terça-feira, 11 de agosto de 2015

A hora de se soltar...


Boa tarde a todas(os)!

Tudo bem com vocês?

É... Se passaram dois meses!

Por vezes nem acredito!

Difícil descrever como foram esses dois meses.

Aconteceu tanta coisa. Um turbilhão de sentimentos. Não foi (e não é) nada fácil, do dia pra noite, ocupar o espaço de dois, sendo uma só.

Cuidar de filhos pequenos, da casa, do trabalho, da manutenção do carro, das contas, enfim, de tudo...

Ele me ajudava muito e eu seria injusta se afirmasse o contrário.

Confesso que por vezes pensei que não daria conta, mas agora sinto que as coisas finalmente estão começando a entrar nos eixos.

Resumindo, sobrevivi!

No trabalho, estou respondendo por duas Coordenações: pela minha – de apoio às famílias, e pela que está vaga – de prevenção ao uso de drogas. Ou seja, trabalho literalmente dobrado, mas faço com paixão e prazer!

Em casa, é uma tarefa árdua diária e quase sempre batalha perdida na tentativa de manter as roupas em dia, a casa limpa e organizada, com duas crianças pequenas... É impossível!! Mas eu continuo tentando... Gosto muito das coisas limpas... Mas, isso acaba me esgotando às vezes.

Nos finais de semana, passeio com os filhotes.

Tivemos que mudar muitas coisas na nossa rotina para fazer as contas caberem no novo orçamento.

Ainda estamos nos adaptando...

Se estou feliz? Estou em paz!

Não vou mentir, não gosto da solidão, não gosto de estar sozinha...

E não é nada fácil estar feliz vendo aquilo que você sonhou tanto, desejou tanto, lutou tanto, ruir...

Mas sei que tomei a decisão acertada, e na hora acertada também.

Pelos meus filhos, por ele, e por mim, acabou.

Então se acabou, vamos abrir a porta para que uma nova vida recomece, e é o que estou tentando fazer...

Sim, a saudade bate... As lembranças... Mas sei que é preciso seguir! E acredito que tenha muita vida lá fora...


“Onde a droga entra, nada de bom nasce...
Ela destrói sonhos, juventudes, famílias, vidas... Tudo!
 
Quando o fim de um relacionamento se dá por uma traição ou porque o amor morreu, há algo palpável para alimentar a mágoa ou a raiva...
 
Mas quando o fim se dá porque um dos lados está sendo vencido pela doença da adicção, não dá pra ter raiva nem mágoa...
 
Só o que fica é a frustração e a saudade do que poderia ter sido, mas não foi...
 
Fica o desejo de ter aquela pessoa perto, mas a droga longe...
 
E fica sobretudo a certeza de não querer voltar... E nesse caso o não querer é maior que o querer...
 

Mas dói... E como dói!”
(Poly P.)


Na semana passada, tivemos um grande susto. Ele (meu ex) foi internado às pressas em um hospital por uma sepse, também conhecida como infecção generalizada.

Seus linfócitos baixaram para o índice 9, ou seja, seu organismo estava sem imunidade. Seus batimentos cardíacos se elevaram demais. E a temperatura chegou a 42 graus.

Só fiquei sabendo da internação dois dias depois.

Não tem nenhuma relação com uso de drogas. Ele está limpo e frequentando as reuniões de Narcóticos Anônimos, pelo que sei.

Mas, o fato é que ele quase “foi”. Mais uma vez, Deus está dando a ele uma chance nova... está dando a ele, novamente, o maior presente que há: a vida!

Os exames não acusaram nenhuma doença grave. Pelo que parece foi mesmo uma bactéria na corrente sanguínea.

O quadro agora está estável. Os analgésicos já foram suspendidos e o tratamento continua com antibióticos no soro.

No dia dos pais, ele enviou a seguinte mensagem em tom de desabafo:

“O meu maior tesouro é ser pai dos meninos! Lembro da alegria que senti ao vê-los recém-nascidos no seu colo. Cada detalhe, cada cor ainda consigo enxergar. O maior sentimento de um homem, eu estava sentindo naquele momento... a responsabilidade de ser pai! Posso ter feito tudo errado nesse tempo, sei que não fui responsável como prometi a mim mesmo, sei também que deixei de aproveitar momentos ao lado de vocês... Não posso mudar o que fiz, e pior ainda o que deixei de fazer, mas estou orando a Deus, e é Dele a última palavra. O desejo do meu coração é que meus dois filhos lindos tenham muito orgulho do pai deles... Posso dizer que mesmo nesse hospital, hoje para mim é um FELIZ DIA DOS PAIS! Obrigado por você ser essa mulher incrível, linda e especial que é e sempre foi. A mãe dos meus filhos só poderia ser você! Que Deus te abençoe em tudo o que for fazer...”

