segunda-feira, 6 de julho de 2015

Deixando a rua me levar...


Ela acorda todos os dias por volta das seis da manhã.

Veste sua roupa fitness, toma seu suco verde, arruma as mochilas das crianças.

Acorda as crianças com o achocolatado pronto.

Escova os dentinhos, coloca o uniforme... corre pra cá, corre pra lá...

Desce três andares, geralmente com o caçula de 3 anos no colo, além das mochilas!

Deixa as crianças na escola, e no caminho, vai fazendo uma oração em voz alta, pedindo proteção a Deus.

Vai para a academia... Esses são os cinquenta minutos reservados a ela, e ela só falta em caso de calamidade pública!

Volta correndo pra casa. Banho. Café da manhã. Trânsito.

Trabalho...

Ela trabalha com muita paixão. Acredita no que faz. E acredita que pode fazer diferença, por meio do seu trabalho, na vida de outras pessoas.

Não tem hora pra sair do trabalho.

Trânsito.

Filhos na creche.

Casa. Lanchinhos. Louça. Chão. Roupas pra lavar ou passar.

Um gatinho pra alimentar e trocar a areia sanitária...

Quando dá, ela gosta de assistir a novela I Love Paraisópolis, mas na maioria das vezes, a TV fica na Discovery Kids para distrair as crianças.

Alguns dizem que ela é uma mulher forte. Outros a chamam de guerreira.

Mas, ela é apenas uma mulher. Um pouco ingênua, muito sonhadora, e bem batalhadora.

Sobretudo, ela é uma mulher que sente... Sente até demais.

Ela não sabe amar mais ou menos, querer mais ou menos, fazer mais ou menos... Ela é intensa, e por vezes paga o preço por isso.




Há vinte e seis dias, ela tomou uma decisão.

A decisão de abrir mão dos sonhos que havia alimentado durante nove anos ao lado do seu esposo.

Sonhos como dormir e acordar de conchinha pelo resto dos seus dias... Viagens a lugares ainda não conhecidos pelo casal... Ver juntos os filhos crescerem... Irem embora para Santa Catarina, onde passariam a velhice, depois de aposentados...

E tantos outros sonhos, agora abortados...

Ela tomou essa decisão em razão do uso de drogas dele.




Sim, ela entende que ele tem uma doença (dolorosa doença), mas depois de muito bater a cabeça na parede, ela percebeu que não dá mais para abrir mão dos seus sonhos individuais em razão de sonhos irreais cultivados em parceria...

A cada recaída, passos são dados para trás. Há um desgaste emocional nela e nas crianças. Muita coisa é destruída, e ela não quer mais se empenhar reconstruindo, para ver tudo desmoronar outra vez.

Sim, ela acredita na recuperação dele. Ela acredita que qualquer dependente químico que queira, e que realmente se esforce para isso, pode mudar de vida. Mas, ela hoje reconhece que não tem participação no querer dele.

Tudo isso dói nela. Sensação de frustração. De impotência. De perda. De luto. De medo. De solidão. De insegurança... Ficou um vazio...




Ela chorou algumas vezes.

Ela ouviu a música “Seamisai” da Laura Pausini e “Cê que sabe” do Cristiano Araújo várias vezes.

Mas ela sabe que é preciso seguir de pé. Seus filhos precisam dela. Ela precisa dela...

E ela sabe que o tempo é um bom aliado...

Toda a dor sentida parece se transformar em força para trabalhar ainda mais pela prevenção ao uso de drogas, orientando as crianças e adolescentes por meio do trabalho que desenvolve. E claro, também para continuar trabalhando com os familiares de adictos, fortalecendo-os e fazendo-os despertar para a necessidade de se cuidarem...

Ela pensa que o “veneno” que ela sentiu em seu corpo pode ser usado como “antídoto” para outros...

Ela é meio louca, mas é generosa. Mesmo.

Ela sempre teve medo da solidão. Mas ela está percebendo que, às vezes, a solidão é necessária.

Sim, ela tem sido forte.

Mesmo naqueles dias em que a deprê bate, ela tem se levantado, e seguido a sua rotina diária...

Ela acorda todos os dias por volta das seis da manhã, mesmo tendo insônia em quase todas as noites.

Orem por ela.

No fundo no fundo, ela é frágil...

