domingo, 14 de fevereiro de 2016

Será que vai dar certo?



Bom dia!!

Tudo bem com vocês?

Tenho recebido muitas mensagens perguntando se meu ‘familiar’ adicto está bem e como está nosso relacionamento.

Alguns seguidores do Blog leram a postagem O fim do fim, de 14/09/2015, mas não se atentaram para os comentários. Então hoje vou falar para vocês, por alto, sobre os acontecimentos e como andam as coisas por aqui.

Como sabem, em 14 de junho passado, meu marido e eu havíamos nos separado. Por causa de uma recaída? Não. Por causa de uma série de fatores...

Em dezembro de 2014, quando com tanto sacrifício o acompanhei em seu tratamento com ibogaína, eu disse para mim mesma (e para ele) que seria a última tentativa. Não que ele tivesse a obrigação de nunca mais recair, pois já aprendi que as tais recaídas fazem parte da doença, no entanto, eu havia decidido não conviver mais com isso.

Nosso relacionamento estava caótico, mesmo sem recaídas às drogas. Ele estava limpo, mas recaído em seu comportamento. Estávamos distantes.

Após seis meses limpo, veio a recaída de fato, e após, a separação.

Eu havia decidido colocar um ponto final nessa história de tantas dores na minha vida. Havia decidido me afastar, esquecer.

Foram pouco mais de três meses completamente longe um do outro. E foi muito difícil.

Meus filhos sofreram muito pela ausência do pai. Eu sofri muito pela separação e por ter que me manter firme diante dos meus filhos. Sinceramente, não gosto nem de me lembrar.

Nesse período, ele iniciou um relacionamento com outra pessoa. E eu, embora não tenha me relacionado com ninguém, pela primeira vez, após tantos anos, senti uma admiração por outro alguém... Ou seja, achei que era o fim do fim mesmo.

Mas...“E quem, um dia, irá dizer que existe razão para as coisas feitas pelo coração? E quem irá dizer que não existe razão?” Né?!

Acho que nossa missão de um para com o outro ainda não havia acabado.

Em um belo dia, marcamos de conversar sobre nossos filhos e outros assuntos, e quando dei por mim, estávamos juntos de novo... Decidimos tentar outra vez... Lutar por nossa família.

Assim como muitos me criticaram quando decidi me separar, muitos também criticaram minha decisão de voltar. E eu, sinceramente, não estou preocupada com o que pensam não. Fiz o que achei certo fazer.

Estamos juntos novamente desde o dia 18 de setembro (2015). E ele se mantém limpo há sete meses.

Está tudo muito diferente desde a nossa volta.

Infelizmente, como outras pessoas entraram em nossas vidas de alguma forma, vira e mexe, vem à tona mágoas guardadas e inseguranças. Mas temos superado tudo isso juntos.

Eu mudei muito com tudo o que aconteceu. Vi que não sou insubstituível, nem única no mundo... E que ele não morreria sem mim. E tudo isso foi muito bom para eu me livrar de vez dos meus comportamentos codependentes.

Estou relendo o livro Amando um Dependente Químico, e por vezes me vejo exclamando: “Nossa, como eu mudei!”

Eu não mudei em relação ao meu esposo. Eu mudei em relação a mim mesma.

Alguns me perguntam: “você acha que seu casamento vai dar certo?”

Nem sei o que dizer. Estamos a caminho do décimo ano de casamento, temos filhos maravilhosos, e uma história incrível juntos. Ou seja, já deu certo!

O importante é que hoje, tanto ele como eu, temos nos empenhado para que nossa família esteja unida e bem. E enquanto houver essa luta de ambos, certamente essa história dará continuidade...

Como hoje é 14 de fevereiro, ou seja, é “Valentine’s Day”, vou deixar um trecho do livro Amando um Dependente Químico, que fala o que penso e sinto sobre o amor...

