segunda-feira, 15 de setembro de 2014

Por onde ando...



Boa tarde, queridas(os)!

Quanto tempo, não é mesmo?!

Minha vida anda tão corrida e tão normal, que quase não tenho mais passado por aqui...

Como vocês sabem, ele recaiu no dia 27/08... Doeu, mas passou.

E graças a Deus, não saí dos trilhos juntamente com ele... Nem parei... Nem voltei... Apenas segui, como acho que deve ser.

Ele agora está bem...

Continuo recebendo tantos e-mails com tantas perguntas, mas queridas(os), eu não tenho as respostas...

Durante mais de dois anos, fiz registros diários da minha vida e aprendizados... Me expus, expus minha família, fui abraçada e criticada, mas no fim, valeu a pena, pois nasceu um livro lindo e rico, sob o título Amando um Dependente Químico (clique aqui).

Hoje não sinto mais tanta vontade de postar.

Estou trabalhando na prevenção às drogas e no apoio às famílias de dependentes químicos.

Minhas energias estão todas voltadas para isso, afinal, em janeiro que vem, o governo estará em transição, e sequer temos a certeza de que o projeto continuará, então quero aproveitar ao máximo esse tempo em que estou aqui.

Tenho minha consciência muito tranquila quando vejo que tenho dado o melhor de mim nesse trabalho.

Quando postava no blog, dava o meu melhor, fazia com o coração e muita sinceridade... E agora, nessa fase diferente da minha vida, quero continuar respeitando os meus princípios e dando o meu melhor...

Se conseguir ajudar a uma única pessoa, já terá valido muito a pena, afinal, uma vida é muito!!!

Alguns dizem que trabalho demais, outros dizem que eu devia levar o trabalho de forma mais leve, mas eles não entendem que não é um trabalho, é uma realização.

A cada mãe desesperada que atendo, vejo minha avó... A cada adicto em busca de tratamento, vejo os meus dois familiares adictos.

Vai além, muito além de um trabalho!

Na semana que vem, teremos um evento para mais de 700 crianças e adolescentes (em situação de risco) de prevenção ao uso de drogas, e quando penso que podemos sim ajuda-los a fazerem boas escolhas para suas vidas, me sinto realmente envolvida.

Em novembro, o Projeto Ame, mas não sofra!, de apoio às famílias, completará 01 ano!

Até hoje, foram formados mais de 600 multiplicadores, e mais de 1000 famílias foram abraçadas por esse Projeto...

Só posso mesmo agradecer a Deus por essa oportunidade de viver o que estou vivendo...

Se vou continuar nessa área, ainda não sei, mas sei que só por hoje, quero continuar dando o melhor de mim a quem precisa.

Vou postar algumas fotos para que vejam o que ando fazendo da vida:

V I V E N D O !!!


Palestra na Semana da Saúde IFB.

 No aniversário do CAPS Ad.

Andando de patins pela primeira vez!!!


Escalada!

Palestrando no 1º dia do 5º Curso de Multiplicadores.




E, claro, gasto muuuito tempo com meus filhotes, curto muito, beijo muito, aperto muito... Canso muito! Risos.

A dica que dou, queridas(os), é a seguinte: tenha um tempo para se ouvir, aprenda a se aceitar, e cultive um amor sincero por si mesma(o)... E a paz e a felicidade automaticamente chegarão, e os outros bons frutos também, por meio das suas novas escolhas.

Amo vocês!

Força, fé e esperança a todas(os)!!!

Fiquem com Deus!




OBS: Até hoje não consegui encaminhar, via correio, os três livros sorteados no aniversário do Blog, pois estou em busca de “patrocínio”. Peço 1000 desculpas às sorteadas, e quando menos esperarem, os livros chegarão em suas casas...


sexta-feira, 29 de agosto de 2014

Nem todos os dias são fáceis...



A dor de encontrar a casa vazia é sempre a mesma...
Sim, hoje essa dor não me controla mais... Mas ainda é dor, e machuca...
Nesses oito anos aprendi muito, cresci muito, mudei de opinião várias vezes sobre diversos assuntos, conheci muita gente... 
Mas, a minha raiz continua firme, ou seja, tudo isso só fortaleceu a minha fé em Deus...
E hoje, mais uma vez me apego à certeza de que:
"Ainda se vier noites traiçoeiras, se a cruz pesada for, Cristo estará comigo, o mundo pode até me fazer chorar, mas Deus me quer sorrindo..."
Essa dor passa, e o sorriso volta... Ele sempre volta!