Os amigos mais próximos me perguntam se tem volta. Se me arrependo da separação. Se sinto saudades... etc.

Em nenhum momento eu disse que não o amava mais. Não sei mais o tipo de amor que sinto por ele, se o amo como marido, como filho, como ser humano... Não sei. Mas, sei que é algo forte... Não sinto raiva ou mágoa dele. E desejo, de coração, o seu melhor. Mas não consigo mais acreditar que o seu melhor seja ao meu lado, ou que o meu melhor seja ao lado dele, infelizmente. Algo se quebrou...

Não o condeno por ser um dependente químico. Não o condeno por seus erros e dificuldades. Eu também tenho um milhão de falhas e dificuldades, que talvez não sejam tão expostas quanto as dele. Mas não sou melhor que ele, não mesmo.

Entretanto, aprendi a valorizar muito a liberdade. Liberdade, palavra de tanto significado.




Até o artigo 5º da nossa Constituição Federal fala sobre ela. Quem não deseja ser livre?

Muitas vezes, nós familiares, pensamos que os adictos são escravos das drogas, e que nós somos livres, e nem nos damos conta do quanto vivemos também como escravos, e muitas vezes em condições até piores do que as deles.

Escravos do medo, da ansiedade, da necessidade de controle, do desejo de dominar, da culpa, da autopiedade, da dor... E, sobretudo, escravos do outro, do outro, do outro...

E chegou a minha hora de me soltar.

“Para cada um de nós, há uma hora para se soltar. Você saberá quando essa hora chegar. Quando tiver feito tudo o que pode, será hora de desligar. Examine seus sentimentos. Enfrente o medo de perder o controle. Assuma o controle de si mesmo e de suas responsabilidades. Deixe os outros livres para que sejam quem são. E fazendo isso, você também se libertará... “ (Melody Beattie)

Queridas(os) leitoras(es), amanhã às 11 horas estarei me internando (no mesmo hospital em que ele está internado, dá pra acreditar? Risos) para fazer uma colecistectomia laparoscópica. Ave Maria, que nome feio!! 

Traduzindo, é uma cirurgia para a retirada da vesícula, pois a minha está adoecida e cheia de pedrinhas (que infelizmente não são diamantes)... Orem por mim! 

Nesse tempo de afastamento do trabalho, estarei concluindo o livro “O Diário de Francine Deschamps”, clique aqui e veja o clipe. 

Meu Deus, trinta dias sem ir ao trabalho, e sessenta dias sem ir à zumba, vou ter que inventar alguma coisa pra ocupar essa cabecinha agitada!! Risos. 

Espero voltar logo... 

Beijos!!
Fiquem com Deus!!

terça-feira, 14 de julho de 2015

O Clube das Separadas Bem-Amadas!!



Bom dia, meus amores!

Tudo bem com vocês?

Hoje vou fazer uma postagem de fofoca... Pode ser? Tipo aquelas revistas que a mulherada adora!! Risos.

Acordei pensando em mim e em minhas amigas blogueiras que, por tanto tempo nos dedicamos a escrever sobre nossas vidas, nossos amores, nossas dores, nossas esperanças... 

Que rumo tomou cada uma?

Um dia fiquei pesquisando para saber o que aconteceu com cada uma das paquitas da Xuxa, que eu amava!! Vem me dizer que você que curtiu os anos 80/90 nunca fez isso?!! Rs.

E hoje fui olhar o que aconteceu com “as minhas paquitas”... hahaha... Digo “minhas” porque antes do Blog Amando um Dependente Químico, só havia o blog da Cicie e da Giulli (dinossauras!!), mas as duas já haviam rompido o relacionamento com seus ex-adictos.

Então, depois, por meio do Blog ADQ, muitas esposas e namoradas foram motivadas a escrever, em forma de diários, também suas histórias. Então me sinto meio que responsável por todas!! Tipo uma “tia”, sabe?!!