Escrito em 14/02/2007, em Woodbridge, no estado da Virginia, nos Estados Unidos da América:

Hoje é Valentine's Day, o dia do amor. Balões em forma de coração, chocolates, sorrisos seguidos de “Happy Valentine's Day"! A paisagem é bem favorável aos enamorados: árvores secas cobertas pela neve que caiu a noite, céu nublado, friozinho gostoso. E estou aqui para falar um pouquinho sobre esse tal de amor, afinal, o que ele é? Esse sentimento que nos faz rir e chorar, que acalma e atormenta, que refrigera e queima. Por que será que necessitamos tanto dele? Alguns podem até disfarçar e dizer que não acreditam nessa “bobagem”, ou que preferem ficar sozinhos para não se machucar. Mas, no fundo, todos sempre estamos ansiosos por sermos amados e amar, independente de classe social, idade, religião. Simplesmente porque o amor é necessário e vital a todos nós. Não falo de um amor fantasioso, aquele perfeito da novela, mas, de um amor real, palpável, para ser vivido dia a dia. Aquele sentimento que te faz abrir mão de bilhões de pessoas para prestar atenção de pertinho em uma só, a fim de não deixá-la passar desapercebida por essa vida, pois, você estará sempre na primeira fila da plateia, torcendo, acompanhando, vibrando com suas vitórias e sendo apoio nas derrotas. Falo daquele amor que te faz poder acordar com cabelos desgrenhados e sem maquiagem e, ainda assim, saber que, para ele, és a mais linda. És única. Falo do prazer que só quem ama sabe sentir, ao fazer uma faxina em casa juntos. É preparar um jantar com carinho, é fazer contas mensais, é rir das bobagens, é brigar por besteira, é saber pedir desculpas, é dar o abraço esperado, é receber o beijo inesperado. É sentir-se acompanhada sempre, mesmo que ele esteja no trabalho e você em casa. É quase morrer de saudade, mesmo que por poucos instantes de ausência. É sentir uma alegria inexplicável diante do sorriso dele, ou uma dor aguda no peito quando ela sofre. É ver filme e comer pipoca encostados um no outro. É dançar na sala, juntinhos, ao som “daquela” musica. Não importa se ele prefere músicas norte-americanas e você, as latinas; nem se ele quer dormir quando você quer dançar; nem se ele quer ver TV quando você quer tagarelar, o importante é que o amor está lá, e você sabe-se amada, e ele também. Enfim, não vou tentar decifrar o amor, afinal, ele não existe para ser explicado ou compreendido, mas apenas para que seja sentido, vivido e explorado, ao máximo. Desejo um “Happy Valentine's Day” a todos, e que você se permita ser contagiado por essa maravilha que é o amor!”




Quer saber? Apesar de tudo, o amor continua o mesmo do narrado no texto acima...

E vale a pena dizer que nesse início de 2016, estou passando por uma ‘barra’ enorme, e quem está do meu lado, me apoiando e me ajudando a prosseguir, todos os dias? Ele mesmo, o maridão.

É triste a forma como a sociedade ainda encara a dependência química de forma tão preconceituosa. Mas acredito que, com o tempo, isso mude cada vez mais. Ao menos estou fazendo a minha parte para isso...

Para terminar, quero dizer que dependência química é doença, e que a postura do adicto diante de sua doença é muito importante. Ele não é um coitadinho ou um incapaz. Não! Ele não optou por ser dependente químico, mas ele (e só ele) pode escolher lutar contra isso.

Entretanto, mulheres, agressão física ou psicológica, ou outros tipos de abusos não são doença, são crime. Ok? Abram o olho!

O objetivo de tudo o que escrevo nesse blog é você, querid@! Você que se deixou afetar pelos problemas de outra pessoa e acabou esquecendo de cuidar de si mesm@.

“Somos responsáveis por nossas escolhas e comportamentos. Somos responsáveis por iniciar, continuar ou terminar relações. É possível amar sem deixar-se anular emocionalmente pelo objeto do nosso afeto. É possível amar alguém sem deixar de amar a nós mesmos. Muita gente aprendeu a fazer isso. Você também pode aprender.” (Melody Beattie)

Feliz domingo pra você!
Bjim!

sexta-feira, 22 de janeiro de 2016

Amei e sofri... Mas valeu a pena!

