domingo, 15 de abril de 2018

Minha vida não é perfeita, mas é minha, e eu amo!



Bom dia!
Conforme o título do Blog sugere, este espaço é para quem AMA alguém adoecido pelas drogas. Se amamos, seja porque somos mães, esposas, amigos, então queremos de alguma forma ajudar. E se queremos, de fato, ajudar, só o faremos quando conseguirmos entender o que é a dependência química e o que é a codependência.
Nessa primeira parte da postagem, vou explicar um pouco sobre a relação das pessoas com o uso de drogas.
Você sabe o que são drogas? Segundo a OMS, droga é qualquer substância não produzida pelo organismo que tem a propriedade de atuar sobre um ou mais de seus sistemas, causando alterações em seu funcionamento. Conforme a Classificação Internacional de Doenças (CID-10), estão incluídas na lista de psicoativas as seguintes substâncias: álcool, opioides (morfina, heroína, codeína e outras sintéticas), canabinoides (maconha), sedativos hipnóticos (barbitúricos, benzodiazepínicos), cocaína, estimulantes como anfetaminas e outros relacionados à cafeína, alucinógenos, tabaco e solventes voláteis.
A SENAD explica que as drogas são lícitas quando comercializadas de forma legal, estando ou não submetidas a algum tipo de restrição, como o álcool cuja venda é proibida para menores de 18 anos ou como medicamentos que só podem ser adquiridos por meio de prescrição médica. Por outro lado, as drogas são consideradas ilícitas quando proibidas por lei.
Existem alguns tipos de usuários. A relação do indivíduo com cada substância psicoativa acima mencionada pode, dependendo do contexto, ser inofensiva ou apresentar poucos riscos, entretanto, pode assumir também padrões de utilização disfuncionais com danos biológicos, psicológicos e sociais. E esse é um dos maiores problemas de saúde pública que afeta a qualidade de vida de todo ser humano, direta ou indiretamente.
O “uso nocivo de drogas” também chamado de “abuso” apresenta as seguintes características: uso recorrente com fracasso em cumprir obrigações; problemas legais recorrentes relacionados ao uso da substância; uso continuado apesar dos problemas sociais existentes; disfunção de comportamento; capacidade de julgamento comprometida; e padrão de uso persistente.
A dependência de substâncias psicoativas apresenta danos ainda maiores do que o uso nocivo, em razão dos seguintes sintomas: tolerância (necessidade de quantidades cada vez maiores para o mesmo efeito); sintomas de abstinência com a falta da droga; desejo persistente; muito tempo gasto na obtenção e utilização da substância; abandono de atividades sociais; e a continuidade do uso apesar da consciência de se ter um problema físico e/ou psicológico.
O que difere um usuário de um usuário nocivo ou de um dependente químico? O organismo de cada um. A história de cada um. Posso assegurar a vocês que NENHUM adolescente que experimenta uma droga pensa que se tornará um dependente químico. O pensamento é sempre aquele de que “comigo isso não acontecerá”.
Mas é importante que nós, familiares, entendamos a dependência química como doença. Não para fazer de nossos familiares, vítimas, coitadinhos, não! Mas para saber como ajuda-los de forma mais efetiva.
Eles têm uma doença crônica, mas podem e devem ser responsáveis por seus tratamentos e pela sua recuperação!
Mas fico triste ao ver familiares “descendo a lenha” nos dependentes químicos, porque a sociedade em geral já faz isso... Cabe a nós, mudar esse quadro. Dependente químico não é um sem vergonha, fraco, sem caráter. Ao menos meus familiares não são. E por isso luto pelo fim dessa definição cheia de mitos e preconceitos que existe.