No fundo no fundo, está doendo...

Mas ela decidiu!

Ela desistiu de “carregar o piano dos outros”...

Ela ainda sente pena por vê-lo carregando aquele peso...

Mas ela não quer mais colocá-lo sobre suas costas.

Ela o teria amado para sempre.

Ela teria tolerado suas diferenças.

Ela teria lutado por sua família até o fim... (E lutou!)

Mas quando as drogas roubam a cena, não há espaço para romance, para sonhos ou para finais felizes...


Essa música diz o que ela sente agora...


Facebook: https://www.facebook.com/AmandoUmDependenteQuimico
Instagram: @gipuglisi22

sábado, 13 de junho de 2015

Cuide bem do seu balão!



Bom dia, queridas(os)!

Tudo bem com vocês?

Perdi o sono nesta madrugada, e me deu vontade de vir aqui, falar de um assunto muito importante com vocês.

Nesta semana, na ultima aula do Curso para Pais do Proerd, tivemos uma dinâmica com balões, e embora a aplicabilidade tenha sido outra, acabou me fazendo refletir sobre algo muito comum que acontece em meio a nós, familiares de dependentes químicos: a autoanulação.

Sei que muitas leitoras deste Blog são esposas, ex-esposas, namoradas e noivas de dependentes químicos, e quero aproveitar a deixa do “dia dos namorados” para falarmos de romance... Mas de um romance conosco! E isso vale para as mães, tias, pais e outros parentes também. Ok?

Quantas vezes já ouvimos falar que a codependência é a nossa “inabilidade de manter e nutrir relacionamentos saudáveis com os outros e conosco”? Que é uma “doença” que nos faz permanecer em relações difíceis, desgastantes ou destrutivas?

Várias, né?

Mas mesmo ouvindo tudo isso várias e várias vezes, eu demorei anos para assimilar o que isso queria dizer, e sair da minha “zona de conforto” para realmente me encarar como sou, e encarar a realidade como ela é, sem fantasias.

Sim, muitas vezes, cercamos as nossas vidas com fantasias na tentativa de viver melhor, mas embora seja um anestésico, essa forma de vida não é real, e mais cedo ou mais tarde, precisaremos encarar a realidade, enfrentá-la e superá-la.

É muito difícil um codependente mudar, mas é possível se ele realmente quiser!

A maioria de nós veio de famílias disfuncionais. Somos frágeis emocionalmente. Não conhecemos na nossa infância o amor, a aceitação, o amparo, e a segurança.

Muitas(os) fomos vítimas de violências físicas e/ou psicológicas.

E daí se explica a origem da nossa codependência, com o seu pacote de baixa autoestima, preocupação e cuidado excessivo com o outro, negação da realidade, compulsões nos relacionamentos, foco excessivo na vida do outro, e claro, a autoanulação.

Como parece fácil para nós colocar as necessidades do outro acima das nossas... Como é rotineiro zelar pelo bem estar do outro se esquecendo do nosso!

Como vocês sabem, fui uma das idealizadoras do projeto “Ame, mas não sofra”, e trabalho nesse projeto hoje. E eu tive a honra de “batizar” o projeto com esse nome.

No início, muitos criticaram: “como pode um projeto de governo com esse nome”?!

Mas eu sabia do que estava falando... E certamente vocês, leitores, também entendem o sentido desse nome.

Um dia desses, um entrevistador me perguntou: “Como amar e não sofrer”?

É engraçado que muitos de nós consideramos o amor e o sofrimento como sinônimos, mas não são!! Na verdade, são opostos. O amor é calmaria, é paz, é felicidade...

Então por que sofremos?

Sofremos porque nos esquecemos da contrapartida do amor ao próximo que é o amor a nós mesmos!

E quando isso acontece, sofremos e nos sujeitamos a situações de abuso, e ainda confundimos tudo isso com amor, quando na verdade, é a falta de amor... Falta de amor próprio!

Eu poderia gastar páginas e páginas tentando dar a “receita” para se conviver com um dependente químico sem enlouquecer, ou tentando dar dicas de como ser feliz em meio ao caos.

Mas, prefiro trazer palavras que façam vocês refletirem, e despertem o “empoderamento” em cada um de vocês (de nós!). Esse termo “empoderamento” foi muito utilizado por Paulo Freire, e significa a conscientização e a libertação para a tomada de novas atitudes, e o rompimento de ciclos destrutivos.