Por falar em dizer ‘não’ (clique aqui e leia o post anterior), no início deste ano precisei dizer um dos nãos mais difíceis que já disse na vida...

Quem acompanha o Blog, sabe que nos últimos anos atuei como coordenadora do projeto “Ame, mas não sofra”, da Secretaria de Justiça do DF, cujo objetivo é levar apoio, informação e orientação às famílias de dependentes químicos, e também às famílias que querem atuar como fator de proteção antes das drogas entrarem em suas casas.

Foi uma jornada e tanto!

Tudo começou quando o Blog e livro Amando um Dependente Químico já haviam alcançado muitos leitores, mas eu ainda me escondia por trás do pseudônimo Polyanna. Quase ninguém sabia desse meu “trabalho”. Eu não queria me expor nem expor minha família por medo do preconceito e até mesmo por ser como sou, uma pessoa muito reservada.

Mas, um dia, dei um livro de presente ao Secretário de Justiça da época. Ele era filho de alcoolista, e eu percebia a sua paixão por essa causa (a luta contra as drogas). Então, embora ele fosse um político (o que me fazia ter os pés atrás), a forma como ele falava desse assunto, despertou em mim a vontade de que ele lesse o livro e conhecesse os dramas e possibilidades de superação das famílias que convivem com isso.

Enviei o livro para o seu escritório, como presente de aniversário, e na dedicatória agradeci por seu empenho na luta contra as drogas. Assinei como Polyanna.

Para a minha surpresa, dois dias depois, ele me enviou uma mensagem privada, para o perfil da “Polyanna”, dizendo que não conseguia parar de ler o livro, e agradecendo pelo presente.

Naquele momento, percebi que estava pronta para quebrar o meu anonimato, em prol de uma causa maior.

Então respondi a mensagem dizendo que eu, Polyanna, era uma servidora da Secretaria de Justiça que trabalhava na área administrativa, e me identifiquei. No mesmo momento sua secretária me ligou e me chamou à sua sala. Com emoção estampada nos olhos e na fala, ele (o Secretário) falava sobre o livro Amando um Dependente Químico, e sobre como ele ainda não havia se dado conta do que é a codependência e dos males que ela gera.

“Vamos fazer algo por essas famílias? Você pode elaborar um projeto?”

E assim nasceu o “Ame, mas não sofra”. Na verdade, ainda demorou para ele ser implantado, pois o Subsecretário de Políticas sobre Drogas da época, enquanto eu apresentava o projeto, sequer me olhava. Ficava lendo outros processos sobre a mesa, e dizendo “unhum”, enquanto eu falava empolgada. Ao fim, ele disse: “Já fazemos esse trabalho”, e mandou arquivar o projeto sem implantá-lo.

Caramba, fiquei arrasada, e com mais raiva ainda desse meio político. Gastei meu tempo, fiz enquete no blog para receber sugestões das famílias, passei noites em claro para entregar o projeto rapidamente, pois sabia da carência dessa área, e também sabia que não havia NADA de política pública voltada exclusivamente para essas famílias.

Dias depois, estava em minhas atividades normais e fui chamada para uma reunião no gabinete do então Secretário. Era sobre o tema “drogas”. Não entendi por que me chamaram. Eu era da Gestão de Pessoas, mas o Secretário queria mesmo me ver nessa área, ele havia se sensibilizado muito com o livro. Nessa reunião, uma das pautas era o número de adesivos (de prevenção ao uso de drogas) colados em veículos. Juro que tive vontade de sair correndo! Puts, em que isso muda a nossa vida?!?

Definitivamente eu não queria fazer dessa causa um trabalho político.

Ok. Voltei à minha vida normal. Escrevendo no blog. Palestrando às famílias em Comunidades Terapêuticas. E trabalhando na área administrativa da Secretaria. O tempo passou.

