sábado, 23 de maio de 2015

Mulher quase madura!



É, não tem jeito, os 37 chegaram 
Mas acho que eu esperava mais dos meus trinta e muitos anos
Será que era isso o que chamavam de maturidade??
Acho essa fase um tanto quanto conflitante!
Claro que hoje sou uma mulher mais centrada, mais segura, com responsabilidades, horários, compromissos...
Mas, por outro lado, ainda me acabo brincando de pique esconde ou de queimada na companhia dos meus filhos e filhos dos vizinhos.
Ainda compro meu picolé preferido (o Tablito da Kibon) só para me divertir me desafiando a conseguir deixar o chocolate do recheio inteiro (sem quebrar) para comer no final.
Gosto de selfies
Pareço uma idiota no Dubsmash
Choro em filmes românticos, dramas, novelas, comerciais de margarina, etc...
Dou crise de risos sem ter uma razão que justifique
Ouço vários estilos de música, quase todos, depende do meu humor
Sei me maquiar (mais ou menos), mas também sei usar a cara limpa, e não tenho nenhum problema com isso
Uso salto, mas também uso chinelos, conforme eu queira
Gosto de olhar as pessoas nos olhos, e hoje tenho o dom de interpretar as suas intenções
Ainda sou muito ingênua, mas sou mais cautelosa
Ainda acredito no amor, mas isso inclui o amor próprio
Ainda sou muito sonhadora, mas aprendi a traçar planos e desenvolver projetos para alcançar esses sonhos e torná-los reais
Ainda espero o carinho e a aceitação dos outros (infelizmente).
Não troco um programa com meus filhos por uma balada
Na verdade, não troco um programa com eles por quase nada
Guardo meus amigos verdadeiros no coração, embora não tenha tanto tempo para eles
Ainda gosto de biscoitos recheados e de danoninho
Ainda choro escondida, às vezes
Danço nos corredores do supermercado
Continuo a mesma estabanada e desastrada de sempre
O medo de alturas ainda está aqui
A paciência está mais curta
Luto para defender as minhas ideias e ideais
Sou boazinha, mas não sou boba
Sou educada, mas tenho opinião formada e sou cabeça dura
Muitas vezes opto pelo silêncio
Tenho o pensamento acelerado e me cuido para não me tornar antissocial em razão disso
Malho quase todos os dias, mas também trago algumas pequenas enfermidades por dentro
Gosto de escrever mais do que falar
Gosto de viajar
Não dou valor a coisas materiais
Não dou valor a status
Dou valor a ações!
Dou valor a seres humanos!
Adoro simplicidade: comida simples, gente simples, lugares simples, vida simples!
Seria tudo isso aprendizado proveniente do tempo?
Sei lá. Talvez.
E embora alguns digam que pareço irmã da minha filha (pra me agradar)
Sei que não sou mais uma garotinha, e nem gostaria de voltar a ser, se pudesse
Mesmo sabendo que o tempo à frente está cada vez menor
É muito bom olhar para traz e para o hoje de cabeça erguida
E ter a sensação de vida bem vivida
Bem amada
Bem sentida...
Sempre fui intensa nos sentimentos, nas atitudes, nas decisões
Quebrei muito a cara
Aprendi, desaprendi, aprendi de novo
Cresci!
E aqui estou eu, abrindo a porta dos meus 37 anos
Gosto do que sou
E gosto dessa fase “quase ajuizada” de ser
E agradeço a Deus por tudo o que Ele me concedeu
Por todos os livramentos
E por todas as bênçãos recebidas nesses anos todos,
E dentre elas, agradeço pela maior bênção de todas: A VIDA!!
(Polyanna P.)


Bom dia!!

Ontem foi meu aniversário, e foi um dia gostoso de falar com gente querida que há tempos não falava, e de receber abraços daqueles que convivem comigo... Telefonemas, mensagens no WhatsApp e redes sociais.

Mas, "ele" não se lembrou. :(

Ele não está bem e atribui isso a problemas no trabalho. Talvez seja. Talvez não.

