quarta-feira, 26 de novembro de 2014

A Família Precisa de Cuidados!

Boa tarde, queridas(os)!

Segue, abaixo, partes da palestra "A família precisa de cuidados", que ministrei no VI Curso de Multiplicadores de Ações de Apoio às Famílias.


Grande beijo!

Poly.

terça-feira, 25 de novembro de 2014

A "Santa" Ibogaína?



Bom dia, queridas(os)!

Tudo bem?

Diante da recaída do meu esposo, dezenas de leitores do blog me sugeriram o tratamento com ibogaína.

A ibogaína está na mídia, e as reportagens sensacionalistas garantem que ela é a “cura” para a dependência química.

Como muitos familiares me pediram para falar sobre esse assunto, aqui estou eu.

A primeira vez que ouvi falar sobre a ibogaína foi em junho de 2011, e como a maioria, fiquei muito eufórica. Juntamente com a Giulli, do Blog Valeu a Pena, comecei a fazer pesquisas e mais pesquisas. (Clique aqui, e veja a postagem que fiz na época).

Me lembro que o título da revista Galileu dizia “A droga que cura o vício” e havia uma matéria empolgante também na Superinteressante.

De imediato, encontrei uma clínica em Curitiba que fazia o tratamento. Conversei com a Dra. Cleuza Canan, dona da Clínica e Psiquiatra, e também com o gastroenterologista Bruno Ramussen Chaves, idealizador do tratamento no Brasil.

Dias depois, recebi um DVD em casa, que trazia uma palestra dada por esses profissionais, explicando os efeitos da iboga no organismo, e depoimentos de pessoas que fizeram o tratamento e conseguiram a abstinência das drogas.

Eu parecia estar sonhando! Como uma boa codependente, não conseguia pensar em outra coisa!

E por que meu esposo não fez o tratamento? Porque poucos dias antes, ele recaiu, e eram necessários 60 dias limpo para a aplicação da ibogaína. Além disso, o investimento seria muito alto.

Após aquela recaída, nunca mais falamos a respeito desse tratamento, porque duvidei da motivação dele em relação a se “livrar” do vício.

O tempo passou, e agora o assunto está em alta.

Agora, com os pés nos chão, voltei a fazer pesquisas.

Conversei novamente com profissionais da Clínica da Dra. Cleuza Canan e com profissionais do IBTA – Instituto Brasileiro de Terapias Alternativas, e infelizmente não consegui falar com o Dr. Bruno, que hoje não trabalha mais com a Dra. Cleuza.

Hoje o tratamento está custando de R$6.900,00 a R$8.500,00.

E o que a ibogaína faz?

Falando de um modo bem simples, ela parece dar um “ctrl+alt+del” no cérebro do indivíduo, apagando a memória da droga, e "reiniciando o sistema".

É muito louco porque somente a lembrança do prazer proporcionado pela droga é deletado. O restante permanece intacto.

Durante a aplicação, o indivíduo terá vômitos, tontura e ficará em um “transe”, que durará cerca de cinco horas.

Conversei com o Dr. Leonardo Moreira e com o Dr. Evandro Faganello que são Psiquiatras Especialistas em Dependência Química, aqui de Brasília, e ambos acreditam que a ibogaína seja algo promissor no tratamento da dependência química, mas alertam que existem poucos estudos sobre esse tratamento. Ou seja, não podemos afirmar o que acontece com o indivíduo após muitos anos dessa aplicação. Além disso, eles alertam para o fato de que, no passado, muitos morreram em razão da aplicação da ibogaína.

Segundo as clínicas brasileiras, não houve nenhum caso de morte no Brasil. É necessário cuidado para que não se misture a ibogaína a outras drogas, e para que a dose administrada não seja excessiva, o que poderia causar uma parada respiratória.

Mas, e aí, Poly? A ibogaína cura mesmo a dependência química?

Não, ela não cura. Ela gera uma enorme redução dos sintomas da síndrome de abstinência, alguns afirmam que ela retira 100% desses sintomas, mas isso não é a cura.

Muitos dependentes químicos conseguiram ficar anos abstinentes, o que acaba reduzindo, e muito, os sintomas da fissura, entretanto, em um determinado período da vida, recaíram.

Isso acontece porque a adicção é uma doença comportamental, e não meramente física.

Sim, acredito que a ibogaína pode ajudar, e muito! Mas ela só vai ajudar aquele que realmente QUER parar com o uso de drogas.

Antes e após a aplicação da ibogaína é necessário e fundamental que o adicto faça terapias, vá aos grupos de NA, procure uma igreja, se apegue à família, e cultive hábitos saudáveis, para buscar um resultado duradouro no tratamento.