Alguns meses depois foi publicado o remanejamento daquele Subsecretário de Políticas sobre Drogas para outra área da Secretaria. E quem seria o novo Subsecretário? Um Psiquiatra que eu conhecia, alguém que sabia da relevância de cuidar dessas famílias. Fiquei tão feliz! Quando ele estava tomando posse, o encontrei pelos corredores, e ele me disse: “Vamos cuidar das famílias?! Quero ver o seu projeto ainda nesta semana!”

Foi um aprendizado para a minha vida: Eu vi que Deus tem o tempo certo Dele! Eu nem esperava mais ver esse sonho realizado, era um projeto arquivado, “enterrado”! Mas, naquele momento, diante daquelas palavras, meu sonho de ver um trabalho governamental voltado para essas famílias reviveu! No mesmo dia, pedi o desarquivamento do projeto... Era outubro de 2013. Em quarenta dias, com a ajuda do novo Subsecretário (e Psiquiatra especialista em dependência química), ajustamos o projeto e o lançamos.

Quem quiser entender melhor, veja os vídeos abaixo, onde explico sobre as ações do “Ame, mas não sofra”.


A gravação foi feita de celular, mas dá pra entender direitinho as ações do projeto.


Entrevista ao Brasil Urgente.

Nesse dia do lançamento, me recordo que chorei de casa até chegar no trabalho. Eu estava tão feliz! Saber que tudo o que eu havia vivido (de ruim), agora estava gerando um fruto tão lindo, que ajudaria a tantas famílias. Eu só sabia chorar e agradecer a Deus.

Quando cheguei no trabalho, antes da cerimônia, pedi que uma colega me maquiasse, mas era impossível, eu não parava de chorar... Me lembrava da minha avó, do meu avô, da minha mãe, pessoas que tiveram suas vidas marcadas pela codependência, pela dor, sem informação, sem amparo, sem orientação. E agora, eu poderia ajudar outras famílias a terem um desfecho diferente da minha!

Pensava em mim. No quanto eu havia conhecido o fundo do poço, e que com muito esforço, buscando ajuda nos grupos, nas terapias, nos livros, e até mesmo em vários cursos, agora me sentia viva e queria contagiar a outros com essa vontade de vida, mesmo com as dificuldades de ter familiares dependentes químicos.

E agora não seria somente por uma tela de computador. Seria ao vivo. Podendo sorrir, olhar nos olhos, abraçar essas famílias, e com o apoio do governo!

E assim foi!

O que eu ganharia em troca materialmente falando? Nada!

Mas a recompensa era muito maior: os sorrisos das famílias, os seus “obrigados”, os aprendizados...

Eu continuava trabalhando no mesmo local (Gestão de Pessoas), no mesmo cargo, com o mesmo salário, e agora com a responsabilidade de coordenar esse projeto de outra Subsecretaria. E assim foi por sete meses (outubro/2013 a abril/2014).

Em maio/2014 os servidores efetivos entraram em greve, e minha equipe da Gestão de Pessoas ficou bem desfalcada. Então precisei, pela segunda vez (a primeira foi antes dele nascer, lembra?), dizer “adeus” ao “Ame, mas não sofra”. O projeto já tinha seis meses de vida, centenas de famílias atendidas, e eu estava simplesmente exausta. Como havia pessoas na Subsecretaria para trabalhar exclusivamente com isso, passei o bastão.

Eu ficava de longe, querendo saber de tudo. Parecia aquela mãe que o filho cresceu, mas ela quer continuar cuidando, sabe? Mas, eu sabia que, mais cedo ou mais tarde, precisaria me desligar.

Para a minha surpresa, após alguns problemas que começaram a surgir no desempenho do projeto, fui nomeada como Coordenadora, oficialmente.

Como assim?! Era um Cargo de Natureza Especial. Um cargo que só quem ocupa são os indicados políticos. Mas, eu havia sido nomeada.

Além de fazer, exclusivamente, o que eu amava, agora ainda teria o meu salário dobrado para isso... Difícil acreditar!! Eu era toda gratidão a Deus!

Mas eu não sabia ao certo onde estava entrando...