Fiquei meio decepcionada.

Tentei não me lembrar do meu aniversário do ano passado, mas foi inevitável (Clique aqui, e veja).

O que fazer nessas horas? Eu busco focar nas coisas boas. E recorro à oração da serenidade.




Um pedacinho da cartinha da minha filha, de 15 anos, que me emocionou muito!

“... você vive falando que eu e meus irmãos somos os melhores presentes que Deus te deu, mas quem na verdade recebeu o melhor presente fomos nós três. Ganhamos uma mãe... ganhamos VOCÊ como mãe. Desde antes da gente nascer, Deus já havia separado a melhor pessoa para ser nossa mãe, a que melhor exerceria esse papel, a com mais carinho, com mais amor, com mais tudo de melhor. Sem dúvidas, quando Deus te viu Ele na hora soube que você era essa pessoa, a única que saberia exercer esse papel tão bem... Enfim, eu só quero dizer que talvez eu não saiba retribuir e valorizar tudo o que faz por mim, mas quero deixar claro que te amo de um jeito incondicional... E como sou péssima em palavras, achei uma música que resume um pouco o que quero dizer:
‘Uma super heroína sempre pronta pra me salvar, e com você aprendi todas as lições... Eu só quero lembrar que de 10 vidas, 11 eu te daria, e que foi vendo você que aprendi a lutar... Se Deus me desse uma chance de viver outra vez, eu só queria se tivesse você...’
Mãe, eu te amo tanto! Que Deus te guarde, guie, abençoe e proteja sempre, e que Ele te dê ainda mais uns 999 anos pela frente... Não aceito menos! J...”



Homenagem que uma amiga de trabalho fez, me fazendo chorar também!

"Assim que te conheci, tive medo. De quê? Não sei, mas tive medo.
Os dias se passaram, e eu percebi que estava ao lado de um furacão, um vulcão em erupção, com quilômetros e quilômetros de informações, capaz de transformar vidas, inclusive a minha.
Em um terceiro momento, disse: 'Ela é um exemplo, quero seguí-la".
Daí comecei a sentir o seu cheiro, e que incrível, você exala amor! Sabe aquele amor bondoso, paciente, transformador e cativante que envolve a alma? Essa é você.
Passados alguns meses, virei sua fã. Não por você hierarquicamente estar acima de mim, mas por você ser essa profissional ética, capaz, justa, digna de todo reconhecimento por dar o que você tem de melhor para as pessoas que mal conhece, simplesmente para vê-las sorrirem. Isso não tem preço!
O céu hoje está em festa, comemorando o dia que você nasceu. Mais do que isso, observando a linda mulher de caráter inabalável que contagia a todos com a missão de amar famílias.
Sou uma mulher sortuda por estar ao seu lado aprendendo algo novo todos os dias.
Obrigada por tratar a todos com tanto respeito!... Rose."


Essa é a Rose!!


Olha que mesa carinhosa!! 


Amigos de trabalho!


Queridas, ontem tive um dia feliz, porque escolhi isso!

Nem mereço tanto carinho, mas sei que tudo isso são presentes de Deus para confortar o meu coração e preencher os espaços deixados por familiares importantes em minha vida.

Só por hoje, escolho ter um sábado maravilhoso, independente dos "outros"!

Só por hoje, escolho "viver e deixar viver"...

Grande beijo!

segunda-feira, 18 de maio de 2015

Quatro Anos!!



Bom dia!!

Hoje é dia 18 de maio de 2015, segunda-feira. Agora são 06h15min da manhã.

Friozinho gostoso aqui em Brasília...

Quem acompanha este Blog desde o início deve se lembrar que as primeiras postagens sempre começavam assim... Lembram?!!

Hoje o Blog Amando um Dependente Químico está completando 04 (quatro!!) anos desde a sua criação!

E estou muito feliz por isso!!

Recebo inúmeros e-mails de pessoas que ainda hoje chegam por aqui, em busca de informações, perdidas em meio à dor de amar um dependente químico.