Quanto à pesquisa da UNIFESP, observem bem: a pesquisa utilizou apenas 75 pacientes, que além da substância, se mantiveram em psicoterapia, e 72% conseguiram se manter abstinentes após um ano.

Claro que, se comparado a uma internação convencional, é muito animador, afinal, apenas 3% a 5% conseguem se manter limpos por mais de um ano! Mas, por favor, famílias, não confundam isso com “a cura”!

Além disso, não há garantias que o efeito da ibogaína dure “para sempre”. Não é mesmo?

A exemplo disso, o rapaz que me ligava em 2011, de Curitiba, para incentivar meu esposo a se tratar, hoje está recaído, mesmo após a ibogaína.

Então, onde está a cura? Onde está o milagre?

Está no QUERER e na DECISÃO do dependente químico.

Ah, e por favor, quem for aderir a esse tratamento, pesquise direitinho, pois tem muito charlatão a fim de ganhar dinheiro às custas do desespero alheio. Nada de chás, ou de comprar pela internet, viu?! O procedimento deve ser feito por especialistas!

A Luciana está relatando, em seu Blog, a experiência do marido dela, que fez a aplicação da ibogaína recentemente, clique aqui, e acesse. 

Espero ter ajudado!




Quero contar para vocês como andam as coisas por aqui... Tenho boas notícias!

Meu marido está limpo há 08 (oito) dias!

Após encarar a perda da família, e se ver sozinho em uma pensão, ele ficou quatro dias afundado no uso... Confesso que tive medo de perdê-lo de vez... Mas, ele fez uma escolha, a melhor escolha: na segunda-feira, dia 17, ingressou novamente no N.A., e mesmo sozinho, se manteve limpo em todos esses dias!

Viu só, famílias, como não depende de nós?!!

Ele está indo às salas todos os dias, e voltou ao tratamento, graças a Deus!! Fez tudo isso sozinho.

Ele passou o fim de semana conosco, e foi muito bom! As crianças ficaram radiantes de alegria! Papai pra lá, papai pra cá...

Ele está muito magro ainda, mas é bom vê-lo novamente buscando a recuperação, só por hoje!

E sim, conversei com ele sobre o tratamento com ibogaína. Falei sem muita ênfase porque não quero distraí-lo do seu propósito e da sua luta diária. Mas, se tudo der certo, em dezembro ele fará esse “tratamento inovador”. Acredito que com a vontade que ele tem, se os sintomas do uso se amenizarem, vai dar certo, um dia de cada vez!

Sem grandes expectativas, mas com muita esperança.

Não, eu não desisti da minha família... E se há uma pequena luz no fim do túnel, é pra lá que vamos!

Se ele escolhe a droga, não há espaço para mim, mas se ele escolhe a recuperação, certamente minha mão estará sempre estendida...

Ele continua na pensão. Eu continuo aqui. Mas agora estamos mais juntos do que nunca...

Para finalizar, vou deixar, abaixo, um pedacinho do VI Curso de Multiplicadores de Ações de Apoio às Famílias para vocês, realizado de 18 a 20/11, aqui em Brasília.



Foram formados mais 232 novos multiplicadores! 



 Dra. Amanda Wanderley, Subsecretária de Políticas sobre Drogas do DF, na abertura.



Polyanna P.: "A família precisa de cuidados!" 



Público presente no auditório da Câmara Legislativa do DF.



Dr. Theodoro: "Tráfico e uso de drogas: aspectos legais."



Antonia Nery: "A família como fator de proteção!"



Visita aos stands: N.A., NAR-ANON, AL-ANON e AMOR EXIGENTE presentes.



Música ao vivo. 



Dr. Evandro Faganello: "O tratamento da dependência química e da família."



Dr. José Fernando:  "Um panorama da codependência."



Depoimento de Cesar Ricardo, ex-usuário, e de sua mãe, D. Ana Lucia, fundadora do Amor Exigente em Brasília.



Dr. Leonardo Moreira: "O cérebro e a droga."



Sorteio de brinde aos multiplicadores.



Parte da Equipe Ame, mas não sofra!

Fiquem com Deus!
Beijos.

terça-feira, 18 de novembro de 2014

Os Primeiros Dez Dias!



Bom dia!

Tudo bem com vocês?

Por aqui, está tudo bem, na medida do possível...

Como disse na última postagem, meu (ex)esposo saiu de casa no domingo, dia 09, levando todas as suas coisas. Alugou um lugar para si, e foi...

Ele estava tão arrogante, tão cheio de si, tão confiante, que por alguns instantes me esqueci que ele tem uma doença, e até acreditei que ele realmente estaria melhor sem nós.