Foram anos incríveis, de muito aprendizado! Entretanto, precisei lidar com algo muito complicado: a inveja.

Alguns, uma minoria (graças a Deus) não aceitava uma pessoa como eu (servidora pública efetiva, sem vínculo político, e ainda parente de dependente químico) ocupar um cargo como aquele.

Entretanto, a maioria se deixou contagiar pelo amor à causa, e pela vontade de levar informação, carinho e cuidado a essas famílias!

Havia uma Psicóloga para orientação a essas famílias, na Unidade de Apoio, e realizávamos cursos, bimestralmente, onde Psiquiatras, Psicólogos, Promotores de Justiça, Terapeutas, dentre outros, ministravam palestras e interagiam com as famílias e profissionais presentes, além dos grupos de apoio (NAR-ANON, AL-ANON, Amor Exigente, Pastoral da Sobriedade e NA) que levavam informações ao público. Eram 20 horas mágicas! Sensação incrível de ver aquelas famílias terem novamente esperança!

No final de 2014, o “Ame, mas não sofra” passou por um teste de fogo! As eleições. Como no Distrito Federal houve troca do Governador e do Deputado que cuidava da Secretaria, pensei que seria o fim do projeto.

Mas não foi!

A nova gestão abraçou o projeto e quis dar continuidade! E para a minha surpresa, eu continuei no cargo.

Desafios? Todos!

Zero de verba para as ações, então muitas vezes tirei do bolso.

Não tínhamos mais Psicóloga, nem sala exclusiva para o atendimento às famílias, e nossa equipe era composta por apenas três pessoas (contando comigo).

Não tínhamos mais aquele apoio e incentivo, então era tudo na raça mesmo.

Foi um ano de muito, muito trabalho e esforço.

Muitas vezes eu não tinha hora para chegar, passava finais de semana cuidando de assuntos do trabalho, perdia o sono com preocupações relativas ao projeto, enfim, agora era uma codependente de milhares de famílias, e não apenas da minha. Rsrs.

Como podem observar, em 2015, postei pouco no blog, não conseguia mais responder aos e-mails, e precisei parar o livro O Diário de Francine Deschamps (clique aqui, e conheça a história), que estou escrevendo juntamente com a irmã da Francine, a Isabela.

Na verdade, nem almoçava mais direito, não tomava água... Não fazia nem xixi!!!

Minha família também foi “sacrificada”, pois meu tempo era curto, e quando tinha tempo, estava exausta.

Entretanto, quando me deparava com as famílias, com os benefícios que esse projeto lhes gerava, perdia a vontade de parar, e minhas forças se renovavam.

Bom, eu sempre soube que foi Deus quem me colocou naquele cargo, e que somente Ele me tiraria de lá, e na hora Dele.

Algumas vezes, durante os dois anos, me chamavam “no canto”, dizendo que eu precisava participar de reuniões políticas, ou participar de festas também políticas (com ingressos vendidos a preços salgados), ou então eu poderia ser exonerada do cargo em comissão.

Nunca cedi a isso. Claro que eu precisava do salário, claro que eu amava o que fazia, mas jamais agiria contra meus princípios somente para me manter em um cargo.

E nesse mês de janeiro, na reestruturação da Secretaria, algo aconteceu.

A coordenação que cuidava das famílias, embora tenha realizado sozinha, pelo menos 80% de todas as ações de sua subsecretaria, foi reduzida a uma gerência. E outras coordenações que nada realizaram, se mantiveram.

Por quê? Realmente não sei.

Fui nomeada, então, para essa nova gerência, mas percebi que era a minha hora de dizer ‘não’.

Pensei muito antes. Seria orgulho ferido meu? Não, não era. Era apenas a hora de colocar em prática tudo o que aprendi nesses anos todos. Ou seja, não permitir abusos. Não me autoanular. Não pensar somente no resultado positivo para os outros, esquecendo do preço que eu pagava por isso.

E assim, eu disse ‘não’ ao novo cargo.