Era pra ser apenas um Blog. Apenas um desabafo. Uma troca. Um grito.

Mas hoje não tenho dúvidas de que tudo isso estava escrito em minha vida.

Hoje não posto mais como antes. A frequência não é a mesma. Não me sinto mais à vontade em expor minha vida, como fazia antes, em razão do número de pessoas que o acessam. Mas sempre que posso, passo por aqui para registrar o que tenho aprendido.

Era pra ser apenas um Blog. Mas tornou-se um livro, transformou-se em palestras, inspirou um projeto governamental, mudou a minha vida...

Quando olho para aquela Polyanna do dia 18/05/2011 e volto o olhar para essa Polyanna de hoje, vejo o quanto mudei e o quanto cresci com tudo isso.

Meus princípios, sentimentos e valores são os mesmos. Mas minha forma de enxergar a mim mesma, ao próximo e ao mundo, mudou muito.

O Blog vai continuar. Não sei quantas postagens farei nesse próximo ano, mas sei que quem chega por aqui consegue encontrar o “abraço”, o “aconchego”, o “acolhimento” e a “informação” registrados no decorrer desses quatro anos.

Por meio deste canal, conheci tantas pessoas. Fiz tantos amigos. Aprendi tanto com vocês! Que não importa o quanto eu caminhe, esse espacinho sempre será o nosso “cantinho”...

E quem é a Polyanna hoje?

Estou quase completando 37 anos (dia 22/05), e estou em uma fase de me cuidar bem. Estou malhando quase todos os dias, e buscando uma alimentação saudável. Saio quase todos os finais de semana com meus filhos. Me sinto mais livre, mais feliz. Toco violão. Voltei a cantar!

E no trabalho, nem sei explicar o quanto o faço com prazer! Sou Coordenadora de Apoio às Famílias. Cuido das famílias dando orientações de prevenção ao uso de drogas. E também cuido das famílias que convivem com usuários, e sofrem com isso. E é muito gostoso comemorar cada mínimo progresso obtido!

Eventualmente, as famílias levam o adicto para que possamos conversar com ele também. Há duas semanas, recebi um jovem de 16 anos que estava iniciando o uso de maconha. Dias depois, sua avó ligou informando que ele havia acatado todas as orientações e que todas as palavras ditas mexeram muito com ele. Agora ele está fazendo acompanhamento psicológico no CAPS, e iniciou um curso profissionalizante e um esporte.

Eu vibro a cada retorno positivo!! Estamos falando de VIDAS!!

Antes de cada palestra e de cada atendimento individual, assim como de cada postagem neste Blog, peço que Deus inspire em meu coração as palavras certas. Não é mérito meu! São presentes de Deus!

Recentemente iniciei palestras para crianças, de prevenção ao uso de drogas. Na maioria das vezes, são crianças de áreas de muito risco.

Na semana passada, estive em uma escola onde as crianças não tinham tênis. Quase todas de chinelinhos bem desgastados. E elas ouviram com tanta atenção, brincaram, sorriram e aprenderam a dizer “NÃO”. E ao final, vieram aqueles abraços e beijos que nem dá pra dizer o que representam. E muitas desabafaram: “tia, tem alguém lá em casa que usa drogas”.

Sabe, queridas(os), ao mesmo tempo que dói ver todo esse cenário, é muito gostosa a sensação de estar fazendo a minha parte!

Algumas pessoas ao meu redor não entendem porque trabalho com tanta paixão. Alguns que não me conhecem bem, chegam a pensar: “o que essa garota está querendo?”

Engana-se quem pensa que o fato de ter experiência sofrida com adictos ou fazer esse tipo de trabalho, me dá o direito de ser abraçada ou amada por todos. Não.

Muitas vezes essa paixão pela causa incomoda.

Mas tento não me importar com isso. Sou muito focada no meu papel. E com o tempo, se tiver que ser, os outros vão entendendo que faço tudo isso por prazer, e por isso dá tudo tão certo! Deus sempre abençoa quando fazemos as coisas de coração!