Ah, Poly, mas eles nos fazem sofrer! Sim, a doença deles nos faz sofrer, e muito. Daí cabe a nós optar pelo afastamento físico ou não. Temos o livre arbítrio. Mas denegrir ainda mais a imagem dessa parcela da sociedade só a distancia da recuperação.
Estou vivendo uma experiência diferente na minha vida, que tem tomado muito do meu tempo e emocional. Há quatro anos vivemos na indefinição de um diagnóstico não fechado do meu caçula de TEA (Transtorno do Espectro Autista). Nesses anos, conheci muitas mães e muitas histórias. E a esmagadora maioria dessas famílias, apesar das dificuldades enormes, é grata pelo “anjo azul” em suas vidas.
Você é grato por ter um dependente químico na família? Hoje em dia os conceitos são tão misturados, que preciso definir melhor. Não estou falando de homens que batem em mulheres, não estou falando de bandidos, ok? Estou falando de dependentes químicos, independente do estágio. Você é grato por ele em sua vida, ou você gostaria de nunca tê-lo visto? Você pensa que sua vida é mais triste do que a dos demais por causa disso?
Eu entendo você. Por anos, me senti assim. E tudo o que consegui foi me afundar na mágoa, na raiva, na autopiedade, e me sentia péssima. Ferida pela vida.
Mas, eu me abri para a mudança...
Quando olho para os meus familiares hoje, sei lá, percebo o quanto a dependência química do outro fez de mim alguém melhor. Foi por meio disso que conheci o Nar-Anon onde reaprendi a vida. Conheci o Amor-Exigente. Conheci tantas, mas tantas histórias que me transformaram e transformam a cada dia. Me tornei mais humana, mais forte. Aprendi a confiar mais em Deus.
Talvez minha vida seja mais difícil do que a de outras pessoas, talvez não. Mas o fato é que aprendi a bucar serenidade e aceitação para o que não posso mudar; coragem e força para mudar o que posso; e sabedoria... E eu uso isso em tudo, não somente com a dependência química do outro.
Eu sou codependente desde pequena, e foi por meio da convivência com um dependente químico, que encontrei caminhos para aprender a me amar, aprender que não preciso resolver todos os problemas dos outros para ser alguém, nem dizer sim sempre ou fazer o que não quero para merecer ser amada... Aprendi a focar nas coisas boas da vida...
Caramba, são 7 anos de blog com mais de 853.000 visitas; mais de 500 livros vendidos e mais de 300 doados (e um projeto aprovado para a doação de mais 1.500 livros em 2018/19); premiação do Diploma de Mérito pela Valorização da Vida do Ministério da Justiça em 2015; canal de informações no youtube com mais de 430 inscritos e mais de 32.000 views, página no Face motivacional com mais de 2.620 seguidores, um projeto governamental idealizado e coordenado durante 4 anos de apoio aos familiares de dependentes químicos alcançando mais de 3.000 famílias no período; e agora iniciando uma pesquisa sobre o impacto econômico das políticas sobre drogas, no Mestrado. Isso tudo é presente de Deus na minha vida, eu sei, e sem a dependência química dos meus familiares, eu não teria as experiências e aprendizados necessários para tudo isso.
Não sou melhor nem pior do que ninguém pelo fato de ser familiar de dependente químico. A diferença está na decisão de trocar a autopiedade por gratidão pela vida que tenho.
Conhecem a Lu, do Blog 14 Anos Lutando por um DQ? Então, ela se separou do marido já faz um tempo, e segue sua vida vitoriosa, cada dia mais linda, ajudando outras mulheres a perceberem que elas podem seguir adiante, sem olhar para trás! Essa é a missão dela!
E a minha missão, amores, é mostrar que podemos trocar a autopiedade por gratidão, e ser felizes mesmo com uma vida não perfeita.
Até porque não adianta nada se separar do seu familiar e continuar codependente, né? Stalkeando suas redes sociais, torcendo pra ele recair e se dar mal, e infeliz e amargurada... Entenda que a solução começa de dentro para fora!