Não foi fácil. Não está sendo fácil. Pedi exoneração no dia 06 de janeiro. Chorei muito. Passei dez dias sem sair de casa. Não conseguia acreditar que o sonho havia chegado ao fim para mim...

Em dezembro, tivemos o ultimo seminário do “Ame, mas não sofra” e foi tão lindo! Não tínhamos recurso nenhum, foi tudo na base da parceria e do desembolso. E de todos os seis cursos, e dois seminários, esse foi o mais lindo. Não sei explicar. Talvez fosse a minha despedida, mesmo sem saber.

Tantos profissionais ali, voluntariamente, atendendo aquelas famílias. Os grupos de apoio com seus stands, também levando informação. Tantos depoimentos lindos, inclusive da D. Carminha Manfredini, mãe do Renato Russo (Legião Urbana).

Ali foram formados 155 novos multiplicadores sociais, e nesses dois anos, mais de 2.000 famílias foram alcançadas pelo “Ame”.


Membros dos grupos de apoio levando a mensagem!


Carminha Manfredini, mãe do Renato Russo, mais uma de nós... Guerreira! 


Colaboradores do "Ame".


Falando sobre a codependência e sua superação.


Mesmo que eu tente, não conseguiria relatar o quanto cresci com essas experiências.

Conheci muitos oportunistas, mas também conheci muita gente engajada de verdade nessa causa!

Mas, chegou a hora de seguir, virar a página... Vida que segue, né?!




Fernando Pessoa disse que: “Há um tempo em que é preciso abandonar as roupas usadas, que já tem a forma do nosso corpo, e esquecer os nossos caminhos que nos levam sempre aos mesmos lugares. É o tempo da travessia, e se não ousarmos fazê-la, teremos ficado, para sempre, à margem de nós mesmos...”
Às vezes é preciso dizer até logo, ou mesmo um adeus (ainda que isso nos cause dor), pois a vida é feita de ciclos. E 2016 já começou me trazendo grandes mudanças, um novo ciclo, eu diria. 
Foram mais de dois anos dedicados ao “Ame, mas não sofra”, um programa de apoio às famílias de dependentes químicos... E foi muito mais que um trabalho... 
Essa causa é uma paixão, e faz parte de quem sou e do que realmente acredito! 
Acredito que essas famílias precisam de cuidado, de atenção, de acolhimento, de orientação e que elas podem sim levar uma vida mais leve, com mais qualidade, mesmo em meio à dor que o uso abusivo de drogas de alguém amado traz aos seus lares.
Agradeço, de coração, a todos os que acreditaram e abraçaram essa causa, seja fazendo parte da equipe, ou atuando como parceiro, voluntário ou incentivador. A todos!
E agradeço, sobretudo, a Deus, por ter me dado a oportunidade de ser um instrumento que colaborou para que mais de 2.000 famílias recebessem a informação e o carinho devidos... Agradeço por cada abraço que recebi, cada olhar marejado que vi, cada sorriso que vi despertar, cada história que conheci, e cada “muito obrigado” que ouvi... Cresci como profissional, e cresci muito mais como ser humano!!
E claro que não paro por aqui! A missão continua fora da área governamental... 
Afinal, hoje estou saindo do “Ame”, mas o “Ame” nunca sairá de mim...
(postagem no facebook, em 05/01)

E depois de muito chororô e depressão, estou de pé novamente. De volta ao blog! De volta ao livro! De volta às origens!

Espero que nossos governantes um dia enxerguem, com os olhos do coração, a importância de cuidar de verdade dessas famílias...

Se não cuidar das famílias, não há política de prevenção eficaz, nem de tratamento ou reinserção, mas somente dinheiro público mal investido. #ficaadica

Tive a felicidade de ter o meu nome indicado e aprovado, de forma unânime, pelo Conselho de Políticas sobre Drogas, para receber o Diploma de Mérito pela Valorização da Vida, de 2015, no Distrito Federal, promovido pela Secretaria Nacional de Políticas sobre Drogas do Ministério da Justiça. A cerimônia acontecerá nesse ano.