Foi bem gostoso ouvir da minha chefe a seguinte frase: “Polyanna, isso é missão!”


"Feliz aquele que transfere o que sabe, e aprende o que ensina..." 
(Cora Coralina) 


“Não sei se  a vida é curta ou longa demais pra nós, 
mas sei que nada do que vivemos tem sentido, 
se não tocamos o coração das pessoas”.
(Cora Coralina)


“Muitas vezes basta ser: colo que  acolhe, braço que envolve, palavra

que conforta, silêncio que respeita, alegria que contagia, lágrima
que corre, olhar que acaricia, desejo que sacia, amor que promove.

E isso não é coisa  do outro mundo... É o que dá sentido à vida.”
(Cora Coralina)


Agora, deixarei, abaixo, o vídeo “A Fuga do Moinho” que mostra a realidade dos pais que se deparam com a realidade do uso de drogas dos filhos. Conheci esse filme na primeira aula do Curso para Pais do PROERD, e confesso que tive vontade de chorar. 

Aproveito para agradecer ao Sargento Antônio e ao Instrutor Neres que me forneceram o vídeo.



Queridos pais, lembrem-se: vocês não são culpados pelo uso de drogas do outro, vocês não podem controlar o outro e não podem curá-lo. Busquem ajuda!!

Quero voltar aqui o quanto antes para conversar com os pais de filhos pequenos, e principalmente em lares onde há adictos, pois temos uma responsabilidade muito grande com nossas crianças!!

Para concluir, informo que o meu familiar continua limpo. Não houve recaídas desde novembro do ano passado. Ele continua tendo muita dificuldade de relacionamento com ele mesmo, com as pessoas do trabalho, com a família... com o mundo! Mas tudo isso faz parte da vida dele, e são desafios dele, não meus.

E esse foi um dos meus maiores aprendizados nesses anos todos: aprender a separar a minha vida da dele!

Obrigada pelas 426.546 visitas!! Obrigada por todo o carinho que sempre recebi aqui!

Grande beijo no coração de todos vocês!!

"Você tem o pincel, tem suas tintas... Pinte o paraíso e depois entre nele." (Suzana Queiroga)



Agora é só esperar os 37!!
(Poly na aula de zumba para as mamães, na festa da família da escola do filhote!)



domingo, 19 de abril de 2015

O que estamos fazendo com as nossas vidas?



Bom dia, queridas(os)!

Nesta semana, foi realizado o sétimo encontro para formar multiplicadores sociais de apoio às famílias na prevenção do uso de drogas, e principalmente no acolhimento e informação àquelas que convivem com dependentes químicos.

Dessa vez, fizemos um seminário, diferentemente dos seis anteriores que foram cursos. Uma ação do Projeto Ame, mas não sofra, da Subsecretaria de Prevenção ao Uso de Drogas.

Mas hoje esse não será o tema da postagem. Falarei sobre o eventro no próximo post, pois ainda não tenho todas as fotos, e quero dividi-las com vocês.

Hoje quero falar sobre como temos nos tratado...

Tive a oportunidade de ouvir muitas histórias no Seminário. E também aproveitei o dia de ontem para ler e-mails e mensagens deixadas na fanpage.

Meu Deus, quanta dor! Quanta autoanulação! Quanto sofrimento! Quanta vida desperdiçada!

E eu estou aqui para dizer que existe vida “lá fora”, queridas(os)!

Uma das histórias que me deixou bem emocionada, é a de uma jovem bonita, inteligente, com bom nível de formação e boa profissão, que há mais de 10 anos está em um relacionamento afetivo com um adicto na ativa. Ele nunca aceitou a necessidade de tratamento em todo esse tempo. E ela traz traços de tristeza e cansaço em seu belo rosto.

As relações íntimas não acontecem. Ele não lhe dá cuidados nem carinho. Exige que ela lhe dê dinheiro para o uso. A agride. E recentemente, quando ela lhe contou, aos prantos, que um parente próximo havia falecido, a resposta dele foi: “se enterra junto com ele”.