É isso, flores!


Eu amei essa imagem! Todas essas "meninas" da foto estão passando pela mesma experiência, mas com reações diferentes! 
Segura a saia (ou não) e se joga pra vida! Quando somos felizes, a vida se torna mais leve... 



Continuem acompanhando o Blog e a Fanpage para saberem como participar do nosso sorteio de aniversário que acontecerá em maio!
Fiquem com Deus!


quinta-feira, 12 de abril de 2018

Sim, somos fortes!



Bom dia, menin@s!
Meu Deus, quanto tempo!

Sempre dou uma passadinha por aqui, leio os comentários, os e-mails, mas as postagens estão raras, não é mesmo?

Entretanto, fico feliz demais ao perceber que posts escritos há quase sete anos atrás, ainda hoje são lidos e ajudam quem está chegando por aqui.

Uau! No próximo dia 18 de maio, o Blog fará mais um aniversário. Sete anos! Nem dá pra acreditar... O tempo voou...

Quando leio postagens daqui ou trechos do livro, me assusto com algumas coisas que vivi. Sério.

Ontem estava conversando com uma profissional de Psicologia e narrando alguns acontecimentos da minha vida, e ela insistia em dizer: “como você é forte”! E eu dizia que não. “Sim, você é muito forte e sequer tem essa percepção”. Guardei essa frase comigo. À noite ela girava em minha mente...

Muitas vezes aqui no blog me disseram isso “você é forte, Poly”, e eu sempre rejeitei esse título, sei lá porquê, né!? Como se fosse feio reconhecermos nossa força... Rs.

Mas diante dos acontecimentos antigos e recentes, e principalmente diante da minha postura frente a tudo isso, hoje, pela primeira vez, quero dizer para vocês (e principalmente para mim): “sim, eu sou uma mulher forte”.

Entenda que não sou forte por me manter nesse relacionamento há tantos anos, mas sou forte por ter aprendido a me preservar e a preservar os meus sonhos, e a lutar por eles, independente do que se passa ao redor.

Nossa força não é medida pela nossa capacidade de carregar os outros nas costas. Não! Nossa força pode ser vista quando após cada tombo, nos levantamos, ajeitamos o cabelo, olhamos em nossos olhos no espelho e dizemos para NÓS: “Ei linda, eu não vou desistir de você! Estou aqui para cuidar de ti!” 

Alguma vez você já se pegou no colo e lhe disse isso? Não espere dos outros, se abrace, se queira bem!

Somos tão boas em cuidar do outro, mas a força maior está em aprender a cuidar de nós mesmas, nos amarmos...

Sabe, menin@s, acho que cheguei, finalmente, nessa fase...

Sei que muita gente vem aqui em busca de informações de como está o meu familiar, se está limpo, se está bem... E eu entendo essa ansiedade...

Mas, meus amores, acreditem, saber como EU e VOCÊ estamos nessa história é muito mais importante, afinal na minha vida, ele é coadjuvante... Na sua vida, seu familiar é coadjuvante... O personagem principal da sua vida é VOCÊ... A personagem principal da minha vida sou EU. E a forma como estamos vivendo, isso sim, faz toda a diferença!

Quando falamos em dependência química, falamos de um ciclo. Vejam as postagens! Leiam o livro! Olhem os comentários! Ciclos. Mas nós não precisamos estar num ciclo também. Não precisamos fazer da nossa vida esse gira-gira. Podemos e devemos seguir adiante!

Graças a Deus, quando olho para traz, vejo que o caminho percorrido foi longo, e que, de fato, não sou a mesma de antes.

Tem um pedacinho do livro onde narro que, certa vez, quando morávamos fora do país, em meu primeiro dia de trabalho, percebi que meu familiar iria recair assim que eu saísse de casa, e então, optei por não ir ao trabalho, perdendo uma oportunidade que nunca mais voltou a bater na minha porta...

Recebo inúmeros e-mails e vocês podem ver nos comentários deste Blog o quanto ainda existem familiares, quase todas mulheres, que se anulam na tentativa de impedir que o outro tenha recaídas, e isso não funciona! Com o tempo percebi que me anular não traria a cura para o outro, pelo contrário, estava fazendo com que minha vida se afundasse também, como se eu também usasse drogas. Entendem?

Vejo muita gente ainda discutindo sobre separar ou não. Para mim, isso não é o mais importante. O mais importante é ter definido o meu caminho e segui-lo, seja junto, seja separada, mas vivendo a MINHA vida, os MEUS sonhos, os MEUS planos.

Fácil? Aff, não é não, viu!

Eu ainda choro sim. Eu ainda tenho vontade de desistir. Viram minha ultima postagem? Eu estava doente. Caramba, só quem vive junto sabe. É difícil quando tem recaída. E por vezes é difícil sem drogas também, por questões de comportamento. Mas, eu, Poly, tomo minha decisão a cada dia, e essa decisão é a de que seguirei lutando por aquilo em que acredito e que me deixa feliz.

Vocês querem saber se ele está limpo? Sim, pela graça de Deus está! Não sei há quantos meses não, mas a ultima recaída foi aquela que citei aqui no blog... Ele está trabalhando em dois órgãos públicos. Chegou onde ele gostaria. Mas, se ele está bem? Alguns dias sim, outros dias não. A falta da droga deixa um vazio nele, e infelizmente sem tratamento, é muito difícil. Mas essa decisão somente ele pode tomar.

Quanto a mim:

Há quase dois meses parei com as medicações, e estou me sentindo ótima, graças a Deus!