Os primeiros três dias foram os piores... Ter que conversar com as crianças, ver meus filhos pequenos chamando pelo papai, me adaptar com a ausência dele, mas enfim, com o passar das horas, me apegando a Deus, e usando como fuga o trabalho e os meus filhos, tudo foi se ajeitando.

Como uma boa codependente, andei dando umas olhadinhas no extrato bancário dele, pela internet, para me assegurar de que estava tudo bem.

Pelo que vi, ele se manteve firme até na quinta-feira, dia 13, quando se afundou de vez no uso.

O primeiro telefonema desde a separação, aconteceu na sexta (14), pela manhã. Ele ligou em meu trabalho, dizendo que estava bem. Mas, como a Sherlock Holmes já havia visto seu extrato, sabia que ele havia passado a noite na ativa. Foram poucas palavras trocadas. Ele disse que estava bem, eu também e pronto.

Mas, de sexta a domingo, ele realmente mergulhou na droga. Foi angustiante acompanhar seus passos pelos extratos. (Por que fazemos isso conosco, né?!)

Entretanto sei que não posso ajuda-lo se ele mesmo não quiser se ajudar. E a cada dia vou me cuidando para não me sentir responsável pelas escolhas do outro...

Não nos vimos nesses dias, e nos falamos apenas três vezes em rápidas ligações que ele me fez.

Todo o dinheiro que ele levou já foi gasto, e o celular também foi trocado.

Ontem, antes das sete da manhã, ele ligou aqui em casa, e disse que queria ajuda. Eu disse que poderia ajuda-lo a se internar... À noite, ele ligou novamente dizendo que havia procurado ajuda médica, e havia sido encaminhado ao CAPS, e que estava voltando para o NA (grupo Narcóticos Anônimos).

Se é verdade ou não, se vai dar certo ou não, somente o tempo dirá... Fico na torcida por ele!!!

É muito triste saber que ele voltou para aquele mesmo ponto onde esteve há alguns anos atrás. Mas, como o especialista Jorge Jaber disse certa vez: “O familiar que deseja ver seu ente livre das drogas, deve estar preparado para vê-lo sofrer, pois o caminho (da “cura”) é pelo sofrimento...”

Enquanto nos mantemos ali como escudos, arcando com todas as consequências do uso de drogas deles, é muito difícil eles sentirem a necessidade de parar.

Não estou dizendo que todos devem se afastar de seus adictos, não. Estou dizendo que a família deve deixar de ser facilitadora do uso de drogas do outro, e deve se cuidar para não cair nas manipulações do adicto que está na ativa.

Quanto a mim, querem saber o que fiz nesses primeiros 10 dias de “solteirice”? Risos.

Primeiro, vivi o meu luto. Isso é importante! Chorei, me lastimei, fiquei um tempo comigo mesma...

Segundo, me apeguei mais ainda a Deus, ouvindo músicas com mensagens cristãs e orando sempre que a dor aumentava... Queria ter ido à igreja, mas não deu...

Terceiro, foquei nos meus filhos ainda mais. Brincando com eles, conversando, vendo desenho, comendo pipoca juntos... Eles me ajudam demais!!

Acreditam que meu filho de 5 anos, dia desses, ao me ver sentada no sofá, me deu uma almofada e disse:

- Mamãe, coloca aí nas suas costas e fica bem quietinha.
- Filho, não precisa, já vou me levantar. – Respondi.
- Nada disso, mamãe, você vai descansar, porque agora eu sou o homem da casa, e vou cuidar de você...

Lindo demais, né?!!

Minha filha também tem sido muito presente nesse momento. Eles me dizem “eu te amo” tantas e tantas vezes... E ver todo esse cuidado e preocupação comigo, fez com que eu me levantasse rapidinho!

Em quarto, me aproximei de pessoas queridas. Passei o fim de semana na casa da minha irmã, recebi a visita de uma amiga na sexta, me aproximei ainda mais dos meus amigos de trabalho...

E por fim, mergulhei no trabalho! Não parei um minuto, ocupei minha cabeça, e isso também tem me ajudado.

Hoje, às 14 horas, começaremos a sexta edição do Curso de Multiplicadores de Ações de Apoio às Famílias. Esperamos mais de 400 inscritos! E hoje será a minha palestra. Confesso que por vezes pensei em mudar para outro palestrante, mas não farei isso. Por tanto tempo tenho falado da importância de seguirmos com nossas vidas adiante, mesmo quando nossos familiares adictos estão parados, e é isso que estou fazendo, seguindo adiante.

A dor está aqui dentro, claro que está. Não é uma dor de uma separação comum... É a dor do receio de que as coisas não terminem bem para ele, é a dor da impotência, a dor da frustração e dos sonhos perdidos...