E mesmo diante desse cenário chocante, ela ainda diz que se mantém com ele para que ele não se afunde de vez na droga. Esconde as loucuras dele do resto da família, agindo como cúmplice. E se preocupa com ele incansavelmente.

E como ela, milhares e milhares de mulheres existem não existindo. Mulheres que se perderam em algum lugar, em algum momento. E que precisam, urgentemente, iniciar um processo de busca de si mesmas.

Enquanto vocês se dedicam exclusivamente ao cuidado do outro, pergunto: quem está cuidando de vocês?

Sei que no meio dessa confusão toda, a última coisa que passa em nossa cabeça é cuidar de nós, mas não há outro meio para encontrarmos forças de encarar essa situação ou de pular para fora dela, conforme o caso.

Como parece fácil a nós anularmos nossas necessidades, não é mesmo? Parece não ter importância se comemos ou não, se dormimos ou não, se sorrimos ou não, se fazemos nossos exames médicos de rotina ou não, se vivemos ou não... Desde que estejamos sempre no posto de “cuidadora” do outro, mesmo que esse outro não valorize esse cuidado.

Queridas(os), vou ser bem sincera, quanto mais anularmos a nós mesmas(os), agindo como se nossas necessidades não fossem importantes, mais a doença do outro (dependência química) e a nossa (codependência) progredirão.

Ou seja, todo esse sofrimento é em vão. Não traz resultados positivos, somente negativos, a ambos.




Mas, como cuidar de nós mesmas(os)?

Já falei nesse Blog repetidamente: sozinhas(os) não conseguimos, precisamos de ajuda!!

Eu vivi esse processo de não saber dizer NÃO ao outro, e de sempre dizer NÃO a mim mesma. É doloroso demais isso. E parece que nos acostumamos tanto com essa dor e estilo de vida, que com o tempo, isso nos parece normal, mas NÃO É!! Eu consegui enxergar isso e iniciar um processo de mudança por meio de terapia psicológica e reuniões em grupos de apoio durante dois anos consecutivos, e muita, muita leitura e oração.

Leiam os livros Mulheres que amam demais, da Robin Norwood e também o Codependência nunca mais da Melody Beattie.

Somente assim vocês conseguirão se fortalecer para tomar atitudes.

Já está fortalecida? Então agora comece a estabelecer metas para si mesma(o).

Comece com metas como: me levantar da cama, tomar um banho, passar um creme hidratante, fazer uma atividade física, ver um programa agradável na TV.

E à medida que você for cuidando de si mesma, e sua autoestima for sendo resgatada, começará então com as metas de limites, como: dormir, desligar os telefones durante o período de sono, não sair para resgatar ninguém dos seus próprios problemas, se alimentar independente do outro...

E quando estiver mais forte ainda, terá força para não aceitar nenhum tipo de agressão e chamar a polícia se necessário, ou mesmo para romper esse tipo de relação destrutiva, sem culpas.

Me entendem?

Queridas(os), é um processo. Um longo processo.




Você está tão adoecida quanto o outro, então se trate primeiro, se fortaleça primeiro, para conseguir enxergar claramente se o que está mantendo essa relação é amor ou doença.

Nesses anos todos de Blog e de trabalho às famílias, eu NUNCA disse a ninguém: “se separe” ou “fique junto”, porque esse processo é de dentro pra fora, e não de fora pra dentro.

Se você não se cuidar, nada mudará em sua vida. Ainda que se separe, acabará se relacionando com outro homem problemático, porque você ainda não aprendeu a se amar, e a querer coisas boas para si mesma.

Olhe para si mesma(o), se possível diante de um espelho, e diga: “eu mereço o meu próprio amor, o meu próprio respeito e o meu próprio cuidado!” Grite, se necessário. Chore, se necessário. Repita isso, se olhando nos olhos. E aproveite para pedir perdão a si mesma(o)...

Muitas de nós, esposas de homens dependentes de substâncias, somos filhas de homens problemáticos. Muitas! Isso acontece porque é do ser humano temer as mudanças. E inconscientemente, buscamos aquele cenário parecido com o cenário em que fomos criadas. Mas, é hora de darmos um basta nisso.