Tive um projeto de Cultura aprovado, onde 1.500 livros Amando um Dependente Químico serão doados! Ansiosa pra começar a executar! Vou contar tudo para vocês aqui, sei que será uma experiência incrível que terei, e minha filha (18 anos) será minha parceira. Que orgulho!

Além disso, fui aprovada na seleção do Mestrado de Economia da Universidade de Brasília! Uhuuu! As aulas começaram no dia 10. Minha proposta de projeto é sobre as políticas sobre drogas, uma vez que o curso é voltado para as finanças públicas.

Alémmm disso, quero trazer aqui para vocês outro projeto que estou iniciando (aprendendo) e pelo qual estou totalmente encantada, pois ele certamente irá me ajudar a ajudar vocês a se amarem e se cuidarem ainda mais, tenho certeza... E sobretudo a crescermos juntas!

E é isso... Tem dia que as características da codependência querem saltar em mim. Velhas formas de pensar, de sentir, que usava desde criança. Em alguns momentos aquela loucura gerada pela tensão de conviver com um adicto, ou por outros motivos, quer voltar. Não sinto vergonha disso. Não escondo quem sou, um ser cheio de cicatrizes sim, não nego. Mas hoje sei olhar para mim, respirar, separar as emoções, e escolher, isso mesmo, escolher o que permitirei que as ações dos outros causem em minha vida. E por mim, parto em busca do equilíbrio novamente, na certeza de que a vida é muito mais do que obstáculos... Ah se é!!

Gente, mês de maio será super especial! O Blog completará 7 anos e euzinha entrarei nos 40!! E teremos comemorações por aqui, fiquem de olho no Blog e FanPage, que vai rolar um sorteio com prêmios fantásticos!!

PRE-PA-RA!!! 


Fiquem com Deus!
Beijo!

segunda-feira, 27 de novembro de 2017

Vídeo 20: o último do ciclo. Vamos usar a gratidão a nosso favor?!

Boa noite, queridas(os)!

Chegamos ao nosso vigésimo vídeo em menos de um mês!! E essa era a minha meta! Abordar assuntos que geraram impacto positivo na minha vida para que também possam, quem sabe, ajudar um outro alguém a ter uma vida mais leve...

Falamos sobre tudo?!? Claro que não, né! Acho que essas "trocas" nunca se esgotam.

Nesses 28 dias, o canal no youtube recebeu 4.236 visualizações de pessoas que somaram 16.792 minutos ouvindo essa mensagem de força, fé e esperança! 83% do público são mulheres e 17% homens. E além do Brasil, tivemos pessoas acompanhando da França, Paraguai, Portugal e Japão!! Uhuu!

E hoje, nesse vigésimo vídeo, falaremos sobre a gratidão.




A gratidão vai além do nosso estado de alegria ao acontecer algo extraordinário conosco (efeito)! A gratidão também pode ser usada como "causa": eu escolho ser grata, e a gratidão que enche meu coração me faz feliz, apesar de algumas situações em que vivo...

Peço desculpas pela marca d'agua nesse vídeo, mas tentei fazer algo diferente e acabei perdendo o arquivo original, e esse conteúdo é lindo demais para ser descartado por questões estéticas...

Nesses vinte vídeos, gravei alguns sem batom, as vezes descabelada na correria do dia a dia, sem me importar em vestir uma personagem ou ficar bonita porque meu foco era unicamente o de levar essa mensagem que um dia mudou a minha vida, sem nenhum tipo de "máscara"!

Encerramos mais um ciclo aqui...

Os vídeos vão continuar?  Sim, depois de uma pequena pausa.

Estou com um probleminha de saúde e agora é hora de cuidar de mim... Talvez algumas de vocês saibam o que é uma crise de hérnia de disco. A dor chega perto do insuportável, e ficar sentada piora o quadro.

Aproveite esse tempo para rever os vídeos, ler os links sugeridos, e sobretudo aplicar o que couber em sua vida...

Se esses vídeos te ajudaram, divulgue a outras pessoas, compartilhe suas experiências nos comentários, leve essa ajuda adiante...

É isso, gente! Um grande beijo! Fique com Deus!

Impotência diante de nossas adicções, e medo x amor... Confira!

Boa noite!

Mais dois vídeos para vocês!

Sobre nossa impotência diante de nossas próprias adicções.

Sobre a forma como o amor ou o medo dominam nossas atitudes.