Como está o seu relacionamento? Não me refiro apenas a relacionamento de homem x mulher, mas de mãe x filho, irmão x irmão, etc.

Tem sido uma “troca”? Você está dando e recebendo? Existe respeito? Dedicação mútua? Há cumplicidade e parceria?

Se sua resposta foi sim, parabéns!

Mas, se foi não. Fique atenta(o)!

Quando um dos parceiros sempre atende o outro e suas necessidades, e se esquece das suas próprias necessidades e vontades, é um forte sinal da presença da autoanulação. E é muito triste quando perdemos a nós mesmos. Quando nos esquecemos de quem somos e do que gostamos. Quando não nos ouvimos ou nos enxergamos mais...

Aos poucos vamos sendo moldadas(os) pelo outro e suas demandas. Perdemos a nossa essência...

Então nos tornamos, pouco a pouco, como um objeto sem vontades próprias... Nos damos e doamos, sem nada receber ou exigir...

É como se deixássemos de existir.

Queridas(os), qualquer relação é baseada na troca. Cada um cede um pouco. Hora um dá, hora recebe, e vice-versa. Há uma negociação saudável entre as partes.

Mas, infelizmente, a esmagadora maioria de relacionamentos com adictos está fundamentada no “congelamento” de uma das partes.

O adicto age, a família reage. Tudo gira em torno dele, para ele e em prol dele.

Isso é saudável? Não! Para nenhum dos lados.

Para finalizar, quero falar da dinâmica com balões.




Como disse, na ultima aula do curso, fizemos uma “brincadeira”. Cada um de nós escreveu em um papelzinho o nosso sonho, colocamos dentro do balão e o enchemos.

O grupo reunido passou a jogar para cima os “seus sonhos” e cada um tinha a responsabilidade de cuidar do seu. Vira e mexe, vinham os “tubarões” para tentar roubar os nossos sonhos.

Interessante que enquanto cuidávamos apenas do nosso próprio sonho individual, foi fácil. Difícil foi quando surgiram “sonhos de terceiros" para também mantermos lá em cima, sem cair no chão ou estourar.

Eu, por exemplo, terminei com um balão contendo o sonho “do outro”, e o meu mesmo ficou jogado no chão.

Entendem o que quero dizer?

Ei, querida(o), podemos sim auxiliar o outro na realização dos seus sonhos e no alcance dos seus objetivos, mas a nossa responsabilidade é o nosso próprio “balão”.

Não o deixe jogado no chão. Não permita que ele murche e nem que pisem nele...

Cuide bem do seu sonho! Cuide bem da sua vida! Cuide bem de você!



Beijos!
Poly.

sábado, 23 de maio de 2015

Mulher quase madura!