Se não éramos aceitas ou amadas quando crianças, se fomos exploradas, violentadas, isso ficou no nosso passado! É hora de perdoar, enterrar isso, e começar a fazer novas escolhas, recheadas de amor próprio!

Mudar é estranho, é assustador, mas por vezes, é necessário!

Mais uma vez, não estou aqui dizendo para ninguém se separar ou continuar junto, mas por favor, é hora de dar um basta, de não permitir mais que os outros te maltratem, e principalmente de você mesma(o) parar de se maltratar... Você não merece isso!!!

Houve uma época em que eu participava de um grupo de esposas de adictos em uma rede social. Gente, eu nunca vi tanta mulher bonita, inteligente e cheias de bondade em um lugar só. Acoooorda mulherada!!! Valorizem-se!!! Amem-se!!!

Jesus nos ensinou: “ame ao teu próximo COMO a ti mesmo”.

Entendeu?

É pra amar ao próximo NA MESMA MEDIDA que você ama a si. Acho que se déssemos ao outro o mesmo amor que damos a nós, ele não estaria conosco. Não é mesmo?

Enquanto não aprendermos a gostar de nós, a vida não gostará de nós...




Eu mesma vivia escondida dentro de mim, não tinha coragem de me mostrar, porque não gostava do que eu era. Eu me sentia insegura para falar em público, porque não tinha autoconfiança. Não gostava de fotos, por me achar feia. Vivia pensando no que os outros estavam achando de mim. Me achava inferior. Nunca flertava com bons rapazes, porque me achava indigna de me relacionar com eles.

Gente, isso é doença! E isso nos faz mal demais, pois afeta em nossas escolhas, ou seja, define nossas vidas.

Graças a Deus, descobri isso! Busquei (e busco) tratamento! Faço minha academia, cuido da minha saúde, exponho e defendo minhas ideias, tenho o meu trabalho reconhecido (por mim e pelos outros), me acho bonita, e me cuido para ficar mais bonita. E principalmente, não aceito que NINGUÉM me maltrate, pois sei o valor que tenho!

Sim, eu tenho defeitos, eu erro, mas descobri que todo mundo tem, e todo mundo também erra. Não sou inferior a ninguém por isso. E sinto paz em relação ao que sou!




Queridas(os), o nosso próprio brilho só irá reluzir quando permitirmos isso.

Hoje não sou uma super-heroína nem uma pobre vítima. Sou apenas a Polyanna, responsável por minha própria vida.

Ainda não estou curada, mas busco essa cura a cada dia, e faço a minha parte para que ela aconteça.

“Precisamos amar a nós mesmos e comprometer-nos conosco. Precisamos dedicar a nós mesmos algumas das lealdades ilimitadas que tantos codependentes desejam dedicar a outros. Da alta autoestima virão os verdadeiros atos de bondade e caridade, não egoísticos.” (Melody Beattie)

terça-feira, 31 de março de 2015

Ah, essas páginas brancas... ♥



“Hoje ele me ligou duas vezes com voz apaixonada. Parecia feliz. Ele está em seu trabalho e eu no meu.

É engraçado como às vezes me pego pensando nele, como se ainda fôssemos um casal de namorados.

Já vivemos tanta coisa juntos.

Foi ele quem me ensinou a dirigir (eu tinha carteira de habilitação, mas não sabia conduzir). Era muito engraçado. Ele nervoso, eu aos gritos fazendo barbeiragens, depois os risos.

Fizemos um boneco de neve juntos. Escrevemos na areia da praia nossos nomes. Aventuramos como imigrantes num país estranho. Passeamos pelas ruas de New York.

Passamos horas olhando as estrelas e falando sobre extraterrestres. Já vimos mais de 300 filmes no DVD. Fomos apenas duas vezes ao cinema, preferimos o aconchego da nossa casa.