Diante de tudo isso que relatei, apesar do vazio que ficou, saio de cabeça erguida, consciência tranquila e coração em paz... Sentindo-me uma “Wendell Lira”, que mesmo em um cenário desfavorecido, conseguiu fazer um golaço!

#missãocumprida

Se quiser, diga "não"!


“Posso dizer ‘não’ ao adicto e a outras pessoas sem ter mais que me sentir culpada. Sou importante, tenho que cuidar de mim e permitir que os outros cuidem deles mesmos. ‘Não’ é uma frase completa. O foco da minha vida tem que estar em mim mesma.” 
(Pág. 22, CEFE)

Bom diaaaa!

Um 2016 repleto de serenidade, amor próprio, saúde e paz a todas(os) nós!!!
Estou um pouquinho atrasada, mas ainda está valendo (nem passou o carnaval)! Rsrs.

Dois meses depois, estou aqui de volta, e decidi começar a primeira postagem de 2016 com essa frase do livro Compartilhando Experiência, Força e Esperança (CEFE).

Posso afirmar que aprender a dizer ‘não’ aos outros foi um dos meus maiores aprendizados. Ainda estou longe de ser uma expert no assunto, afinal, desde pequenininha fui programada para dizer ‘sim’ sempre, independente dos prejuízos que esse ‘sim’ causasse a mim.

Após quase cinco anos trabalhando com familiares de dependentes químicos, essa característica do ‘sim’ desgovernado aos outros ficou muito evidente para mim.

Para uma boa parte das famílias de dependentes químicos, dizer ‘não’ a um pedido (principalmente do adicto) ou impor limites na relação com ele (e com o mundo) é uma tarefa bem difícil.

A família se solidariza tanto com as dificuldades do dependente, que se sente na obrigação de estar sempre a disposição, mesmo quando isso lhe gera prejuízos nas mais diversas áreas (financeira, psicológica, emocional, e outras tantas).

E assim seguimos. Dizendo ‘sim’ ao outro, dizendo ‘não’ a nós, e com a infelicidade nos consumindo cada vez mais.

Por que você faz isso? Por que eu faço isso? É bom questionarmos e refletirmos a respeito.

Medo de magoar? De causar decepção? De perder o amor do outro? De não ser aceit@ pelo outro? De fazê-lo recair?

E essa tática tem dado certo? Ele para de recair diante dos seus ‘sim’s?

Tenho certeza que a resposta é ‘não’.

Claro que em todo tipo de relação, algumas vezes, precisamos ceder. Mas, por favor, não deixe que isso chegue ao ponto da autoanulação.

Vejo mães que vivem para satisfazer as vontades de seus filhos dependentes químicos. Esposas que parecem sombras de seus maridos, pensando 24 horas por dia em como agradá-los, ainda que isso custe o seu desagrado próprio.

Se você diz ‘sim’ ao dependente químico, à sua família, aos seus amigos, ao seu chefe, sempre, simplesmente pelo medo de não ser aceito e amado, está na hora de se amar um pouco mais.

Lembre-se, você merece ser amad@ pelo que você é! Ponto. Não é necessário ser um “gênio da lâmpada” capaz de atender a todos os desejos para merecer amor.

Quantas vezes eu disse ‘sim’ de forma automática, impensada, e depois fiquei com aquele sentimento de frustração. “Puts, fiz isso de novo! Por que eu aceitei isso dele(a)?!”

Como resolver isso?
Com limites. Com respeito à sua própria individualidade. Com assertividade. Com equilíbrio. Com amor próprio. Com análise prévia das consequências do seu ‘sim’, antes de dizê-lo.

Você não precisa ser o bonzinho ou a boazinha sempre. Você precisa, sim, respeitar quem você é.

Não estou dizendo aqui para você ser o ‘não’ em pessoa daqui pra frente. Não é isso. Até mesmo na hora de dizer ‘não’ podemos fazê-lo com respeito e gentileza. Ou seja, com assertividade, sem ofensas.