Até hoje tem amigas chegando para essa rede virtual, podemos dizer que são as “paquitas segunda (ou terceira) geração”!! E isso é muito importante porque, infelizmente, a cada dia aumenta o número de pessoas envolvidas nesse meio de adicção e codependência, e a troca de experiências e informação é fundamental para o crescimento e superação do grupo.

Gente, só pra vocês terem uma ideia, quando começamos os blogs, na era “pré-facebook” e “pré-whatsapp”, batíamos papo via comentários nos blogs e até tentamos baixar uns programinhas (horríveis) para que essa interação fosse possível por aqui... Depois migramos para o Facebook (Ufa!!).

E hoje tenho até instagram!! Quem quiser seguir é @simplesmente_gipuglisi . 

Como podem ver, a modernidade chegou por aqui!

Hoje as meninas participam de grupos no facebook. Eu não participo por uma questão de tempo curto... Daí, opto por alimentar apenas a página www.facebook.com.br/amandoumdependentequimico . (Curte lá!!)

Mas, então, vamos ver o que houve com as “paquitas da primeira geração”?




A Gaby terminou o relacionamento com seu namorado adicto. Encontrou uma nova pessoa com quem se casou há dois anos. Vive uma vida feliz, passou por uma grande dor que foi a perda da sua bebezinha antes da gestação terminar, mas teve o apoio do esposo, e segue sua vida longe da problemática das drogas.




Após tantos relatos de agressões psicológicas e físicas, ela separou-se do esposo no final de 2012. Quatro meses depois (março de 2013), ela relatou os seus progressos e superação após a separação. Não houve mais postagens.




A Flor terminou o relacionamento em junho de 2014. Hoje ela segue realizando lindos trabalhos na área da Educação em seu estado. Tive o prazer de conhecê-la pessoalmente e de constatar que realmente ela é uma flor!!




A Kel passou por vários estágios. Separou-se. Ficaram separados um tempo, e depois optaram por manter o relacionamento, mas em casas separadas. Ela está cursando sua faculdade, buscando seus objetivos, e além do Blog acima, ela escreve também no Blog Você Acha que Sabe, onde expõe suas ideias sobre assuntos não focados na dependência química.




A Maria terminou o namoro complicado mais ou menos em junho de 2013. Retomou sua vida, e segue sonhando sonhos “normais” de uma garota de vinte e poucos anos: intercâmbio, namoros saudáveis, viagens, etc.




A Emily se separou há alguns meses do esposo por não tolerar mais os seus comportamentos abusivos, mesmo ele estando limpo. Depois descobriu coisas tristes dele, como a traição, e isso tudo só reforçou a sua sede de superação... Vinte quilos mais magra, hoje ela ajuda outras pessoas com o tema Reeducação Alimentar (clique aqui, e curta a página dela), e segue cuidando dos filhos adolescentes.




A Lu se separou em fevereiro deste ano. Ela segue, cada dia mais linda, ajudando adictos e codependentes pelas redes sociais, além de ser uma mãe e vovó super coruja.


E é isso...

Alguns outros Blogs não consegui localizar... :(

Parabéns, meninas! Observei que nenhum desses Blogs recebeu menos de 15.000 visitas, e juntos os Blogs receberam mais de um milhão de acessos... Ou seja, juntas ajudamos muita gente... Já pensaram nisso?! Formamos uma verdadeira "rede do bem"!  \o/\o/\o/

A ideia não é falar sobre os rapazes, mas sobre nós... Mas como a curiosidade é normal, digo que, pelo que sei, os únicos que seguem limpos são o marido da Kel (após um tratamento com ibogaína) e o ex da Emily (que trabalha dentro de uma comunidade terapêutica).

Poly do céu!! Quer dizer que não tem recuperação? Quer dizer que todos os casamentos com adictos vão chegar ao fim?

Não. Quer dizer que existe recuperação para quem quer!! E esse querer deve ser um querer intenso, acima de qualquer outro, pois estamos falando de uma doença complexa.

Dá uma olhadinha no que falei sobre isso, no vídeo abaixo... "Tem que querer!!"

video

Quanto ao relacionamento, quando vejo todas nós, me encho de felicidade... Sim, de felicidade!! Leiam nossos relatos há quatro, três anos atrás. Éramos “cacos”... Muitas de nós não tínhamos autoestima, vivíamos em função do outro... E conseguimos nos resgatar!!

Queridas, continuemos nos cuidando. Aprendendo o amor próprio. 