É, não tem jeito, os 37 chegaram 
Mas acho que eu esperava mais dos meus trinta e muitos anos
Será que era isso o que chamavam de maturidade??
Acho essa fase um tanto quanto conflitante!
Claro que hoje sou uma mulher mais centrada, mais segura, com responsabilidades, horários, compromissos...
Mas, por outro lado, ainda me acabo brincando de pique esconde ou de queimada na companhia dos meus filhos e filhos dos vizinhos.
Ainda compro meu picolé preferido (o Tablito da Kibon) só para me divertir me desafiando a conseguir deixar o chocolate do recheio inteiro (sem quebrar) para comer no final.
Gosto de selfies
Pareço uma idiota no Dubsmash
Choro em filmes românticos, dramas, novelas, comerciais de margarina, etc...
Dou crise de risos sem ter uma razão que justifique
Ouço vários estilos de música, quase todos, depende do meu humor
Sei me maquiar (mais ou menos), mas também sei usar a cara limpa, e não tenho nenhum problema com isso
Uso salto, mas também uso chinelos, conforme eu queira
Gosto de olhar as pessoas nos olhos, e hoje tenho o dom de interpretar as suas intenções
Ainda sou muito ingênua, mas sou mais cautelosa
Ainda acredito no amor, mas isso inclui o amor próprio
Ainda sou muito sonhadora, mas aprendi a traçar planos e desenvolver projetos para alcançar esses sonhos e torná-los reais
Ainda espero o carinho e a aceitação dos outros (infelizmente).
Não troco um programa com meus filhos por uma balada
Na verdade, não troco um programa com eles por quase nada
Guardo meus amigos verdadeiros no coração, embora não tenha tanto tempo para eles
Ainda gosto de biscoitos recheados e de danoninho
Ainda choro escondida, às vezes
Danço nos corredores do supermercado
Continuo a mesma estabanada e desastrada de sempre
O medo de alturas ainda está aqui
A paciência está mais curta
Luto para defender as minhas ideias e ideais
Sou boazinha, mas não sou boba
Sou educada, mas tenho opinião formada e sou cabeça dura
Muitas vezes opto pelo silêncio
Tenho o pensamento acelerado e me cuido para não me tornar antissocial em razão disso
Malho quase todos os dias, mas também trago algumas pequenas enfermidades por dentro
Gosto de escrever mais do que falar
Gosto de viajar
Não dou valor a coisas materiais
Não dou valor a status
Dou valor a ações!
Dou valor a seres humanos!
Adoro simplicidade: comida simples, gente simples, lugares simples, vida simples!
Seria tudo isso aprendizado proveniente do tempo?
Sei lá. Talvez.
E embora alguns digam que pareço irmã da minha filha (pra me agradar)
Sei que não sou mais uma garotinha, e nem gostaria de voltar a ser, se pudesse
Mesmo sabendo que o tempo à frente está cada vez menor
É muito bom olhar para traz e para o hoje de cabeça erguida
E ter a sensação de vida bem vivida
Bem amada
Bem sentida...
Sempre fui intensa nos sentimentos, nas atitudes, nas decisões
Quebrei muito a cara
Aprendi, desaprendi, aprendi de novo
Cresci!
E aqui estou eu, abrindo a porta dos meus 37 anos
Gosto do que sou
E gosto dessa fase “quase ajuizada” de ser
E agradeço a Deus por tudo o que Ele me concedeu
Por todos os livramentos
E por todas as bênçãos recebidas nesses anos todos,
E dentre elas, agradeço pela maior bênção de todas: A VIDA!!
(Polyanna P.)


Bom dia!!

Ontem foi meu aniversário, e foi um dia gostoso de falar com gente querida que há tempos não falava, e de receber abraços daqueles que convivem comigo... Telefonemas, mensagens no WhatsApp e redes sociais.

Mas, "ele" não se lembrou. :(

Ele não está bem e atribui isso a problemas no trabalho. Talvez seja. Talvez não.

Fiquei meio decepcionada.

Tentei não me lembrar do meu aniversário do ano passado, mas foi inevitável (Clique aqui, e veja).

O que fazer nessas horas? Eu busco focar nas coisas boas. E recorro à oração da serenidade.




Um pedacinho da cartinha da minha filha, de 15 anos, que me emocionou muito!

“... você vive falando que eu e meus irmãos somos os melhores presentes que Deus te deu, mas quem na verdade recebeu o melhor presente fomos nós três. Ganhamos uma mãe... ganhamos VOCÊ como mãe. Desde antes da gente nascer, Deus já havia separado a melhor pessoa para ser nossa mãe, a que melhor exerceria esse papel, a com mais carinho, com mais amor, com mais tudo de melhor. Sem dúvidas, quando Deus te viu Ele na hora soube que você era essa pessoa, a única que saberia exercer esse papel tão bem... Enfim, eu só quero dizer que talvez eu não saiba retribuir e valorizar tudo o que faz por mim, mas quero deixar claro que te amo de um jeito incondicional... E como sou péssima em palavras, achei uma música que resume um pouco o que quero dizer:
‘Uma super heroína sempre pronta pra me salvar, e com você aprendi todas as lições... Eu só quero lembrar que de 10 vidas, 11 eu te daria, e que foi vendo você que aprendi a lutar... Se Deus me desse uma chance de viver outra vez, eu só queria se tivesse você...’
Mãe, eu te amo tanto! Que Deus te guarde, guie, abençoe e proteja sempre, e que Ele te dê ainda mais uns 999 anos pela frente... Não aceito menos! J...”



Homenagem que uma amiga de trabalho fez, me fazendo chorar também!