E se, apesar de todos esses cuidados, o outro não entender e/ou não respeitar a sua decisão, quem perde é ele(a)!

E se você é aquele(a) que diz sempre ‘sim’ ao adicto por medo dele recair, lembre-se dos três Cs: não foi você quem causou a dependência química dele, não é você quem vai controlar a doença dele, e tampouco será você o salvador capaz de curá-lo. Entenda, não está em suas mãos.

Portanto, se anular, só servirá para machucar-se mais, e ainda dificultará o processo de recuperação de quem você ama!

“Eu acredito que é importante a gente aprender a dizer não. Toda a minha vida eu disse sim. Sim, eu faço. Sim, eu cuido. Sim, eu assumo. Sim, eu me rendo. Sim, eu aceito essa pizza. Sim, eu levo. Sim, eu busco. E isso só me fez mal. Já fui usada, já fui traída, já fui negada, já fui rejeitada, já fui humilhada. Já fui um pouco de tudo.(Clarice Corrêa)


Como são muitos assuntos acumulados, decidi separá-los em diferentes postagens. Espera aí que o segundo post já está saindo do forno! Será um desabafo que preciso muito fazer para não explodir!!

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E fique a vontade para deixar o seu comentário, no campo abaixo!

Grande beijo, e até já!
Poly. :)

sábado, 21 de novembro de 2015

Posso chacoalhar você?!?


Era pra ser um dia feliz para aquele pai...
Seu aniversário de 76 anos!
Eu tentei felicitá-lo pela data...
E ele começou a recordar de quando seu único filho homem era um garoto, um adolescente...

“Eu tinha certeza que ele seria um médico. Tão inteligente, estudioso, de bom coração... Um menino sensacional...” Ele me disse, parecendo viajar no tempo.

“Mas, ‘aquela coisa’ acabou com a vida dele, e acabou com a minha vida também...”
‘Aquela coisa’ é a droga.



Era pra ela ser apenas uma filha. Trinta e poucos anos, dois filhos, casamento bacana...
Mas, ela incansavelmente busca melhores alternativas de tratamentos para a mãe, de 60, dependente química.
Em suas palavras é possível perceber o quanto ela se sente responsável por causar ou evitar recaídas da sua mãe...

São tantas histórias todos os dias. Histórias tão parecidas. Sentimentos tão parecidos.

A vontade que tenho é de chacoalhar esses familiares, e fazê-los compreender:

Ei, há muita vida pra ser vivida!! Pare de carregar o peso do outro sobre si!!
Você não é culpado, não pode controlar as escolhas do outro, e não pode curá-lo!!
Livre-se de tudo isso...

Sim, você deve amá-lo como ele é, mas isso não quer dizer que você deva se anular, se culpar, e aceitar todas as insanidades da dependência química. Não!

A droga não pode arruinar a sua vida, a não ser que você permita... 

Famílias, por favor, liberem um pouco de cuidado, amor e atenção a si mesmas!!

Eu sei o quanto é difícil... mas também sei o quanto é possível se buscarmos ajuda!!




Por falar em ajuda, nos dias 07 a 11 de dezembro, realizaremos o II Seminário de Multiplicadores Sociais de Ações de Apoio às Famílias, do programa “Ame, mas não sofra”, da Secretaria de Justiça do DF.

A intenção é levar informação e acolhimento às famílias de usuários de drogas, e também sensibilizar os profissionais para a necessidade de uma maior atenção a essas famílias. As inscrições não param de chegar!!

Essas ações me enchem de felicidade e gratidão a Deus, por poder levar adiante o que um dia recebi!!

Aproveito também para agradecer ao amigo Júnior, do blog Limpo só por hoje! , pelo convite para participar do seu programa na rádio São Francisco, de Bacabal, onde todas as quartas-feiras, ao meio-dia, fala-se sobre a recuperação da dependência química, e também da codependência emocional. Foi uma experiência fantástica poder ouvir o retorno dos ouvintes e leitores do blog! Muito obrigada!!

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Grande beijo a todos!
E um fim de semana repleto de serenidade!