Quando nos amamos e nos cuidamos não nos permitimos aproximar de pessoas que não estejam dispostas a nos dar esse mesmo amor e cuidado...

Nossos ex são pessoas más? Não, claro que não. O meu, por exemplo, é um ser humano incrível! Ele me deu meus filhos que são meu maior presente, e também me proporcionou viver muitos momentos lindos e especiais. Mas eu decidi que não quero mais viver ao lado de um usuário de drogas. Não quero isso pra mim e ponto. Não quero mais aquele medo, aquela ansiedade, aquela insegurança. Tenho sonhos a alcançar. Filhos para criar. Uma vida para viver! E infelizmente, ele escolheu não se tratar...

Então, meninas, um conselho que dou: não sintam raiva. A raiva faz mais mal a quem sente.

Nem raiva. Nem culpa. Nem pena.

Que possamos encher o nosso coração de amor!

Eu desejo do fundo do meu coração que todos eles se recuperem dessa vida do vício, que conquistem coisas boas, e que encontrem novas mulheres e as façam felizes, e sejam felizes...

E claro que desejo que as "minhas paquitas" sejam muito felizes com elas mesmas, se valorizando, e que em um futuro não muito distante, se permitam conhecer seus príncipes, aqueles disponíveis emocionalmente, e que tenham condições de cuidar bem delas!

E a Poly?! Bom, está tudo muito recente... Por enquanto, a sensação que tenho é que serei realmente a “tia Poly”... kkkk

Falando sério, ainda tem muita coisa pra sarar aqui dentro, pra organizar... Recebi muitas mensagens de pessoas ansiosas para que eu encontre alguém que me faça feliz, mas primeiro preciso aprender a ser feliz comigo mesma...

Calma, minhas queridas, tudo tem seu tempo!

Me desculpem as brincadeiras... E espero que tenham gostado desse post feito com tanto carinho!!

video

Beijos da tia Poly!
Fiquem com Deus!

segunda-feira, 6 de julho de 2015

Deixando a rua me levar...


Ela acorda todos os dias por volta das seis da manhã.

Veste sua roupa fitness, toma seu suco verde, arruma as mochilas das crianças.

Acorda as crianças com o achocolatado pronto.

Escova os dentinhos, coloca o uniforme... corre pra cá, corre pra lá...

Desce três andares, geralmente com o caçula de 3 anos no colo, além das mochilas!

Deixa as crianças na escola, e no caminho, vai fazendo uma oração em voz alta, pedindo proteção a Deus.

Vai para a academia... Esses são os cinquenta minutos reservados a ela, e ela só falta em caso de calamidade pública!

Volta correndo pra casa. Banho. Café da manhã. Trânsito.

Trabalho...

Ela trabalha com muita paixão. Acredita no que faz. E acredita que pode fazer diferença, por meio do seu trabalho, na vida de outras pessoas.

Não tem hora pra sair do trabalho.

Trânsito.

Filhos na creche.

Casa. Lanchinhos. Louça. Chão. Roupas pra lavar ou passar.

Um gatinho pra alimentar e trocar a areia sanitária...

Quando dá, ela gosta de assistir a novela I Love Paraisópolis, mas na maioria das vezes, a TV fica na Discovery Kids para distrair as crianças.

Alguns dizem que ela é uma mulher forte. Outros a chamam de guerreira.

Mas, ela é apenas uma mulher. Um pouco ingênua, muito sonhadora, e bem batalhadora.

Sobretudo, ela é uma mulher que sente... Sente até demais.

Ela não sabe amar mais ou menos, querer mais ou menos, fazer mais ou menos... Ela é intensa, e por vezes paga o preço por isso.




Há vinte e seis dias, ela tomou uma decisão.

A decisão de abrir mão dos sonhos que havia alimentado durante nove anos ao lado do seu esposo.

Sonhos como dormir e acordar de conchinha pelo resto dos seus dias... Viagens a lugares ainda não conhecidos pelo casal... Ver juntos os filhos crescerem... Irem embora para Santa Catarina, onde passariam a velhice, depois de aposentados...

E tantos outros sonhos, agora abortados...

Ela tomou essa decisão em razão do uso de drogas dele.




Sim, ela entende que ele tem uma doença (dolorosa doença), mas depois de muito bater a cabeça na parede, ela percebeu que não dá mais para abrir mão dos seus sonhos individuais em razão de sonhos irreais cultivados em parceria...