"Assim que te conheci, tive medo. De quê? Não sei, mas tive medo.
Os dias se passaram, e eu percebi que estava ao lado de um furacão, um vulcão em erupção, com quilômetros e quilômetros de informações, capaz de transformar vidas, inclusive a minha.
Em um terceiro momento, disse: 'Ela é um exemplo, quero seguí-la".
Daí comecei a sentir o seu cheiro, e que incrível, você exala amor! Sabe aquele amor bondoso, paciente, transformador e cativante que envolve a alma? Essa é você.
Passados alguns meses, virei sua fã. Não por você hierarquicamente estar acima de mim, mas por você ser essa profissional ética, capaz, justa, digna de todo reconhecimento por dar o que você tem de melhor para as pessoas que mal conhece, simplesmente para vê-las sorrirem. Isso não tem preço!
O céu hoje está em festa, comemorando o dia que você nasceu. Mais do que isso, observando a linda mulher de caráter inabalável que contagia a todos com a missão de amar famílias.
Sou uma mulher sortuda por estar ao seu lado aprendendo algo novo todos os dias.
Obrigada por tratar a todos com tanto respeito!... Rose."


Essa é a Rose!!


Olha que mesa carinhosa!! 


Amigos de trabalho!


Queridas, ontem tive um dia feliz, porque escolhi isso!

Nem mereço tanto carinho, mas sei que tudo isso são presentes de Deus para confortar o meu coração e preencher os espaços deixados por familiares importantes em minha vida.

Só por hoje, escolho ter um sábado maravilhoso, independente dos "outros"!

Só por hoje, escolho "viver e deixar viver"...

Grande beijo!

segunda-feira, 18 de maio de 2015

Quatro Anos!!



Bom dia!!

Hoje é dia 18 de maio de 2015, segunda-feira. Agora são 06h15min da manhã.

Friozinho gostoso aqui em Brasília...

Quem acompanha este Blog desde o início deve se lembrar que as primeiras postagens sempre começavam assim... Lembram?!!

Hoje o Blog Amando um Dependente Químico está completando 04 (quatro!!) anos desde a sua criação!

E estou muito feliz por isso!!

Recebo inúmeros e-mails de pessoas que ainda hoje chegam por aqui, em busca de informações, perdidas em meio à dor de amar um dependente químico.

Era pra ser apenas um Blog. Apenas um desabafo. Uma troca. Um grito.

Mas hoje não tenho dúvidas de que tudo isso estava escrito em minha vida.

Hoje não posto mais como antes. A frequência não é a mesma. Não me sinto mais à vontade em expor minha vida, como fazia antes, em razão do número de pessoas que o acessam. Mas sempre que posso, passo por aqui para registrar o que tenho aprendido.

Era pra ser apenas um Blog. Mas tornou-se um livro, transformou-se em palestras, inspirou um projeto governamental, mudou a minha vida...

Quando olho para aquela Polyanna do dia 18/05/2011 e volto o olhar para essa Polyanna de hoje, vejo o quanto mudei e o quanto cresci com tudo isso.

Meus princípios, sentimentos e valores são os mesmos. Mas minha forma de enxergar a mim mesma, ao próximo e ao mundo, mudou muito.

O Blog vai continuar. Não sei quantas postagens farei nesse próximo ano, mas sei que quem chega por aqui consegue encontrar o “abraço”, o “aconchego”, o “acolhimento” e a “informação” registrados no decorrer desses quatro anos.

Por meio deste canal, conheci tantas pessoas. Fiz tantos amigos. Aprendi tanto com vocês! Que não importa o quanto eu caminhe, esse espacinho sempre será o nosso “cantinho”...

E quem é a Polyanna hoje?

Estou quase completando 37 anos (dia 22/05), e estou em uma fase de me cuidar bem. Estou malhando quase todos os dias, e buscando uma alimentação saudável. Saio quase todos os finais de semana com meus filhos. Me sinto mais livre, mais feliz. Toco violão. Voltei a cantar!

E no trabalho, nem sei explicar o quanto o faço com prazer! Sou Coordenadora de Apoio às Famílias. Cuido das famílias dando orientações de prevenção ao uso de drogas. E também cuido das famílias que convivem com usuários, e sofrem com isso. E é muito gostoso comemorar cada mínimo progresso obtido!