Por Poly, em 27 de agosto.


Quando o "tsunami" chega, devastando tudo, realmente dói... Mas é nessa hora que podemos buscar forças em Deus, e começar a traçar novos caminhos... 
Não desisto!
E quando digo isso não me refiro ao meu familiar adicto, não. 
Estou falando da vida como um todo... 
Não desisto da vida, da fé, da esperança e da alegria...
Estou aqui em fase de reconstrução...
Dias bem difíceis, mas certamente dias também de crescimento e aprendizado...
Boa tarde!

Por Poly, em 29 de agosto.

terça-feira, 12 de agosto de 2014

Os Cinco Segredos!



Boa tarde!

Tudo bem com vocês?

Por aqui, tudo segue em paz, graças a Deus!

No curso de multiplicadores que mencionei na postagem passada foram formados 255 novos multiplicadores, e 91% dos participantes avaliaram o curso como excelente ou bom... Fiquei muito feliz! É muito bom ter a oportunidade de trabalhar em algo que nos realiza!

Passou uma reportagem no Jornal da Record (Nacional) sobre o curso, CLIQUE AQUI e veja. Bacana, né?

Semana passada foi uma semana triste, pois na segunda pela manhã recebemos a notícia da morte do Secretário do órgão onde trabalho. Foi trágico e repentino, e coisas assim, nos fazem refletir ainda mais sobre o valor da vida, não é mesmo?

Mas, na postagem de hoje, quero falar um pouquinho sobre a palestra que dei no curso.

No momento final da palestra, eu mencionei os “5 segredos” que me ajudaram a adotar um estilo de vida diferente, e me fizeram mais feliz, mesmo tendo um familiar adicto.

O primeiro “segredo” é composto dos 3 Cs: não causei, não controlo, e não curo.

Inicialmente, quando ouvi sobre esses 3 Cs no grupo de apoio, foi um alívio, pois me livrei de uma culpa que não era minha.  Percebi que eu não era culpada pelas recaídas, e muito menos pela doença do outro. 

Percebi, ainda, que todas as loucuras que eu vinha cometendo não traziam resultados, na verdade, quanto mais tentava controlar o meu familiar, mais descontrolada eu ficava. E por fim, percebi que eu não poderia curá-lo, por mais que eu desejasse isso.

Resumindo, percebi que eu era impotente perante a doença do meu familiar amado.

O segundo “segredo” que descobri é que codependência não é amor. Ou seja, me deixar de lado, passar dias sem comer e sem dormir, deixar minha vida passar em branco em razão das insanidades do outro não é amor, mas sim codependência, algo muito doloroso, que me sufocava e dificultava a recuperação do meu familiar, fazendo de mim uma facilitadora para o seu vício.

O terceiro “segredo” é que amor próprio não é egoísmo. Antes eu achava que era egoísmo me alimentar enquanto ele estava sem comer nas ruas, ou dormir em uma cama quentinha enquanto ele perambulava no frio, esses são apenas dois de muitos exemplos. Com o tempo, entendi que eu tinha o direito (e o dever) de cuidar de mim mesma e de me amar. Aos poucos fui resgatando esse amor próprio, com muito esforço e exercício. Percebi que quando não cuidamos de nós não temos força nem estrutura para aguentar a convivência com um adicto, e muito menos para ajuda-lo. Se de fato queremos ajuda-los, precisamos estar bem e felizes.

Gosto do exemplo das máscaras de oxigênio que caem no avião, em caso de despressurização. Coloque primeiro a sua máscara, respire, sobreviva, e então auxilie quem está ao lado a colocar a sua máscara. Caso contrário, você, sem oxigênio, sem respirar, no sofrimento ou desmaiado não poderá ajudar a ninguém, nem a si mesmo.