A cada recaída, passos são dados para trás. Há um desgaste emocional nela e nas crianças. Muita coisa é destruída, e ela não quer mais se empenhar reconstruindo, para ver tudo desmoronar outra vez.

Sim, ela acredita na recuperação dele. Ela acredita que qualquer dependente químico que queira, e que realmente se esforce para isso, pode mudar de vida. Mas, ela hoje reconhece que não tem participação no querer dele.

Tudo isso dói nela. Sensação de frustração. De impotência. De perda. De luto. De medo. De solidão. De insegurança... Ficou um vazio...




Ela chorou algumas vezes.

Ela ouviu a música “Seamisai” da Laura Pausini e “Cê que sabe” do Cristiano Araújo várias vezes.

Mas ela sabe que é preciso seguir de pé. Seus filhos precisam dela. Ela precisa dela...

E ela sabe que o tempo é um bom aliado...

Toda a dor sentida parece se transformar em força para trabalhar ainda mais pela prevenção ao uso de drogas, orientando as crianças e adolescentes por meio do trabalho que desenvolve. E claro, também para continuar trabalhando com os familiares de adictos, fortalecendo-os e fazendo-os despertar para a necessidade de se cuidarem...

Ela pensa que o “veneno” que ela sentiu em seu corpo pode ser usado como “antídoto” para outros...

Ela é meio louca, mas é generosa. Mesmo.

Ela sempre teve medo da solidão. Mas ela está percebendo que, às vezes, a solidão é necessária.

Sim, ela tem sido forte.

Mesmo naqueles dias em que a deprê bate, ela tem se levantado, e seguido a sua rotina diária...

Ela acorda todos os dias por volta das seis da manhã, mesmo tendo insônia em quase todas as noites.

Orem por ela.

No fundo no fundo, ela é frágil...

No fundo no fundo, está doendo...

Mas ela decidiu!

Ela desistiu de “carregar o piano dos outros”...

Ela ainda sente pena por vê-lo carregando aquele peso...

Mas ela não quer mais colocá-lo sobre suas costas.

Ela o teria amado para sempre.

Ela teria tolerado suas diferenças.

Ela teria lutado por sua família até o fim... (E lutou!)

Mas quando as drogas roubam a cena, não há espaço para romance, para sonhos ou para finais felizes...


Essa música diz o que ela sente agora...

sábado, 13 de junho de 2015

Cuide bem do seu balão!



Bom dia, queridas(os)!

Tudo bem com vocês?

Perdi o sono nesta madrugada, e me deu vontade de vir aqui, falar de um assunto muito importante com vocês.

Nesta semana, na ultima aula do Curso para Pais do Proerd, tivemos uma dinâmica com balões, e embora a aplicabilidade tenha sido outra, acabou me fazendo refletir sobre algo muito comum que acontece em meio a nós, familiares de dependentes químicos: a autoanulação.

Sei que muitas leitoras deste Blog são esposas, ex-esposas, namoradas e noivas de dependentes químicos, e quero aproveitar a deixa do “dia dos namorados” para falarmos de romance... Mas de um romance conosco! E isso vale para as mães, tias, pais e outros parentes também. Ok?

Quantas vezes já ouvimos falar que a codependência é a nossa “inabilidade de manter e nutrir relacionamentos saudáveis com os outros e conosco”? Que é uma “doença” que nos faz permanecer em relações difíceis, desgastantes ou destrutivas?

Várias, né?

Mas mesmo ouvindo tudo isso várias e várias vezes, eu demorei anos para assimilar o que isso queria dizer, e sair da minha “zona de conforto” para realmente me encarar como sou, e encarar a realidade como ela é, sem fantasias.

Sim, muitas vezes, cercamos as nossas vidas com fantasias na tentativa de viver melhor, mas embora seja um anestésico, essa forma de vida não é real, e mais cedo ou mais tarde, precisaremos encarar a realidade, enfrentá-la e superá-la.

É muito difícil um codependente mudar, mas é possível se ele realmente quiser!

A maioria de nós veio de famílias disfuncionais. Somos frágeis emocionalmente. Não conhecemos na nossa infância o amor, a aceitação, o amparo, e a segurança.

Muitas(os) fomos vítimas de violências físicas e/ou psicológicas.