Eventualmente, as famílias levam o adicto para que possamos conversar com ele também. Há duas semanas, recebi um jovem de 16 anos que estava iniciando o uso de maconha. Dias depois, sua avó ligou informando que ele havia acatado todas as orientações e que todas as palavras ditas mexeram muito com ele. Agora ele está fazendo acompanhamento psicológico no CAPS, e iniciou um curso profissionalizante e um esporte.

Eu vibro a cada retorno positivo!! Estamos falando de VIDAS!!

Antes de cada palestra e de cada atendimento individual, assim como de cada postagem neste Blog, peço que Deus inspire em meu coração as palavras certas. Não é mérito meu! São presentes de Deus!

Recentemente iniciei palestras para crianças, de prevenção ao uso de drogas. Na maioria das vezes, são crianças de áreas de muito risco.

Na semana passada, estive em uma escola onde as crianças não tinham tênis. Quase todas de chinelinhos bem desgastados. E elas ouviram com tanta atenção, brincaram, sorriram e aprenderam a dizer “NÃO”. E ao final, vieram aqueles abraços e beijos que nem dá pra dizer o que representam. E muitas desabafaram: “tia, tem alguém lá em casa que usa drogas”.

Sabe, queridas(os), ao mesmo tempo que dói ver todo esse cenário, é muito gostosa a sensação de estar fazendo a minha parte!

Algumas pessoas ao meu redor não entendem porque trabalho com tanta paixão. Alguns que não me conhecem bem, chegam a pensar: “o que essa garota está querendo?”

Engana-se quem pensa que o fato de ter experiência sofrida com adictos ou fazer esse tipo de trabalho, me dá o direito de ser abraçada ou amada por todos. Não.

Muitas vezes essa paixão pela causa incomoda.

Mas tento não me importar com isso. Sou muito focada no meu papel. E com o tempo, se tiver que ser, os outros vão entendendo que faço tudo isso por prazer, e por isso dá tudo tão certo! Deus sempre abençoa quando fazemos as coisas de coração!

Foi bem gostoso ouvir da minha chefe a seguinte frase: “Polyanna, isso é missão!”


"Feliz aquele que transfere o que sabe, e aprende o que ensina..." 
(Cora Coralina) 


“Não sei se  a vida é curta ou longa demais pra nós, 
mas sei que nada do que vivemos tem sentido, 
se não tocamos o coração das pessoas”.
(Cora Coralina)


“Muitas vezes basta ser: colo que  acolhe, braço que envolve, palavra

que conforta, silêncio que respeita, alegria que contagia, lágrima
que corre, olhar que acaricia, desejo que sacia, amor que promove.

E isso não é coisa  do outro mundo... É o que dá sentido à vida.”
(Cora Coralina)


Agora, deixarei, abaixo, o vídeo “A Fuga do Moinho” que mostra a realidade dos pais que se deparam com a realidade do uso de drogas dos filhos. Conheci esse filme na primeira aula do Curso para Pais do PROERD, e confesso que tive vontade de chorar. 

Aproveito para agradecer ao Sargento Antônio e ao Instrutor Neres que me forneceram o vídeo.



Queridos pais, lembrem-se: vocês não são culpados pelo uso de drogas do outro, vocês não podem controlar o outro e não podem curá-lo. Busquem ajuda!!

Quero voltar aqui o quanto antes para conversar com os pais de filhos pequenos, e principalmente em lares onde há adictos, pois temos uma responsabilidade muito grande com nossas crianças!!

Para concluir, informo que o meu familiar continua limpo. Não houve recaídas desde novembro do ano passado. Ele continua tendo muita dificuldade de relacionamento com ele mesmo, com as pessoas do trabalho, com a família... com o mundo! Mas tudo isso faz parte da vida dele, e são desafios dele, não meus.

E esse foi um dos meus maiores aprendizados nesses anos todos: aprender a separar a minha vida da dele!

Obrigada pelas 426.546 visitas!! Obrigada por todo o carinho que sempre recebi aqui!

Grande beijo no coração de todos vocês!!

"Você tem o pincel, tem suas tintas... Pinte o paraíso e depois entre nele." (Suzana Queiroga)



Agora é só esperar os 37!!
(Poly na aula de zumba para as mamães, na festa da família da escola do filhote!)