O quarto “segredo” aprendi em uma sala de NA, isso mesmo, de Narcóticos Anônimos, que é a sua terceira tradição, que diz: “Um adicto que não queira parar de usar não vai parar de usar. Pode ser analisado, aconselhado, pode se rezar por ele, pode ser ameaçado, surrado ou trancado, mas não irá parar até que queira parar”. Finalmente entendi que ele era um ser humano separado de mim, ou seja, era outro individuo com sentimentos e pensamentos diferentes dos meus, e esse querer deveria partir dele. Eu posso sim, como familiar, ajudar e incentivar, mas não posso querer por ele.

E o quinto e último “segredo” que aprendi é que eu não deveria mais carregar o meu familiar adicto sobre os ombros, mas sim no coração, somente no coração. Amar o nosso ente dependente químico e compreendê-lo é algo benéfico, entretanto, carrega-lo no colo é exaustivo para nós e muito prejudicial para eles.

Minha vida realmente mudou... Eu mudei. E isso não tem nada relacionado ao blog, livros, trabalho, ou coisas assim. Estou falando de mim, do meu interior, da minha paz, da minha leveza diante da vida, da minha capacidade de ser uma mãe inteira...

Esse blog não é para falar sobre viver junto ou separado de um adicto, não! Mas sim para orientar àqueles que estão convivendo com um, a terem uma vida mais leve, sempre lembrando que somos autores das nossas escolhas.

Quanto ao meu esposo, ele segue limpo há 81 dias. Trabalhando e lutando pelos seus sonhos. Agradeço a Deus por isso! Entretanto, engana-se quem pensa que esses dias são perfeitos. Não não. Em alguns dias ele está distante, em outros deprimido, em outros brigão... E em outros, um lindo! O que faço? Tento me manter bem, focar no que me deixa pra cima, e esperar que ele venha também.

Vou deixar um exercício para vocês.

Pegue uma caneta com a ponta para cima, estique o braço e foque o olhar nessa caneta. Percebe como o fundo fica desfocado? Agora faça o contrário, foque no fundo, uma parede ou coisa assim... Percebe como a caneta fica desfocada?

Pois é, tudo é uma questão de onde está o seu foco.

Eu escolhi focar no que me faz bem e me deixa feliz... Ainda que a vida não seja perfeita...

sábado, 2 de agosto de 2014

Bem-vindos ao 5º Curso de Multiplicadores!



Bom dia!

Tudo bem com vocês?

Por aqui, tudo em paz, graças a Deus!

Ontem concluímos a quinta edição do Curso de Multiplicadores de Ações de Apoio às Famílias, da SEJUS/DF. Foi uma semana de muito trabalho, mas é muito gratificante ver o resultado obtido.

Clique aqui, e veja a reportagem da rede Globo sobre o curso.

Nesta edição, foram mais de 200 novos multiplicadores formados.

E ontem, ao final, receber aqueles abraços apertados e ouvir frases como “esse curso mudou a minha vida”, não tem preço!

Agradeço a Deus por essa oportunidade de levar a outros o que um dia chegou até mim, e fez a diferença em minha vida: informação e acolhimento.

E quero dividir com vocês um pouco desses momentos que partilhamos juntos nesta semana.

Na segunda-feira, tivemos a abertura do curso com a presença da Secretária Adjunta de Justiça, Amanda Wanderley e do Dr. Leonardo Moreira, Subsecretário de Políticas sobre Drogas do DF.






Uma pausa para o coffee-break, preparado com muito carinho!




E, em seguida, ministrei a palestra sobre “A codependência em familiares de dependentes químicos”.








Ahhh, gente, preciso contar para vocês que, quando entrei no auditório, com a mão cheia de materiais, me esborrachei no chão... Isso mesmo, caí feito uma jaca!! Ainda bem que não tinha ninguém no local, pois ainda estava cedo!! Somente a minha equipe estava lá, e sei que eles vão me zuar pelos próximos 10 anos!! Risos.

Imaginem, eu com 1,73m de altura rolando degraus abaixo... E pra piorar, assim que me levantei, descabelada, descalço e com a meia-calça rasgada, a responsável pelo local chegou e perguntou: “Quem é a coordenadora do curso?” Me deu vontade de sumir, né?! “Sou eu, muito prazer.” Respondi, tentando arrumar os cabelos, e calçando os sapatos. Hilário!!