Eu o ensinei a tocar violão. Cantamos juntos numa igreja. Horas e horas ao telefone. Batemos o recorde de 30 horas conectados pela webcam, sem parar. Dedicamos músicas um ao outro. Fizemos planos. Sonhamos.

Ele me pegou no colo em meio às folhas caídas, no belo cenário do outono. Cozinhamos juntos.

Pescamos (ele caiu no rio e vimos uma cobra). Fomos ao zoológico. Faxina em casa dividida aos dois. Brincamos. Brigamos por ciuminho.

Sentimos saudades. Escrevemos cartas. Ele me deu flores algumas vezes.

Ele aprendeu a comer pequi. Eu aprendi a tomar chimarrão. Já torci muito ao redor do campo enquanto o meu goleirão jogava. Milhares de fotos e alguns vídeos. Torcemos pelo Brasil. Passamos 5 natais e réveillons.

Ele ama quando faço panquecas. Eu amo o seu churrasco.

Eu o vi patinar em um lago congelado, fiquei com medo de ir com ele, apenas gargalhava das suas quedas, e contemplava a paisagem mais linda que já vi, tudo branquinho de neve, 10 graus abaixo de zero. Inesquecível.

Ficamos perdidos num morro de São Paulo. Viajamos 2.000 km de carro. Ele deu uma casa completa da Barbie para minha filha. Ficamos “grávidos”. Passamos juntos a emoção da chegada do nosso filho, numa véspera de Natal.

Dançamos vaneirão. Fizemos amigos. Entramos na família um do outro. Jogamos sinuca sem saber. Oramos juntos.

Surpresas. E-mails. Bilhetinhos. Chocolates. Roda gigante em Ocean City.

Virginia. Maryland. New Jersey. Washington. Distrito Federal. Goiás. Minas Gerais. Paraná. Santa Catarina.

Nos casamos. Numa igreja cheia de familiares e amigos? Que nada. Só nós dois, no lindo estado de Virginia, numa Court, com um Juiz que nos perguntou se queríamos nos casar em Inglês ou em Português. Respondemos que queríamos em Português. No entanto, o Português dele era uma mistura de Espanhol, com Inglês e Italiano, tudo, menos Português. Não entendíamos quase nada, a gente se olhava com vontade de rir. Mas entendemos que estávamos ali jurando amor e companheirismo eterno. Eu lhe disse sim. Ele também me disse sim. Foi sério. E ainda hoje dizemos sim um ao outro, a cada dia.

Dormimos de conchinha. Falamos de baleias. Criamos um gatinho. Acordamos de mal humor. Fizemos bagunça com as crianças. Batemos o carro. Tomamos sorvete. Dez horas de viagem de avião, segurando um na mão do outro com medo.

Rimos muito. Choramos também. Comemoramos conquistas. Nos abraçamos muitas vezes. Nos amamos.

Essa é a história da nossa vida sem as páginas negras manchadas pelas drogas.” (livro Amando um Dependente Químico)





Se me perguntarem qual é a página do livro Amando um Dependente Químico que mais gosto, afirmarei que é essa. Sei lá, ela mexe comigo todas as vezes que leio, porque parece um pequeno filme de nossas vidas.

Esse texto foi escrito em 2011. Hoje, quatro anos depois, várias “páginas brancas” foram acrescentadas à nossa história. Sim, ainda houveram páginas manchadas, mas quando leio a história completa, me dá uma sensação de “valeu a pena”!

Quem ainda não leu o livro Amando um Dependente Químico, CLIQUE AQUI, e adquira o seu.

Quem não tem condições de comprá-lo, pode me pedir uma versão em e-book, enviando um e-mail para polyp.escritos@gmail.com com o assunto "pedido de e-book".

Mais de 600 pessoas já leram o livro! Fico muito feliz em saber que minha história não é mais somente minha, e que tudo o que vivi, de alguma forma, hoje pode ajudar a outras pessoas que passam e sentem o mesmo que eu... Coisa linda isso, né?!!

Desejo muitas páginas brancas na vida de todos nós!


Fiquem com Deus! 

Beijos!