E daí se explica a origem da nossa codependência, com o seu pacote de baixa autoestima, preocupação e cuidado excessivo com o outro, negação da realidade, compulsões nos relacionamentos, foco excessivo na vida do outro, e claro, a autoanulação.

Como parece fácil para nós colocar as necessidades do outro acima das nossas... Como é rotineiro zelar pelo bem estar do outro se esquecendo do nosso!

Como vocês sabem, fui uma das idealizadoras do projeto “Ame, mas não sofra”, e trabalho nesse projeto hoje. E eu tive a honra de “batizar” o projeto com esse nome.

No início, muitos criticaram: “como pode um projeto de governo com esse nome”?!

Mas eu sabia do que estava falando... E certamente vocês, leitores, também entendem o sentido desse nome.

Um dia desses, um entrevistador me perguntou: “Como amar e não sofrer”?

É engraçado que muitos de nós consideramos o amor e o sofrimento como sinônimos, mas não são!! Na verdade, são opostos. O amor é calmaria, é paz, é felicidade...

Então por que sofremos?

Sofremos porque nos esquecemos da contrapartida do amor ao próximo que é o amor a nós mesmos!

E quando isso acontece, sofremos e nos sujeitamos a situações de abuso, e ainda confundimos tudo isso com amor, quando na verdade, é a falta de amor... Falta de amor próprio!

Eu poderia gastar páginas e páginas tentando dar a “receita” para se conviver com um dependente químico sem enlouquecer, ou tentando dar dicas de como ser feliz em meio ao caos.

Mas, prefiro trazer palavras que façam vocês refletirem, e despertem o “empoderamento” em cada um de vocês (de nós!). Esse termo “empoderamento” foi muito utilizado por Paulo Freire, e significa a conscientização e a libertação para a tomada de novas atitudes, e o rompimento de ciclos destrutivos.

Como está o seu relacionamento? Não me refiro apenas a relacionamento de homem x mulher, mas de mãe x filho, irmão x irmão, etc.

Tem sido uma “troca”? Você está dando e recebendo? Existe respeito? Dedicação mútua? Há cumplicidade e parceria?

Se sua resposta foi sim, parabéns!

Mas, se foi não. Fique atenta(o)!

Quando um dos parceiros sempre atende o outro e suas necessidades, e se esquece das suas próprias necessidades e vontades, é um forte sinal da presença da autoanulação. E é muito triste quando perdemos a nós mesmos. Quando nos esquecemos de quem somos e do que gostamos. Quando não nos ouvimos ou nos enxergamos mais...

Aos poucos vamos sendo moldadas(os) pelo outro e suas demandas. Perdemos a nossa essência...

Então nos tornamos, pouco a pouco, como um objeto sem vontades próprias... Nos damos e doamos, sem nada receber ou exigir...

É como se deixássemos de existir.

Queridas(os), qualquer relação é baseada na troca. Cada um cede um pouco. Hora um dá, hora recebe, e vice-versa. Há uma negociação saudável entre as partes.

Mas, infelizmente, a esmagadora maioria de relacionamentos com adictos está fundamentada no “congelamento” de uma das partes.

O adicto age, a família reage. Tudo gira em torno dele, para ele e em prol dele.

Isso é saudável? Não! Para nenhum dos lados.

Para finalizar, quero falar da dinâmica com balões.




Como disse, na ultima aula do curso, fizemos uma “brincadeira”. Cada um de nós escreveu em um papelzinho o nosso sonho, colocamos dentro do balão e o enchemos.

O grupo reunido passou a jogar para cima os “seus sonhos” e cada um tinha a responsabilidade de cuidar do seu. Vira e mexe, vinham os “tubarões” para tentar roubar os nossos sonhos.

Interessante que enquanto cuidávamos apenas do nosso próprio sonho individual, foi fácil. Difícil foi quando surgiram “sonhos de terceiros" para também mantermos lá em cima, sem cair no chão ou estourar.

Eu, por exemplo, terminei com um balão contendo o sonho “do outro”, e o meu mesmo ficou jogado no chão.

Entendem o que quero dizer?

Ei, querida(o), podemos sim auxiliar o outro na realização dos seus sonhos e no alcance dos seus objetivos, mas a nossa responsabilidade é o nosso próprio “balão”.

Não o deixe jogado no chão. Não permita que ele murche e nem que pisem nele...

Cuide bem do seu sonho! Cuide bem da sua vida! Cuide bem de você!



Beijos!
Poly.