Meu joelhinho!

E o estranho é que no mesmo dia, quando estava saindo de casa, meu caçula caiu na escada, e foi um baita susto... Como me disseram: “acho que a força do mal não queria que esse curso acontecesse”.

Mas, deu tudo certo, graças a Deus! Um curativo no joelho, uma meia-calça nova, e 2 horas depois eu estava lá, levando a mensagem às famílias e aos profissionais que atuam com essas famílias.

Na sequência, o Márcio, ex-usuário de crack, limpo há cinco anos, contou sua linda história de recuperação.




Na terça-feira, a primeira palestra foi dada por Antonia Nery, Pós-graduada em Psicologia Transpessoal. Ela falou sobre como a família deve atuar para ser um fator de proteção contra o uso de drogas, e não um fator de risco. Foi uma palestra de prevenção. Aliás, uma excelente palestra!






Em seguida, o Dr. Álvaro Ciarlini, Juiz, palestrou sobre internação compulsória e involuntária, e realmente nos fez refletir sobre o assunto, e entender como se dá esse processo.






Na quarta-feira, a aula iniciou-se com a participação do Psicólogo Fernando José Wanderley, um carioca que nos fez rir muito, e nos mostrou um panorama sobre a codependência.






O segundo palestrante do dia foi o Dr. Evandro Faganello, Psiquiatra Especialista em Dependência Química, e que nos mostrou o que acontece no cérebro do dependente químico, e todo o processo dessa doença. Palestra show!






Na quinta-feira, o grupo NAR-ANON apresentou o que é esse grupo de família, e todos juntos (mais de 200 pessoas), de mãos dadas, fizemos a oração da serenidade. Lindo!




Na sequência, o CAPS AD do Guará, representado pela Assistente Social Érika Suzana e pela Psicóloga Lilian Shuller falou sobre o trabalho do CAPS com os familiares de dependentes químicos.






E, pra fechar, o Coordenador Roberto Cavalcanti nos trouxe a mensagem do Amor-Exigente, e nos falou sobre a história e dinâmica desse grupo.


Essa foto ficou ruim, né? Depois coloco uma mais nítida, tá?


No último dia, ontem, a primeira palestra foi dada pelo Dr. José Theodoro, Promotor de Justiça, que nos falou de forma muito clara e didática sobre os aspectos legais do uso e do tráfico de drogas. A palestra dele foi muito enriquecedora!






E pra fechar, o Dr. Leonardo Moreira, Psiquiatra Especialista em Dependência Química, Subsecretário de Políticas sobre Drogas e Presidente do Conselho de Políticas sobre Drogas no DF, nos levou a refletir sobre as políticas públicas sobre drogas.








E assim concluímos mais essa etapa!

No total já são mais de 540 multiplicadores formados. Aos poucos, vamos chegando mais longe, e alcançando mais famílias que estão sofrendo com a dependência química de alguém amado, e principalmente com as angústias geradas pela codependência.

Muitos perguntam por que esse projeto não está em outros estados. Calma... Esse projeto nasceu em novembro do ano passado aqui no DF, mas tenho certeza que ideias como essa se espalharão rapidamente, afinal, essa carência de orientação das famílias que convivem com a dependência química é enorme!

Você, familiar, faça propostas como essa aos seus governantes! Acredite! Sei que nem sempre temos a sorte de encontrar alguém sensível a essa causa no nosso caminho, mas não podemos desistir.

Se tudo der certo, sairá uma reportagem hoje, às 08:30h no jornal da Record (de âmbito nacional) sobre esse projeto. Assistam!


Secretária Adjunta de Justiça, Amanda Wanderley, falando sobre a necessidade de cuidar das famílias.


“A gratidão é o melhor retorno das boas sementes que plantamos... Em cada fruto, um pouco de nós retorna para alimentar as necessidades de outros e de nós mesmos."

Obrigada, meu Deus!








E obrigada aos que trabalharam juntamente comigo para que esse sonho se realizasse, e obrigada às autoridades que acreditaram nesse sonho, e apostaram nele!

Bom fim de semana!!


Agora vamos descansar, né?! Ufaa! Rs.