, já gritei, já conversei, já abracei... Já fui até a “boca” com ele para evitar que ele usasse muito. Já fiquei sem comer. Já passei noites em claro, olhando pela janela. Já rodei a cidade de madrugada, com meu bebê ainda pequeno, procurando por ele. Já registrei ocorrência em delegacia por desaparecimento dele. Já fiz busca em hospitais e IML, quando ele sumiu. Já menti para os outros. Já cobri dívidas sem poder e acabei me endividando. Adoeci.

Um dia percebi que nada disso estava adiantando, simplesmente porque o segredo para se curar da dependência química não está nas minhas mãos e atitudes, e sim na vontade dele. Está no quanto ele quer isso. Sei que ele quer ficar bem, mas, até o momento, a vontade de se drogar tem sido maior, e eu devo respeitar isso. Não sou obrigada a conviver com isso, mas, devo respeitar a escolha dele. Sou sim responsável pelas minhas escolhas.

Hoje vejo isso: não está nas minhas mãos!

Hoje escolho ser feliz!

São seis horas da manhã, desta quarta-feira, dia 18 de maio de 2011. Hoje decidi criar esse blog pra registrar o que estou sentindo, na certeza que muitas outras esposas (ou maridos), pais, mães, irmãos e outros familiares ou amigos de dependentes químicos sentem o mesmo que eu.
Ontem, eram exatas 11:45h da manhã quando meu celular tocou. Era ele. Estava com uma voz tão contente e exuberante que até me envolveu. Disse que às 16h estaria em meu trabalho para buscar-me e buscaria nosso filhinho na escola para levá-lo também a fim de que eu mostrasse suas gracinhas aos meus amigos de trabalho.
Fui tomada por uma imensa alegria. Havia apenas quatro dias desde a ultima recaída, mas, naquele momento, acreditei. Comecei a sonhar de novo. A pensar que tudo poderia ser diferente. Que valeria a pena recomeçar.
Fui almoçar com uma amiga. Conversávamos sobre relacionamentos. E era inegável que mais uma vez eu me colocava a sonhar... Comprei biscoitos e pirulitos para meu filhinho, afinal, do meu trabalho até minha casa há um grande caminho a percorrer, e assim ele iria quietinho no carro, distraído.
Eu estava ansiosa. Ao voltar do almoço, liguei para meu marido para saber como estava. Ele não atendeu... As horas foram passando, e nada de atender ou retornar... 15h, 16h, 17h... Nada. Mais uma vez o mundo pareceu desabar sobre mim. Mais uma recaída. Mais uma vez planos e sonhos desfeitos. Mais uma vez a desilusão e a desesperança.
Mas, eu sabia e sei que é preciso continuar. Tenho dois filhos lindos. Tenho um bom trabalho. Não sou responsável nem culpada pelas escolhas do meu marido, mas, sou responsável por minhas escolhas. E hoje escolho ser feliz, apesar de tudo.
Busquei meu filho. Pegamos um táxi até em casa. Brincamos e vimos DVD. Dei um banho gostoso nele. Dei-lhe comidinha. E cantei para ele dormir.
Meu dependente químico chegou em casa por volta das 20h. Sujo. Alienado. Nosso bebê insistia em segui-lo: - Papai, papai! Mas, ele parecia nem ouvi-lo... Dor.
Percebi que nosso aparelho de som não está mais aqui. Perdas.
Mas, hoje é um novo dia. Vou me arrumar para o trabalho. Curtir meus filhos. Conversar com pessoas. Na certeza de que há muita vida lá fora e que não posso me afundar junto com ele, e nem ajudá-lo se ele mesmo não estiver disposto a fazê-lo.