Entretanto, essa dor não precisa ser e não será o centro da minha vida, e nem controlará minhas ações e sentimentos.

“A dor é inevitável, mas o sofrimento é opcional...”

Assim como ele é responsável por suas escolhas, eu sou responsável pelas minhas.

E eu escolho não me entregar a essa dor. Escolho cuidar bem de mim. Escolho viver. Escolho seguir de pé. Escolho me amar e me fazer bem...

Salãozinho daqui a pouco para mudar os cabelos! Isso também me fará bem! Risos.

E ontem, quando saía do trabalho, olhem o que Deus me deu de presente! Nunca havia visto um arco-íris tão forte, tão colorido e tão lindo! Foi incrível! Me deu uma sensação tão gostosa... Uma certeza de que Alguém está cuidando de mim, sempre!




Clique aqui, e ouça a entrevista dada à Rádio Nacional, nesta semana.


Grande beijo!
Fiquem com Deus!

domingo, 9 de novembro de 2014

É isso: acabou!



09 de novembro de 2014, domingo.

Boa noite!

Hoje se encerra um ciclo de 7 anos, 10 meses e 30 dias... (excluindo o tempo de namoro).

Um ciclo de muita dor, mas também de muito amor... De muita luta, mas também de muito companheirismo...

Em 10 de dezembro de 2006, eu havia desembarcado naquele aeroporto, em Washington-DC, tão cheia de sonhos e expectativas. Acreditava que o nosso amor e casamento seriam “para sempre”. Enquanto ele conduzia o carro, nos mantínhamos de mãos dadas, trocávamos olhares, nos beijávamos em cada semáforo fechado, e prometíamos cuidar um do outro todos os dias das nossas vidas...

Hoje, também era ele quem conduzia o carro... Mas não havia olhares trocados, nem toques... Apenas muitos pensamentos confusos na mente, um nó horrível na garganta, e uma dor forte no peito. E assim percorremos as ruas de Brasília, com seus pertences no porta-malas, em silêncio... Ensaiei um monte de frases para dizer na hora do “adeus”, mas não consegui dizer nem uma palavra.

“Acho que peguei tudo, né?” Ele disse.

“Unhum”. Respondi.

Ele deu um beijo na testa dos meninos, dizendo que os amava, e foi.

Ele recaiu na ultima quarta, discutimos na quinta, e hoje ele alugou um lugar para si, e partiu.

Já estávamos conversando sobre isso antes mesmo da recaída. Esse último ano ao seu lado foi muito difícil. Sem tratamento, a convivência se tornou quase insuportável.

Ele está resistente. Ainda não se deu conta das perdas que a droga está trazendo para a sua vida. E, infelizmente, não há mais nada que eu possa fazer.

A sensação que estou sentindo hoje é de fracasso, de perda, e de luto.

Conversei com meus três filhos, à tardezinha, sobre a separação.

Meu filho de cinco anos chorou, me fez muitas perguntas, às quais tentei responder com cautela, paciência e carinho, tentando amenizar seu sofrimento...

Minha filha mais velha (15), que sabe da doença do padrasto, me perguntou se ele vai buscar ajuda, e eu respondi que não sabia, e sugeri que oremos por ele... Nos abraçamos, e juntas choramos...

Nós o amamos.

E esperamos que ele consiga se encontrar...  

Hoje olhei várias vezes para o celular, pensando em ligar para saber se ele estava bem, em outras palavras, para saber se ele não voltou a usar drogas, mas não liguei, nem vou ligar.

Estou sentindo um gosto amargo por dentro. Medo. Tristeza. Frustração.

Mas sei que tudo isso vai passar.

Estou tranquila, pois sinto que dei tudo o que poderia dar, e tentei tudo o que poderia tentar, na verdade, acho que fui até muito além da minha capacidade humana em nome desse amor, e da vontade de que tudo terminasse bem.

Mas, meus filhos estão crescendo, e eu estou envelhecendo, e merecemos um pouco de paz.

Preciso estar bem para educa-los.

Cheguei a um ponto em que apenas o desligamento emocional não estava mais dando tantos resultados, então o plano agora é o rompimento emocional.

Que Deus cuide dele, onde quer que ele esteja.

E que Deus cuide dos meus filhos, e me dê força e sabedoria para cria-los da melhor maneira possível...


Estou triste sim, mas conto com a ajuda de dois grandes aliados. O primeiro e maior deles é Deus, Aquele em quem confio e que sei que está cuidando de mim em todos os momentos. E o segundo é o tempo... O tempo vai passar e as coisas vão se ajeitar, e ainda voltarei aqui para dizer a vocês: EU CONSEGUI dar a volta por cima!